Cry Me A River

5 Capítulo 4 - Puck


– Eu por acaso tenho cara de corna idiota? — Quinn falou, sua voz chorosa já embargada de tantas cervejas que ela havia consumido.

– Assim como das últimas cinco vezes que eu te respondi, não Q! — Santana respondeu para a loira deitada em seu colo, no banco traseiro.

Puck observava a cena pelo retrovisor do seu carro. Depois que Santana ligou desesperada para que ele a ajudasse a impedir Quinn de continuar dando em cima de qualquer cara que sentava ao lado delas no bar em que estavam com várias tentativas de strip-tease, o garoto se direcionou com certa pressa ao local.

– Para aonde estamos indo, patroa? — ele falou, voltando sua atenção para a estrada.

– Bem... — a loira começou a falar, mas a cheerio olhou feio para ela, e logo se calou.

– Obviamente, Q não pode ir pra casa nesse estado... Mas não posso aparecer com ela na minha casa assim também... — Santana falava observando a outra garota, que mudava radicalmente suas expressões em questões de segundos: da sonhadora para a raivosa, para a feliz, para a depressiva, voltando para a sonhadora — Estava pensando, na verdade, de irmos para a sua casa.

O olhar do garoto não mudou, apesar daquela frase ter lhe pegado de surpresa.

– Porque eu levaria você para a minha casa? — ele claramente se direcionou a latina.

– Porque ele não te levaria para a casa dele, S? — Quinn falou, sua voz fraca indicando que ela ia apagar em breve.

– Longa história, Q. — seus dedos correram pelos cabelos da outra, acariciando a sua cabeça — Olha Puck, você realmente quer ter esse tipo de conversa agora? Quer dizer, você está dirigindo, e eu estou com uma pessoa claramente inconsciente dos seus atos que pode vomitar em cima de mim a qualquer momento. — ela falou, mal respirando nas pausas — Acho que essa não é a hora apropriada para isso...

O silêncio então se fez entre eles. Quinn finalmente havia dormido, Puck se concentrava na estrada, e Santana não pensava em nada fixo. Só a música do rádio que se fazia presente no ambiente.

– Você sempre foi boa nisso... — Puck abriu a boca, chamando a atenção de Santana — Arranjar desculpas...

Jogou o volante para a direita com sutilidade, entrando na garagem de casa.

– Lar Doce Lar. — ele falou, puxando o freio de mão, tirando a chave da ignição e saindo do carro. Santana fazia um pequeno esforço para acordar Quinn da forma sútil, mas não vendo outra saída, sua mão foi de encontro com a maçã do rosto da outra, a fazendo dar um pulo.

– Filha da...

– AH! Ah, Ah! — Santana a interrompeu antes que ela pudesse terminar — Se fosse eu, não falaria isso da pessoa que está tentando te ajudar agora!

A porta do carro se abriu e Santana percebeu que Puck a segurava para as duas saírem. Agradeceu mentalmente pelo garoto ainda ter alguma educação.

– Vem Quinn! — ele falou, puxando ela pelas pernas, que nada mais fez além de rir abertamente daquilo — Meu Deus, você engordou!

– Você que engordou, Senhor Caminho de Arco-íris! — ela respondeu, botando os pés no chão, saindo do carro cambaleante.

– O quê?

– Ela está bêbada, seu demente! — Santana falou, se apressando para sair do carro — Interagir com ela vai ser a mesma coisa que interagir com uma pessoa com Alzheimer.

– Eu quero sambar em cima dos meus próprios chifres! — Quinn gritou, se jogando no chão. Puck soltou uma risada da cena, enquanto Santana somente revirou os olhos.

– Como eu própria disse... — a latina cruzou os braços em frente ao corpo, observando a loira rolar no cimento puro como se fosse neve.

Aquela seria uma longa noite.

********

– Cala a boca! — Santana gritou de fora do banheiro. É fácil pra ela só mandar calar a boca, agora vir aqui segurar esse monstro debaixo do chuveiro, e ainda, gelado é que é foda, pensou Puck.

– Calma Quinn! Você precisa disso! — ele falou, pressionando a cabeça da garota debaixo da água. Ele podia contar as infinitas marcas que ia ficar dessa experiência traumática de lidar com a Drunk Quinn: três mordidas, uma na mão, outras duas no braço direito, uma cotovelada nas costelas, cinco chutes nas canelas além dos incontáveis socos que ela desferia inútilmente.

– Na boa, estou extremamente arrependida de ter falado que ela deveria relaxar um pouco... — a latina continuou.

– Porque diabos você falou isso? — ele perguntou, botando mais força nos seus braços, que se encontravam ao redor da loira.

– Bem... — Santana então entrou no banheiro com uma toalha no ombro — Você não viu o que aconteceu, então você não entenderia...

– Tente me expli... Ai! — Puck estava tentando entender a situação quando Quinn lhe deu outra mordida no braço, o fazendo exclamar.

– Quieta Quinn! Má garota! — Santana falou, como se ela fosse um cachorro, e surpreendentemente a loira respondeu positivamente ao comando.

Que porra é essa?

– Ela me explicou que... — a latina começou a explicar para Puck — Uma vez, quando chegou em casa bêbada, o pai dela começou a tratar ela como o cachorro da família para ver se os ânimos se acalmavam um pouco. Eu acho que, querendo ou não, isso ficou no psicológico dela, porque ela só volta a racionalidade depois de, bem, uma boa ducha gelada, um bom tratamento especial a lá cachorro e uma boa noite de sono.

– As coisas ainda sim não fazem sentido para mim... Você vai o que, fazer ela rolar no chão?

– Se eu mandasse, ela obedeceria. Mas ela já fez questão de fazer isso na sua porta de entrada, lembra? — o garoto soltou uma risada ao lembrar, afroxando um pouco seus braços ao redor da loira.

O barulho da água caindo sobre o corpo pálido de Quinn, estalando contra o chão, as palavras incompletas sussurradas pela loira. Só aquilo fazia parecer que existiam realmente pessoas, e vivas, naquele banheiro.

– O... Obrigada, Puck... — Santana falou em um sussurro. A vermelhidão tomou conta de suas bochechas e se amaldiçoou mentalmente. O garoto se virou surpreso. Não, ele com certeza poderia esperar qualquer coisa da latina, menos palavras simplórias ou de agradecimento — Por ter me ajudado... A salvá-la...

– Não tem de que... — ele conseguiu falar depois de passar segundos pensando no que responder.

– Acho que Q nunca realmente tinha tido uma desilusão. Causado, com certeza ela já tinha, mas ela não sabia como era ser o idiota que se deixou levar...

– Todo mundo tem sua primeira vez... A minha ainda não veio, não sei se a sua veio, mas nós já temos uma idéia de como vai ser. — Puck falou, olhando para a loira nos seus braços. Seus olhos estavam fechados mas ela não estava dormindo. Seus músculos do corpo inteiro estavam travados, suas mãos espalmadas contra o peito do garoto — Pelo menos dá pra tirar algo dessa situação...

Santana soltou uma leve risada ao ouvir o garoto.

– Me dá ela pra cá, Puckerman! — ela exclamou — Já ta bom de água para essa mente confusa.

********

Quinn dormia diante dos seus olhos tão levemente como um anjo. Anjo é o caralho!, pensou a latina, Anjos não dão tanto trabalho assim!

Ela se levantou rapidamente, sentindo a luz fraca do sol que fazia fora da casa atingir seus pés. Ajeitou as roupas que usava, olhando ao redor atrás de Noah, mas ele não estava mais no quarto.

Seus pés a guiaram a escada, de onde vinha um delicioso cheio de comida.

– Agora você é cozinheiro também? — Santana declarou, se apoiando no batente da passagem para a cozinha.

– Bem, eu deveria te responder, mas na verdade ainda estou muito puto com você... — Puck manteve seus olhos fixos no ovo que fritava a frente.

Santana forçou sua mente a raciocinar o porquê do garoto estar puto. Dificilmente se lembrou do momento que ela havia simplesmente jogado um bando de palavras para cima dele no dia em que fora provocar Finn.

– Quinn me chamou de Senhor Caminho Arco-Íris, ou algo assim... — ele falou, sua atenção voltando a garota — E bem, ela não iria falar com Finn, para saber sobre o que você havia falado...

– Nós estavamos fora da sobriedade... Eu tinha que tentar animar ela, de todas as formas...

– Não, nem de todas as formas ok? — uma certa raiva tomou conta do seu tom de voz.

– Olha, eu não posso matar a orca... Muito menos a anã de jardim. — Santana adentrou a cozinha, puxando uma das cadeiras da mesa, se sentando — Você não teria dúvidas de como isso ajudaria para Quinn.

Um leve silêncio se fez ao redor deles.

– Você sabia, Puck? — ela perguntou rapidamente para o garoto.

– Sobre...? — ele questionou, voltando sua atenção a frigideira.

– Sobre... Sobre Finn, Rachel, a aposta.

– Não... — ele respondeu, depois de segundos — Você pode ter certeza, se eu soubesse, eu não deixaria que eles fizessem isso com ela. — as palavras fizeram um sorriso surgir nos lábios de Santana.

– Bom dia gente... — Quinn falou, adentrando a cozinha. Santana sussurrou um bom dia em retorno, enquanto Puck a abraçou fortemente — Calma ai, garanhão! — o garoto riu abertamente.

O silêncio da latina continuou. Seu leve sorriso se escondeu completamente, e ela pensou se deveria falar alguma coisa sobre aquilo.

********

– Olha só... Minha mãe vai chegar daqui a pouco do trabalho... Vocês tem que ir. — Puck se pronunciou, depois de todos comerem algo.

Elas confirmaram com a cabeça.

– Tá de ressaca? — a latina finalmente falou algo.

– A pior de todas... — Quinn respondeu, deixando uma leve risada escapar — A noite de ontem deve ter sido boa né?

– Os caras para quem você estava fazendo strip-tease que digam. — Puck soltou, abrindo um sorriso ao ver a loira enrusbescer e abrir a boca em descrença.

– Eu não fiz isso! — ela afirmou.

– Ah, você fez... — a latina confirmou — Assim como você também rolou no chão em frente a casa do Puck!

– Vocês precisam me esclarecer as coisas! — Quinn falou, sorrindo.

As horas correram lentamente enquanto Puck e Santana contavam idiotamente sobre o que havia acontecido, e Quinn podia levemente sentir, no fundo da sua mente, as correntes do seu pensamento se livrando do seu tormento pessoal.

Ela gostou da sensação, da liberdade, da leveza, e se deixou levar por aqueles momentos, já que ela sabia que seriam curtos.

Notas finais
Hey Babes!
Me perdoem por esse capítulo de bosta, mas na verdade ele foi escrito com certa pressa!
Pois é... Estou indo pra casa da minha avó, o que quer dizer que até eu voltar não terá atualização, por isso quis postar algo antes de ir, não deixar vocês orfãos!
Enfim, é, me desculpem por esse capítulo de bosta, mas é só um capítulo de passagem, entendam :D
Vou lá, porque senão vão começar a me apressar aqui!
Não se esqueçam, Reviews, para quando eu voltar, já voltar com capítulo novo!
Beijos, e até o próximo capítulo!