Crossroads - Vidas Cruzadas

36 Capítulo 35 - Dois pais


Notas iniciais
Hey mais um capitulo.... enjoy it!

POV – Nannah

– Bom dia – Anthony falou assim que eu abri a porta pra ele, não respondi, apenas dei espaço para que ele entrasse – Então preparada para o primeiro dia de treinamento?

– O que eu preciso saber antes de começar a treinar? – perguntei.

– Não muita coisa. Esse treinamento seria mais fácil se você tivesse alguma noção de artes marciais, judô, karatê... você saberia como se proteger tanto na forma humana como na forma de felino. Então vou começar os treinamentos te ensinando alguns golpes, acho que Jacob pode ajudar, ele deve ter alguma experiência em luta... onde ele está? – ele perguntou procurando Jake com os olhos.

– Foi até a casa dos Cullen – falei – ele acha que é melhor que os Cullen saibam de nós dois para que não haja risco de sermos atacados quando estivermos em forma de pantera.

– Esses Cullen são lobos também?

– Não são vampiros.

– Espera, vampiros?

– É vampiros, mas eles não oferecem risco, são ‘vegetarianos’ – Anthony me olhou com cara de quem não entendia — Se alimentam de sangue animal. – expliquei.

– Isso não me é estranho... – ele murmurou.

– Existem vampiros por ai que se alimentam de sangue animal – falei.

– Não o fato deles se alimentarem assim... o sobrenome Cullen... não me é estranho.

– Bom Carlisle está nesse mundo há muito tempo, vai ver você já ouviu falar sobre ele...

– Carlisle? O vampiro médico?

– É... você o conhece?

– De longa data... não consegui antes ligar o sobrenome Cullen à ele. – Anthony se sentou – Carlisle me ajudou muito tempo atrás, nos meus primeiros anos de transformação. Uma vez encontrei um casal de vampiros, minha primeira reação foi atacar, mas eu ainda era inexperiente e não tinha tanta prática com lutas, eles me feriram bastante, mas ainda assim consegui colocar fogo nos dois. Carlisle me encontrou muito machucado e cuidou de mim. Foi ele quem me ensinou a me defender, ele já era vampiro há muitos séculos e tinha experiência.

– Então vocês são amigos. – falei.

– Faz bastante tempo desde a ultima vez que o vi. Seria fantástico revê-lo agora.

– Então vamos ao reencontro – me levantei do sofá onde havia me sentado e caminhei em direção à porta. – Vamos à casa dos Cullen.

...

– Não quer ir na sua forma de pantera? – ele perguntou quando estávamos na floresta.

– Não sei como me transformar sem estar com raiva. – falei.

– Você precisa encontrar a chave, o ponto que ‘ativa’ a transformação. Quando você o encontrar vai ser fácil entrar e sair da forma de pantera.

– Ok, mas enquanto isso a gente pode caminhar – continuei andando sem dar atenção á ele.

– Ou correr. Sabia que mesmo na forma humana você ainda consegue ser bem rápida?

– Como Jake? – perguntei me lembrando de algumas vezes que o vi correndo.

– É como Jake. Então vamos testar sua velocidade? – ele deu um risinho – Sabe eu consigo ser mais rápido que muitos vampiros.

– Veja se é mais rápido que eu então – falei e disparei numa corrida. Eu não imaginava que podia ser tão rápida, me sentia como se estivesse numa moto em alta velocidade sem capacete. Era uma sensação maravilhosa. Parei assim que chegamos à fronteira.

– Você fica lida quando sorri – Anthony falou e eu percebi que tinha um sorriso tatuado no rosto. Consertei minha expressão passando pra uma um pouco mais séria.

– Deviamos ter ido de carro – falei olhando o que nos separava do território dos Cullen. O rio corria entre os dois territórios e tinha uma boa altura entre onde estávamos e a água.

– Não é difícil passar – Anthony se afastou um pouco e tomou impulso pulando com facilidade os metros de ‘nada’ – Se afasta um pouco e toma impulso.

– Não vou conseguir, vai você e manda Jake vir me buscar – falei me sentando numa pedra, ele voltou a saltar pro lado da reserva e me levantou pela mão, me pegando no colo em seguida – o que você vai fazer?

– Não faz sentido eu ir chamar Jake quando posso eu mesmo atravessar isso aqui com você. – ele me olhou sério – eu também spu transmorfo, posso te segurar e te proteger tanto quanto Jacob.

Eu ia questionar, mas ele foi mais rápido e tomou impulso pulando comigo no colo. A primeira coisa que percebi quando saltei a fronteira é que eu não sabia que os Cullen fediam tanto.

– O cheiro é bem incomodo, não é mesmo? – Anthony perguntou vendo meu nariz franzido – O dos vampiros que se alimentam de humanos é pior.

– Você já encontrou muitos? – perguntei.

– Vampiros? – ‘não meninos perdidos da terra do nunca’ pensei, mas não falei nada, apenas afirmei com a cabeça – Alguns. Ainda não me perdoo por não ter estado aqui pra ajudar Jacob com o vampiro que queria te ferir.

– E você teria ajudado? – eu tinha minhas duvidas quanto a isso, afinal ele já tinha se escondido por tanto tempo.

– Claro que sim Nannah. Você pode não gostar, mas é minha filha e eu daria minha vida para te proteger.

– Anthony! – ouvimos a voz de Carlisle. Eu respirei aliviada, pois não saberia o que dizer depois das palavras de Anthony.

– Carlisle, velho amigo, quanto tempo! – Anthony avançou alguns passos e apertou a mão do médico vampiro.

– Muito tempo – Carlisle respondeu sorrindo – Mas o destino sempre se encarrega de reunir os verdadeiros amigos. Venha, você precisa conhecer minha família.

Os dois entraram na casa, enquanto isso Jake se aproximava de mim com uma garotinha de uns seis anos* presa na mão dele.

– Nessie, eu quero te apresentar a minha Nannah. – Jake falou para a menininha que abriu um sorriso grande.

– Então você é a famosa Nessie – falei me abaixando pra ficar da altura dela.

– Oi Nannah – ela falou numa dicção perfeita. Se eu já não soubesse por Jake como ela era especial eu com certeza teria me assustado.

– Jake não mentiu, você é realmente muito linda e se parece muito com seus pais. – falei.

Nessie esticou a mão e a encostou no meu rosto, uma imagem minha e de Anthony chegando juntos minutos atrás surgiu na minha cabeça. Renesmee me mostrava os detalhes que ela havia visto, ela também me achava parecida com meu pai.

– É – falei com um sorriso fraco – eu me pareço mesmo com ele.

– Renesmee – Bella chamou e Nessie se soltou de Jake correndo para dentro de casa.

– O que ela te mostrou? – Jake perguntou passando o braço pela minha cintura.

– Que ela me acha parecida com Anthony.

– Ela quer te mostrar outra coisa. Eu vi quando cheguei e ela ta maluquinha pra que você veja também.

– O que é? – estava ficando curiosa.

– Vamos lá dentro e ela te mostra.

Era a primeira vez que eu entrava na casa dos Cullen, e aqui era um lugar lindo, muito aberto e iluminado e grande. Havia uma parede inteira de vidro, de onde eu podia ver o gramado que ia até a margem do rio.

– Olá Nannah — desviei os olhos da janela dando de cara com uma mulher incrivelmente linda parada ao meu lado – sou Esme, é muito bom finalmente conhecer você.

Esme tinha algo maternal demais nos olhos, uma docilidade que deixava constrangida em sentir repugnância pelo cheiro dela, me esforcei ao máximo para não fazer careta.

– É bom conhecer vocês também – falei.

– Nannah! – ouvi Alice praticamente gritar e me virei a tempo de vê-la descer as escadas saltitando.

– Oi Alice – falei. Depois do dia que Alice foi à reserva nos avisar do vampiro que estava atrás de mim, eu e ela tínhamos nos aproximado um pouco, e conversávamos bastante pelo telefone.

– Até que enfim você a trouxe aqui Jacob, — passando por Jake e me dando um abraço.

– Olá Nannah – um rapaz loiro falou surgindo logo atrás de Alice, imaginei ser o companheiro dela, Jasper.

– Você deve ser o Jasper – falei e ele confirmou com a cabeça.

– Só faltam Rose e Emmett pra você conhecer – Alice falou – eles logo chegam aqui.

Carlisle, Edward e Anthony estavam engatados numa conversa que parecia animada demais pra eles, Bella estava sentada ao lado de Edward e vez ou outra eu podia perceber um olhar hostil dela dirigido à mim.

– Vem Nannah, Nessie quer te mostrar uma coisa. – Jake me puxou pela mão em direção às escadas. Me incomodou um pouco a liberdade que ele parecia ter para transitar pela casa, como se ele fosse da família.

– Você fica bem a vontade aqui, não é mesmo? – perguntei tentando não deixar nenhum sentimento transparecer pela minha voz. Jake não respondeu nada, nem se quer olhou na minha direção, eu também não insisti no assunto.

Entramos no quarto que deveria ser de Nessie, a decoração era formal, mas ao mesmo tempo um pouco infantil. Não era como costumam ser os quartos de meninas, era de um estilo mais provençal, com alguns detalhes em rosa e poucos bichinhos de pelúcia, mas com muitos livros. Dezenas deles espalhados em prateleiras pelas paredes. Exceto na parede sul que como na sala era toda de vidro, a paisagem através dela era incrível.

– Então, Nessie, o que você quer tanto me mostrar? – perguntei. Ela pegou minha mão e me levou até a parede de vidro, onde tinha um cavalete com uma tela coberta sobre ele. – Você quer me mostrar um quadro?

Ela fez que sim e puxou o pano que cobria a tela. Havia um desenho lindo pintado na tela, era um animal grande, como um dos lobos da matilha, dava pra perceber que ele era grande ao compará-lo com a menina de cabelos ruivos de pé ao lado dele. Os olhos do lobo era de um azul intenso e olhavam para a menina com uma ternura sem igual. Era uma cena que deixava qualquer um feliz apenas de olhar pra ela, era a interpretação perfeita de um...

Imprintig? – sussurrei pra Jake que me olhou espantado depois voltou a olhar para o quadro e pra mim mais uma vez.

– Eu não tinha visto isso dessa forma – ele falou analisando o quadro – realmente o lobo ele olha pra menina da mesma forma que Quill olha pra Claire...

– Quem fez esse quadro Nessie? – perguntei.

– Ela mesma – Edward respondeu da porta – Renesmee sonhou com esse lobo e quando acordou colocou a casa toda doida atrás de uma tela e tintas. No final do dia ela nos mostrou esse quadro e ficou em polvorosa para mostrar ao Jacob e a você, Nannah.

– É lindo Nessie – falei a olhando – Você é muito talentosa.

– É pra você. O quadro, quero que fique com ele. – Nessie falou sorrindo.

– Oh... muito obrigada, eu adorei o presente. – a ajudei a tirar a tela do cavalete e dei um beijo no rosto dela.

– Acho que podemos descer agora, não? – Jake perguntou. Nessie correu e pulou nas costas dele. Era bonito ver a relação dos dois, mas os olhares que Bella lançava pra eles não me deixavam tranquila.

– Bella só gosta de ver que ainda tem Jacob por perto – Edward sussurrou perto de mim quando já estávamos na sala – ela se culpa por tê-lo afastado.

Não falei nada de volta pra ele, eu não tinha o que falar, e com o dom de ler mentes, Edward sabia mais que qualquer um qual era a minha opinião a respeito dos sentimentos de Bella.

– Nannah! – Alice exclamou pulando para o meu lado – Nem acredito que você vai deixar! Quer dizer eu não consegui ver em detalhes tudo, mas como sua decisão envolve a mim e a minha família, eu sei que você vai deixar!!!!

– Alice ainda bem que vocês não se alimentam de comida humana... por que se fosse assim teriam que deixar você longe de qualquer fonte de açúcar! – falei fazendo todos rirem – Do que você está falando, o que eu vou deixar?

– Eu organizar seu casamento! – ela começou a saltitar e bater palmas na minha frente.

– Ah isso... sim, sim, Alice eu vou deixar você organizar o casamento. – ela abriu um sorriso brilhante gigantesco – E quero todos vocês lá também. Tenho certeza que o alpha vai esquecer do tratado por apenas um dia.

– Claro que ele vai. – Jake me sorriu.

– E se não for incomodar vocês, Edward e Bella, eu queria que Nessie carregasse as alianças. – Vi os olhos de Renesmee ganharem um brilho intenso e ela se voltou pra mãe com um pedido mudo nos olhos.

– Não será incomodo algum, Nannah. – Foi Edward quem respondeu, Bella estava fazendo uma expressão séria demais pra falar qualquer coisa.

Nós nos envolvemos numa conversa longa sobre meu casamento com Jake, Alice queria fazer mil e uma coisas mirabolantes e eu tinha que refreá-la cada vez que ela exagerava demais. Bella ficou em silencio todo tempo, apenas encarando Jake que conversava com Carlisle e Anthony. Alguns minutos depois eu pude vê-la se levantar e ir até onde ele estava, os dois saíram porta afora, e mesmo que eu usasse meus ouvidos sensíveis, não dava pra ouvir a conversa deles.


POV — Jake

– Jake, será que podemos conversar? – Bella perguntou, eu me levantei e a acompanhei até a floresta, seja o que for que ela queria falar, ela não queria que ninguém ouvisse, pois tínhamos avançado até uma parte da floresta onde o rio fazia barulho suficiente para abafar nossa voz.

– O que é tão secreto que temos que estar tão longe? – perguntei quando ela parou de andar e se sentou numa pedra.

– Eu quero você de volta na minha vida, Jake. – ela falou sem me olhar.

– Eu nunca estive na sua vida, Bella. Você nunca me permitiu.

– Eu permito agora. Eu aceito você na minha vida agora Jake.

– Agora é tarde, eu tenho minha companheira. E eu a amo mais que tudo nessa vida.

– Não é verdade – ela me olhou e eu vi um confusão de sentimentos atravessarem o rosto pálido dela – Você só sente isso tudo por ela por causa da ligação do imprinting. Se ele não existisse você ainda me amaria.

– Talvez sim, talvez não. Nunca saberemos a resposta certa, Bella, porque o imprinting é real, ele acontece e aconteceu comigo.

– Mas tem como acabar com isso Jake, basta você querer. Eu conheci um mago numa viagem que fiz com Edward à Russia e ele me falou que se você quiser e disser as palavras certas, você fica livre do imprinting. E olha – ela estendeu a mão me mostrando um papel amarelado – eu tenho as palavras aqui. Leia e você não vai mais ser obrigado a amá-la.

– Acontece que eu não quero deixar de amá-la. – falei – Eu quero Nannah na minha vida pra sempre. Ela me salvou do buraco onde eu me encontrava. Ela foi minha luz quando eu estava perdido na escuridão. Eu posso ter demorado pra perceber que ela era minha salvação, mas agora que entendi, agora que nos encontramos totalmente, eu vou amá-la até onde ela me permitir.

– Você não sabe do que está falando, você está cego por ela.

– Engraçado, há um tempo eu tentei te alertar sobre a mesma coisa em relação à Edward e você não quis me ouvir.

– Mas eu não quero que você fique com ela! – Bella rosnou com raiva – Você é meu Jake! Meu amigo, meu sol.

– Eu te quis Bella, quis te dar todo o amor que um homem poderia dar a uma mulher, mas você não quis. Você preferiu a sua eternidade feliz com o seu sanguessuga frio.

– E se ela quiser desistir da eternidade? Se ela quiser envelhecer e viver como humana normal ao lado dos filhos dela? Ela não vai ser eterna pra você, vai envelhecer, vai morrer!

– Então eu vou ficar feliz em deixar esse mundo junto dela.

– NÃO! – Bella gritou – Eu não permito, você não pode me deixar Jake, não pode!

– Bella eu não to pedindo a sua autorização, nem perguntando se você gosta ou deixa de gostar de Nannah ou do fato de eu amá-la mais que eu amei você.

– Eu deixo tudo e fico com você! – dava pra perceber o desespero na voz dela – eu vou ser sua como um dia você quis.

– Você está certa. Um dia eu quis, mas isso foi antes de você congelar no tempo. Quando você ainda corava, tinha dois pés esquerdos, quando seus olhos eram cor de chocolate e não esses dourados nojentos.... esse tempo acabou... Caramba Bella eu mal to conseguindo ficar aqui conversando com você!

– Então fique com nós duas. – ela choramingou – Você mesmo disse que é possível amar duas pessoas ao mesmo tempo.

– Mas uma pessoa sempre sai machucada e eu não suportaria que essa pessoa fosse Nannah.

– Eu não vou conseguir viver sem você. Já tem sido tão difícil nesses últimos meses... eu sinto sua falta.

– É melhor aprender a lidar com isso então – falei me virando de costas pra ela – Nosso tempo acabou Bells.

Deixei ela lá sozinha e corri de volta pra casa dos Cullen. Nannah ainda estava conversando com Alice, mas a ruga que ela tinha entre as sobrancelhas denunciava que ela sabia que eu e Bella estivemos conversando.

– Vamos pra casa? – a perguntei – Ivy e Matt devem estar precisando de você.

– Vamos sim – ela se despediu de todos, enrugando um pouco o nariz quando Alice a abraçou. Por ultimo ela deu um beijo na testa de Nessie, prometendo vir busca-la para brincar com nossos filhos em breve. – Você vem Anthony? – Nannah perguntou ao pai que negou com a cabeça.

– Ainda vou conversar com Carlisle. – Anthony respondeu – Mas estarei na sua casa em algumas horas para treinarmos.

Nannah deu de ombros e saiu pela porta, eu a segui. Caminhamos um bom tempo em silencio, ela estava incomodada, era nítido pela expressão no rosto dela e pela ruguinha entre sua sobrancelhas.

– Ok, não dá pra segurar mais – ela falou parando de frente pra mim – O que você e Bella conversaram?

– Ta com ciúmes? – perguntei sorrindo – Você fica linda bravinha...

– Não desconversa, Jacob. – ela reclamou colocando as mãos na cintura – Eu tive que me controlar muito pra não sair porta afora atrás de vocês dois. Sim, eu estou com ciúmes, mas acho que tenho esse direito, afinal você além de ser meu noivo, é pai dos meus filhos e meu imprinting... sem contar que eu também sou o seu im...

Eu interrompi o falatório dela a puxando pela cintura e colando nossos lábios.

– Você fala demais – sussurrei contra a boca dela.

– E você fala de menos – ela reclamou – Vai me dizer o que você e Bella conversaram?

– Ela falou um monte de besteiras que não vale a pena repetir. – falei, se eu contasse Nannah o que Bella tinha falado, ia dar muita confusão.

– Mas você vai repetir. – eu devia saber que ela ia insistir. Respirei fundo, eu ia contar, afinal se não fizesse Nannah ia usar o tom de imprinting e me obrigar a contar tudo.

– Ela me pediu pra não casar com você. – falei – veio com uma conversa esquisita de um mago que ela conheceu na Russia e que ele deu a ela um papel que se eu lesse o papel o nosso imprinting ia estar desfeito...

– Espera um pouco... ela além de não querer que nos casemos, quer que você abra mão da nossa ligação? Ela quer o quê, você correndo atrás dela de novo? — ficamos em silencio um tempo – O que você falou pra ela? – Nannah perguntou insegura.

– O que você acha? – respondi a trazendo pra perto de mim – Falei que eu não estava nem ai pra opinião dela a respeito do meu casamento ou da minha noiva, e que eu não podia abrir mão do nosso imprinting porque seria o mesmo que tentar suicídio... e falei que eu um dia a amei, mas que o que eu senti por ela, era um grão de areia perto do que eu sinto por você.

– Eu te amo, sabia? – ela jogou os braços pelo meu pescoço.

– Não mais que eu – falei me inclinando para sentir mais uma vez o sabor dela.

oOo

– Mais uma vez! – Anthony gritou fazendo Nannah começar mais uma sequencia dos golpes que ele havia acabado de ensiná-la. Era Seth quem estava treinando com ela, coisa que eu não havia conseguido – Defesa Nannah, fique atenta à defesa!

Com mais dois golpes Seth derrubou Nannah.

– Já falei pra você, com o braço esquerdo você não ataca, você se defende. Tem que prestar atenção! – Anthony reclamava enquanto Nannah fazia caretas de quem estava se segurando para não dar na cara dele. – Mais uma vez. Seth, ataca ela.

Outra sequencia de golpes e Nannah mais uma vez foi pro chão por não ter se defendido.

– Você está pensando em que, Rosana? – Anthony falou se aproximando de Nannah, visivelmente nervoso – Acha que isso aqui é brincadeira? Acha que os vampiros que aparecerem no seu caminho vão ser bonzinhos como Seth está sendo? Eles vão partir pra cima, eles vão querer arrancar fora a sua cabeça.

– Chega! – Nannah gritou – Eu cansei de você berrando no meu ouvido, eu vou pra casa.

– Não vai não – foi bem rápido o que aconteceu, Anthony tentou segurar o braço de Nannah e ela se virou pra ele repetindo a sequencia de golpes com perfeição minutos depois Anthony estava no chão.

– Não encosta em mim outra vez – Nannah falou e saiu andando em direção à nossa casa.

– Pelo menos você viu que ela aprendeu. – Seth falou ajudando Anthony a se levantar. Eu corri atrás de Nannah.

– Por que você não conseguia fazer os golpes com Seth e com Anthony você conseguiu? – perguntei pegando a mão dela e entrelaçando nossos dedos.

– Eu sabia que se fizesse aquilo com Seth eu ia machuca-lo, e eu não queria. – ela deu de ombros.

– Mas seu pai você pode machucar?

– Ele não é meu pai. E ele me irritou, eu não consegui controlar.

– Seth não se machuca tão fácil. – falei e ela riu – Você devia voltar e treinar mais.

– Anthony ta me dando nos nervos – ela reclamou – eu não quero machuca-lo de verdade.

Eu me limitei a rir dela. Nannah já era indomável antes de ser uma pantera, agora ela estava cem vezes pior, Anthony ia penar muito pra conseguir consquistá-la.

oOo

Um mês depois

Nannah estava habilidosa no que se referia aos treinamentos, ela tinha aprendido fácil todos os golpes, já conseguia se transformar em pantera e voltar a ser humana com facilidade tão grande quanto à de Anthony, que tinha anos de prática. A companhia que ela conseguiu para lutar havia ajudado bastante também.

Anthony soube no dia do primeiro treinamento que Nannah estava ‘perdendo’ pra Seth por medo de machuca-lo, então ele conseguiu um adversário que não correria esse risco, Emmett. O grandão ficou uma alegria só, sempre gostou de uma boa briga, só eu não gostei disso, tive que ficar de fora dos treinos de Nannah, tudo porque no primeiro dia dela lutando com Emmett eu acabei entrando em fase e partindo pra cima dele quando ele ‘arremessou’ minha noiva longe. Resultado, fui barrado por atrapalhar os treinos, mas eu consegui de Anthony o compromisso que Nannah não seria ferida em hipótese alguma, a ameaça que fiz à vida do grandão também ajudou a reforçar essa promessa.

– Mais um hematoma – reclamei assim que entrei no quarto e vi Nannah vestindo uma blusa. Uma mancha roxa enorme estava na base das costas dela – Eu falei que não queria você ferida.

– Isso não é um ferimento Jake, é no máximo uma escoriação, sem contar que daqui duas horas não vai ter mais nada ai. – ela falou.

– Mas você se machucou então significa que os treinamentos estão ficando muito pesados.

– Desfaz esse bico seu reclamão – ela eu um selinho em mim – os treinamentos acabaram, Anthony falou que o que eu tenho que aprender agora é a vida que vai me ensinar. A propósito, ele quer conversar com você, disse que vai estar na casa dos Cullen hoje.

– Eu vou lá então. – falei.

– Volta pro jantar – ela me olhou séria – Não interessa o que Esme faça, você volta pro jantar.

– Eu volto – dei um beijo longo nela e sai.

...

Cheguei rápido na casa dos Cullen e Anthony já me esperava na varanda.

– Que bom que você veio rápido. – ele falou descendo as escadas – Preciso muito conversar com você.

– Pode falar.

– Aqui não, vamos andar um pouco. – ele saiu andando por entre as árvores e eu o segui – Sabe Jake – ele começou a falar depois de um tempo de caminhada – quando eu descobri que era um transmorfo-pantera eu fiquei assustado a principio, mas depois a ideia de todo esse poder, da força e principalmente da imortalidade me deixou animado. Eu fiz centenas de planos, todos eles incluíam a mulher mais linda de todo esse mundo vivendo do meu lado. Mas o destino não quis assim, ela não me quis.

– Você ta falando de Violet, a mãe de Nannah, não é? – perguntei e ele afirmou sorrindo – Me desculpe a sinceridade, mas eu não sei como você e George conseguiram amar aquela mulher, ela é intragável. Eu a conheci, eu vi a forma como ela tratou Nannah, mesmo vendo que a filha estava grávida, estava feliz.

– Eu não sei responder pelo George, mas eu posso falar por mim – ele parou de andar e me olhou com olhos de quem já viveu muito e aprendeu demais na vida – Se Nannah não fosse a mulher maravilhosa que ela é, se ela fosse mais parecida com a mãe, você a amaria?

– Acredito que sim, ela é meu imprinting, ela é perfeita pra mim de qualquer maneira.

– Então você tem a resposta para a sua pergunta. – ele deu um sorriso fraco e voltou a andar, eu continuei parado ruminando o que ele havia me dito.

– Violet é seu imprinting? – perguntei feito um idiota – Mas como você conseguiu ficar longe dela?

– A dor virou minha companheira, ela esteve comigo por tanto tempo que eu me acostumei. – Anthony voltou a parar de caminhar dessa vez erguendo a cabeça para o céu como se esperasse algo cair de lá. Minutos depois uma fina garoa começou a cair. – Mas já está na hora de deixar a dor seguir seu rumo.

Eu fiquei em silencio tentando entender o que ele quis dizer, alguns minutos depois Anthony voltou a falar.

– Eu sei que nem preciso pedir isso, mas eu quero que você cuide da minha filha. Ela está treinada, é forte, corajosa, mas eu não quero que você permita que nenhum perigo se aproxime dela.

– Por que você está me pedindo isso? – perguntei – Pra onde você vai?

– Vou deixar de me transformar Jake. Já vivi tempo demais como uma pantera, é hora de parar.

– Tudo bem, mas nem por isso você precisa ir embora, eu sei que Nannah ainda não cedeu quanto a te aceitar como pai, mas ela vai ceder logo, eu sei, eu conheço minha mulher.

– Eu não vou embora Jake. – ele passou a me encarar e eu vi uma dezena de sentimentos atravessarem os olhos dele – Eu vou deixar de me transformar e vou morrer por isso.

– Como, como assim vai morrer?

– A minha espécie é diferente da sua no que se refere à deixar de lado a vida de transmorfo. Quando paramos de nos transformar, nos definhamos até morrer, é exatamente como se a alma abandonasse nosso corpo. – ele encurtou a distancia entre nós – Isso é outra coisa que quero te pedir. Não deixe Nannah parar de se transformar, pelo menos não até ela ter vivido tudo o que sonhou.

– Eu não vou. Não vou deixar – falei, Anthony não deve ter percebido a duplicidade no que eu disse, pois ele apenas sorriu e voltou a caminhar, agora em direção à casa dos Cullen. – Vou voltar pra casa – falei – Nannah me quer lá para o jantar.

– Claro, dê um abraço nela por mim. E Jake – ele virou a cabeça na minha direção – não conte à ela.

Eu não respondi, não podia. Se eu dissesse a ele que não contaria eu teria que quebrar uma promessa, porque eu contaria sim à Nannah. Só ela seria capaz de tirar essa ideia da cabeça de Anthony. Fui direto pra casa, eu tinha que conversar logo com Nannah, Anthony tinha conquistado um lugar na família nesse mês que passou aqui, por mais que minha mulher não aceitasse, ou melhor dissesse não aceitar, e eu acabei criando um laço de amizade com ele, ele não era só meu sogro, era como um dos meus irmãos lobos.

Encontrei Nannah na cozinha, entretida em um livro de receitas.

– Você foi rápido – ela falou sem tirar os olhos do livro – O que Anthony queria?

– Me contar uma decisão que ele tomou – não sei se foi o que eu disse ou o tom da minha voz que atraíu a atenção de Nannah, mas ela deixou o livro de lado e me encarou.

– Que decisão?

– Antes eu tenho que te contar uma coisa, sobre a sua espécie transmorfo. – me sentei numa cadeira de frente pra ela e segurei suas mãos – Quando nós lobos decidimos parar de nos transformar, nós voltamos a ser humanos normais, mas você, quando decidir parar de se transformar, vai morrer.

– Como assim?

– Anthony disse que sua espécie não volta a ser humana normal, vocês definham até morrer, como se a alma abandonasse o corpo.

– Você não está me contando isso só pra eu não pensar em deixar de ser pantera. – Nannah afirmou – Ele quer parar não é? Anthony quer parar de se transformar.

Não consegui responder apenas afirmei com a cabeça. Meu coração se partiu ao ver uma lágrima rolar pelo rosto de Nannah.

– Como ele pode? – ela sussurrou baixinho e depois se levantou num rompante, correndo porta afora.


POV – Nannah

Corri até a casa dos Cullen, onde eu sabia que o encontraria. Ele estava sentado no sofá lendo um livro qualquer, eu ignorei as regras de etiqueta e entrei na casa de uma vez só.

– Como você pode? – perguntei já sentindo as lágrimas molharem meu rosto – Vai me abandonar de novo? É assim que você prova que me ama, é morrendo que você quer ser meu pai?

– Nannah se acalma – ele falou se levantando e vindo em minha direção.

– Não me peça pra me acalmar – continuei gritando – não posso me acalmar, não quando eu sei que meu pai decidiu me abandonar de novo.

– Achei que você não me quisesse como pai.

– Eu querer ou não, não muda o fato do que você é. – desviei os olhos dele envergonhada por tê-lo chamado de pai depois de um mês o renegando.

– Me desculpe filha, mas eu não consigo mais viver aqui assim.

– Eu sinto muito. – falei – Sinto muito pela forma como te tratei, eu não fui justa, mas eu estava magoada, eu sempre fui abandonada, rechaçada, nunca tive importância pra ninguém além do Terry. Ai de repente aparece o Jake, a Sue, o Embry, o Seth... e o George reaparece, e e volta a ser o pai que era quando eu era criança... e vem você, meu pai de verdade, e eu fico sabendo que você sempre esteve por perto, apesar de nunca participar da minha vida... eu não estou acostumada a isso. Não sei lidar com tanto amor por mim.

As lágrimas já desciam livremente, senti os braços de Anthony ao meu redor e pela primeira vez desde que o conheci eu me permiti abraça-lo.

– Por favor, pai, não faz isso comigo. – pedi chorando e senti seu peito vibrar. Olhei pra cima apenas pra constatar que ele também chorava.

– Eu esperei tanto ouvir isso – ele falou me olhando nos olhos – Esperei tanto pelo dia que você me chamaria de pai. Mas eu não posso mais viver Nannah.

– Por que?

– Você conseguiria viver quanto tempo sem o Jake?

– Nem um minuto. – falei certa – Mas ele é meu imprinting, é natural que eu não consiga me afastar.

– Eu vivo há dezenove anos longe do meu imprinting. – ele falou e eu pude ver a dor nos olhos dele – Tem noção do quanto isso me consome? Do quando me fere? Eu só resisti até hoje porque você precisava de mim, mas agora minha missão com você acabou.

– Não, eu ainda preciso de você, ainda preciso de um pai.

– E você tem o melhor deles. George sempre foi mais seu pai que eu e sempre será assim. Eu fiz tudo o que devia. Transformei você em uma guerreira. Você é a ultima pantera Nannah. A mais forte, a mais veloz, a mais doce e a mais linda que já existiu. E eu fico feliz em ver que você é assim, significa que todos esses anos de dor por estar longe da minha escolhida valeram a pena.

– Eu não vou aceitar isso. – falei me afastando dele – Nunca. Nunca vou aceitar, se você se for. Se você decidir morrer eu não vou te perdoar.

Sai da casa dos Cullen do mesmo jeito que entrei, correndo. Eu não esperei uma resposta de Anthony e eu não queria mais ficar ali sabendo que ele não mudaria de ideia, sabendo que ele ia escolher me abandonar de novo.

Jake estava na varanda da nossa casa me esperando, e eu não precisei dizer nada, ele me conhecia o suficiente pra saber tudo apenas olhando nos meus olhos. E ele viu o que eu precisava nesse momento. Ele apenas abriu os braços e eu me joguei no colo dele, deixando toda a dor que eu sentia se transformar em lágrimas.


Notas finais
WTF!!! E agora meu povo quem poderá nos ajudar????? A coisa ficou feia.... e vai ficar pior já vou avisando... só pra vocês terem uma idéia a Violet vai dar as caras.... uhhhhh a chapa vai fever....
Comentem e saberão o que vem por ai.... Bjinhos!