Cry Baby
5 É tudo diversão e jogos até alguém se apaixonar
Não sei quanto tempo ficamos naquele carrossel, mas para mim pareceram horas.
Quando o brinquedo finalmente parou, saímos de lá e eu senti que havia voltado a realidade.
— Você pretende fazer algo agora? — ele me pergunto.
Olhei para minha mãe. Ela fez um sinal de confirmação. Olhei para tia Lorelay, sua expressão era de reprovação. Minha prima Janel estava boquiaberta.
— Acho que não. — respondi finalmente.
Ele estendeu a mão.
— Então, posso ocupar o seu tempo? – perguntou com um sorriso de canto de boca.
Segurei a mão dele, sorrindo também.
Já era. Eu estava voando novamente.
— Desculpe, eu nem perguntei o seu nome. — falou.
Absorvi cada uma daquelas palavras que, em minha mente viravam notas musicais.
— Melanie. Melanie Martinez. — respondi.
Ele sorriu.
— Esse nome combina com você. — disse ele.
Afinal, o que estava acontecendo? Ninguém nunca conseguiu entrar em minha vida tão rápido e de um modo tão estranho, e ao mesmo tempo, mágico.
— Qual seu nome? — perguntei.
— Jason Houdini. — respondeu.
Por algum motivo estranho, eu sorri.
Depois de alguns minutos em silêncio, ele disse:
— Você é bem diferente. Quero dizer, eu acho que nunca te vi por aqui antes.
— Sim, eu geralmente não venho muito aqui. — respondi. — Já vim várias outras vezes quando criança, mas naquela época eu não tinha esse...
— Cabelo colorido. — completou.
Sorri mais uma vez, mas eu juro, juro que tentei não o fazer. Mas isso era quase impossível quando ele estava ali, ele tinha algo que, sei lá, me fazia não ter controle sobre mim mesma.
— Quantos anos você tem? — perguntou.
— Dezesseis. — respondi.
“Ora, Melanie! Mas que diabos você está fazendo? Nem conhece esse cara direito!”, eu falava para mim mesma.
— Pensei que você fosse mais velha. — Jason comentou.
Franzi a testa.
— Devo aceitar isso como um elogio?
— Com certeza. — respondeu olhando em meus olhos.
Seguimos de mãos dadas e depois jogamos um pouco de Tiro ao Alvo. E depois de alguns passeios ele resolveu me acompanhar até minha mãe, que já deveria estar preocupada.
No caminho, Sean apareceu com uma garota.
— Não sabia que estaria aqui. — Sean falou.
— Oi, para você também. — respondi irônica.
Um silêncio bem incomodo se formou. Sean então resolveu quebrar isso.
— E então, não vai me apresentar seu amigo? — perguntou ironicamente.
— Sou o namorado dela. — Jason falou.
Olhei para Jason. Eu não acreditava que ele dissera isso, porém, sua expressão era bem séria.
— Sean, este é Jason Houdini. Jason, este é Sean Moroe. — apresentei-os.
Eles trocaram apertos de mão.
Nem me dei ao luxo de me apresentar a acompanhante de Sean, por que sabia que amanhã ele já estaria com outra.
Outra vez um silêncio incomodo se formou até que finalmente resolvi me despedir:
— Acho que devemos ir agora. — avisei Jason e depois me voltei para Sean — Até amanhã.
— Até. — ele despediu-se encarando Jason.
Desviamos deles e seguimos nosso caminho.
Um pouco antes de chegarmos a minha mãe, eu parei de caminhar e encarei-o.
— E então, como vai ser? — perguntei.
Ele sorriu.
— Como vai ser o que? — perguntou.
Cruzei os braços.
— Até algumas horas eu não fazia ideia de quem você era e agora...
— ... Eu digo que sou seu namorado. — completou.
— Dá pra parar com esses joguinho, por favor! — pedi irritada.
— Eu acho isso divertido. — falou.
— Tudo é diversão e jogos até que alguém se apaixone. — disse.
Ele sorriu e então se aproximou. Eu já podia sentir a respiração dele, de tão próximos que estávamos.
— Está apaixonada por mim? — perguntou.
— Se eu vou me apaixonar, eu nunca vou poder dizer. — respondi.
Jason sorriu novamente e eu também.
— Acho que devo perguntar o mesmo. — falei.
— Acho que sinto isso desde quando te vi naquele carrossel.
Aquelas palavras fizeram meu coração acelerar e de repente, perdi a noção de tudo novamente.
Nos aproximamos um pouco mais...
— Melanie! — era a minha mãe gritando.
— Acho que devo ir agora. — falei e sai.
Realmente, eu já estava completamente perdida. Não tinha noção de nada e não parava de sorrir.
— Quer falar sobre isso? — minha mãe perguntou enquanto entravamos no carro.
Sorri e respondi:
— Não hoje.
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