Crying In The Rain.
16 DAY 01
Notas iniciais
Quando acordei, olhei para o lado e vi Rick dormindo. Eca.
Fui até a sala e encontrei Leana vendo TV e ela parecia bem calma. Ao me ver, sorriu e correu até a minha direção.
– Você acordou! — Leana sorriu e me abraçou forte, selando seus lábios nos meus. Sorri.
– Olha só quem acordou de bom humor?!
– Pois é! — Leana riu. — Não estou sentindo nada, acho que tudo vai ficar bem.
Levantei uma de minhas sobrancelhas.
– Leana… Eu sei que você está assustada, mas… Nós vamos achar a cura. Confie em mim.
– Assustada?! Que nada! Eu estou ótima, olhe. — Leana me mostrou seu pulso, o ferimento estava horrível. Ela, ainda sorrindo, continuou. — Não tem quase nada!
Franzi o cenho, estava confuso.
– Leana… Definitivamente você não está bem.
De repente, sua expressão de felicidade fechou.
– Não estou bem? — Ela me perguntou, ríspida. Parecia ter ficado com raiva, de repente. — Por que está falando que eu não estou bem?
– Leana… Eu sei que você está assustada, você acha que vai morrer, mas…
– Morrer?! — Ela gritou no meu ouvido e eu pulei para trás, assustado. — Você quer que eu morra, é isso?
– Não, eu não quis dizer isso, eu sinto…
Porém não consegui terminar minha frase, Leana já estava me impulsionando na parede. Seus olhos ficaram vermelhos e pretos, seu rosto criou veias e ela mostrou seus caninos, se direcionando para meu pescoço.
– Leana! Pare! — Implorei, tentando empurrá-la para que parasse de penetrar seus caninos em meu pescoço. — Está me machucando! Leana!
Então eu vi uma figura empurrá-la para longe de mim.
– Rick! Me solte! James quer me ver morta!
– Leana! — Rick a segurava, olhando diretamente em seus olhos. — Concentre-se em mim.
Ela parecia respirar fundo e se acalmar, de repente seus olhos voltaram para a cor de mel, suas veias desapareceram, assim como seus caninos.
– James não quer te matar. James te ama. — A ultima frase saiu com uma leve risadinha no final. Revirei os olhos. Rick sempre tinha que tentar me provocar.
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Dei uma ultima olhada no quarto, onde Leana dormia, antes de fechar a porta e ir para sala, onde encontrei um Rick aflito, pensativo, andando de um lado para o outro.
Fiquei parado, apenas observando-o.
– Ela está na fase de “bipolariedade”. — Rick fez aspas com as mãos e parou um pouco para pensar. Respirou fundo e continuou. — Como está o machucado ai?
Passei a mão pelo meu pescoço, senti os dois furos. Dei de ombros.
– Ontem Taylor foi embora de repente, estou com pena dela. Tem muita coisa para lidar sozinha…
– Quer ver como ela está, James? — Não consegui entender muito bem o que ele quis dizer com a pergunta e seu tom de voz, porém ao ver seu sorriso travesso revirei os olhos.
– Ela é só uma amiga.
– Uhum.
– Quer dizer… — Parei para pensar por alguns segundos. — Nós já ficamos um tempo juntos, mas… Agora somos amigos.
Rick deu uma gargalhada.
– Essa é a hora que eu tenho que fingir que ela ainda não é caidinha por você?
– Ela é só uma amiga, Rick. Sei que ela me vê como seu amigo, também. Nada mais que isso.
Rick sorriu maliciosamente.
– É sério… — Continuei a falar, mas parei por um segundo, pensando. — Por que eu estou dando satisfação para você mesmo?
Me perguntei em voz alta, indignado. Peguei minha chave e abri a porta.
Rick deu uma gargalhada. Me virei, olhando-o firme.
– Cuide bem da Lea enquanto eu estiver fora.
– Seja fiel à sua namoradinha vampira.
– Já disse que eu a vejo apenas como amiga e… — Parei. Respirei, mantive a calma e continuei a falar. — Mais uma vez, por que eu estou te dando satisfação mesmo?
Rick deu outra gargalhada.
– São os traços de amizade aparecendo!
O ouvi gritar, debochando de mim, porém, antes mesmo de terminar totalmente a frase, já havia fechado a porta na cara de Rick.
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Toquei a campainha uma vez e esperei por alguns segundos e nada. Toquei de novo. De novo.
Nenhum sinal de Taylor.
Comecei a andar em volta da casa e percebi que todas as luzes estavam apagadas.
Minhas mãos começaram a suar frio, estava com um mal pressentimento. Por que ela não está em casa? O que será que aconteceu?
Balancei a cabeça para espantar esses pensamentos, precisava me convencer que era apenas uma impressão ruim. Depois de tudo que vem acontecendo, é normal ficar um pouco paranóico.
Comecei a andar em direção à casa novamente e, no meio do caminho, encontrei Cassie andando. Ela parou ao me ver.
– Hum… Por que não está trabalhando? — Cassie perguntou, tentando parecer mais normal possível.
– Por que você mordeu minha namorada e ela só tem mais três dias de vida. — Respondi ríspido. — Por que, Cassie?
Ela arregalou os olhos.
– Me… Me perdoe, é da nossa natureza.
– Não, Cassie.
– Não é algo que eu possa evitar! Eu sinto muito! — Cassie estava com os olhos aguados, porém eu continuava com a mesma expressão fechada.
– Eu me demito. Daqui para frente, eu não consigo mais olhar em sua cara sem lembrar de que você é uma vadia que tentou matar minha namorada. — Fitei seus olhos azuis enquanto falava
– Ela… Vai sobreviver?
Abaixei a cabeça.
– Não sei, Cassie. Vamos esperar que sim. — A olhei sério, com um olhar ameaçador. — Pelo bem de Leana… E pelo seu bem também.
E continuei andando, em direção à minha casa.
Não deu tempo nem de eu chegar no portão, já vi Rick correndo em uma velocidade que eu nem conseguia vê-lo direito. Fiquei confuso. Ele voltou à minha direção e ofegante, falou:
– Leana está enlouquecendo! Ela fugiu!
– O que?! — Perguntei, incrédulo.
– Sim. Nós precisamos de um feitiço para prendê-la dentro da casa. Chame Brian. — Rick parou alguns segundos para respirar e continuou. — Eu cuido de Leana.
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Fiz tudo que precisava para trazer Brian de volta, e assim, em questão de segundos ele apareceu.
– Como está indo na cura?
Brian ficou calado, apenas me olhando sério.
– Por que me chamou aqui, James?
– Precisamos de um feitiço para prender Leana na casa. Ela fugiu.
– O que?! — Brian exclamou, já com a voz exaltada.
– É… Mas não se preocupe. — Falei rápido, dei uma pausa antes de continuar. — Rick vai cuidar disso.
Brian assentiu com a cabeça e levantou as mãos, fechando os olhos. Parecia estar tentando se concentrar.
Após alguns segundos, o mago abriu os olhos. Olhei para os lados e franzi o cenho.
– Não aconteceu nada. — Falei cínico.
Brian me olhou com uma expressão de tédio e revirou os olhos.
– Leana vai entrar e não conseguirá sair até que eu queira.
– Ótimo. Brian… E a cura, como está?
E então, ele sumiu. Bufei. Parecia que não estava nada fácil, para ele estar me escondendo assim.
Ouvi um barulho vindo na sala, corri e avistei Rick trazendo Leana arrastada para dentro.
– Fez o feitiço? — Rick me perguntou, deitando Leana no sofá. Assenti com a cabeça.
– Como ela está?
– Nada bem, cara.
Leana começou a tossir desesperadamente, caindo no chão, e sangue escorria de sua boca. Arregalei meus olhos em direção à Rick, que tinha a mesma expressão que a minha.
Nós dois a levantamos.
– Vamos levá-la para o quarto. — Falei ofegante, enquanto a carregava no colo.
Leana continuou a tossir e fitou meus olhos por alguns segundos. Dois de seus dedos gelados começaram a acariciar meu rosto e de repente senti uma vontade enorme de chorar, desesperado. Não podia perder Leana. Não podia, não queria.
Acariciei sua mão e dei um meio sorriso, um tanto tristonho.
– James… — Leana sussurrou e após isso, fechou seus olhos e caiu em um sono profundo.
Senti a mão de Rick no meu ombro. Olhei para o mesmo.
– Ela vai ficar bem, James.
Assenti com a cabeça, olhando para baixo.
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