Crônicas De um novo Tempo

14 A filha de Aiolos o retorno de Saori Kido


Notas iniciais
Personagens principais do capítulo: Seiya, Saori, Milo e Helena.Boa leitura!

–- Cinco Picos

Shina abriu os olhos, o rosto sem máscara, ainda preguiçosa na cama quentinha não tinha vontade de se levantar. Não dormira tão bem assim a muito tempo.

Espreguiçou-se lentamente e ao esticar bem o braço, esbarrou em uma rosa, ao lado da cama.

Uma linda rosa vernelha para ela, e tinha um perfume familiar...

Junto um bilhete carinhoso:

"Bom dia princesa de Ofiúco

Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito."

Com amor,

eu"

Ao ler, entendeu logo o que a mensagem queria dizer. Sorriu e levantou-se.

Logo se juntou aos outros, que estavam do lado de fora com Seiya. Fazia um lindo dia de céu azul.

Logo Seiya começou a esforçar-se, parecia querer dizer algo:

– Sss...sa...

Shun o olhou com atenção:

– Seiya quer dizer alguma coisa — disse ele atento ao amigo — diga Seiya, estamos te ouvindo.

– Sss...sao...

– Saori!? — ajudou Hyoga

Seiya sorriu, assentindo. Era isso que ele queria dizer.

– Oh Seiya, Saori está longe... — disse Shun cabisbaixo

Seiya balançou a cabeça negativamente e ficou exaltado, apontou para um lado nas montanhas, como se quisesse dizer que ela estava vindo.

Tentaram mais uma vez consolá-lo, Shina assistia a tudo com pena dele.

Mas logo notaram que Seiya não estava errado:

– Vejam! — gritou Shiryu — é o Mestre! E está vindo com alguém...é.....É SAORI!!!

Todos ficaram atônitos e de fato o Mestre se aproximava e ao seu lado Saori Kido chegava para rever seus cavaleiros de bronze.

– Saori!! — gritou Shun, sendo seguido por Hyoga e Shiryu. Mais atrás Ikki observava a alegria deles.

Todos correram para abraçá-la, Shunrei lhe deu as boas vindas:

– Saori Kido! Que bom revê-la!

– Shunrei, vim ajudar Seiya, preciso fazer com que ele recupere totalmente seus sentidos e sua força — disse ela

– Sim! Com sua ajuda ele conseguirá!

Seiya sorriu, estava tão feliz com a chegada de Saori que mesmo que pudesse falar, não teria palavras para expressar o que sentia.

Ele a amava, amava com tanta intensidade que morreria mil vezes por ela.

Todos entraram para um chá e uma animada conversa sobre o que Saori teria vivido todo este tempo estando entre os deuses.

Distraido com a euforia dos cavaleiros, Ikki se dá conta de que Shina havia sumido dalí, certamente com a chegada de Saori.

A procurou exaustivamente e não achou, dando de cara com o Mestre, que viu seu desespero.

– Ikki, deixe-a — ordenou o ancião

– Mas mestre, onde ela está? — perguntou aflito

– Ela precisa deste tempo Ikki. Shina precisa de um tempo apenas para si mesma. No tempo certo, voce poderá ajudá-la.

Ikki murchou. Queria tanto mostrar a Shina que tudo podia ser diferente, queria tanto lhe dar um pouco de carinho. Mas confiou nas palavras do Mestre, se ele um dia poderia ajudá-la, estaria preparado para isso.



–- Vistea Mare

Desta vez Milo não pôde rejeitar sua aprendiz, ela já era a mulher que ele amava. Tudo o que aconteceu na noite anterior não poderia ser apagado. Os dois haviam se entregado um ao outro e nada mudaria isso.

Ela era dele, e ele era dela.

Os dois sentados frente a frente se olhavam como se tentassem decidir o que fazer a partir de agora. Entre um gole de chá e outro, ele sabia que teria que cumprir sua missão até o fim e prepará-la para ser uma Amazona de Ouro, e que quando chegasse o dia de retornar ao Santuário, deveria assumir seus atos perante o Grande Mestre e arcar com as consequencias disso.

E ele estava preparado.

Ela o olhava feliz, com um sorriso que teimava em não sair do canto dos lábios.

– Milo, meu bem...

– Hum..

– Tem algo que voce precisa saber — disse misteriosa

– O que é, meu amor?

Helena respirou fundo e contou:

– Sabe o que eu fazia aquela noite na frente da Casa de Áries?

– A noite em que eu e Shina te achamos?

– Sim. Eu havia saído daqui apenas para conhecer a casa que foi de meu pai.

– Seu pai?!! — perguntou perdendo o tom tranquilo de até agora.

– Aiolos de Sagitário. Ele é meu pai, e por isso fui até lá. — disse abaixando a cabeça — só queria ver o tal Santuário que minha mãe tanto falava, para onde ele havia levado a bebê Atena e onde fora um Cavaleiro de Ouro.

Dessa vez foi Milo a respirar fundo e tomar de uma só vez todo o chá que restara na xícara, como se fosse para facilitar a digestão de tal notícia.

– Por Deus Helena, porque nunca me contou isso? Nem mesmo para o Grande Mestre?

– O Grande Mestre já sabia, assim como Athena. Mas não pôde falar nada, por causa de Aiolia, meu tio. E porque julgou que eu mesma deveria contar essa parte da história a você.

– Qual o problema com Aiolia?

– Se ele soubesse de mim, jamais aceitaria que outro fosse meu Mestre e provávelmente voce e ele acabariam lutando inútilmente, podendo um de voces se ferir ou até morrer. Saga guardou segredo para que não houvesse um embate entre voces dois. Além do que, é um segredo muito particular que apenas eu mesma poderia revelar...e estava esperando o momento certo.

– Entendo — Milo olhava Helena fixamente, só agora notava em seu rosto traços que realmente lhe eram familiares — mas me diga, em que momento Aiolos teve voce? Nenhum de nós nunca soube...

– Depois que ele foi expulso do Santuário injustamente por traição, todos pensaram que Shura o havia matado, mas ele não morreu. Apenas se fingiu de morto para que ninguém mais o procurasse, pois sabia que seu irmão mais novo estava destinado a ser o cavaleiro de Leão e seu lugar era no Santuário. Depois de recuperar-se ele passou um período viajando e um dos lugares onde esteve foi aqui, na Romênia. Aqui ele conheceu minha mãe, os dois se apaixonaram e eu sou o fruto desse amor. Mas pouco depois do meu nascimento ele teve que ir embora...minha mãe sempre o amou, mesmo sabendo que ele jamais voltaria, sempre me falou dele, contando como ele era um Cavaleiro poderoso e leal, da injustiça feita contra ele e que um dia, eu poderia ir ao lugar sagrado onde ele viveu.

– Então aquela noite, você estava apenas visitando o lugar prometido por sua mãe...

– Isso mesmo, mas eu não imaginava que seria escolhida pela armadura, apenas Atena e o Mestre sabiam, eu só soube naquele momento. Mas agora entendo.. — disse ela com entusiasmo de quem faz uma descoberta — Ele sempre soube que eu seria sua sucessora, por isso mandou a armadura depois do que houve no muro das lamentações. Ele deve ter avisado Atena de alguma forma sobre mim.

– E sua mãe, onde está?

– Ela morreu, pouco antes de eu ir ao Santuário. Ela estava muito doente, eu cuidei dela desde criança, e prometi jamais sair do lado dela. Com sua morte, decidi ir ao lugar que ela me instruíra a visitar, pela memória de meu pai e pela dela também. É por Aiolos que estou aqui Milo, é pela memória dele — disse ela emocionada.

Os dois se abraçaram, Milo a consolou com carinho e prometeu fazer dela uma amazona no nível de seu pai, que foi um dos mais poderosos Cavaleiros de Atena.

– Convivi com seu pai Helena, eu ainda era garoto e ele já era um grande Cavaleiro, mas me lembro de sua lealdade e bondade, infelizmente fomos enganados e fizemos uma grande injustiça a ele. Agora, treinar você sará para mim uma honra ainda maior!

– Você sabe que é mais do que um Mestre para mim, você é o homem da minha vida Milo de Escorpião. Eu te amo e não quero abrir mão disso.

– Eu também te amo, e não abriremos mão de nada. Não temos nada a esconder nem do que nos envergonhar. O amor é a base da força que rege os nossos cosmos e ninguém se levantará contra ele.

Levantaram-se, se abraçaram e se beijaram, saindo para mais um árduo dia de treinamento. Aquele seria apenas mais um de muitos que viriam.

Milo e Helena agora eram de fato um casal, estavam unidos e dispostos a encarar lado a lado o que viesse pela frente.

–- Cinco Picos, alguns meses depois

Nesse tempo Seiya fez um magnífico progresso, recuperando totalmente a fala, faltando muito pouco para voltar a andar.

Sentado em sua cadeira de rodas, Seiya olha Saori com carinho e agora que já pode falar normalmente, sente que é o momento de confessar seus sentimentos:

– Voce sabe porque tenho feito tudo isso, não é Saori? Voce sabe qual a minha real motivação para lutar.

– Eu sei Seiya, eu sempre soube. Mas...

– Sempre um "mas"...tem sempre um "mas" entre nós. Por que?

– Seiya...eu não posso. Eu..

– Eu te amo Saori — disse interrompendo-a — eu não sou mais um garoto, não sou mais o menino que voce conheceu. Eu sou um homem e voce conhece meus sentimentos.

– E voce acha que eu não sofro?

– Voce sofre?

– Sofro porque te amo.

– Meu Deus Saori...então o que falta? Fica comigo, me deixa amar voce, me deixa viver pra voce, o teu amor é só o que eu preciso pra me levantar dessa cadeira e lutar.

Seiya puxa Saori pelo braço fazendo-a sentar em seu colo, sem reagir, ela permite que ele acaricie seu rosto

– Saori...deixe-me ao menos...

Ele segura o queixo dela, e a beija. Finalmente Seiya podia sentir o calor dos lábios que tanto desejava.

Um beijo cheio de amor que os dois compartilham cheios de vontade, suas línguas se encontram e ela sente o sabor de um beijo pela segunda vez na vida, o primeiro havia sido o homem que a tentou matar: Saga de Gêmeos. Esse segundo beijo talvez fosse o último — ela pensava — mas queria que aquele momento fosse eterno.

O beijo de Saga tinha gosto de guerra. O de Seiya tinha gosto de amor.

Mas logo Saori recobra a consciencia e durante o beijo permite que Seiya veja o Olimpo. Em uma visão, de olhos fechados, Seiya vê o céu e os deuses reunidos, ele vê o mundo de Atena, a qual Saori pertence.

Logo suas bocas se afastam e a visão se acaba.

– Seiya, voce não entende. Eu sou uma deusa, eu não posso.....ser sua.

Os olhos do Pégaso se entristeceram, ao ver o que viu, ele entendeu o que ela queria dizer

– Não posso ser sua Seiya, não posso me entregar e te amar como todas as outras mulheres no mundo fazem.

Seiya baixa a cabeça e não diz mais nada, ela o abraça forte e assim ambos ficam por algum tempo, olhando o horizonte.

Como era típico de Seiya ele tinha esperanças de um dia viver este amor, e esta esperança não morreria enquanto Saori não fosse apenas dele.

**

Em Rozan, Seiya avançava em sua recuperação, agora ainda mais rápido com Saori ao seu lado. Logo ele já estava andando e se movimentando normalmente.

A barriga de Shunrei cresceu e ao nono mês um lindo menino nasceu, Ryuho!

Shun e June permaneceram trocando cartas e lembranças, aguardando o dia de estarem juntos novamente.

Ikki sentia o vazio deixado por Shina, que sumira na mata sem deixar rastros. Mas o Mestre sabia que no momento certo, ela voltaria.

Hyoga decidiu ir para o Santuário, reencontrar seu Mestre Camus que ficou feliz com a visita do pupilo, já que seu melhor amigo, Milo, estava ausente fazia mais de um ano.

No Santuário, os Cavaleiros mantinham sua rotina. Muitos que haviam desertado com a chegada de Artemis, voltaram pedindo a súplica do Grande Mestre, que concedeu perdão a todos, aceitando-os de volta. E novos aspirantes a Cavaleiros e Amazonas chegavam todos os dias.

Milo e Helena treinavam pesado, ela aprendia a cada dia o que era ser uma Amazona, técnicas de luta, concentração do cosmo e ensinamentos para a vida, como ética e lealdade. Milo era um Mestre exigente e estava satisfeito com o progresso que sua aprendiz fazia a cada dia.

Numa tarde, ao aplicar seu golpe, Helena não apenas arrancou a árvore, como abriu um gigantesco buraco na mata, como se um meteoro tivesse caído alí. Isso sem alterar seu estado, sem nem mesmo um fio de cabelo sair do lugar. Ela estava quase pronta.

Se durante os dias eles eram Mestre e aprendiz e treinavam árduamente, a noite eles eram apenas Milo e Helena. As noites eram plenas de amor, com os dois sempre se amando seja diante do fogo, seja na tenda onde agora dormiam juntos.



E assim se passaram dois anos...

–-

Alice: Quanto tempo dura o eterno?

Coelho: As vezes apenas um segundo.

–-- ♥ ---

Notas finais
* Alice no Pais das Maravilhas (Lewis Carroll)