Crônicas Do Olimpo - A Maldição Do Titã
8 Resgate o Peixe... Hum... Alguma coisa
Notas iniciais
E OBRIGADA! a Annie Volturi que recomendou todas as 'temporadas' até agora... Curti muito hein Flor de Loistu (Não sou Poser, sou demente a FDL *----*) enfim.... Lets go?
Falando sério agora, a esse ponto estou começando a achar que meu querido irmãozinho — vulgo, Percy Jackson. — esta em estado de depressão e isso me deixa em depressão. Sério, e não sei se é por causa da profecia que recebi ou por causa da missão mesmo. E o jeito como Quiron falou... — Por mais que eu prefira isso...
Significa que ele não quer que eu vá? Na boa, voltando a falar do Percy, durante a aula de canoagem ele caiu e gritou por minha ajuda pois estava se afogando... Percy estava se afogando... Depois eu que sou a cabeça de alga! Desde quando filho de Mar não sabe nadar? Como ele se esquece disso? Tipo, eu já esqueci que eu posso respirar debaixo da água, mas isso foi nos primeiros momentos... E quando estávamos duelando ele simplesmente atacou a maçã de Grover, o que deixou o melhor amigo do meu irmão bem chateado.
A Noite eu não me lembro quando exatamente eu dormir. Mas sei que demorou, passei a escuridão inteira virando de um lado para o outro no beliche. Ei! Sabiam que Percy fala dormindo? Deve ser a genética... Ele não disse nada com sentido, pelo menos. Ele disse algo como "...São tão lindas" e então voltou a roncar e babar no travesseiro.
Me lembro bem daquele sonho.
Eu estava de volta naquela caverna de neblina, o teto pesado e baixo acima da minha cabeça. Jake estava ajoelhado debaixo do peso de uma massa escura que parecia uma pilha de rochas. Ele não gritava. Suas pernas tremiam. Eu sabia o quanto Jake era forte, mas estava bem claro... A Qualquer segundo suas forças se esgotarias e as pedras desabariam sobre ele.
– Como está nosso hóspede mortal? – uma voz masculina ressoou.
Eu sabia que não podia ser Cronos. A voz do titã era ríspida e metálica, como uma faca arranhando uma pedra. Já havia escutado-a me provocando várias vezes antes em meus sonhos. Mas essa voz era mais profunda e baixa. Porém, Sua força fazia o chão vibrar.
Uma figura loira emergiu das sombras da caverna. Luke. Ele parou diante de Jake que nem para xinga-lo tinha forças. Jake gemia com o peso. Luke voltou-se para o homem oculto.
- Ele vai virar pó a qualquer momento. — cuspiu Luke. — Temos de ser mais rápidos...
A voz grave riu entre dentes. Pertencia a alguém nas sombras, no limite do meu sonho. Então uma mão carnuda empurrou alguém a frente para dentro da luz – Ártemis – suas mãos e pés confinados em correntes de bronze celestial.
Respirei com dificuldade. Seu vestido prateado estava rasgado e esfarrapado. Seu rosto e braços estavam cortados em vários lugares, e ela estava sangrando icor, o sangue dourado dos deuses.
– Você ouviu o garoto – falou o homem nas sombras. – Decida-se!
Os olhos da deusa brilhavam furiosamente. Eu não entendia porque ela simplesmente não arrancava as correntes, sumia em luz... Qualquer coisa aprecia impossível no estado em que ela estava.
Talvez as correntes a impedissem, ou alguma magia desse sombrio, horrível lugar.
Ártemis olhou para Jake, ela não parecia saber que reação ter. Jake não conseguia dizer nada, ele apenas rangia os dentes, mas não olhava para Ártemis, nem para Luke, nem parecia estar curioso para saber do rosto do homem oculto nas sombras. Ele disse algo que não pude ouvir inicialmente... Meu nome.
- Você é um hipócrita mesmo. — disse Ártemis forçando os dentes. — O que pensa que vai ganhar com essa palhaçada?!
- Ele vai morrer logo, logo. — disse Luke despreocupadamente. Cretino. — Mas você pode salva-lo... Ou deixa-lo morrer... Quando você quer algo, não vai atrás?
- O que quer dizer com isso? — perguntou a deusa.
Luke sorriu sinistramente, as pouca luz criava uma auria maligna em volta de si.
- Sabemos que a quer para seu... Hum... Clubinho de garotas. — disse Luke. — A Jackson.
Vi Jake arregalar os olhos.
Sentia que meu coração estava sendo enroscado em um nó. Queria correr até ele, mas não podia me mexer.
Então aconteceu uma coisa que surpreenderia qualquer caçadora.
– Liberte minhas mãos – Ártemis disse.
Luke trouxe sua espada, Mordecostas. Com um golpe preciso, ele quebrou as algemas da deusa.
Ártemis se arrastou até Jake que olhava ela com... Desprezo? Acho que sim. Mas Ártemis ignorou os gemidos de protesto do Cabeça de Javali, e o ajudou, tomando o peso de suas costas.
Jake desabou no chão, tremulo. Ártemis cambaleou, tentando suportar o peso das pedras escuras.
O Homem oculto abafou uma risada.
– Você é tão previsível quanto foi fácil de derrotar, Ártemis.
– Você me pegou de surpresa – a deusa falou, esforçando-se debaixo de seu fardo. – Não vai acontecer de novo.
- Ah, sei que não. — disse ele. — Agora você está fora do caminho de vez! O que suas preciosas caçadoras diriam se ver a grandiosa Ártemis ajudando um garoto insolente?
Ártemis resmungou.
- Nada você sabe de misericórdia, seu porco.
- Nisso tenho que concordar. — disse o homem. — Luke... Prenda o garoto.
- Não acha que seria melhor mata-lo...? — perguntou Luke...
Queria pular no pescoço de Luke.
- Não! — a voz do homem ecoou. — Ele será uma grande isca para a filha do Mar... Eles virão atrás dele. Tenho certeza. As Mulheres-dragão o manterão por aqui. Assumindo que ele não morra dos ferimentos, você pode deixá-lo vivo até o solstício de inverno. Depois disso, se o nosso sacrifício for de acordo com o planejado, a vida dele não significará nada. A vida de todos os mortais não significará nada.
Luke chutou Jake, imóvel no chão. E o arrastou para longe de Ártemis.
– Você nunca vai encontrar o monstro que procura – Ártemis disse. – Seu plano vai falhar.
– Quão pouco você sabe, minha jovem deusa – disse o homem nas sombras. – Mesmo agora, suas queridas servas iniciam uma missão para encontrar você. Elas devem cair direto em minhas mãos. Agora, se nos der licença, temos uma longa jornada a fazer. Devemos saudar suas Caçadoras e ter certeza de que a missão delas será... desafiadora.
A risada do homem ecoou na escuridão, estremecendo o chão até parecer que todo o teto da caverna ia desabar.
Acordei com um solavanco. Minha testa foi ao encontro do beliche de cima... Mais uma vez. Percy ainda estava dormindo como uma pedra. Tinha certeza de ter escutado uma batida forte. Olhei em volta no chalé. Olhei para a Janela. Estava escuro lá fora. Quem poderia ser a essa hora? E nossa! Como o Percy ronca... Como eu dormi desse jeito?
A Luz do luar entrava pela janela invadindo o interior do chalé 3. Eu vestia a jaqueta preta de veludo do Jake. Meu olhar caiu na porta então: BANG! BANG!
Alguém, ou alguma coisa, estava esmurrando a minha porta. Segurei Anaklusmos que estava debaixo do travesseiro e levantei da cama.
- Percy? — tentei chama-lo, mas ele roncava mais alto.
BANG! BANG!
Me voltei para a volta e dei um passo, o piso estava frio e meus pés descalços, calcei minha pantufa do Nemo — presente do Percy...
– Olá? – eu chamei.
THUMP! THUMP! Arrastei-me até a porta.
Destampei Anaklusmos, abri a porta, e me encontrei cara a cara com um pégaso negro.
AAAAAAAAAAAAAAAAH MINHA ZEUZA!... Sua voz falou na minha cabeça enquanto ele cavalgava para longe da lâmina da espada. Ah... Santo Poseidon... É só a patroa.
- BlackJack... — suspirei aliviada, porém irritada. — Sabe que horas são?
Por acaso cavalos sabem ver as horas? Estou totalmente por fora... resmungou.
- Sabe eu realmente estou com fome, um espetinho de pégaso daria bem... — sacudi Anaklusmos na sua frente e ele recuou.
BlackJack resmungou magoado.
Foi mal chefinha... Mas não precisa levar isso para o lado pessoal, tá bom? Eu sou seu fã numero um!
- Você só diz isso porque sou eu que levo torrões de açúcar para você... — resmunguei. — E não me chama de 'chefinha' ou 'patroa'. Valeu?
Como quiser chefinha...
Esfreguei o sono para fora dos meus olhos e tentei não deixar o pégaso ler meus pensamentos. Esse é o problema de ser filha de Poseidon: desde que ele criou os cavalos da espuma do mar, eu consigo entender a maioria dos animais equinos, mas eles conseguem me entender, também. Às vezes, como no caso de Blackjack, eles meio que me escolhem.
Entenda: Blackjack foi prisioneiro a bordo do barco de Luke no verão passado, até que nós causamos uma pequena distração que o permitiu escapar. Eu realmente tive muito pouco a ver com isso, sério, mas Blackjack me dava os créditos por tê-lo salvado.
– Blackjack... – eu disse, – você deveria permanecer nos estábulos.
Você por acaso vê Quiron nos estábulos?
- Hum... Não. — falei.
Então pronto... Ei! Temos outro amigo marinho precisando de socorros.
- De novo? — Resmunguei.
Sempre que estava perto da praia, os cavalos-marinhos me pediam para ajudá-los com seus problemas. E eles tinham muitos problemas. Baleias encalhadas, golfinhos capturados em redes de pesca, sereias com cutículas inflamadas – eles me chamavam para ir debaixo d’água e ajudar.
- Tá, Tá... — falei. — Já estou indo.
Você é a melhor chefinha.
Fechei a porta na cara do cavalo, mas abri novamente para dizer:
- E não me chame assim... Faz eu me sentir menor do que já sou.
Blackjack relinchou suavemente. Deve ter sido uma risada.
Olhei de volta para a minha cama confortável. Meu escudo de bronze ainda pendurado na parede, denteado e inutilizável. Os roncos de Percy atrapalhavam meus pensamentos. Fechei o ziper na jaqueta de Jake. No dia seguinte partiria em uma nova missão. E como sempre faço um dia antes de uma missão como aquela... Me perguntei se voltaria a ver aquele chalé outra vez.
Blackjack me deu uma carona até a praia, e admito que foi legal. Estar em um cavalo alado, tocando de leve nas ondas a cem quilômetros por hora com o vento no meu cabelo e o borrifo do mar no meu rosto .
É aqui. lackjack reduziu a velocidade e virou em círculo. Diretamente abaixo. É só mergulhar reto.
- Entendi... Me deseje sorte. — falei.
Desmontei de suas costas e mergulhei no mar gelado.
Estava me sentindo mais confortável fazendo acrobacias como essa nos últimos anos. Podia me mover praticamente do jeito que eu quisesse dentro d’água, apenas desejando que as correntes marinhas mudassem ao meu redor e me impulsionassem para frente, eu podia respirar embaixo d’água, sem problemas, e minhas roupas nunca molhavam a não ser que eu quisesse.
Disparei para baixo na escuridão.
Cinco, dez, quinze metros. A pressão não era desconfortável. Mas eu nunca arrisquei para ver se havia um limite para mim. Eu deveria estar cega também, tão fundo na água à noite, mas eu conseguia ver o calor das formas de vida, e o frio das correntes. É difícil descrever. Não era como uma visão comum, mas eu podia dizer onde todas as coisas estavam.
Quando cheguei mais perto do fundo do mar, vi três cavalos-marinhos – cavalos com rabos de peixe – nadando em círculo ao redor de um barco revirado e meio destroçado. Os cavalos-marinhos eram bonitos de observar. Suas caudas de peixe reluziam nas cores do arco-íris, brilhando fosforescentes. Suas crinas eram brancas, e eles galopavam pela água do jeito que cavalos nervosos fazem em uma tempestade.
Alguma coisa os estava perturbando.
Assim que me aproximei mais, vi o problema.
Uma forma escura – algum tipo de animal – estava presa pela metade debaixo do barco e enroscado em uma rede de pesca, uma dessas grandes redes que se usam em navios pesqueiros para capturar tudo de uma vez.
Odiava essas coisas. Era suficientemente ruim eles afogarem botos e golfinhos, mas eles de vez em quando também capturavam animais mitológicos. Quando as redes ficavam emaranhadas, alguns pescadores preguiçosos apenas as cortavam e deixavam os animais presos morrerem como se não fossem nada.
Aparentemente esta pobre criatura esteve fertilizando o fundo do mar do Estuário de Long Island e de algum jeito se enroscou na rede deste barco pesqueiro afundado. Ela tinha tentado sair, mas conseguiu ficar ainda mais desesperadamente presa, virando o barco no processo. Agora os destroços do casco, que estava apoiado contra uma grande pedra, estavam oscilando e ameaçando desabar em cima do animal enroscado.
Os cavalos-marinhos estavam nadando ao redor freneticamente, querendo ajudar, mas sem saber como. Um estava tentando mastigar a rede, mas dentes de cavalos-marinhos simplesmente não são feitos para cortar cordas. Cavalos-marinhos são realmente fortes, mas eles não têm mãos, e não são (shhh) tão inteligentes.
Liberte-o senhorita! Era arco-íris, acho que vocês se lembram dele...
Nadei para olhar mais de perto a criatura enroscada. Primeiramente pensei que fosse um jovem cavalo-marinho. Já tinha resgatado muitos deles antes junto com Percy. Mas aí eu ouvi um barulho estranho, algo que não pertencia ao mundo marinho mas...
- Muuuuuuuuuuu!
Cheguei mais perto e vi uma vaca... Quer dizer... já tinha ouvido falar de vacas marinhas, tipo peixe-boi e coisas assim, mas essa era realmente uma vaca com a traseira de uma serpente. A metade da frente era um bezerro – um bebê, com pelo negro e olhos castanhos grandes e tristes, com focinho branco – e sua metade de trás era uma cauda de serpente preta e marrom com barbatanas correndo do início ao fim, como uma enguia gigante.
- Wow... — exclamei. — Ei, garoto... De onde você vem?
A criatura me olhou, triste.
- Muuuuuuuuuuuuu!
Era estranho, mas eu não conseguira entender seus pensamentos. Apenas falava com cavalos. Peixes. Tubarões... Crias de Poseidon, mas aquilo não era uma.
Não sabemos o que ele é, senhorita! disse um dos cavalos marinhos. Coisas estranhas estão acontecendo...
- O que quer dizer? — perguntei confusa.
Os antigos do mar... Estão despertando.
- Certo. — resolvi não fazer muitas perguntas, o peixe... Peixe-alguma-coisa estava entrando em pânico.
Destampei Anaklusmos. e a espada cresceu até o tamanho total em minhas mãos, sua lâmina de bronze reluzindo no escuro. A vaca-serpente enlouqueceu e começou a se debater contra a rede, seus olhos cheios de terror.
- Não, não... — tentei acalma-lo. — Eu não vou machucar você...
Mas a vaca-serpente se descontrolou de vez e ficou ainda mais enroscada. O barco começou a inclinar, remexendo a imundice do fundo do mar e ameaçando tombar por cima da vaca-serpente. Os cavalos-marinhos relinchavam em pânico fazendo rebuliço na água, o que não ajudava.
- Tudo bem... — tampei Anaklusmos. — Vê? Sem espada! Sem Lâmina... Pensamentos positivos, vamos lá... Algas marinhas. Mamãe vaca. Vegetarianismo.
Eu duvidava que a vaca-serpente tivesse entendido o que eu estava falando, mas ela respondeu ao tom da minha voz. Os cavalos-marinhos ainda estavam fazendo drama, mas eles pararam de rodopiar à minha volta bem rapidamente.
Liberte-o milady! imploravam os cavalos marinhos.
- É, já entendi essa parte. — falei.
O problema era que sem espada, eu não sabia como ajudar ela (decidi que era uma fêmea mesmo...) Era como se ela tivesse visto espadas antes e soubesse o quanto eram perigosas.
- Fiquem calmos, eu vou dar um jeito! — exclamei para os cavalos-marinhos. — Preciso que vocês todos empurrem do jeito que eu falar.
Primeiro começamos com o barco. Não foi nada fácil, mas com a força de três cavalos marinhos enormes nós conseguimos virar os destroços, então não estava mais ameaçando desabar na vaca-serpente bebê. O que era um bom sinal...
Depois fui direto para as rede, desemaranhando parte por parte, retirando pesos de chumbo e anzóis retorcidos, arrancando nós em torno dos cascos da vaca-serpente. Levou uma eternidade, e foi um saco... — tipo, pior do que naquela vez que tive que tirar todos os nós do meu cabelo quando Beatrice insistiu em escova-lo.
O tempo todo continuei conversando com o peixe vaca, falando que tudo estava bem enquanto ela mugia e gemia.
- ...Capim, e eu já to ficando sem ideia. — falei durando meus pensamentos positivos.
- Muuuuuuuuuuuuu!
- Eu sei. — na verdade não sabia.
- Muuuuuuuuuuuuuuu!
- Bom... Você ainda precisa de um nome. — falei. — Que tal... Bessie?
Não me pergunte por que comecei a chamá-la assim. Apenas parecia um bom nome para uma vaca.
- Quietinha... Boa vaca-serpente. — falei acariciando sua cabeça. — Vaca boazinha...
Finalmente, a rede saiu e a vaca-serpente disparou pela água e deu uma feliz cambalhota.
Os cavalos-marinhos relincharam de alegria.
Obrigado! Milady Megan! Relincharam os cavalos-marinhos.
- É... De nada. — falei.
- Muuuuuuuuuu! — A vaca-serpente encostou o focinho em mim e me olhou com seus grandes olhos castanhos.
- Sim. — afirmei acariciando seu focinho. — Boa vaca-serpente. Boa... Apenas fique longe de problemas, esta bem?
O que me lembrou, eu estava debaixo d’água há quanto tempo? Uma hora, pelo menos. Precisava voltar para o meu chalé antes que Argos ou as harpias descobrissem que eu estava desobedecendo ao toque de recolher.
Disparei para cima e atravessei a superfície da água. Imediatamente, Blackjack desceu e me deixou segurar em seu pescoço. Ele me levantou no ar e me levou de volta para o litoral.
Como foi chefinha?
- Sucesso. — falei. — Resgatamos um bebê... de alguma coisa. Demorou uma eternidade. Quase fui pisoteada.
Grandes aventuras sempre trazem grandes perigos, você salvou minha pobre crina não é?
Não pude evitar pensar no meu sonho com Jake. Eu estava aqui, resgatando bebês monstros, mas não podia salvar meu amigo.
Enquanto Blackjack voava de volta para o meu chalé, olhei de relance para o refeitório. Vi uma figura – um garoto agachado atrás de uma coluna grega, como se estivesse se escondendo de alguém.
Era Nico Di Angelo, mas não era alvorada ainda. Nem um pouco perto do horário do café da manhã. O que ele estava fazendo ali?
Eu hesitei. A última coisa que eu queria era mais tempo para Nico me falar sobre seu jogo Mitomagia. Mas algo estava errado. Podia falar pelo jeito como ele estava agachado.
- BlackJack, pode me deixar ali. — apontei. — Atrás daquela coluna?
Eu quase estraguei tudo. Eu estava subindo os degraus atrás de Nico. Ele não havia me visto. Estava atrás de uma coluna, espiando pelo canto, toda a atenção voltada para a área de refeições. Eu estava a um metro e meio de distância, prestes a falar O que você está fazendo? bem alto, quando me ocorreu que ele estava dando uma de Hansel: ele estava espiando as Caçadoras.
Havia vozes – duas garotas conversando em uma das mesas de jantar. A essa hora despropositada da manhã? Bem, a não ser que você seja a deusa da alvorada, eu acho. Subi o capuz da Jaqueta mágica para cima da minha cabeça.
Eu me arrastei até Nico e me esgueirei em torno dele. Não conseguia ver muito bem as garotas no escuro, mas conhecia as vozes delas: Zöe e Bianca. Parecia que elas estavam discutindo.
- Não pode ser curado. — Zoë sussurrou.
- Mas como isso aconteceu? – Bianca perguntou.
- Stoll. — rosnou Zoë — Foram eles com aquela camiseta estúpida. - Sangue de centauro é como ácido. Todo mundo sabe disso. Eles borrifaram a parte de dentro daquela camiseta do Passeio de Caça de Ártemis com isso.
– Isso é terrível!
– Ela vai viver – Zöe disse. – Mas ela vai ficar de cama por semanas com horríveis marcas. De forma alguma ela poderá ir. Cabe a mim... e a ti.
– Mas a profecia – Bianca disse. – Se Phoebe não pode ir, nós só temos quatro. Teremos que escolher...
- Não há tempo, Bianca. — disse Zoë — A senhora Ártemis precisa de nos. Além do mais, a profecia disse que perderíamos um.
– Na terra árida – Bianca disse, – mas isso não pode ser aqui.
- Talvez... — disse a caçadora. — O acampamento tem fronteiras mágicas. Nada, nem mesmo o clima, pode entrar sem permissão. Poderia ser uma terra árida.
- Mas mesmo assim... — a menina Di Angelo tentou protestar.
- Bianca... Eu... — gaguejou Zoë eu não posso explicar, mas tenho um pressentimento de que não devemos escolher outra pessoa. Seria muito perigoso. Eles iriam conhecer um fim pior que o de Phoebe. Não quero Quíron escolhendo um campista como nosso quinto companheiro. E... não quero arriscar outra Caçadora.
– Você devia falar para Thalia o resto do seu sonho.
– Não. Não iria ajudar.
– Mas se suas suspeitas estiverem corretas, sobre o General
– Tenho tua palavra de não falar sobre isso. – Zöe disse. Ela parecia realmente angustiada. – Nós vamos descobrir muito em breve. Agora vem. A alvorada está surgindo.
Nico saiu do caminho delas. Ele foi mais rápido do que eu.
Enquanto as garotas desciam os degraus, Zoë quase encostou em mim, meu coração acelerou. Ela congelou, os olhos estreitando. Sua mão se arrastou até o arco, mas então Bianca disse:
– As luzes da Casa Grande estão acesas. Vamos!
E Zoë a seguiu para fora do pavilhão.
Eu sabia muito bem o que Nico estava pensando. Mas antes dele segui-las eu tirei o capuz e disse:
- Espere ai!
Ele deu um pulo e quase gritou.
Ele quase escorregou nos degraus congelados enquanto girava em volta para me achar.
– Megan? De onde você veio?
– Estive aqui o tempo todo. Invisível.
Ele fez com a boca a palavra invisível
– Uau. Legal.
- Mas como sabia que Bianca e Zoë estavam aqui?
Ele ficou vermelho.
– Eu as ouvi andando perto do chalé de Hermes. Eu não... eu não durmo tão bem no acampamento. Então escutei passos, e pessoas sussurrando.
- E você pensa que vai segui-las na missão?
- Como... Como você sabe disso?
- Se fosse o Percy, eu faria exatamente a mesma coisa. — falei. — Mas você não pode fazer isso.
Ele olhou-me desafiador.
- Por que não tenho idade?
- Porque elas não vão deixar. — falei. — Vão capturá-lo e mandá-lo de volta para cá. E... sim, porque você é muito novo. Você se lembra da mantícora? Haverá muitos outros como aquilo. Mais perigosos. Alguns dos heróis vão morrer.
Seus ombros caíram e ele fez bico.
- Mas... Você vai, não é mesmo? Pode protege-la... Fique de olho na minha irmã! Você tem que fazer isso. Por favor?
- Nico, eu... Eu não posso prometer nada...
- Prometa! — ele insistiu. — Por favor, Megan...
– Eu... isso é algo muito grande para prometer, Nico, em uma viagem como essa.
- Por favor!
- Farei meu melhor... Isso eu posso prometer.
- Então vá... Boa sorte. — disse ele.
Depois de uns minutos, invisível é claro. Retornei ao meu chalé. Não conseguia dormir de novo, sabendo que deveria realizar uma promessa como aquela, não era fácil... Mas eu teria que dar o meu melhor. Percy não estava no chalé, estranhei. Mas ele já era bem grandinho, não? E sobre quebrar regras, não posso falar nada sobre ele. Sabem... Eu. Eu mal havia deitado e alguém batera na minha porta.
Me ergui ainda com a jaqueta de Jake, minha mochila já estava pronta, abri a porta.
Era Thalia.
- Vamos Cabeça de Alga. — disse ela — Infelizmente, não podemos ir sem você...
- Certo... — olhei para o chalé, talvez Percy estivesse na Colina esperando para desejar boa sorte... — Vamos. — falei sem animação.
Corremos até a colina, até aonde o Dragão, Peleu, protegia o velocino de ouro. Me senti realmente magoada quando vi que Percy não estava lá, hesitei ao entrar na vã. Minhas botas mergulhavam na neve. Me senti culpada por não me despedir de Percy, mas não daria tempo... Jake precisava de mim.
Notas finais
Quem vai? Quem foi na pré-estreia? (eu não... Não teve aqui. T.T) I go! i go *dá pulinhos de felicidade*
Algo a declarar sobre a pantufa do Nemo da Meg?
><' Agora vou estudar... Beijos.
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