Crying In The Rain.

23 I had to die to finally let you go.


Notas iniciais
Boa leitura. :)

O dia estava chuvoso, sem nenhum raio de sol. Eu podia sair, e foi isso mesmo que eu fiz.

xxx

Visualizei por alguns minutos aquela casa branca. Toquei a campainha, um tanto inseguro.

Após esperar alguns segundos, percebi que não havia ninguém. Nenhum sinal de TV ligada ou de passos na casa, eu não ouvia nada.

Subi em cima da árvore, onde eu podia visualizar seu quarto. Nada, não tinha ninguém e também não conseguia ouvir se havia água corrente do chuveiro.

Leana não estava em casa.

Fui, apenas andando, com passos calmos, em direção à casa de Rick. Toquei a campainha e demorou alguns segundos para abrir, me mostrando um Rick com cara de cansado, com muito sono.

– Atrapalhei alguma coisa? — Perguntei.

– Sim. Meu sono. — Ficamos em silêncio por alguns segundos, até que Rick abriu um pouco mais a porta. — Entre.

Obedeci e, com passos calmos, sentei no sofá, pensativo. Rick sentou do meu lado.

– Leana não está em casa.

– Deve ter saído pra ir no banco de sangue ou algo do tipo.

– Ou não. — Fiquei sério, parei por alguns segundos antes de continuar a falar. — Estou com um mal pressentimento.

– Não fique. — Rick falava firme enquanto me olhava sério, tentando fazer com que eu acreditasse no que ele diz.

– Mas… E se aconteceu alguma coisa? Com aqueles caçadores de vampiros à solta… Agora eles devem estar muito mais putos do que antes.

– Eles estão com medo, isso sim.

– Mas…

– Nada de ”mas”, James. Você sofre muito por antecedência.

Assenti com a cabeça e ficamos em silêncio por alguns segundos.

– Ainda não conseguiu um anel, hein? — Rick falou, quebrando o silêncio. Seus olhos estavam procurando algo em meus dedos.

– É… Ainda não.

Me levantei, indo em direção à porta.

– Onde você vai? — Rick quis saber.

Suspirei fundo.

– Sair. — Sorri de leve. — Até mais.

Eu estava mentindo para Rick, eu estava querendo achar Leana. E eu ia conseguir.

Fui até o bar onde ela trabalhava. Entrei e comecei a sentir um pouco de ânsia, por ter tantas pessoas juntas. Mas consegui respirar fundo e me controlar.

– Oi, eu preciso de uma informação. — Falei com uma das garçonetes.

– Pode falar. — Ela sorriu para mim.

– Leana Silver vem trabalhar hoje?

– Eu não sei. Era para vir, mas ela também não veio ontem.

– Ah… Obrigado.

Ao sair do bar, paro por alguns segundos, sentindo a chuva grossa molhar meu cabelo, minhas roupas e minha pele fria.

A história. Estava se repetindo. Leana sumiu, novamente. Eu não consigo suportar mais uma vez, aquele vazio interior.

Começo a correr como nunca corri antes. Não sei ao certo mas, acho que já havia até saído de Miami.

Avistei uma praça vazia. Sentei em um dos bancos e botei minhas mãos em minha cabeça. Desabei a chorar, a água da chuva misturando com as minhas lágrimas.

Não me importava se alguém estivesse vendo, só precisava desabar, antes que eu não aguentasse mais.

– Você está bem? — Uma voz doce perguntou. Olhei para o lado e vi uma mulher sentando no banco ao meu lado.

– Estou. — Falei ríspido.

– Não parece estar bem.

– Mas eu estou. É melhor sair da chuva, se não você vai pegar um resfriado.

– Assim como você. — Virei meu rosto novamente para visualizá-la melhor.

A mulher estava com um vestido preto que, devido à chuva, estava colado em seu corpo. Ela tinha os cabelos presos em um rabo-de-cavalo e era da cor castanho claro, assim como seus olhos, que carregavam preocupação.

– Você parece uma mulher muito boa. — Falei, parando por alguns segundos. Passei dois de meus dedos em seu rosto, descendo os mesmos para seu pescoço. — Por isso que eu sinto muito.

Antes mesmo da mulher conseguir assimilar o que poderia estar acontecendo, minhas veias começaram a se formar, meus olhos mudaram de cor e meus caninos apareceram e assim os cravei em seu pescoço, tomando todo seu sangue.

xxx

No caminho para casa, fiquei pensando na mulher, se eu devia mesmo ter feito aquilo. Estava com peso na consciencia e percebi que minha humanidade estava tentando me arruinar. Novamente.

Antes de abrir a porta de casa, algo me chamou a atenção. Avistei um envelope no chão.

Me abaixei para pegá-lo e abri a porta.

Sentei no sofá, botei a mão na cabeça e respirei fundo, tentando achar forças dentro de mim para continuar vivendo.

Abri o envelope e lá dentro havia um anel um tanto grande, com uma pedra azul muito bonita, em detalhes de prata.

Franzi o cenho, o que isso poderia ser?

Peguei um papel que havia dentro do envelope e li. Meus olhos se arregalaram e eu não conseguia acreditar. No envelope dizia:

“Então você é um vampiro agora, você se transformou. E então, para conseguir sobreviver, você vai precisar disto. Boa sorte nessa sua jornada.

K.S.”

Li e reli aquelas palavras mais de uma vez. Quem diabos poderia ser K.S.?

Notas finais
Eai?