Crônica 11
1 Tudo Estranho
Notas iniciais
Certo dia, Amélie estava deitada de barriga para baixo na cama encarando a parede. Muitas coisas estavam passando em sua mente : o que iria fazer da sua vida, porexemplo (sim, ela primeira vez que ela fazia isso) decidira que seus vizinhos eram chatos, estavam tão entediantes que a não tinha nenhuma vontade de ficar na janela. Não sabia qual era o sentido de seus dezoito anos de existência. As pessoas normalmente se impressionavam por uma garota tão jovem já ter sua própria casa sem a ajuda de ninguém. Mas havia um porém: a solidão. Não tinha nenhum amigo e seus familiares nunca davam nem um telefonema. Era Amélie, Amélie e Amélie. Talvez um dia as coisas mudassem. Mas a vida social estava fazendo falta. Oh! Que vazio! Que tristeza! Reuniu forças e abriu a cortina, sua pupila dilatou, mas depois que se acostumou com a luz, abriu um pouquinho da janela, o suficiente para um olhadela. Tudo estava estranhamente ensolarado.
Por alguma razão, foi a sala de estar e abriu a porta. O corredor vazio do prédio a encarava e ela o fazia de volta. Viu a escada, tinham uma nova pintura. Devagar, Amélie foi se aproximando, tocou levemente um degrau e percebeu que já estava seco. Sentou-se. Ficou uns bons cinco minutos só encarando o chão, até que ouviu uma voz desconhecida:
- Ei, o que faz a bela moça ai, tão só?
Se demorou um pouco para responder, mas quando finalmente levantou a cabeça viu um homem vestindo calça jeans, camiseta quadriculada e chinelos. Apesar da roupa, tinha cara de sério e a barba estava muito bem feita. A aparência era de vinte e cinco anos e cara de quem se chama Ricardo... Sempre imaginando histórias...
-Nada, quem é você?
-Desculpe a má educação. Meu nome é Ricardo, sou o seu novo vizinho. E o seu? — Sorriu. Dentes tão brancos.
Ficou tão impressionada por ter acertado o seu nome que involuntariamente arregalou os olhos . Era a primeira vez que sentia certeza em imaginar corretamente a vida das pessoas. Um dia terrível de uma hora para outra havia se tornado incrível, estava tão diferente.
- Bom, me chamo Amélie. Moro aqui. Prazer. Habitará qual apartamento?
- 304, e você?
- 302. Nossas portas são uma de frente para a outra.
O silêncio que se seguiu a deixou um pouco envergonhada e suas bochechas coraram. Abaixou a cabeça para o homem não perceber. De repente sentiu vontade de sair dali, entrar para casa, tomar um banho e se entocar.
- Preciso ir, tchau. Nos veremos.
Levantou-se e quando já ia se virando para abrir a porta ele falou:
- Espere! Antes... Podemos ser amigos?
- Claro. Seria ótimo.
Chegando em casa logo preparou o jantar: cozinhou suas comidas preferidas, afinal, tinha finalmente conhecido um vizinho que tinha se tornado o seu novo amigo. Isso a tinha deixado tão feliz que voltou a olhar a janela e vigiar o cotidiano das pessoas na rua. Estranhamente, Anthony estava atravessando na faixa, Catie estava comprando carne e Marcel não estava no colo dos pais.
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