Cruzamento
5 Champy World
Cap. V – Champy world
Já passava das dez da manhã quando o celular do jovem Kurosaki tocou pela milésima vez, a diferença das novecentas e noventa e nove vezes anteriores foi que o ruivo atendeu.
Com muito custo ele estendeu o braço até a mesinha que ficava ao lado da cama e pegou o pequeno aparelho negro. E como ainda mantinha o rosto enfurnado no travesseiro, não viu a foto do identificador de chamadas.
Um erro grave. E assim, sem saber a burrice que estava prestes a fazer o arquiteto levou o aparelhinho perto ao ouvido.
- Hum... Mochi mochi...
[ — GOOD MORNING, ICHIGOOOOOOOOOOOOOOO!!!
O rapaz que ainda estava muito sonolento quase teve um ataque do coração devido ao susto. O que acabou levando-o a cair da cama.
- O QUE FOI ISSO?? VELHO???
Ichigo estava meio confuso e ainda zonzo, mas isso não o impedia de ficar furioso com aquela criatura a quem chamava de pai por logo de manhã gritar no pé de sua orelha.
[ — O que está fazendo ainda em casa?? Já não deveria estar a caminho da casa do seu velho pai para a nossa reunião de família??
- Velho chato!! Você por acaso sabe que horas são?? E como sabe que ainda estou em casa??
[ — São exatamente dez horas e quinze minutos. HORA QUE VOCÊ DEVERIA ESTAR NA ESTRADA. E eu sei porque liguei para a portaria de seu prédio e perguntei ao gentil porteiro se o meu filho desnaturado já tinha saído.
- QUANTAS HORAS?? — ele pega o despertador que deveria ter tocado e o joga na parede depois de xingar um nome feio – MAS QUE DROGA!! EU JÁ ENTENDI O RECADO, ESTOU SAINDO!!
[ — SEU FILHO DESNATURADO QUE NÃO DÁ VALOR A FAMILIA, ESTEJA AQUI AO MEIO-DIA EM PONTO OU VAI SOFRER AS CONSEQUÊNCIAS DE ATRAPALHAR O MOMENTO FAMILIAR DA MINHA FAMILIA PERFEITA!!
- OLHA AQUI SEU VELHO MALUCO, EU NÃO TENHO CULPA SE...
[ — Tu, tu, tu, tu, tu, tu, tu, tu, tu, tu....
O som que saia do outro lado da linha era exatamente esse. Isshin tinha desligado na cara do filho. ¬¬’. Somente ele para agüentar uma família, ou melhor, um pai tão problemático!
Ichigo deu um pulo da cama e começou a vestir-se desastradamente com as roupas que tinha deixado separadas. Droga!! Estava atrasado, teria de correr, literalmente, para conseguir chegar a Karakura a tempo do tal piquenique.
Ainda bem que já tinha colocado a mala e os presentes no porta-malas. O morango passou na cozinha, pegou um copo de suco e uma torrada que engoliu em dois minutos enquanto trancava o apartamento.
- Segura o elevador! Segura, por favor!!
O ruivo viu uma pequena mão se colocar a frente da porta ativando o sensor de segurança fazendo com que a porta reabrisse. E assim, com o alivio de dar tempo ele não notara o chão molhado o que o fez escorregar e cair sentado dentro do elevador.
Sorte que havia apenas uma pessoa ali, caso contrario teria sido um tombo coletivo dos presentes e com certeza, ele o odiado do edifício.
Ainda sentado, Ichigo levou os olhos aos pés da pessoa que segurara o elevador e que com um reflexo rápido dera um passo para o lado, evitando a queda. Era uma mulher. Usava sapatos de salto marfim, grossos, peep toe.
- Err... Desculpe. Eu estou com um pouco de pressa.
Ichigo levou a mão direita a parte detrás da cabeça e coçou antes de começar a erguer o corpo. Já de pé ajeitou a camisa branca com decorações e deu virou para mulher que estava ao seu lado.
- Não se preocupe, acidentes acontecem.
Ela possuía a voz doce e um tom calmo que poucas pessoas eram capazes de ter. Tinha os cabelos longos e bem negros presos num coque informal. Óculos escuros descansavam sobre a cabeça e um vestido branco e marrom de estampas aleatórias cobria o corpo aparentemente esbelto.
O mesmo possuía um decote em “V” nas costas e no busto. As mangas lembravam as de um quimono, muito elegante. A mulher deveria ter uns quarenta anos, apesar de aparentar cinco ou seis anos menos.
Finalmente, a porta da caixa de aço se abriu e sem mais delongas o morango saiu correndo sem olhar para trás. Tinha a impressão de já tê-la visto em algum lugar.
Devia ser do prédio mesmo... Ichigo entrou no carro e tratou de sair loguinho.
Rukia iria matar Renji! Escalpelar, decapitar, atropelar, balear, chutar o traseiro dele até fazer “Paft!”. Aquele cachorro tinha inventado de levá-la para casa e os dois tinham se empolgado demais...
No final das contas ela NÃO tinha arrumado as malas, acordado atrasada e sozinha!!!! Porque aquele imbecil tinha saído cedo sem acordá-la.
No volante de sua Mercedes a pequena Kuchiki atravessava a cidade com uma velocidade maior do que a permitida e até parada já tinha sido... Mas antes de tentar explicar qualquer coisa, ao descobrir quem ela era o guarda liberara-a.
Geralmente, não gostava desse tipo de coisa, mas hoje não tinha tempo de ser mandada para a delegacia.
A música “My Immortal” Evanescence começou a tocar dentro do carro. Era o Iphone dela e indo contra todas as regras de conduta na direção Rukia colocou o fone no ouvido.
- Mochi mochi, fala rápido que estou dirigindo.
[ — Onde está criatura?? Até agora não saiu de Tókio?
- Renji?? – Rukia chegou a trincar os dentes ao ouvir aquela voz –
[ — Não! Uma freira que usa Dolce e Gabana!!! Claro que sou eu, chibi!!
- SEU DESGRAÇADO!! POR QUE NÃO ME ACORDOU???
[ — VOCÊ NÃO ACORDOU DE JEITO NENHUM, EU NÃO PODIA TE ESPERAR!
- OLHA AQUI SEU... — a voz da Kuchiki desapareceu e o barulho de uma grande freada foi ouvida –
[ — Que barulho foi esse, Rukia?? Rukia!!! Rukia?? RUKIAAAA!!!
- Pára de gritar na minha orelha, seu idiota!
[ — Que barulho foi esse?? Você está bem!!
- Ótima!!! Depois te ligo!
A pequena mulher desligou o telefone e ficou olhando para o Outdoor do desvio com os olhos cheios de lágrimas.
SÓ HOJE, O MUNDO DE CHAMPY NO SHOPPING!!
- Champy!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Rukia estava tão emocionada. Não sabia nem o que dizer...
- Hey!!! Será que da para desocupar a moita??
- Sai dá frente, barbeiro!!
Os carros que estavam atrás de Rukia tinham suas buzinas tocadas e motoristas impacientes xingavam o condutor, ou melhor, a condutora da Mercedes.
- Já vai, já vai, seus idiotas!!!
A mulher entrou no desvio e foi para o Shopping. Depois se entenderia com o avô.
Em um café elegante da avenida principal de Tókio, um homem vestido com uma calça clara, suéter azul sobre uma camisa branca e usando um relógio que combinava com o visual mais esportivo esperava alguém.
Os cabelos brancos, lisos e longos faziam uma combinação perfeita com a face serena. Era um homem muito bonito e elegante, e não parecia ter pressa como a maioria das pessoas que esperam alguém. Definitivamente, ele tinha uma virtude: a paciência.
Mas a pessoa esperada não o fez esperar muito, menos de dez minutos. Apareceu descendo de um taxi e trazendo consigo uma pequena mala. Ela acenou ao ver Juushiro.
- Retsu! – ele levantou-se e foi até ela, pegando a mala e puxando uma cadeira –
- Desculpe a demora, Juushiro, dormi um pouco além da conta.
- Não se preocupe com isso. O que vai pedir?
- Ainda não tomei café, um chá verde e torradas seria excelente.
- Uma salada de frutas também?
- Claro.
O homem chamou o garçom e fez o pedido, também pedindo torradas para si mesmo. Retsu estava um pouco curiosa em relação ao ex-marido, ele parecia muito melhor.
Explicação: Retsu e Juushiro foram casados no passado e até tiveram uma filha, Nanao, essa que morava em Londres com o namorido Kyouraku. Um homem mais velho, na verdade, amigo dos dois, mas isso não vinha ao caso. Ela tinha vinte e três anos, trabalhava, enfim, era grande o suficiente para decidir o que era bom para si mesma.
Juushiro era um homem de boa família, muito cortês e educado que no processo de divorcio que se dera há cinco anos, não tentou diminuir a parte dela na partilha dos bens, tanto por ser direito dela, tanto por as empresas serem uma fusão a qual uma das originais ser da família dela.
- Desculpe ter atrapalhado seus planos, mas gostaria que visse as planilhas relativas aos últimos negócios fechados e a sua margem de lucro nisso.
- Não se desculpe, mas acho que já deixei bem claro que não era necessário. Eu deixei você administrar minhas ações porque confio em você.
O garçom trouxe os pedidos e logo se retirou, dando as duas pessoas privacidade para continuar a conversa. Pois apesar de estarem em uma das ruas mais movimentadas de Tókio, havia uma pequena ilha arborizada perto que dava ao lugar um charme todo especial.
Ali não tinha sinais tão fortes de poluição, o que deveria ter influenciado muito Ukitake na escolha devido sua saúde frágil.
- Eu gosto de fazer as coisas direito, você me conhece. Mas não tenha pressa, pode analisar com calma e depois me falar com o que achou.
- Certo! – ela sorriu – Então eu vou deixar essa pasta aqui. – ela colocou a pasta dentro da bolsa – Para podermos conversar um pouco, faz um tempo que não nos falamos.
- Por mim tudo bem. Sobre o que quer falar, Retsu?
- Como vai sua saúde? Você me parece muito melhor... Eu tinha ouvido alguns boatos sobre o contrário.
- Eu tive uma recaída há cerca de seis meses, mas fui me tratar na Rússia e quer saber? Fazia muito tempo que eu não me sentia tão bem!
- Que ótimo! Fico feliz por você, Juushiro.
Retsu sorriu sinceramente, tinham se separado depois de vinte e cinco anos juntos. Não foi uma separação difícil, simplesmente haviam notado que não dava mais certo estarem juntos como um casal.
Apesar de serem 25 anos, os de casado tinham sido um pouco menos, mas a relação dos dois vinha de longa data. Ela era secretária executiva, falava quatro idiomas e era formada e pós-graduada administração de empresas.
O seu trabalho nas empresas Kuchiki era quase o de uma executiva ou diretora, mas ainda seguindo Byakuya e cuidando de sua agenda e afazeres.
- Como vai você? Eu soube pela Nanao que recusaste a promoção a diretora.
- As coisas não são bem assim, eu já faço esse tipo de trabalho e ganho por isso, mas ainda cuido da agenda do Byakuya-sama, ele precisa de alguém de confiança e depois de tantos anos... Não faço questão.
- Claro, Kuchiki-san é um homem que escolhe a dedo quem fica ao seu lado. Ele é muito fechado, mas eu realmente admiro a maneira como ele leva as empresas.
- Você fala quase como se fosse muito mais experiente... Mais velho. – ela riu -
- Eu já tenho alguns anos nas costas... Tenho quase cinqüenta anos e ele deve ter... Quem sabe 43 anos?
- Se não me falha a memória, sim.
- Mas mudando de assunto, algo de novo para me contar?
- Não.
- Posso perguntar para onde vai?
- Sim, vou para Seireitei, o velho Kuchiki quer os netos perto dele e vai dar um jantar. Byakuya-sama me chamou para ir, Kuchiki-dono fala que sou da família.
- Ele era amigo do seu pai, deve ser por isso. Desculpe ser indiscreto, mas veio de taxi, quer que eu a leve em algum lugar?
- Meu carro foi para a revisão, seria muito gentil se me levasse a locadora de carros. Claro, se não for incômodo.
- Olha, tenho uma oferta melhor. Estou indo para Seireitei, vou passar uns dias na minha casa lá, posso te levar. Se não se importar...
- Seria ótimo. Não gosto de dirigir na rodovia. Mas só se isso for verdade, não quero você inventando essa viagem só para ser cavalheiro.
- Imagine, eu só preciso de um pouco de paz. Coisa que não teria aqui em Tókio. Sem falar que Nanao vem nos visitar e ela quer ficar naquela casa.
- Ela vem mês que vem, certo? Na última vez que ela me ligou, a ligação estava péssima.
- Está certo. – ele retira uma nota da carteira e põe sobre a mesa – Vamos? Daqui a Seireitei são duas horas de viagem.
- Vamos sim e muito obrigada.
- Da nada.
Juushiro ofereceu o braço e sorriu.
Ichigo estava na saída da cidade, perto do shopping. O carro tinha quebrado e só agora, quase duas horas depois, que ele conseguira iniciar sua viagem.
Estava a toda tentando sair logo dos limites da cidade, mas o trânsito estava terrível, aquela coisa sobre o ridículo coelho Champy tinha tornado impossível dirigir.
Ele realmente não entendia como as pessoas conseguiam gostar daquilo. Aquele bicho de pelúcia era decadente.
E como se isso fosse pouco, seu celular tocou e adivinhem quem era?
Se alguém chutou Isshin Kurosaki, chutou certo. E se ele não atendesse, ele insistiria. Se atendesse, ouviria aquele cara enchendo-lhe o saco. E se desligasse, ele provavelmente começaria a se desesperar e ir atrás de si em necrotérios.
Era melhor atender então.
[ — FILHO INGRATO!!! VOCÊ SABE QUE HORAS SÃO?? ONDE VOCÊ ESTÁ?
- Em Tókio.
[ — TÓKIO?? MAS QUE RAIOS AINDA ESTÁ FAZENDO AI? ESTÁ DIRIGINDO FEITO UMA VELHA COM REUMATISMO? NÃO, NÃO... UMA VELHA COM REUMATISMO DIRIGIRIA MELHOR QUE VOCÊ!
- O CARRO QUEBROU TÁ!!! QUE CULPA EU TENHO??
[ — QUEM MANDOU NÃO FAZER A MANUTENÇÃO DIREITO!!! EU NÃO QUERO NEM SABER!! ONDE FOI QUE EU ERREI COM VOCÊ, ICHIGO?? POR QUE VOCÊ TINHA QUE SER UM REBELDE SEM CAUSA?? EU NÃO FUI UM BOM PAI?? TE FALTOU CARINHO??
Uma veia estava saltando no centro da testa do ruivo. Ele não agüentava mais aquela lenga lenga maldita.
Rukia saia do Shopping a caminho de seu carro. Ela não conseguira vaga no estacionamento, por causa disso, teve de estacionar do lado de fora. A três ruas do Shopping.
Aquela convenção do mundo Champy tinha atraído muita gente. Como ela não ficara sabendo?? Era a vice-presidente do fã-clube no Japão, sendo que a presidente era Yachiro Zaraki. Ela iria rodar a baiana mesmo!!
Rukia usava uma touquinha de coelho Champy e trazia consigo uma grande sacola de papel reciclável cheia de bloquinhos, canetas, ursinhos, meias, pantufas, balinhas bonequinhos... Tudo o que vocês puderem imaginar com a cara do coelho.
Mas antes que ela alcançasse a saída do shopping, seu celular tocou. Era Renji... Tinha umas trocentas ligações dele ali.
- O que foi, Renji?
[ — Como assim o que foi? Você desliga na minha cara, não atende as ligações, some durante quase DUAS horas, onde raios você estava??
- No shopping, o mundo de Champy!
[ — Aquele tanuki idiota?? Tem um mundo só dele?? Onde você está afinal???
- Não é um tanuki, é um COELHO. É o Champy. Mais respeito. E eu estou saindo do shopping indo para meu carro. Chego ai em umas duas ou três horas!
[ — RUKIA! Seu avô quer te ver e você vai ver um coelho patético!! Toma tipo!!
- Não fale mal do Champy!! Quer que eu mande as fotos de mim abraçada com o Champy?? Eu comprei uma touquinha para você também!
[ — Eu não quero ver você abraçada com um retardado que usa uma roupa de coelho ridícula! É deprimente! E EU NÃO VOU USAR TOUQUINHA DE CHAMPY PORCARIA NENHUMA!
- Quer uma camiseta então?? Ou uma cueca??
[ — Rukia!!!! Eu não quero nada que tenha um coelho idiota estampado!! Eu não sou bichinha e você deveria saber disso!!
- Preconceituoso!!! Como você ousa falar assim do meu amado Champy?? Seu chato!!
Rukia estava do lado oposta da rua onde se encontrava seu carro. Era uma rua muito movimentada devido ao desvio que tinha alguns metros a frente, muitos usavam como atalho para pegar um caminho mais fácil para a rodovia.
A Kuchiki recebia muito olhares devido a touca que usava, mas pouco se importava, não devia nada a ninguém. Muitos riam, outros apenas olham espantados e alguns faziam gracinha... O que era um grande erro, pois ela tinha um olhar MUITO ameaçador para quem quer que fosse.
Trazendo o celular na orelha esquerda, carregava o pacote ENORME com alguma dificuldade devido ao salto alto que usava. Olhou para um lado, olhou para o outro e começou a atravessar, mas o que ela não viu foi que um carro dobrou a esquina naquele momento a toda velocidade.
Alguns tentaram avisar, mas ela achou que fossem idiotas fazendo piadas com seu idolatrado Champy, e assim, não deu moral. Continuou a atravessar falando ao celular.
- Olha aqui, Renji-eu-odeio-champy, para de me irritar! Eu já estou chegando ... E a culpa é toda sua, se você tivesse me acordado, eu já estaria junto com você e o Nii-sama...
[ — Você tem o sono mais pesado do que o de uma pedrinha!
- Por que você está usando o diminutivo?? Olha aqui, senhor-eu-odeio-o-champy, eu não tenho culpa se você cresc...
A mulher não pôde terminar a frase, pois ao olhar para sua esquerda viu um grande carro vindo a toda velocidade em sua direção, não deu tempo de correr ou fazer qualquer coisa que não fosse gritar.
- Aaaaaaaaaaaah!!
[ — Rukia? Rukia?? O que aconteceu?? Que barulho foi esse??
Alguns segundos antes no Land Rover de Kurosaki Ichigo...
Ichigo tinha tomado um desvio para chegar a auto-estrada que deu em algumas ruas que circundavam o Shopping. Tinham muitos carros ali... Aquele coelho ridículo era mesmo uma febre.
Isshin ainda gritava ao telefone e a paciência de Ichigo estava quase acabando. Aquele velho não calava a boca e se desligasse o telefone seria muito pior.
- Me dá um tempo tá pai! Cala essa boca e me deixa dirigir em paz!!
[ — Seu ingrato!! Como você pode falar com seu pai assim?? Eu que cuidei de você e de suas irmãs com tanto amor e carinho... – “craft”, o celular que o morango segurava com o ombro caiu – O que foi isso, Ichigo?? Fale comigo, filho ingrato!
- Argh!! Mais que droga!!
O ruivo abaixou-se para pegar o celular e quando voltou viu que tinha uma criança com uma touca de Champy atravessando a rua. Foi tudo muito rápido, a rua era estreita, uma Mercedes impedia um desvio grande, pessoas na calçada olhavam horrorizadas e ela deu o que pareceu ser um grito.
O cruzamento a frente continuava em seu ritmo frenético. E foi. O carro acertou o que ele julgava ser uma criança e o impacto que a freada brusca fez o pescoço do morango ricochetear, se não estivesse de cinto teria dado com a testa no volante.
A sacola dela se rompeu, o celular voou, ela rolou sobre o capô e depois caiu...
- Uou... – ele chacoalhou a cabeça e pegou o celular onde Isshin gritava –
[ — Ichigo! Ichigo! Ichigo! O que aconteceu??
– Eu acho que atropelei uma criança... – disse o ruivo com uma voz um tanto quanto assustada, catatônica – Depois te ligo.
Ainda meio em choque e já ligando para uma ambulância ele desceu do carro. Um aglomerado de pessoas se formava e a menina, que ele descobriu ser uma mulher adulta com uma touca de Champy, estava inconsciente no chão. De bruços e com alguns ralados que sangravam um pouco.
- Eu preciso de uma ambulância na Hitawa com a Brankey, perto do cruzamento da saída de Tókio. Uma mulher atropelada. Rápido, por favor.
Continua...
Gente, desculpe a demora, o cap já estava pronta a muito tempo, mas meu pen drive queimou e eu demorei a conseguir um emprestado!! Então agradeçam a Ana Gabriela-Chan!!!
Espero que gostem e por favor comente, estou amando os coments
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