Cry Baby

8 Não deixe a torneira aberta


Notas iniciais
Oi, oi! Um minutinho de atenção aqui por favor! Galerinha, vou ser sincera com vocês, eu não ia continuar essa história. Eu estava querendo reescrevê-la e apagar todos os capítulos. Maaaas, como começou a surgir umas boas ideias, eu decidi continuar. Se parece que tenho transtorno de bipolaridade? Parece. Mas o que importa é que tem capítulo novo para vocês! Boa leitura :3

Naquele Natal eu estava muito animada. Não sei porque, talvez fossem pelas luzes e cores que eu tanto gostava que estavam em todos os lugares. E eu me lembro bem, minha mãe estava num local fora do shopping fumando, enquanto eu estava na fila para ver o Papai Noel.

Na verdade já não havia fila, o shopping estava prestes a fechar e Max e eu éramos os últimos. Ele estava no colo do Papai Noel que o deu um beijo na testa e deu um saquinho vermelho para ele cheio de doces. Max veio até mim e o Papai Noel se levantou e saiu, me ignorando. É lógico que pensei que ele estava apenas indo ao banheiro ou algo assim, mas quando minha mãe pegou Max pelo braço e o estava levando embora eu fiquei parada onde estava. Quando ela percebeu que eu não estava os seguindo, olhou para trás e falou:

— Anda logo, Melanie!

Então eu a disse que não iria a lugar algum, pois o Papai Noel ainda não havia conversado comigo. Minha mãe bufou e soltou o braço do Max, agarrando o meu logo em seguida. Ela foi atrás do Papai Noel, que não havia ido muito longe.

— Desculpe moça, mas o meu expediente acabou. – o Papai Noel disse e então arrancou seu cabelo e sua barba.

Fiquei boquiaberta.

Então minha mãe disse praticamente gritando:

— Ah, pelo amor de Deus! Apenas dê uma merda de uma bala para essa garota!

Comecei a chorar.

Não sei se fiquei mais decepcionada de saber que aquele homem não era o Papai Noel de verdade, ou de ver minha mãe gritando com o Papai Noel! É claro que não faz sentido isso, mas na época, na minha cabecinha de criança, fazia. Acho que nunca havia me decepcionado tanto.

E era exatamente isso o que eu sentia agora.

Depois do ocorrido na casa do Jason, eu simplesmente corri para minha casa e entrei no banheiro. Não falei a ninguém sobre isso, na verdade acho que ninguém se importaria, de qualquer maneira. Então joguei minha bolsa no chão e comecei a encher a banheira até vê-la transbordar.

E, puta merda! Como aquilo parecia certo.

Digo, a água parecia minhas palavras. As mesmas palavras que deixei transbordar, em vez de ter sido cuidadosa. Eu disse “eu te amo” cedo demais e agora percebi que Jason não é a pessoa certa para mim! Assim como o Papai Noel não era o Papai Noel.

Entrei na banheira de roupa mesmo, imaginando como pude ser tão burra ao pensar que ele gostava mesmo de mim. Foram cinco meses. Praticamente a metade de um ano! Todo esse tempo o ouvindo mas ao mesmo tempo, sem conhece-lo realmente. Eu sabia o quanto ele gostava de ajudar o pai no Parque de Diversões, mesmo sendo formado em medicina. Na hora, pensava como era uma atitude bonita da parte dele, mas vendo agora, talvez fosse só um jeito de arranjar novas garotas para sua coleçãozinha.

Nessa hora me veio um flash. Estávamos no carrossel, assim como de costume, porém, eu fiquei em silêncio e ele respeitou isso, até que eu aproveitei o momento e falei:

— Eu te amo.

Ele simplesmente se aproximou e me beijou. Naquele momento, achei que fosse uma resposta, algo como um “eu também amo você”, mas ele nunca havia dito isso realmente e eu fui uma trouxa em não ter percebido antes.

Então, como num pequeno surto, peguei um sabonete que estava ali perto e o coloquei dentro da boca, passando-o na minha língua, como se aquilo fosse fazer com que eu pudesse tirar aquela sensação estranha.

Nesse instante alguém bateu na porta. Joguei o sabonete na água e cuspi um pouco do sabão.

— Melanie, está tudo bem?

Era a Amanda.

Eu não respondi.

— Melanie, me deixe entrar!

Por mais que eu estivesse chateada, eu não a impedi, não sei porquê. Por algum motivo, ela me trazia uma sensação de segurança. Então respondi:

— A porta está aberta.

Ouvi o barulho da maçaneta virando e então ouvi ela entrando e fechando a porta. Eu não olhei para ela. Estava concentrada, olhando para o nada.

— Mel? – chamou.

Continuei evitando olha-la.

— Eu acho que já sei o que aconteceu. Não acabou bem, não é? Ouvi vocês brigando muito nos últimos dias.

A tentativa dela estava sendo boa e eu admirava isso. Entretanto, não sabia se estava mesmo preparada para conversar sobre isso.

— Olha, eu te entendo. De verdade! Sabe que até me lembrei do que aconteceu entre mim e o meu primeiro namorado. – ela continuou — Foi praticamente a mesma coisa, eu estava muito apaixonada. Cega, para falar a verdade. Ele fazia de tudo por trás de mim, me traía com outras garotinhas, ia para baladas e não me avisava, falava até mal de mim! E sabe o que fiz quando descobri isso?

Olhei-a pela primeira vez, desde que ela entrou. Seus olhos não eram de pena, sua expressão estava séria. Ela estava agachada perto da banheira.

Percebendo meu interesse, ela prosseguiu:

— Eu fiquei com o melhor amigo dele. Ele ficou desolado quando soube, falou que não deixaria quieto e que todo mundo saberia. Enquanto eu simplesmente o ignorei. Eu sofri muito com isso, eu o amava muito. E queria que ele sentisse na pele o que eu senti!

Eu dei um risinho tímido.

— Você é louca. – falei.

— Não sou eu que estou comendo sabão.

Eu ri novamente.

— Você é linda quando sorri, sabia? Tome um banho e vá se deitar, pode doer agora, mas esse sentimento não durará pra sempre. Acredite.

Ela se levantou e já estava perto da porta quando a chamei. Ela se virou para mim.

— E agora? Você tem namorado, noivo? Alguém que ame? – perguntei.

Sei que era uma pergunta idiota, talvez. Mas foi o que me ocorreu.

— Meu único amor agora é o meu trabalho. – respondeu e saiu.

E eu resolvi tomar um banho de verdade e fui me deitar, assim como Amanda havia sugerido. Pensando em como daqui para frente eu tentaria manter a torneira fechada, para a água não derramar de novo.

Notas finais
Hey leitores! Primeiramente eu quero agradece-los por estarem aqui. Essa é minha primeira fanfic pública, então levem em conta qualquer erro. Comentários ajudam bastante (eu me divirto muito com os comentários de vocês) e críticas construtivas também. Enfim, espero que continuem acompanhando! * Alguns personagens são originais, outros são inspirados em personagens dos clipes da cantora Melanie Martinez.