Crônicas Do Olimpo - A Batalha Do Labirinto
14 Eu Posso! O Desafio dos Estábulos de Geríon!
Era a coisa mais repugnante que eu já vi em toda minha vida, se eu pudesse sentir o cheiro de monstros descreveria daquele jeito. Aliás, nem acho que os monstros cheiram tão mal assim quanto o...
– Meus estábulos! – Geríon disse. – Bem, na verdade eles pertencem a Aegas, mas nós cuidamos deles por uma pequena taxa mensal. Eles não são adoráveis?
Até Nico engasgou.
- Isso é nojento... — disse ele.
Hansel tossiu.
- Como você pode manter os animais nesse estado?! — exclamou.
Geríon bufou.
- Vocês estão me dando nos nervos. — disse ele. — Vejam bem, esses são cavalos carnívoros, eles gostam desse tipo de terreno.
Me senti ofendida inicialmente, estranhamente eu tinha uma familiarização com os cavalos já que os criadores deles foi meu pai, mas quando Geríon disse a palavra "Carnívoros"...
- E também, você é muito muquirana pra mandar limpá-los – Eurítion murmurou debaixo do seu chapéu.
- Cale a boca! — Geríon cortou. – Tudo bem, talvez os estábulos sejam um desafio para limpar. Talvez eles me deixem enjoado quando o vento sopra pro lado errado. Mas e daí? Meus clientes continuam me pagando bem.
- Quem é que compra isso? — perguntei.
– Ah, você ficaria surpresa com quantas pessoas pagariam por um cavalo-comedor-de-carne. Eles dão excelentes trituradores de lixo. Maravilhosa maneira de amedrontar seus inimigos. Ótimos em festas de aniversário! Nós os alugamos o tempo todo.
- Você é repugnante... — deduziu Jake.
Geríon parou o mugido-móvel e se virou para olhar pra ele.
- São os corpos!? Não fale dos meus corpos! É grosseria!
- Grosseria? — repeti. — Você esta mesmo falando para nós de grosseria?
– Você tem que deixar estes animais irem – disse Hansel. – Isso não é certo!
- Um dos seus clientes... — relembrou Jake. — Um deles é Cronos, não é? Você está suprindo seu exército com cavalos, alimento, seja o que for que eles precisem.
Geríon deu de os ombros, o que foi muito estranho, pois ele tinha três conjuntos de ombros. Parecia que ele estava fazendo uma ola toda sozinho.
– Eu trabalho para qualquer um com ouro, rapazinho. Eu sou um empresário. E eu vendo a eles qualquer coisa que eu tenha a oferecer.
Ele desceu do mugido-móvel e caminhou para os estábulos como se estivesse desfrutando o ar fresco. Teria sido uma bela vista, com o rio e as árvores e colinas e tal, exceto pelo atoleiro de imundice de cavalo.
Nico saiu da parte de trás do carro e se lançou até Geríon. O vaqueiro Eurítion não estava tão adormecido quanto parecia. Ele avaliou o peso do seu porrete e foi atrás de Nico.
– Eu vim aqui para negociar, Geríon – disse Nico. – E você não me respondeu.
– Hmmm. – Geríon analisou um cacto. Seu braço esquerdo se esticou e coçou seu peito do meio. – Sim, você terá um acordo, tudo bem.
– Meu fantasma me disse que você poderia ajudar. Ele disse que você poderia nos guiar até a alma de que precisamos.
– Espere um segundo – falei. – Achei que eu era a alma que você queria.
Nico me olhou como se eu fosse louca.
– Você? Por que eu iria querer você? A alma de Bianca vale mil vezes a sua! Agora, você pode me ajudar, Geríon, ou...
- Nico, quando você vai largar de ser criança? — disparei, ele me olhou desafiadoramente.
- O que disse?
- Perguntei quando vai largar de ser criança... — repeti.
- Megan, acho melhor... — começou Jake, mas eu o cortei.
- Bianca era uma pessoa legal, duvido que ela iria querer que alguém vivesse vingando a morte dela, ela não merece isso, é sujo. — falei.
Nico me avaliou bem, achei que ele abriria um buraco abaixo dos meus pés direto para o Tártaro. Mas ele apenas deu um meio sorriso.
- Não me lembro do momento em que pedi opiniões, Jackson.
- Não me lembro do momento em que passei a me importar com isso. — retruquei.
Geríon bufou.
- De novo não... — começou. — Então, Sr. Di Ângelo... — ele parecia querer evitar um duelo logo ali, mas eu não queria lutar com Nico, queria salva-lo, mas ele não facilitava as coisas para mim. — Seu amigo fantasma, a propósito, onde está ele?
Nico parecia desconfortável.
– Ele não pode aparecer em pleno dia. É difícil para ele. Mas ele está em algum lugar por aí.
Geríon sorriu.
– Tenho certeza. Minos gosta de desaparecer quando as coisas ficam... difíceis.
– Minos? – Eu me lembrava do homem que vira nos meus sonhos, com a coroa de ouro, a barba pontuda e os cruéis olhos. – Você quer dizer aquele rei maligno? Esse é o fantasma que tem lhe dado conselhos?
- Isso não é da sua conta, Jackson. — disse ele.
Bufei. Nico se voltou para Geríon.
– E o que você quer dizer sobre coisas ficando difíceis?
O homem de três corpos suspirou.
– Bem, você vê, Nico — eu posso te chamar de Nico?
– Não.
– Você vê, Nico, Luke Castellan está oferecendo muito dinheiro por meio-sangues. Especialmente meio-sangues poderosos. E tenho certeza que quando ele descobrir seu segredinho, quem você realmente é, ele vai pagar muito, muito bem.
Nico sacou sua espada, mas Eurítion a golpeou para fora de sua mão. Antes que eu pudesse levantar, Ortro avançou para mim, suas faces a centímetros da minha.
- Megan! — Jake exclamou, ele iria vir na minha direção.
– Eu ficaria no vagão, todos vocês – advertiu Geríon. – Ou Ortro cortará a garganta da Srta. Jackson. Agora, Eurítion, seja gentil, segure Nico.
O vaqueiro cuspiu na grama.
– Tenho que fazer isso?
– Sim, idiota!
Eurítion pareceu aborrecido, mas ele envolveu um enorme braço em volta de Nico e o levantou como um lutador.
– Pegue a espada, também – disse Geríon com repugnância. – Não há nada que eu deteste mais que aço do Estígio.
- Solte... Ele. — falei com dificuldades, tomando o cuidado com o tom de voz.
- Não quero sua ajuda, Megan! — exclamou Nico.
- Não perguntei o que você queria. — falei com a voz rouca.
Eurítion pegou a espada, tomando cuidado para não tocar na lâmina.
- Você não entende a situação, não é mesmo, Jackson? — disse-me Geríon. – Agora – Geríon falou alegremente, – tivemos o tour. Vamos voltar para a casa, almoçar, e enviar uma mensagem de Íris aos nossos amigos do exército Titã.
- Vá para o Tártaro. — disse Jake.
Geríon sorriu para ele.
– Não se preocupe, rapaz. Depois de ter entregado o Sr. di Angelo, você e seus amigos podem ir. Eu não interfiro em missões. Além disso, fui bem pago para dar a vocês passagem segura, o que não inclui, temo, o Sr. Di Angelo.
- Pago por quem? — insistiu Jake. – O que você quer dizer?
- Oras, não importa. Vamos logo...
– Espere! – falei, e Ortro rosnou. Fiquei perfeitamente parada para que ele não rasgasse a minha garganta. – Geríon, você disse que é um homem de negócios. Faça um acordo comigo...
Geríon estreitou os olhos.
– Que tipo de acordo?
- Uma troca. Aceita?
- Mas a Senhorita não tem nada...
– Você poderia fazê-la limpar os estábulos – sugeriu Eurítion inocentemente.
- Eu faço isso! — exclamei, Ortros rosnou, me paralisei por inteira. — Se eu falhar, você fica com todos nós. Pode negociar todos nós com Luke por ouro.
– Se os cavalos não comerem você – Geríon observou.
– De qualquer forma, você obtém os meus amigos – falei. – Mas se eu tiver sucesso, você tem que deixar todos nós irmos, incluindo Nico.
– Não me faça favores, Megan. — disse ele. — Eu não quero sua ajuda!
Geríon riu.
– Megan Jackson, aqueles estábulos não têm sido limpos em mil anos... mas é verdade que eu poderia vender mais espaço nas cocheiras se todo aquele estrume for retirado.
– Então o que tem a perder?
O fazendeiro hesitou.
– Tudo bem, eu vou aceitar sua oferta, mas você tem que fazê-lo até o pôr do sol. Se você falhar, seus amigos serão vendidos, e eu ficarei rico.
- Fechado. — falei.
Ele assentiu.
– Ficarei com seus amigos, de volta para a casa. Nós vamos esperar por você lá.
Eurítion me deu um olhar engraçado. Poderia ter sido simpatia. Ele assobiou, e o cão pulou de cima de mim para o colo de Jake. Ele ganiu. Eu saí do vagão e fixei os olhos nele.
- Espero que saiba o que esta fazendo. — disse ele.
- Eu também espero. — falei.
Geríon foi para trás do volante. Eurítion rebocou Nico para o banco de trás.
– Pôr do sol – lembrou-me Geríon. – Sem atraso.
Ele riu de mim mais uma vez, soou a sua buzina berrante, e o mugido-móvel se deslocou ruidosamente trilha abaixo.
Quando ele já tinha ido, murmurei.
- Canalha...
Eu não pensava que o cheiro poderia ser pior quando se aproximava daquele lugar. Eu perdi as esperanças quando vi os dentes dos cavalos. Conforme chegava mais perto da cerca, segurei minha camiseta sobre o meu nariz para bloquear o cheiro. Um garanhão andou pelo esterco e relinchou bravo para mim. Ele mostrou os dentes, que eram pontudos como os de um urso.
- Wow... — falei. — Ah, oi... Vou limpar os estábulos, não vai ser irado?
Sim! Disse o cavalo. Venha para dentro! Vou comer você! Meio-sangue apetitosa!
- Mas sou filha de Poseidon! — exclamei. — Meu pai criou os cavalos!
Geralmente isso me dá tratamento VIP no mundo equino, mas não desta vez.
Sim! Disse o cavalo entusiasticamente. Poseidon pode vir também! Vamos comer vocês dois! Frutos do mar!
Bufei... Isso vai ser mais difícil do que pensei.
Fiquei horas andando de um lado para o outro sem saber o que fazer, Moscas zumbiam por toda parte, e o calor do dia não melhorava o cheiro. Eu tive a ideia de que poderia cumprir este desafio, pois me lembrava de como Hércules havia feito isso. Ele canalizou um rio para os estábulos e os limpou dessa maneira. Calculei que talvez pudesse controlar a água. Mas se eu não conseguisse chegar perto dos cavalos sem ser devorada, isso seria um problema.
E o rio estava colina abaixo, bem mais longe do que eu tinha percebido, quase um quilômetro de distância. O problema do cocô parecia bem maior de perto. Peguei uma pá enferrujada e joguei um pouco pra fora da cerca. Ótimo. Apenas mais quatro bilhões de pás para terminar.
O sol já estava baixando. Eu tinha no máximo algumas horas. Decidi que o rio era minha única esperança. Pelo menos seria mais fácil pensar na margem do rio do que ali. Eu comecei a descer a colina, quando uma voz disse:
- Ah, não! Você não vai fazer isso. — ela me empurrou no chão atrapalhando meu caminho.
Ela usava jeans e uma camiseta verde e seu longo cabelo castanho estava trançado com algas do rio. Ela tinha um olhar severo. Seus braços estavam cruzados.
- Você... é uma náiade. — confirmei.
Ela girou os olhos.
- Dã. — disse ela. — Qual foi sua primeira pista?
– Mas você fala. E está fora da água.
– O quê, você acha que não podemos agir como humanos se quisermos
- Bem, nunca vi algo parecido antes... — comentei. — Não importa... — sacudi a cabeça. — Preciso usar a água do rio! Meus amigos estão em perigo!
- Não vou deixar você fazer isso! — exclamou ela. — O último cara que me pediu esse favor, ele me convenceu, e foi o pior erro que eu já cometi! Você faz ideia do que aquele monte de estrume faz com o meu ecossistema? Eu pareço uma planta de tratamento de esgoto pra você? Meus peixes morrerão. Eu nunca tirarei o esterco das minhas plantas. Ficarei doente por anos. NÃO, OBRIGADA!
- Você podia só ter dito "não". — falei, sentando-me frustada no chão. — Mas... Meus amigos morreram.
Ela me avaliou com um olhar.
- Você não sabe de nada mesmo, não é? — perguntou ela. — Achei que fosse filha de Poseidon.
Ergui meus olhos para ela.
- Mas eu sou. — falei.
- Prove. — pediu ela.
Suspirei, ergui a mão na direção do rio e conjurei uma única gota e a fiz dançar diante dos meus olhos, em seguida cair no chão.
A garota bufou.
- Isso nunca é suficiente em uma batalha, garota dos mares. — disse ela. — Vai molhar seus oponentes? Ou o que?
- Hum... Sei andar na água, falo com cavalos, respiro embaixo da água... Crio leves terremotos as vezes. — falei me lembrando da última vez que fiz isso, na verdade eu não sabia fazer isso, mas quando eu ficava nervosa acontecia... assim.
A Garota náiade suspirou e sentou do meu lado.
- Você não é tão diferente de mim, semideusa. Mesmo quando estou fora d’água, a água está em mim. É minha fonte de vida. Entende isso?
- Não. — falei.
Ela bateu na própria testa.
- Alguma vez, uma única vez você já... Conjurou água sem ter um rio ou algo por perto? E essa água já pareceu fora do normal? — perguntou-me.
Então foi como se ela vasculhasse minhas lembranças, uma vez no mundo inferior fui salva por uma grade esfera de água a prova de balas, e uma vez Percy me defendeu com um escudo de água a prova de raios. Nunca me perguntei sobre isso... Até agora pensado bem sobre isso.
- Já... Mas o que tem haver?
Ela suspirou e isso já tava me irritando.
- Somos frutos das forças marinhas, filha de Poseidon. — disse ela. — A água em você e a água natural são diferentes, você pode usar essa água para atingir seus objetivos...
Ela se ergueu, deu passos em direção ao rio, se virou para mim e sorriu.
- Boa sorte. — disse então ela se transformou em água e se juntou ao rio.
Não havia entendido droga nenhuma do que ela disse, mas eu já fiz isso antes e não tinha muita certeza se poderia repetir...
Mas lá estava eu, diante do estábulo repugnante pensando no que fazer, sem tentar, eu não ia conseguir mesmo. Tipo tentar ligar o microondas sem ligar na tomada, ou ouvir musica no fone de ouvido sem conectar o fone de ouvido. (Lay : Isso é indireta pra mim?) (Megan : O que você acha?) (Lay : Que eu criei um monstro...)
Alguém deve ter passado lá e alimentado os cavalos, pois eles estavam dilacerando enormes carcaças de animal. Não pude dizer que tipo de animal, e eu realmente não queria saber. Se era impossível os estábulos ficarem mais nojentos, cinquenta cavalos devorando carne crua deram conta disso.
Frutos do mar! Um deles pensou quando me viu. Chega mais! Ainda estamos com fome!
Suspirei e ergui as mãos na direção dos estábulos...
- Vamos... — fechei os olhos e me concentrei em coisas positivas, peixes, água, chuva, água, comida azul... E quando abri os olhos consegui!
Só.... Que não.
Abaixei os braços suspirando, eu não tinha jeito mesmo. Me senti muito idiota, tentei mais uma vez, coisas mais positivas: Quando encontrei meu pai pela primeira vez, quando reencontrei Percy, quando conheci Silena, quando Jake quase me beijou no chalé de Ares... Espera... O QUE?!
Ouvi um chiar e abri os olhos, uma linha reta molhava o gramado na direção dos estábulos, olhei para minhas próprias mãos, a ponta dos dedos estavam pingando água.
Eu soube que havia atingido um dos cavalos, pois o mesmo recuou.
Eca! Ele disse. Salgada!
Eu estava pasma, quase consegui... E não acredito no motivo disso!
Fé, querida... Apenas tenha fé em si mesma.
Disse uma voz feminina na minha mente.
Não soube exatamente o que eu fiz, eu apenas escutei a voz, se ela estava dizendo que eu podia, então eu podia. Ergui as mãos na direção dos cavalos que me olharam com confusão. Fechei os olhos pensando em coisas mais fortes, que realmente me tocassem... Mas não foram tão positivas, talvez...
O dia em que Luke matou Percy. Quando eu e Thalia lutamos no captura a bandeira. Meu pai. Quando eu, Tyler e Jake montamos em hipocampos. Quando conheci Silena e quando ela tentou me matar... Admito que pensei até no quase beijo (Não conte para o Jake!!!!)
Você pode... disse a voz.
- Eu... — comecei, então abri os olhos. — Posso fazer isso.
No instante seguinte eu senti o poder, era como se meus dedos fossem mangueiras de água, e todas elas juntas formassem uma grande cachoeira, os cavalos reclamaram. Ignorei, apenas pensei em resposta para aquela voz:
Obrigada, mãe.
Notas finais
Ouçam o último single lançado: http://www.youtube.com/watch?v=exfhq_-_am8
"Novo passo", pra quem gostava de CBJR vai gostar :'(
"O Futuro recomeça
Te vi longe de tudo
Fui pro sub mundo e percebi que o verdadeiro ouro
vem do espirito de grupo"
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