Crônicas De um novo Tempo

10 Coração. Maldito coração..


Notas iniciais
Personagens principais do capítulo: Milo, Helena, Shina e MarinBoa leitura!

Mal os primeiros raios de sol sairam no horizonte, Milo despertou.

Em seus braços, agarrada a ele dormia Helena, os dois embolados na grossa manta haviam dormido ao relento. Não haviam feito nada demais, depois dos beijos que trocaram, das confidências e carícias apenas adormeceram juntos.

Lembrou-se de tudo o que tinha sido vivido, experimentado, dito e sentido pelos dois na noite anterior e se sentiu irresponsável, ainda que fossem só beijos, confissões, carícias.

Como podia ele se envolver daquela forma com sua pupila?

"Voce é o mestre dela! És um irresponsável Milo!!" — Gritou consigo mesmo mentalmente.

Não culpou Helena, pois era apenas uma jovem sem experiencia na vida, mas ele não, ele era seu Mestre e não podia ter falhado daquela forma.

O Mestre do Santuário havia lhe confiado essa missão e ele não podia falhar, sua reputação de cavaleiro seria sérimente manchada e ele seria considerado um fracassado se algo saísse errado.

Milo apesar de bem humorado, era um cavaleiro metódico e exigente no que diz respeito ás suas tarefas a serviço do Santuário. Sempre fora exigente consigo mesmo e com aqueles que comandava.

O Santuário era tudo para o cavaleiro de escorpião, o serviço á Atena era o que lhe havia salvado a vida, e devia tudo a isso. Se não fosse por seu mestre, o garoto teria morrido nas ruas, vítima do infortúnio da tragédia que se abateu sobre sua família. Mas fora resgatado, a ele dada nova chance e a oportunidade de ser alguém, mas que isso, de fazer parte da elite da deusa, da patente mais alta entre os soldados do exército de Atena. Cada cicatriz pelo corpo, cada batalha vencida, cada história de guerra a ser contada eram suas medalhas. Servir era seu maior orgulho, a armadura e a casa que defendia eram sua própria vida e agora tudo isso contrastava com a vontade que tinha de simplesmente chutar tudo e viver aquela paixão de forma insana e descompromissada. Nunca, nada havia sido mais forte que o serviço á Atena. Até agora.

Levantou-se com cuidado, deixando Helena alí mesmo. O sentimento de culpa tomara conta dele por inteiro, sabia que havia cometido um erro mortal.

Entrou em sua tenda, trocou de roupa e saiu floresta á dentro para pegar frutas e pensar um pouco.

Helena acordou, sonolenta, abriu seu olhos devagar e sentiu falta do corpo de Milo ao que estava abraçada a noite toda. Se assustou ao olhar em volta e não vê-lo. Olhou nas tendas e viu que tudo estava intacto, sabia que ele não a tinha abandonado, mas que o sonho da noite anterior poderia ser um pesadelo para seu Mestre. Helena conhecia as regras e sabia que aquele amor era impossível. Ela teria forçado demais? — se perguntava, sentindo-se culpada.

Horas depois ele chegou e ela já estava pronta para um novo dia de treinos.

– Bom dia — disse ela

– Bom dia...

Ele estava o mesmo, mas mais frio e indiferente, nem tocou no assunto da noite anterior, nem de longe parecia o homem carinhoso e cheio de amor a qual dormiu nos braços, estava distante e nem chegou perto dela.

Deixou as frutas e também mel, ofereceu para que comesse

– E voce, não vai comer? — perguntou ela, tentando quebrar o gelo

– Não, já comi. Te espero para treinarmos...

Saiu deixando-a só com os alimentos. Helena sentiu-se triste, foi atrás dele pois nunca deixara um assunto interminado.

– Milo, está assim pelo que houve ontém?

Ele se virou, olhando-a nos olhos:

– O que houve ontém deve ser esquecido Helena, isso é uma ordem. — disse dando-lhe as costas e indo em direção ao local onte costumavam treinar.

O coração do cavaleiro doía com essa decisão e em imaginar a dor que sua querida estaria sentindo, mas era preciso para que ele pudesse cumprir com sua obrigação perante o Santuário.

E para que ela também não fosse envergonhada sendo apontada por se envolver com seu Mestre, isso não seria positivo para a reputação dela.

*** Santuário ***

Os meses passam e Shina não consegue se livrar da tristeza que sente em seu coração.

Sentada no lugar mais alto da arquibancada da arena de treinos, observa os aspirantes treinando com os cavaleiros de prata.

Lembra-se de Seiya, de quando era um garoto e de como haviam se conhecido. Da máscara que lhe fora arrancada e de como desejou ser dele. Mas logo percebeu o amor do Pégaso por Saori e de como, apesar dos elogios, ele apenas a via como uma amazona poderosa, quase um cavaleiro, quase um homem.

Lembrou agora de Milo, e de como o cavaleiro de Escorpião também a via assim.

Milo era um dos mais assediados cavaleiros do Santuário, mal as aprendizes chegavam e já ficavam de olho na oitava casa, queriam ve-lo, tocá-lo, falar com ele. Aquele assédio no início era algo ridículo aos olhos de Shina, mas logo ela entendeu porque ele era tão desejado.

De santo ele não tinha nada, e as mais bonitas ele bem que aceitava que fossem á sua casa, que passassem uma noite e conhecessem sua cama, mas foram poucas e raras as que conseguiram isso.

Uma delas, uma aspirante japonesa das mais bonitas que já haviam pisado lá, percebendo o ciume de Shina gostava de se gabar, contando como Milo era lindo e fazia gostoso na cama, deixando a Ofiúco enlouquecida para matá-la.

Assim ela percebeu nascer dentro dela uma paixão, já não pensava em Seiya — "que fique com aquela vaca da Saori" — pensava ela. Ela agora pensava em Milo, até que este também a decepcionou.

Shina em seus pensamentos viajou até algumas semanas antes da Batalha contra Hades, lembrou-se dela e Milo na Arena de Treinos...

***

Shina estava na arena, treinando com Marin.

Chegaram Milo e Shura sem suas armaduras e ficaram na arquibancada observando as mulheres treinando.

As aspirantes logo se agitaram com a presença dos golds, tratando de exibir-se.

Milo e Shura riam da situação, se divertindo.

Irritada, Shina desafiou Milo:

– Ei! Escorpião, venha nos mostrar se voce vale mesmo toda essa fama — chamou ela — quero lutar com voce!

Ao ouvir o convite, o cavaleiro abaixou a cabeça e deu um leve sorriso, como se sentisse vergonha alheia por Shina, deixando a amazona mais irada ainda, mas não se fez de rogado, pulou para dentro da arena e andou calmamente na direção dela. Milo já conhecia Shina a anos, sabia que a moça era desafiadora, mas tinha uma coração doce.

Marin saiu de perto e Shura observava sabendo que iria se divertir.

Milo colocou-se diante de Shina e apenas esperou que a oponente atacasse, observava a amazona que se irritava com a confiança do cavaleiro.

Ela começou lançando-lhe um golpe que foi por ele fácilmente aparado com as mãos, e assim se seguiram mais golpes, sempre por parte dela e ele parando todos com facilidade.

"Não pode ser..." — pensou Shina. Era inacreditável que não acertaria nenhum.

As "aspirantes — fãs" do escorpião suspiravam babando, Marin se preparava para consolar Shina e Shura ria descontroladamente.

– "O que ela pensa que está fazendo.." — pensava Marin observando a luta — "Ele é um cavaleiro de ouro, possui a velocidade da luz, pode defender-se dos golpes de qualquer cavaleiro de prata ou bronze fácilmente, será que Shina não percebe que é inútil?"

Até que Shina lançou seu último e mais poderoso ataque...mais uma vez parado com uma única mão. Milo não a havia atacado nenhuma vez, e vencera, vendo sua oponente cair exausta. Sempre mais rápido, ele só tinha o trabalho de defender-se enquanto ela se cansava, deixando toda sua cosmo energia se esvair.

Ao invéz de comemorar, ele andou até ela com a mesma calma e lhe estendeu a mão:

– Parabéns Shina, valeu a tentativa — disse ajudando-a a levantar

Shura gritou de longe:

– Parabéns cavaleiro ofiúco, da próxima trarei os outros para se divertirem também! Voce é hilária!! — disse rindo mais.

Milo olhou o amigo com ar repreensivo, mas já era tarde, o estrago estava feito.

Shina saiu da arena com Marin, com o cosmo queimando em raiva. Queria matar todos os cavaleiros daquele Santuário com suas próprias mãos.

No alojamento, Marin consolava a amiga que estava transtornada com a humilhação sofrida em plena arena e logo pro cavaleiro que ela estava gostando.

– Foi voce que o desafiou Shina, voce procurou essa situação — disse Marin com calma

– E voce acha que eu não seria capaz de vencer Marin? — perguntou indignada

– Seria, se controlasse seu cosmo e não usasse a raiva ou a vaidade como motivação de luta. Ele é um cavaleiro de ouro, Shina.

As palavras de Marin estavam corretas e nem tinha o que ser debatido.

***

Ao se lembrar daquele dia, juntou o acontecido ao fato de Milo nunca ter vindo pedir desculpas, ou procurar saber como ela se sentira. Nada..e quando parecia que poderiam se aproximar, aparece aquela detestável da Helena e o rouba sem a menor cerimônia.

A verdade, agora ela se dava conta, é que nem Seiya, nem Milo a viam como uma mulher. Apesar de terem visto seu rosto, eles não a viam, não viam suas necessidades, sua dor, sua solidão.

O peso de ser uma das amazonas mais poderosas e ainda ter que ser exemplo para as outras era muito grande e ela estava cansada.

Lembrou do grito de Shura a chamando de cavaleiro, e era de fato assim que ela era vista por eles: um cavaleiro, alguém que não merece carinho, flores, poemas, beijos e tudo o que toda mulher no fundo gosta: se sentir protegida, querida.

Shina sentiu ódio de todos os homens do Santuário mais do que nunca. Queria matá-los, todos. A começar por Milo.

Ela sentiu florescer seu lado obscuro.

– "Chega de ser o exemplo, a treinadora, a amazona perfeita." — Era hora de transgredir, de gritar, de extravasar a raiva e mostrar que ela era maior que tudo aquilo.

– Eles ainda não conhecem a força de Shina de Ofiúco. Eles vão se arrepender de cada ofensa e eu me alimentarei das lágrimas de cada um deles — jurou a si mesma, em voz alta fazendo Marin franzir a testa em preocupação.



*** Vistea Mare ***

Milo agora pegava ainda mais pesado no treinamento de Helena, não queria que as emoções interferissem em seu trabalho e decidiu agir com máxima frieza com sua aprendiz. Ao perceber o menor cansaço por parte dela, tratava de apertar ainda mais o rítimo.

– Vamos Helena, preciso de mais rapidez! Voce está devagar demais!! — ordenava ele impaciente, como era característica sua.

Vendo que seu Mestre estava ainda mais severo, Helena irou-se contra ele:

– Eu estou fazendo o que posso, não vê? — gritou irritada

– O seu máximo não é suficiente, é medíocre! — disse ele ainda mais irritado — se voce hoje tivesse que lutar com uma amazona como Shina, seria derrotada por ela com uma só mão!

A declaração de Milo ofendeu Helena em seu orgulho, fazendo-a num impulso atacar seu Mestre com um golpe de luta, que foi parado por ele. Não era mais treino, ela queria de fato machucá-lo.

– Voce ficou louca? Acha mesmo que pode lutar comigo? — perguntou ele, desafiador

Ela silenciou, sabia que não poderia lutar contra seu Mestre em qualquer hipótese, mas seguiu o encarando, séria:

– Voce está aqui para me treinar, não é? Então faça isso! — gritou ela

Milo riu:

– Voce não passa de uma menia mimada e muito abusada. Precisa amadurecer muito para ser uma amazona

– Maldito dia que te designaram meu Mestre — disse ela, com ira pelo desprezo que sofria.

– Maldito dia que me deram essa impossível missão, transformar alguém sem o mínimo talento para luta em uma amazona — disse ele, a olhando firmemente, mas já arrependido no seu íntimo das duras palavras.

Cada um saiu para um lado, bufando e resmungando.

Ele sentou-se na grande pedra, observava o horizonte. Ela entrou pela floresta.

"E se ela se perder?" — pensou ele, numa súbita preocupação com sua pupila

Mas logo sua raiva tratou de falar mais alto

"Que se dane! Não sou babá de ninguém.."

O tempo foi passando e Helena não voltava.

Milo começou a ficar preocupado.

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Notas finais
Chegamos ao décimo capítulo!Mas ainda temos muita história pra acontecer!Eu avisei que seria uma fic longa, rsrs! Mas espero que esteja interessante :)Bjs!