Crítica à Catequese

1 Crítica à catequese


Nada mais é a postura religiosa
Que a clausura em aura tediosa
Da austeridade tida como bálsamo
Circunscrita em atitude reprimida
Descrita como se fosse plena vida.

Imagens formosas premiadas com rosas
Transmitidas de maneira segura.
Em preto, braco e matizes de cinza
De forma dura, rija e pudica.
E dela dizem: eis a cura, esta é a dica.

Como pode conquistar dos homens o fogo
Uma mensagem tão plana e oca?
A mim ela não mais engana,
Mas diversos caem em seu jogo.

Sigo com gana, a razão louca.
Arrependimentos? Emoções pela trilha,
Como tantas outras.
Se estou só: desalento.
Quando em risco: retirada.
Ora alerta, ora siesta;
Ontem se flerta, amanhã é a festa.

A dúvida: valeu a pena?
O que fazer? A tinta é definitiva.
Se, pretensa, vos parecer altiva,
Peço que aguardeis regressar-me o senso,
Pois sempre penso mas também sinto.
E se me lembrardes fora da trégua
Minha fala não nega: é então que minto.

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