Cruzamento

10 Idiotices a parte


Cap. X – Idiotices a parte

Dois dias haviam se passado desde a chegada de Nanao e ela ainda não havia comunicado a ninguém sobre sua chegada ao Japão. Rukia visitava a amiga todos os dias e sempre falava que ela tinha que contar logo, não poderia passar muito tempo se escondendo.

E tanto a Kuchiki falou que Nanao, ao descobrir que o pai voltara de Seireitei e iria almoçar com a mãe, decidiu finalmente revelar onde estava. Não estava realmente pronta para enfrentá-los, mas tinha que começar a resolver sua vida.

Seria tão difícil contar aos pais que estava grávida e solteira, sem dizer que tudo seria agravado pelo fato de Shunsui e Ukitake serem amigos há muitos anos, ela não queria fazer propaganda negativa e acabar com uma amizade tão sincera, mas sabia que pelo menos abalada a relação ficaria durante algum tempo.

No entanto, os pais tinham a mente bastante aberta e logo compreenderiam que aquilo era melhor para ela e para o pai de seu bebê. E depois disso, viria o maior desafio, Lisa provavelmente voltaria a ocupar o lugar que, no fundo, sempre lhe pertenceu.

- Ruki, eu vou falar com meus pais hoje! Eu não sei quando vou ter outro surto de coragem!

- Mas temos hora com o arquiteto, Nanao! E só conseguimos por causa da Inoue-san... Vá mais tarde!

- Rukia, se você tivesse que contar para o seu irmão que está grávida e solteira, preferiria fazer isso uma única vez ou duas?

Rukia olhou para a amiga e viu que ela tinha razão, contar duas vezes toda aquela história e ouvir um “Eu avisei” duas vezes não seria legal. Sem dizer que a morena não estava gostando de a amiga grávida ficar sozinha, contando aos pais, eles provavelmente a levariam para junto de um deles.

- Okay, Nanao... Vou ligar e desmarcar, vamos ver quando a senhorita conseguirá outra hora!

Quando a Kuchiki já se levantava para pegar o telefone foi surpreendida por uma idéia da grávida presente na sala.

- Por que você não vai no meu lugar? Eu já te falei tudo o que quero... Sem contar que a mulher de negócios aqui é você!

- Não sou eu que é formada em economia e possui um mestrado!

- Mas é formada em administração de empresas e possui um mestrado, sem contar que está prestes a começar com um doutorado! Você vai ver se o sujeitinho merece a minha confiança para fazer o quarto do seu afilhadinho!

- Ou afilhadinha! – completou Rukia com um sorriso malvado nos lábios, seria interessante reencontrar aquele rapaz de cabelo laranja – Eu vou, mas a senhorita vai me prometer que vai contar aos seus pais e vai mandar nem que seja um email para o Shunsui!

- Sobre meus pais, garanto! Mas sobre o Shunsui... Não... Não sei se esse tempo foi suficiente!

- Puni-lo dessa maneira não vai resolver seus problemas.

- Eu não estou punindo ninguém, Rukia! Só preciso de um tempo para mim, por que ele pode ter um tempo para pensar e eu não? – disse a indignada Ise –

- Mas você sabia exatamente onde ele estava, já ele deve estar ficando louco de preocupação imaginando onde você está! Se quer um tempo, okay, mas isso não quer dizer que você possa sumir assim! Não seja infantil!

- Obrigada por um sermão extra, Ruki! Mas eu ainda não sei se vou falar com ele e eu não sumi do mapa completamente, mandei emails falando que estou bem!

- Eu não vou discutir com você, vou confiar no seu bom senso! Agora eu já vou indo... Não gosto de me atrasar!

- Faltam duas horas...

- O Trânsito aqui de Tókio é um horror e aquele motorista sabe como me passar raiva dirigindo feito uma velha com reumatismo!

As duas riram e a Ise levou a amiga até a porta. A morena não sabia como estaria se não fosse o apoio que a princesinha Kuchiki estava lhe dando. Ela era realmente uma excelente amiga.

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O apartamento da Ise era bem compacto, mas não era aquela coisa sufocante. Possuía uma sala mobiliada com um sofá bege com uma manta marrom por cima, mesa de centro toda de vidro, uma televisão sobre um móvel marrom grande que possuía também três bolas de acrílico organizadas da maior para menor.

Todas as paredes tinham tons claros e eram pouco adornadas, havia uma porta de vidro que dava para uma sacada onde havia uma pequena hortinha em vasos, um bom passatempo para a morena. Tudo estava tão organizadinho que nem parecia que ela estava fora fazia três anos. A mãe era mesmo muito atenciosa.

A moça sentou-se novamente no sofá e ligou seu notebook, ao abrir seu email viu exatas trinta mensagens de Kyouraku, que não teve a curiosidade de abrir, sabia que falariam todas as mesmas coisas.

Iria trabalhar em seu artigo que tinha que mandar para a revista que ganhava muito mais. Ligou uma música de fundo e começou a escrever, mas não ficou muito tempo concentrada, seu celular tocou.

E para sua surpresa era seu amigo Keigo que estava em Lua-de-mel. Ela nem precisou pensar muito para saber o motivo dele estar ligando, Shunsui deveria ter ligado para chorar suas pitangas. Será que ele não sabia ficar quieto, tinha que sair contando seus problemas para todo mundo?

Ligação on

- Mochi mochi.

[ — Nan? É você?

- Você ligou para mim, não é, Keigo? – disse a Ise num tom que não era ríspido –

[ — Mas poderia ser meu pai, Nan! E ai? Como está?

- Claro, Claro... Então, como está a Gyuu-chan?

[ — Ótima, foi fazer uma massagem e mandou um beijo para você!

- Mande um beijo para ela também, mas o que te levou a me ligar no meio da sua Lua-de-mel? – como se ela já não soubesse – Não deveria estar se divertindo?

[ — Obrigado por desdenhar da minha atenção, Nan... Somos amigos da vida inteira! Eu só queria conversar com você!

- Vamos, Keigo... Pode falar, seu pai te ligou, não foi?

Ela ouviu um suspiro do outro lado da linha.

[ — Onde você está, Nan? Ele está quase pirando...

- Não vi tanta preocupação quando ele ignorou dez ligações minhas e eu já falei para ele que estou bem!

[ — Eu sei que você está chateada e que não deve estar sendo fácil... Mas isso é covardia, meu pai está pirando, ele ficou duas horas me enchendo no telefone!

- Então não atenda!! São nossos problemas e não seus!

[ — Contar onde está não vai doer! Se não quer falar com ele, me fala que eu conto!

- ela suspira profundamente – Estou no Japão, Keigo!

[ — COMO É? VOCÊ ESTÁ NO JAPÃO? AH, MINHA NOSSA... – ele respirou – Não brinca com isso! Como assim você foi para o outro lado do mundo assim?

- Pegando um avião. – respondeu seca –

[ — Nan... Isso não se faz! O que é isso?

- Eu estava cansada de ficar sozinha, o que você quer? Que eu fique mofando sozinha em Londres enquanto seu pai fica batendo papo com a sua mãe? Não obrigada!

[ — Pedir um pouco de atenção não te mataria até vocês dois poderem viajar, mas é muito orgulhosa, né Nan? Não vou te julgar, nem dar razão ao meu pai... Mas eu te garanto que agir assim não vai melhorar em nada a situação, os dois estão errando.

- Se ele não quer estar comigo, não vou forçar ninguém. Agora se quiser, ligue e avise onde estou, mas avise que não adianta ele aparecer aqui agora... Quem quer um tempo agora sou eu!

[ — Como se isso fosse adiantar alguma coisa! Vocês dois são complicados demais! Um beijo e juízo nessa cabeçinha!

- Vai cuidar da Gyuu-chan e ignore as ligações do seu pai! Eu estou ótima e desejo toda a felicidade do mundo para o casal... E desculpe por não ter estado no seu casamento.

[ — Eu perdôo, mas da uma ligada pro velho... Não vai te matar!

- Vou pensar com carinho, agora tenho que ir falar com os meus pais!

[ — Tchauzinho. Nan... Cuida bem do meu irmãozinho ou irmãzinha!

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No apartamento do jovem arquiteto Kurosaki Ichigo alguns raios solares insolentes adentravam o cômodo incomodando o sono daquele que estava desmaiado sobre o colchão de molas.

Ainda meio zonzo, o rapaz rolou sobre os lençóis arrancando-os de seus devidos lugares e colocou um travesseiro sobre a face. Tinha passado boa parte da noite ocupado trabalhando em um projeto que tinha de entregar o mais depressa possível.

- Hum... – grunhiu o rapaz – Que droga de sol!! Por que eu não fechei a janela ontem?

Ichigo sentou-se na cama abraçando o travesseiro e tentando situar-se. O despertador ainda não tinha tocado e tudo o que ele queria era dormir, mas que chato!! Ele teria uma cliente às onze, diga-se que só aceitara a moça devido a insistência cavalar de Inoue que praticamente chorou para que ele fizesse o que ela pedira.

- Droga, Inoue! Eu queria dormir!! – o morango atirou o travesseiro na parede mais próxima – Vamos ver, quantas horas?

O ruivo virou rosto para a mesa onde deveria estar seu despertador e teve um susto ao notar que o lugar estava vazio. Não havia nenhum despertador ali. Estendendo um pouco o olhar, ele viu a peça estilhaçada no chão, mortinho da silva...

- Droga... Mais um quebrado! Nem lembro de ouvir tocar!

Ainda preguiçoso, o rapaz olhou as horas em seu celular e quase caiu para trás. Já era dez e meia da manhã. Dez e meia da manhã. DEZ E MEIA DA MANHA!!!!!

- Mas que droga!!!! Eu tenho uma cliente às onze!!!! DESPERTADOR FILHO DA MÃE!!!!

Dito isso, o Kurosaki deu um pulo de sua cama e saiu correndo para tomar um banho e se arrumar. Aquele tipo de coisa só acontecia com ele mesmo!!

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Enquanto isso, no andar onde ficava a construtora Kurosaki, uma mulher de cabelos pretos na altura dos ombros adentrava a recepção. Ela estava elegantemente vestida com uma saia preta de corte reto quadro dedos acima dos joelhos, uma blusa de mangas longas que deixava os ombros de fora e era toda de listras pretas e brancas e para terminar uma sapatilha no pé que não estava engessado.

A mulher tinha uma figura aristocrática que chamou atenção da secretária de Ichigo, Judith.

- Bom dia, em que posso ajudá-la? – disse a secretária muito educada –

- Bom dia, meu nome é Kuchiki Rukia, vim para falar com o arquiteto Kurosaki. – disse a morena enquanto se aproximava –

- Hum... – a moça olhou na agenda – Desculpe, mas Ichigo-sama só vai receber uma cliente, Ise Nanao.

- Eu estou aqui em nome dela, Nanao teve alguns imprevistos e não pôde comparecer.

- Oh... Desculpe, eu não sabia. – a mulher levantou-se e deu a volta em sua mesa – A senhorita pode esperar na sala dele, Ichigo-sama ainda não chegou. Me acompanhe, por favor.

- Não chegou? – Rukia arqueou uma das sobrancelhas – Desculpe, será que cheguei cedo demais?

- Não, não... Ichigo-sama que está atrasado, mas não vai demorar, deve ter perdido a hora.

- Hum... – Rukia sentou-se e a secretária gentilmente trouxe um banquinho par ela apoiar o pé –

- Posso servir um café, uma água, um chá?

- Um chá seria bom.

- Certo. Espere um minuto e fique a vontade, meu chefe já deve estar chegando.

- Tudo bem, mas será que ele vai se atrasar muito? – Rukia odiava esperar, por isso evitava se atrasar –

- Acho que não, deve chegar no mais tardar onze e meia, mas vou ligar e perguntar.

- Hai.

A secretária saiu e depois voltou com o chá para sair novamente. A kuchiki pôde ouvir da sala ela falando com alguém ao telefone, deveria ser o chefe. Esse tal de Ichigo não era mesmo nenhum exemplo de pontualidade. Se fosse seu irmão, ele provavelmente não teria mais chance de trabalhar com ele.

Olhando o design do lugar, a mulher reparou que tudo ali era sofisticado com um toque contemporâneo. Tudo muito seco, mas não impessoal. Mostrava muito da personalidade do dono. Era bom esse arquiteto valer a pena, porque ela ODIAVA esperar.

Rukia sempre fora muito organizada e pontual com seus compromissos e abominava gente que não tinha respeito com aqueles que marcava alguma coisa. Já estava ficando inquieta. Precisava andar.

Só que fazer isso não era uma boa opção, até conseguir levantar sem cair ou derrubar nada iria levar um bom tempo e claro, era bem provável que o Kurosaki chegasse e ela tivesse que voltar a cadeira.

Ou seja, trabalho inútil!

Mas nada disso importava, ela ainda estava inquieta e precisava fazer alguma coisa. E nesse instante, ela visualizou um porta retrato sobre a mesa de Ichigo. Logicamente que a foto estava de costas para ela, mas isso só aumentou sua curiosidade. A pequena tratou logo de pegá-lo para ver.

Era uma foto de família, no canto estava aquele que ela reconheceu sendo o arquiteto, no centro quem ela imaginou ser o pai dele e dos lados, as irmã. Que aparentavam ser mais novas que o rapaz. Era uma família bonita e ela imaginou que a mãe deveria estar morta ou longe... Já que não estava ali. Aquela parecia ser uma típica e animada família unida, do tipo que a Kuchiki não conheceu.

Sua família era mais compacta e um tanto mais formal, ela não conseguia imaginar seu nii-sama com aquele sorriso de orelha a orelha.

Era uma linda família.

- Bom dia, Ise-san, desculpe o atraso... Aconteceram alguns imprevistos! – Ichigo entrou na sala sem ao menos ter falado com a secretária, assustando Rukia –

- Bom dia, Kurosaki-san, espero não ter atrapalhado seus compromissos!

Assim que Ichigo virou o rosto para a moça, quase caiu para trás. Aquele ali não era a moça que Inoue havia falado que estaria ali, era a moça que ele tinha atropelado. Aquela anã petulantezinha que teve o desplante de mandá-lo embora do hospital.

- VOCÊ?? – ele apontou – O QUE ESTÁ FAZENDO AQUI??

- Eu vim no lugar da minha amiga, por quê? Não gostou de me ver, atrasado-san?

Rukia deu um sorriso que irritou profundamente o morango.

- Hum... – ele respirou fundo – Desculpe o mau começo, eu só me assustei, então... Que tipo de reforma sua amiga quer fazer? A Inoue comentou sobre um bebê?

- Ela quer derrubar algumas paredes para dar dinamismo a casa e montar um bom quarto de bebê.

- Certo, você poderia descrever um pouco o lugar? Eu preciso ter uma base para começar a pensar.

- Na verdade, tenho algo melhor... – a morena apontou para um tubo cilíndrico apoiado na mesa – Trouxe a planta do apartamento.

- Ótimo, isso facilita as coisas.

Depois de conversarem um pouco sobre o que ele pretendia fazer no apartamento, Ichigo se pegou olhando para a moça que olhava o pedaço de papel que Ichigo mexia. Ela parecia uma menina.

- O que foi, perdeu alguma coisa na minha cara? – indagou ela com aquele tom petulante de novo –

- Não, mas você perdeu a educação em algum lugar! – respondeu o morango –

- Então o cabeça de abóbora além de atropelar moças desavisadas é mal educado com seus clientes?

- Você não é minha cliente, sua amiga é e sem contar que não fui eu quem começou com a grosseria.

- Está me chamando de grossa, seu besta?? – uma veia saltou no meio da testa da Kuchiki –

- Não, estou te chamando de mimada! Você nota a marra que tem?

- Olha quem fala de marra, o infeliz que tem o cabelo cor de abóbora!

- Sua nanica maluca!!! Quantos anos têm?? Você gosta daquele coelho ridículo!

- Não se atreva a falar do Chanpy!!! – Rukia apontou o dedo indicador bem no meio da cara do arquiteto –

- Acha que eu tenho medo de você, pintora de rodapé?? Você precisaria de uma escada para chegar até mim!!!

- Argh!!!! Seu retardado!!! Eu sabia que não tinha nada que ter vindo aqui, a Nan me paga!!! Paga mesmo!!! Aquela quatro olhos!!

Rukia se levanta bruscamente e pega suas muletas, queria sumir dali o mais rápido que podia, aquela coisa de cabelo laranja não faria o quarto de seu afilhado ou afilhada de jeito nenhum. Teriam de arrumar outro arquiteto, alguém menos irritante.

E no meio de toda essa euforia, a jovem Rukia acabou por tropeçar no carpete da sala e caindo de cara no chão fazendo um estrondo assustando a secretária de Ichigo que entrou na sala assustada. O arquiteto também se assustou muito e foi correndo para ajudar a pequena geniosa.

- Você está bem, senhorita? – Indagou a secretária – O que aconteceu aqui?

- Eu... Eu estou bem, só tropecei e cai... – Rukia olhou feio para Ichigo –

- Hey! Você é que bancou a maluca e saiu correndo, não tenho culpa se tropeçou!!

O ruivo a colocou de pé e a diferença de altura ficou ainda mais evidente. Como aquela mulher adulta e sem nenhum problema físico poderia ser tão baixinha? Mas mesmo assim ela ainda tinha lindos olhos azuis...

- Er... Vocês precisam de mais alguma coisa? – Judith estava sem graça —

- Não, não... Pode voltar para sua mesa, está tudo bem aqui.

- Hai, Ichigo-sama.

A secretária saiu e Rukia voltou para a mesa, no meio de toda aquela confusão tinha até se esquecido de ir embora. Ainda não ia com a cara daquela coisa fluorescente, mas ouvir sua proposta não matava ninguém. Sentou-se e ficou encarando o rapaz que a olhava com cara de idiota.

- Ficou idiota foi? Eu não tenho o dia todo não, vamos, me fale sobre suas propostas.

- Sua baixinha... – Ichigo resmungou – Um, dois, três... Okay, senhorita Kuchiki, me fale mais sobre sua amiga e o que ela deseja. Assim posso fazer um plano rápido.

- Certo, vamos ver se é assim tão bom quanto ouvi dizer ou se não passa de propaganda enganosa.

- É uma pessoa muito agradável, senhorita Kuchiki. – disse sarcástico –

- Agradeço a gentileza, mas não vou falar bem de você para Nan se não mostrar serviço.

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Rukia só saiu do escritório do arquiteto no final da tarde, no entanto, não foi um tempo perdido. Realmente o rapaz parecia ser muito bom no que fazia, depois de ouvir um pouco mais sobre Nanao e seus planos ele propôs algumas excelentes idéias e fez um esquema num programa de computador, utilizando as informações da planta.

Nanao gostaria disso, a amiga era muito detalhista e gostava das coisas nos mínimos detalhes. Será que ela já tinha voltado da casa dos pais? Não conseguia falar com ela por telefone e não queria perder a viagem até o apartamento, iria para casa e de lá veria o que fazer.

A irmã de Byakuya estava mais calma e não conseguia compreender muito bem o que sentia depois daquela tarde em relação ao alaranjado. Primeiro: achou-o um chato de galochas. Segundo: Um atrasão retardado. Terceiro: um bom profissional com um meio sorriso lindo.

A morena balançou a cabeça e conteve o meio sorriso que se formou em seus lábios. Que idiotice era aquela? Kurosaki Ichigo não passava de um homem que tinha lhe atropelado e que agora faria as obras do quarto de seu afilhado ou afilhada.

Olhou para seu celular e viu uma chamada não atendida de Renji, era melhor ligar para o ruivo antes que ele começasse a lhe encher até ter vontade de socá-lo.

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Nanao estava sentada na sacada do apartamento de Retsu olhando o crepúsculos, depois de contar tudo o que andava acontecendo em sua vida e conversar um pouco com os pais estava ali, olhando a bela vista. Tinha sido muito mais fácil do que jamais achou que seria, mas ainda sim temia pela amizade dos dois.

Levou a xícara de chá de hortelã aos lábios e suspirou profundamente, por que tudo tinha que ser tão complicado? Tudo o que queria era viver aquele momento com a maior calma possível e com toda felicidade que merecia, mas Kami não parecia concordar com isso.

- Nanao... – a voz serena do pai soou em seus ouvidos –

- Sim. – os olhos azuis se estenderam até encontrar a figura masculina –

- Eu nunca imaginei algo assim, criança, mas não podia esperar menos de vocês dois... Sabe, eu sempre quis netos, só não esperava que isso ocorresse de maneira tão tempestuosa.

Ukitake sentou-se ao lado da filha e serviu-se de um pouco de chá. Era um homem calmo e sereno como poucos jamais seriam, estava realmente atordoado com tudo aquilo, mas não sentia raiva ou qualquer sentimento hostil em relação ao amigo. A vida de casal só pertencia a ele e a filha, pena que os dois eram tão complicados.

- Pai, eu não queria que as coisas acontecessem dessa maneira, mas no fundo eu acho que sempre esperei que esse relacionamento acabasse.

- Não, você não esperava, mas agora que aconteceu é da sua natureza aceitar. Sempre foi assim, querida, procura adequar tudo ao momento para não sofrer, mas será que isso agora não está te fazendo sofrer mais?

- O Shunsui realmente tentou, mas não dá... Eu não consigo, eu não posso viver na sombra da Liza-san, eu não vou tirar nada dele. Não mesmo, só que eu não quero ficar sozinha agora, eu já não o tenho, não adianta ficar dando murro em ponta de faca.

- Okay, essa é a sua decisão e eu e sua mãe apoiamos, se quer ficar e dar a luz aqui... Sem problemas, vamos estar ao seu lado e cuidar de você, mas vai ter que ligar para ele.

- Não agora.

- Agora sim, você foi adulta o suficiente para fazer as malas e sair de casa para estudar fora, veio até nós sem baixar a cabeça para contar que estava com Shunsui e agora vai ser mulher o suficiente para falar com ele e esclarecer tudo.

- Ele vai querer que eu volte. – a morena baixou os olhos –

- Ótimo, bom para ele, mas você não saí daqui sem querer sair. Ele não vai poder te obrigar e se tentar, o que eu realmente duvido, eu e sua mãe estamos aqui para entrar nessa história e impedir.

- Ele vai me dizer mentiras, vai tentar me iludir, não estou pronta para isso.

Ukitake pegou a mão da filha e beijou carinhosamente sorrindo complascentemente. No final das contas, ela não passava de uma criança que precisava dos pais, todos os filhos são assim no final das contas, não são?

- Eu estou aqui e se depois de desligar o telefone você quiser chorar, gritar, se encolher e ficar quieta... O que quiser, eu estarei aqui para te abraçar e consolar. Você não está sozinha, Nanao, nunca esteve.

A Ise sorriu e pegou o telefone, era o que precisava ouvir para ter a coragem necessária.

Continua...

Notas finais
Gente, depois de quinhentos anos estou de volta!!! hehehhe, espero que não queiram me matar, sabe... Não faço por mal, é que são muitas fics e eu apesar de gostar muito de muitos casais desse anime nao o estou acompanhando mais, o que torna meio complicado dificil escrever... Eu li spoliers demais agora não anime ver nada....
Mas não se preocupem que não vou abandonar a fic, pois não faço isso!!! E gostaria de avisar que agora essa fic vai ser centrada em dois casais e não mais em um como era a ideia original... Mas isso vcs já devem ter notado!!!
Amo vcs, muitas saudades, espero coments e...
Kiss kiss
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.