Crônicas De Um Casal De Semideuses
1 Conto 1 - CADÊ O SOL - parte 1
Notas iniciais
Esta vai ser apenas a primeira de muitas ones que virão.
Amanhã a segunda parte e uma fic especial para o dia dos pais.
(acima, Battery Park)
POV ANNABETH
De cinco em cinco minutos olhava, ansiosa, para o relógio empoeirado que ficava logo acima do quadro-negro. Os ponteiros ainda marcavam três e meia, faltavam ainda trinta minutos para o final da aula. O professor corria o giz impiedosamente, enchendo o quadro de informações sobre a IIª Guerra Mundial. Mal ele sabia que esta guerra tinha sido nada mais do que uma briga entre filhos de Zeus e Poseidon contra filhos de Hades.
No canto do quadro estava registrado o dia, hoje era 18 de Outubro, e eu e Percy estávamos fazendo dois meses de namoro. Por isso que eu estava tão ansiosa para o final da aula, iria encontrar Percy, comemorar o nosso aniversário e passar todo o final de semana juntos.
Meu pai havia ligado para o internato me autorizando a passar o final de semana fora, lógico que depois de muita argumentação minha e de ele ter uma conversa séria com a mãe de Percy. Só teve uma condição, Percy dormiria no gabinete da mãe, o cômodo onde ela estava escrevendo o seu segundo romance. O que eu achei ridículo, já que eu e Percy, em uma de nossas missões, tínhamos compartilhado até um saco de dormir, depois que o outro fora completamente destruído por um cachorro pequinês que soltava ácido (longa história). Tudo bem que isso tinha acontecido antes de nós termos começado a namorar, mas não tem motivo para desalojar ele do próprio quarto.
Faltam vinte minutos, o professor parou de escrever e começou a explicar a matéria.
Percy tinha jurado que desta vez tinha feito reservas em um restaurante legal em West Village, e que não tinha se esquecido do nosso aniversário. Mas eu só ficaria tranquila depois que estivesse sentada, dentro do restaurante e com os pratos na nossa frente. Não pensem que eu não confio no Percy, o problema são os habitantes do 600º andar do Empire State, que estão sempre atrapalhando nossa vida.
O professor faz alguma pergunta, que não ouço, já que estou completamente focada no relógio, que já indicava que quinze minutos me separavam de Percy.
Sinto um cutucão nas minhas costas, minha amiga Mary chama a minha atenção:
–Annabeth, o Sr. Halley fez uma pergunta para você!
Olhei para o professor, que me encarava furioso.
–Srta. Chase pode me responder à pergunta, agora que voltou para a Terra?
Risadas percorreram a sala.
–Pode repetir a pergunta?
O professor girou os olhos.
–Qual foram os principais motivos que causaram da IIª Guerra?
–A Alemanha tinha sido altamente prejudicada com o Tratado de Versalhes...
–Exato! – interrompeu o professor (ele tinha mania de fazer isto) e continuou dando sua explicação, como se Annabeth nunca tivesse existido, ou tivesse proferido uma palavra em sua aula.
Dez minutos. O adorável professor passa um dever de casa para segunda-feira.
Finalmente o sinal bateu. Recolhi rapidamente meu material, me despedi de Mary e fui correndo para meu dormitório. Eu já tinha deixado pronta uma pequena mochila com algumas peças de roupa e meu material de higiene e outras coisas necessárias para um final de semana. Só acrescentei meu estojo e meu caderno de História, para fazer a bendita tarefa que o Sr. Halley passou para segunda.
Troquei de roupa, coloquei uma calça jeans e uma camisa de manga longa, já que começava a esfriar em Manhattan, anunciando a chegada do Outono, dentro de alguns dias.
Com a mochila no ombro, me apresentei na secretaria, para autorizarem minha saída. Carimbaram minha ficha e minha caderneta e finalmente fui liberada. Quando eu saí, o sol já tinha se escondido atrás dos arranha-céus, que, por sua vez, lançavam longas sombras sobre a cidade. Um vento gelado me fez desejar ter colocado um casaco. Percy já me esperava do lado de fora do carro de Paul, seu padrasto. Estava com calça jeans, uma camisa branca e um casaco de moletom preto. Lindo, maravilhoso, este era o meu namorado. Senti uma pontada de ciúmes quando vi outras garotas do internato olhando para o Percy e abrindo sorrisinhos maliciosos. Ouvi um grupo se perguntando de quem ele seria namorado.
Percy somente esboçou alguma reação depois que me viu descendo as escadas da saída principal da escola. Ele abriu um sorriso, aquele sorriso que conseguia derreter a mais séria das expressões. Seus olhos verdes, sempre radiantes, ficaram mais brilhantes ainda. Nem deixou eu me aproximar, veio em minha direção e me beijou. Eu larguei minha bagagem na calçada mesmo e enterrei minhas mãos em seu espesso cabelo negro.
–Feliz aniversário, Cabeça de Alga.
–Feliz aniversário, Sabidinha.
Ele se abaixou e pegou minha mochila, colocando-a em seguida no banco de trás. Entramos no carro e nos beijamos mais uma vez antes do Percy dar a partida.
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Depois de passarmos no apartamento de Percy para largar minha mochila, fomos passar o final de tarde no Battery Park, no extremo sul da ilha de Manhattan. Era a melhor vista do pôr-do-sol de toda a Nova York. O sol sumia atrás da Estátua de Liberdade e tingia a água da baía de Nova York de cores alaranjadas.
Aconchegados em um dos inúmeros bancos, se protegendo do vento gelado de fim de verão. As árvores já iam perdendo o verde, e os arbustos quase não tinham mais flores.
No Olimpo, Deméter já deve estar se lamentando, já que no dia do Equinócio de Outono, daqui a quatro dias, sua filha Perséfone iria para o Mundo Inferior, passar seis meses com seu marido, Hades, o senhor dos mortos.
–Eu nunca tinha vindo aqui. – comentei. – É muito lindo!
–Como assim? Você nunca foi até a Estátua da Liberdade? As balsas saem deste parque para ir até Liberty Island.
–Nunca fui. E eu quero muito ir. Afinal, a Estátua da Liberdade é uma homenagem para a minha mãe.
–Nós vamos ir. – falou ele. Eu olhei para ele, com uma felicidade imensa.
–Sério?
–Sim, este final de semana.
–Você é o melhor namorado do mundo! – Nos beijamos apaixonadamente. Quando olhamos de novo para a baía, a noite já tinha chegado. Não tinha nenhum sinal de raios de sol no horizonte. Franzi a testa.
–Estranho. O sol sumiu rápido. Ele ainda estava ali antes de começarmos a nos beijar, certo?
Percy balançou a cabeça positivamente.
–Sim. Nós não ficamos uma hora nos beijando, né? – falou ele, abrindo um sorriso divertido. – Eu perco a noção do tempo quando estou com você.
Eu consegui abrir um sorriso, mas eu estava preocupada com a situação. Olhei o relógio.
–Vamos Percy. Temos que ir para o seu apartamento. Precisamos nos arrumar para ir ao restaurante. Você fez a reserva para as oito e meia?
–Sim. Em um restaurante muito bom em West Village. Viu? Desta vez eu não esqueci e não tive ajuda de nenhum deus.
Levantamos do banco e fomos em direção ao estacionamento. Quando chegamos, um adolescente, de mais ou menos 19 anos estava ao lado do carro. Ele parecia nervoso, preocupado. Eu o reconheci. Não podia ser. Eu e Percy devíamos ser os semideuses mais azarados do mundo.
Parado ao lado do carro estava Apolo, o deus da música e do sol. Ele estava preocupado, tamborilava os dedos no capô do carro, fazia haicais em voz baixa, como se fosse um mantra. Quando chegamos perto, ele percebeu nossa presença.
–Percy, Annabeth! – falou – Como vocês estão?
–Bem. – falou Percy.
–Até agora... – completei baixinho.
–Athena está furiosa lá no Olimpo. – Apolo comentou, olhando para mim – Ela ainda não acredita que seu pai deixou você passar o final de semana com o Percy.
Eu revirei os olhos, consultei o relógio mais uma vez.
–Então Apolo. O que traz você até aqui? Parece estar preocupado.
A expressão de Apolo fechou. Ele parou de tamborilar os dedos e olhou fixamente para nós.
–Eu preciso da ajuda de vocês. Aconteceu um desastre.
Eu falei um xingamento em grego.
–Precisa ser eu e o Percy? Tem tantos semideuses em Nova York...
Ele parou para refletir.
–Sim. E precisa ser agora. Senão as consequências serão terríveis.
Percy me olhou, eu levantei os ombros como se dissesse “temos escolha?”.
–O que aconteceu Apolo?
–Eu perdi o Sol.
–Como? – perguntei incrédula.
–Eu perdi o Sol. – ele repetiu, inconsolável.
–Quando você fala “o Sol”, você está falando do seu carro, não é Apolo? – Percy perguntou.
Ele balançou a cabeça negativamente e sentou no capô do carro.
–Como você perdeu uma esfera enorme e que brilha?
–Perdendo! Não me faça perguntas difíceis. Já estou sob pressão suficiente. É preciso encontrar o Sol antes do amanhecer ou...
–Ou? – perguntei.
–Eu não quero nem falar sobre o que pode acontecer.
–E como podemos ajudar? O Sol certamente não está escondido na Terra, já que é milhões de vezes maior que o planeta. – falei.
–Mas é claro que ele está aqui! Onde mais o velho Hélio estaria? – falou o deus, perplexo.
–Hélio?
–Sim, Percy, Hélio é o deus-sol. Ele é a personificação do Sol.
–Exatamente, Sabidinha. – disse Apolo.
Percy fez um barulho estranho com a garganta, como se estivesse rosnando. Ele olhou seriamente para Apolo e falou:
–Só eu posso chamar Annabeth desta forma.
Olhei surpresa para ele, não é comum Percy ter ataques de ciúmes, na verdade, nesses dois meses em que estamos juntos, ele não tinha se revelado uma pessoa ciumenta.
Apolo levantou as mãos, como se estivesse sendo rendido.
–Vocês vão encontrar Hélio para mim? – falou como se nada tivesse acontecido. Ele caminhou em direção a um carro velho, meio enferrujado ao lado do Prius do Sr. Blofis.
–Este é o seu carro? O que aconteceu?
Apolo suspirou enquanto sentava no banco da frente, que estava com a espuma do estofamento saindo.
–Ele está assim desde que Hélio sumiu. Ou seja, desde o pôr-do-sol.
Ele tentou dar a partida, mas o motor engasgou.
–Di immortales! Que merda! Não aguento mais. Ele veio soltando óleo do Empire State até aqui. – reclamou o deus adolescente. Ele tentou ligar o carro mais uma vez, porém foi bem sucedido. Antes de partir, ele abaixou o vidro (com a manivela) e disse:
–Lembrem-se, vocês tem até o horário do amanhecer. Se Auge aparecer no horizonte, seguida pela sua irmã Anatólia, e Hélio não tiver em seu posto, a Éos não vai conseguir cumprir com a sua função. E a confusão vai estar armada. Falem com Selene, ela poderá ajuda-los a dar o primeiro passo.
Ele acelerou o calhambeque, que chegou a vacilar por um momento, mas depois arrancou, subiu rapidamente em direção ao céu, já muito escuro para o horário. Os mortais que ainda estavam no parque pareceram não perceber quando o velho carro subiu em direção ao Empire State, derrubando um pedaço da carroceria no meio da calçada.
–Acho que vamos ter que cancelar o jantar não é? – disse Percy, parecendo decepcionado. Eu olhei triste para ele.
–Sim, Cabeça-de-Alga. Mas não se preocupe, vamos achar Hélio para podermos comemorar nosso aniversário amanhã, na Estátua da Liberdade.
Ele abriu um sorriso bobo e me beijou. Entramos no carro e Percy deu a partida.
–Ele falou para procurarmos Selene. – falou – Essa não é a deusa-lua?
–Sim, ela é irmã de Hélio, talvez tenha informações sobre ele...
>>CONTINUA NO PRÓXIMO CAPÍTULO<
Notas finais
bjus e até mais!!!
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