Crônicas Atemporais
2 Tempestade no deserto
Cidade de Juárez, fronteira entre México e Estados Unidos, na noite de ano novo de 2015. O capitão do esquadrão Ghost recebe uma mensagem de seus superiores em seu Cross-Com:
– “Scott, aqui é Lankhy, temos detectado que o grupo terrorista está alojado em um galpão cerca de 5 km à norte de sua posição. Estão equipados com tanques-anfíbios e se preparam para atravessar o rio Grande e atacar nossas instalações do lado americano da fronteira, você e sua equipe são os que estão mais próximos e os únicos que podem evitar sua partida. Use as cargas de C4 que pegaram e destruam o galpão. Unidades de apoio estão sendo enviadas, mas até que cheguem vocês estão sozinhos, por isso cuidado e boa sorte.”
– “Entendido” — o capitão responde, antes de se voltar para sua equipe e dar a ordem: “Ghosts, vamos!”
A equipe obedece a ordem e passam a avançar cautelosamente pela rua. Porém, são rapidamente interceptados por um tanque. Este aponta o canhão para a equipe, que rapidamente busca abrigo. O tanque dispara acertando a parede de um prédio próximo e derrubando diversos escombros, que separam o capitão Mitchell do restante de seu esquadrão. Antes que eles tentem se reajuntar, no final da rua surge um veículo com guerrilheiros, o qual começa a lhes disparar com uma metralhadora. A equipe fica imobilizada em seus abrigos, podendo apenas se proteger dos disparos efetuados contra eles. O tanque passa então a seguir pela rua, se aproximando lentamente da posição do esquadrão.
Nesta hora, Mitcheel escuta um som tranquilizador, ao longe se ouve o som das turbinas de um caça. Logo ele recebe a mensagem em seu Cross-Com:
– “Capitão Ghost, sou o comandante Crenshaw, do esquadrão HAWX, me pediram que viesse lhe prestar uma mãozinha... Feliz ano novo, olhe o show de fogos de artificio!”
O comandante inclina seu F-16 na posição vertical e adentra por entre os prédios da rua, trava o alvo no tanque inimigo e dispara um míssil, que o acerta e destrói. Ouve-se as turbinas do jato enquanto ele retorna aos céus. Sem a ameaça do tanque, a equipe passa a se concentrar e disparar contra a metralhadora do veículo, do outro lado da rua. Enquanto seguia seu voo, o comandante Crenshaw observa algo estranho avançando pela cidade. Ele contacta seus superiores:
– “Cidadela, tenho visual de algo desconhecido avançando pela cidade deste o sul. Parece uma enorme tempestade de areia, porém a alguns minutos não havia qualquer sinal de algo do tipo. Cidadela, me escuta? Cidadela? Responda?!”
Porém tudo o que o comandante consegue é uma resposta incompreensível e repleta de interferência. No chão, o capitão Ghost tenta, também sem sucesso, entrar em contato com sua equipe. Por vezes conseguindo fragmentos de transmissão vindos deles. Rapidamente a tempestade de areia cobria a rua em que estavam, obscurecendo totalmente a visão. O capitão insiste sem sucesso em tentar contatar seus companheiros.
– “Brown, Allen, Kirkland, que merda, alguém responda! O que está acontecendo!? Estão me ouvindo?”
Porém a única resposta que o capitão recebe é estática e sinal de interferência. A alguns metros de onde estava, o restante da equipe sai do interior da tempestade e tenta contatar seu capitão, porém estes também ouvem apenas estática em seus comunicadores.
Intrigado com a misteriosa tempestade de areia, o comandante dos HAWX, ordena que seus companheiros se afastem, enquanto ele se aproxima tentando observar algo, porém acaba engolido pelo tornado de areia.
Tão rapidamente quando a estranha tempestade de areia surgira ela desaparece, sem deixar qualquer sinal que tenha ocorrido. Mitchell olha ao redor e percebe-se ainda em Juárez, porém a cidade se mostra deserta e completamente silenciosa. E mais estranho de tudo, os céus, anteriormente noturno e estrelado, agora demonstravam um dia nublado. Ele tenta utilizar os equipamentos de navegação de seu Cross-Com, porém este não recebe sinal de nenhum satélite. Novamente ele tenta contactar sua equipe e seus superiores, porém seu rádio está mudo. Sem nenhuma outra escolha aparente, o capitão decide explorar as circunvizinhanças em busca de evidências do que teria ocorrido e passa a caminhar cautelosamente, seguindo a rua em que estava.
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