Cap. VII – Azuis

O caminho de Seireitei até Tókio que normalmente leva duas horas, o Abarai fez em 56 minutos. Era muita sorte as estradas por aqueles lados não serem muito movimentadas, caso contrário, levaria uma eternidade e tempo era uma coisa que Renji não tinha.

Byakuya ligava de dez em dez minutos, um pé no saco! Onde estava a santa Retsu quando se precisava dela? Por fim, o ruivo optou por desligar o telefone temporariamente, para não ser o próximo a sofrer um acidente.

Parou o carro de qualquer maneira em uma das vagas no estacionamento do hospital e logo que desceu viu o carro de Rukia. Pelo menos, o atropelador tinha tido o senso de levar o carro dela para lá.

- Boa tarde, em que posso aju... – a moça foi interrompida –

- Eu sou Abarai Renji, em que quarto está Kuchiki Rukia? – disse o ruivo batendo a mão sobre a bancada –

- Oh sim, a moça que deu entrada mais cedo... Um minuto, vou verificar se ela pode recebê-lo. É algum familiar?

- Sou o namorado dela, dá para andar logo com isso?

O homem, definitivamente, não estava em seu melhor dia e a moça, um pouco irritada com a falta de tato, fez o que ele pediu. Parecia que aquele não era seu dia e tudo por culpa da nobrezinha que dera entrada mais cedo.

Típico, a mocinha rica que sofre um pequeno acidente causa todo aquele estardalhaço como se estivesse a beira da morte.

- Quarto 207 e tente não fazer barulho. Temos outros pacientes.

- Yare, yare... – Renji deu as costas a mulher fazendo um gesto de quem entendia com a mão –

A moça que antes estava irritada, sentiu o coração disparar quando reparou bem no rapaz. Alto, ombros largos, pele bronzeada, voz grossa... Aquela Kuchiki era uma mulher de sorte.

Como uma mulher que aparentemente não tinha nada demais conseguia um homem daquele? Era muito injusto! Umas com tanto e outras com tão pouco.

A moça deu um longo suspiro e foi atender uma moça que chegara a recepção. Renji a essa altura já estava longe, precisava ver Rukia e ter certeza de que ela estava bem.

Entrou no quarto sem cerimônia alguma e quase teve uma sincope ao ver a figura que viu. Rukia sobre o leito com uma perna engessada sobre um suporte pendurado no teto, com uma camisola de hospital, touca de champy, rabiscando alguma coisa em um bloquinho rosa com uma caneta rosa de estrelinhas e um champy em cima. Estava tão compenetrada que nem notou o ruivo.

- Rukia?! O que é isso na sua perna? Um gesso?

- Renji?! – a morena olhou-o assustada – Nossa! Chegou rápido!

- Você está com a perna quebrada?? Quebrada? Você não tinha dito que não foi nada demais??

- Eu não queria estar com a perna quebrada, mas considerando a infinidade de coisas ruins que poderia ter me acontecido, estou muito bem!

- O Byakuya vai pirar!!!

- Relaxa, Renji! Agora vai lá assinar a papelada para podermos ir embora!

- Argh! Sua baixinha, problemática!

O rapaz caminha até Rukia e ela supõe que levará um tapa no meio da testa ou um pedala, mas o que acontece é um apertado – e coloque apertado nisso – abraço seguido de um beijo na testa.

- Ainda bem que não se machucou mais!

- Er... Renji... Eu... Desculpe te preocupar! – ela dá um sorrisinho malvado – Mas a culpa é sua, quem mandou não me esperar!

- Sua mala!! – Renji soltou o abraço e começou a sair – Fique aqui e tente não quebrar mais nada!

- Eu não vou me mexer!

Juushirou parou o carro na porta principal da mansão Kuchiki, tinha recebido autorização para entrar depois que o sentinela viu Retsu. A casa não havia mudado muito desde a época que tratava de negócios com Ginrei-dono.

Desceu de seu carro e foi até a porta do passageiro para abri-la para Restu. Nesse momento, Byakuya saiu de dentro da mansão, fora avisado que a Unohana tinha chegado e fora recebê-la, não gostou muito do que viu.

Naturalmente, o Kuchiki conhecia o Ukitake, tanto dos negócios, tanto como ex-marido de sua secretária. O moreno sabia, por alto, que mantinham boas relações, só não imaginava que fossem TÃO boas assim.

- Retsu... Pensei que não viria mais. – o Kuchiki fez um sinal com a cabeça para que um empregado pegasse a pequena mala de Retsu que estava com Juushirou – Boa tarde, Ukitake-san.

- Boa tarde, Kuchiki-san. – o empregado pega a mala de Retsu – Bem, acho que já vou indo...

- Obrigada pela carona, Juushiro-kun, eu realmente não gosto de dirigir na auto-estrada. – ela deu um beijo na bochecha do ex –

- Não foi nada, eu estava vindo para cá mesmo. Até, Kuchiki-san.

Ele estendeu a mão a Byakuya que retribuiu o gesto como um bom cavalheiro.

- Não quer tomar entrar e tomar um café?

- Não, talvez uma outra hora. Mas agradeço o convite...

Juushirou desceu as escadas e entrou em seu carro saindo logo em seguida.

- Resolveu o que precisava, Retsu?

- Sim, era só o Juushirou querendo ser certinho... – ela sorriu – Mas então, aconteceu alguma coisa? Parece um pouco inquieto.

O presidente das empresas Kuchiki solta um grande suspiro, a tensão deveria estar estampada em sua face. Estava muito preocupado com Rukia, já fazia mais de uma hora e Renji não dava notícias.

- Entre, vou te contando no caminho...

- Obrigada.

Byakuya abriu caminho para que Retsu fosse primeiro, como sempre, um perfeito gentleman.

Ichigo finalmente conseguiu chegar a Karakura, depois de tanto estresse poderia tomar um banho e relaxar um pouquinho. Se bem que Isshin provavelmente ficaria em seu pé... Nada fora do comum.

O morango estava chegando a conclusão de que aquele ali precisava mesmo era de uma namorada. Só assim para parar de pentelhar a vida alheia, já fazia tantos anos que ficara viúvo, não fazia muito sentido ele até o momento continuar solteiro.

Parou o carro dentro da garagem e seguiu para dentro da casa, tudo estava silencioso demais. Será que ainda estavam no piquenique? Bem, se estivessem, melhor, assim teria tempo de se recuperar daquele acidente.

O ruivo entrou pela cozinha e jogou as chaves do carro sobre o balcão da cozinha. Realmente, não deveria haver ninguém ali. Caminhou até a geladeira, pegou uma garrafa de suco e virou-a no bico, arrancou da geladeira uma vasilha que imaginou ter comida que Yuzu fizera.

Era um recipiente de plástico branco com tampa verde e dentro havia alguns canellones de presunto e mussarela com molho de tomate, era provável ser o que sobrou do jantar da noite anterior.

Virou o conteúdo sobre um prato de vidro e colocou no microondas, sentando-se a mesa para esperar. Tudo naquela casa estava do mesmo jeito que era quando a mãe era viva.

Nem parecia que ele morava sozinho em Tókio, que Yuzu era casada e que Karin morava na Bélgica, atualmente, já que jogava em um clube de futebol de lá.

O kurosaki tinha a impressão de que a qualquer momento a mãe apareceria pela porta que ligava o cômodo a sala com um grande sorriso no rosto. Até o cheiro ainda era o mesmo.

Na geladeira havia alguns desenhos feitos pelas irmãs a mais de quinze anos e se bem conhecia o velho Isshin, o pôster gigante com a foto da mulher ainda jazia na parede da sala. Como é que ele esperava arrumar uma namorada tendo uma foto gigante da mulher falecida pregada na parede??

Plim.

A comida ficara pronta. Ichigo pega o prato e a garrafa de suco seguindo para a sala, onde liga a televisão num canal qualquer e se senta no sofá. A foto da mãe estava no mesmo lugar.

- Aquele velho maluco... – um sorriso brotou na face do homem –

Isshin não seria Isshin se não fosse cheio de excentricidades.

Comeu e por fim, deitou-se no sofá, nem lembrava da televisão ligada. Olhando para o teto, uma imagem veio a mente do jovem arquiteto: os olhos azuis da moça que atropelara... Qual era mesmo o nome dela?

- Rukia... – ele sorriu – Rukia Kuchiki...

Ela tinha olhos determinados. Ela tinha olhos da cor do céu num dia em que as nuvens não existem...

Rukia entrou na mansão Kuchiki nos braços de Renji, seria uma visão menos chocante se comparada a entrar numa cadeira de rodas. O ruivo carregava a parceira carinhosamente, como se carregasse a mais rara das orquídeas.

Apesar daquele jeito bruto, o Abarai era um exemplo de como um homem deveria tratar uma mulher. Não era do tipo bajulador enjoado, mas jamais seria capaz de machucar qualquer que fosse a dama.

- Eu não quero nem imaginar a cena de quando seu irmão ver esse gesso!

- Você acha que vai ser tão feio assim?

- Feio?? Bota horrendo nisso!

Dito e feito, assim que o casal adentrou a sala onde o irmão mais velho da baixinha tomava chá acompanhado de Retsu, o clima ficou extremamente pesado. Era como se uma nuvem de chumbo parasse sobre a cabeça de todos os presentes.

O cuidado que Byakuya tinha com a irmã era exacerbado, mais parecia o cuidado de um pai em relação com uma filha. O que tinha seu fundamento, a diferença de idade entre os dois, fez com que Hisana e o próprio olhassem para a pequena Rukia como quem olha para uma filha.

- O que significa isso?! – o moreno levantou num solavanco do sofá, assustando Retsu – Eu pensei que tivesse sido um pequeno acidente!

- E foi um pequeno acidente, nii-sama... – falou a Kuchiki com um tom incerto, o olhar do irmão era perfurador –

- Eu não considero uma perna quebrada como um pequeno acidente, Rukia! Você tem certeza de que podia ter alta tão rápido? Em que hospital foi atendida? Quem era o médico?

- Calma, nii-sama, tudo foi dentro dos conformes. E também o motorista que me atropelou prestou socorro.

- Não fez mais do que a obrigação! Você já prestou queixa? Vou colocar algum de nossos advogados responsável por cuidar disso!

- Não, não... Nii-sama! Foi um acidente! Não é preciso!

- O que?! Você não prestou queixa?? – o Kuchiki direcionou o olhar para Renji – Como permitiu isso, Renji? Deveria ter você mesmo levado o idiota até a delegacia.

- Ele... Ele não estava lá quando eu cheguei!

O ruivo coloca a pequena no sofá e ajeita a perna dela de modo a ficar num nível mais alto em relação ao resto do corpo, ordens médicas para os primeiros dias.

- O que?? Como assim? Onde vocês dois estão com a cabeça?

- Calma, Byakuya-sama! – Retsu finalmente se pronunciou para o alivio do casal – O importante é que ela não foi mais gravemente ferida.

- O mais importante é ensinar ao desavisado a prestar mais atenção ao dirigir! Quem garante que esse marginal não vai atropelar outras pessoas??

- Não é para tanto, nii-sama, fui muito negligente também. Não deveria ter atravessado a rua falando ao celular. O rapaz foi muito prestativo, levou meu carro para o hospital, falou com a polícia sem problema algum, queria pagar o hospital...

- Quantas vezes eu já falei para não andar por ai pendurada nessa coisa, Rukia? Quantas vezes? Será que você não teme por sua própria vida?

Aquela cena era para ser realmente hilária se não fosse a face gélida do presidente das empresas Kuchiki. Seu olhar era capaz de mutilar o pobre infeliz que atropelou sua irmãzinha, ele não acreditava que ela poderia morrer...

Essa possibilidade o deixou irado! Rukia era a única lembrança consistente de seus anos de felicidade com Hisana, era a filha que não tiveram tempo de ter.

- Nii-sama...

- Você só vai sair com motorista a partir de agora! Não vai a lugar nenhum desacompanhada mais! Está entendendo, Rukia?

- O que?? Mas isso...

- Eu não quero ouvir! Não quero! Vou falar com nosso avô... Prepará-lo para essa notícia!

- Calma, Byakuya-sama, pode deixar que eu vou! Termine seu chá... – ela olha para Renji – Leve Rukia para cima e a acomode bem, quando eu tiver falado com Ginrei-dono vocês descem.

- Certo!

O Kuchiki saiu da sala levando uma xícara de chá, estava louco de raiva, se descobrisse o traste que fez aquilo com Rukia era capaz de matá-lo com as próprias mãos.

Mas não era só isso que afligia aquele homem, a chegada de Retsu não o deixara com o melhor dos humores.

Ichigo adormecera no sofá com a televisão ligada, mas seu sono não durou mais que três quartos de hora, pois o pai e as irmãs chegaram e como não podia deixar de ser Isshin acordou “carinhosamente” o filho.

Uma voadora que acertou em cheio o pobre Kurosaki mais novo...

- GOOD NIGHT, ICHIGOOOOOOOO!!!

- SEU VELHO MALUCO DE PEDRA! PIROU FOI? QUER ME MATAR?

- SEU FILHO INGRATO! NÃO FOI NO ALMOÇO DE FAMÍLIA!

- EU ATROPELEI UMA PESSOA POR SUA CAUSA! SE NÃO FICASSE TANTO NO MEU PÉ EU NÃO TERIA ATROPELADO AQUELA MOÇA!

- Eu não tenho culpa de nada. Se tivesse saído de casa na hora certa não teria de sair correndo. – u.u -

- Seu idiota! – Ichigo levantou-se – Onde estão a Yuzu e a Karin?

- Tirando as coisas do meu netinho do carro! Ele é tão lindooooo!!

- Claro, puxou a Yuzu! Não podíamos esperar o mesmo se fosse parecido com você!

- Isshin fez um bico – Filho ingrato.

- Hey Yuzu, onde está o meu sobrinho favorito? – o ruivo saiu da casa atrás das irmãs –

- Ichi-nii! – ela sorriu meiga – Você está bem? Ficamos preocupados.

- Não foi nada, pelos menos para mim...

O Kurosaki ajudou a irmã mais nova a retirar as coisas do bebê do carro, aquele carrinho pesava uma tonelada! Depois deu um beijo na testa da mulher e pegou o sobrinho de seis meses no colo.

- Como tá grande!! Coisa fofa!! – com um braço ele segurava o bebê e com o outro carregava algumas sacolas – E ai? Onde está o meu cunhado?

- O Kenji-kun teve uma reunião, chega amanhã cedo.

- Hum... Aquele imprestável! Mas e a Karin? O velho disse que ela estava aqui com você!

- Não, não, ela está no outro carro com o Jinta-kun. Os dois estão discutindo a relação...

- O que??? Com a Karin no volante? – Ichigo olha para o sobrinho – Nunca faça uma coisa dessas coleguinha, sua tia Karin é uma doida no volante!

- Ichi-nii, não fale coisas assim para ele.

- O que? Estou ensinando desde cedo o que ele deve ou não fazer!

- Meu netinho lindo, vem cá para o colo do vovô!

Isshin veio cheio de vontade, mas o pé de Ichigo em sua cara não permitiu uma aproximação maior.

- Nem vem velho, deixa o baixinho comigo!

Certas coisas nunca mudariam, Yuzu balançou a cabeça negativamente, mas esperava que ao menos seu filhinho não acabasse maluco como o tio e o avô. O que parecia muito difícil, já que esse ria no colo tido.

- Mas eu sou o vovô! – T.T – Filho malvado!

- Yare, yare... E eu com isso?

- Não teríamos esse problema se você me desse um netinho também! Assim enquanto você brincava com seu sobrinho, eu brincava com seu filho, sem falar que uma esposa ia acabar com esse seu mau humor!

- Ignore ele, Ryuu! Esse velho é maluquinho de pedra!

- Eu falo sério, filho ingrato!

Continua...

Notas finais
GENTEEEEEEEEEEEE, EU VOLTEIIIIIIII!!
Tenhoo uma otima explicação para ter sumido!! O cabo de força do meu notebook queimou e demou]rou um seculo ate connsertarrrrrrrrr!! Eu juro!!! E prometo que vou atulizar as fics o mais breve possivel!!!
Kiss kiss
Comentem porfavozinhooooooooooooo
Riizinha