Crossed Ways

6 O que viu o fez rosnar.


Notas iniciais
Essa autora estava sem tempo de escrever. Desculpem! Beijjos.

Atena não ficou tempo suficiente sozinha para se acalmar. Talon veio trazendo uma bandeja de prata com sanduiches, suco e três sacos de sangue daqueles que ela via no hospital e faziam a querer sorve-los até a última gota. Deus! Estava sedenta. Sua garganta seca por tanto tempo que nem toda a agua do mundo iria resolver. Apenas a visão fazia suas presas doerem.

— Beba tudo e coma. – ele disse. – Depois descanse você vai precisar. Eu verifico você amanhã. – ele saiu. Antes que ela protestasse. Mas, ela não ia mesmo protestar. Largou a bolsa no chão e pegou um dos sacos. Ela consegui apenas um gole daqueles tubinhos que recolhiam para exames. Não era nada mais que um gole. Deus! Não sabia o que era pior, ficar meses sem se alimentar, ou esse pequeno gole que ela tomava quando conseguia. A última vez tinha sido quando deixaram o laboratório sozinho e ela não resistiu. Mas, foi a mais de quatro meses atrás. A bolsa continha um litro de sangue e dizia que era o +.

Nesse momento a informação era um borrão em sua cabeça. Suas presas desceram e ela levou a boca automaticamente. Suas presas furaram o saco e o liquido espesso e frio atingiu sua língua. A melhor sensação sempre. Deus! Ela sorveu grandes goles. Apesar de frio era a melhor coisa que ela já tinha provado. Seus joelhos cederam e ela se ajoelhou no chão. Em segundos a bolsa estava drenada. Passou para outra sem pensar. Sua mente perdida na sede.

Ela não pôde ouvir, nem pensar nada mais. Era só ela e o sangue. A outra foi tão boa quanto à primeira. Seu estômago pela primeira vez em sua vida não doía. Seu corpo formigava e estava extasiado. Podia sentir a vitalidade que o líquido estava trazendo. Quase podia se sentir flutuando. Quase como se estivesse se drogando. Sua mente estava tão longe.

Logo foi a vez da terceira bolsa. Atena percebeu que o formigamento em seu corpo beirou ao insuportável. Suas roupas incomodavam. Tirou a calça e a blusa. Ficando apensa com a camisa. Logo se livrou do sutiã que parecia manter ela presa. Sua mente se agarrou ao um pequeno fio e não tirou a camisa nem a calcinha. Quanto a terceira bolsa acabou e o gostoso liquido se foi se senti quase desconfortavelmente cheia. Teve tempo apenas de alcançar a cama antes que caísse para a escuridão.

Talon andou de um lado para o outro nervoso. Que merda sua vida tinha se tornado? Quase rosnou em frustração, mas conteve. Tudo ia ficar bem. Ia ensinar ela a ser uma vampira, ia levar ela no médico. E pronto. Mandaria ela para um dos bairros onde seu povo morava. O mais caro deles. E a deixaria em uma casa aos cuidados dos empregados. Ele não tinha por que se preocupar. Ele não ia se preocupar. Ela não era dele, porra!

Mas Talon no fundo já sentia a urgência... Porra! Isso é doente! Ela é uma menina!

— Como diabos você fez uma merda dessas?

— Cala a boca Dimitri! – ele gritou.

— Como quiser! Vai fazer as coisas melhorarem? Não vai porra! Como não percebeu que ela era uma vampira?

— Sério? Já olhou para ela? Ela não parece como uma de nós! Ela nem cheira a uma de nós!

— Talon, não acho que você deva falar assim dela. – Kiran disse. Kiran era sempre muito quieto. Talon soltou um suspiro cansado.

— Me deixem em paz, todos vocês. – Com isso ele saiu e foi para o seu quarto. Já sabia que estava fodido. Não sabia quais as consequências da merda que tinha feito, mas sabia que ia descobrir em breve.

Pela manhã, ligou para o doutor Aric. Era o médico da família por mais de cem anos. Conhecia muitas coisas e podia responder por que diabo Atena era assim. Hum... não defeituosa. Mal desenvolvida. Estava em seu escritório e admitia estar se escondendo. Não queria lidar com ninguém. A consulta iria ser às sete da noite. A primeira hora de Aric. A hora que todos os vampiros funcionavam. Ele por exemplo devia estar dormindo agora. O sol o deixava irritado, literalmente. Sua pele formigava um pouco. O escritório não bloqueava a luz do sol como os outros cômodos. Por que era para ser usado apenas durante a noite!

No entanto, estava tentando achar um jeito de se livrar dela. Não podia lidar com ela um minuto mais!

A noite caiu.

Ele estava mortalmente cansado. Tinha tentado se distrair trabalhando e Deus sabe que ele tinha muito trabalho. Tinha responsabilidades demais. Por que nasceu dois minutos antes de seu irmão. Que grande inferno! Dimi poderia ter tudo isso se não fosse esses dois malditos minutos. Toda a responsabilidade e a cobrança. Toda essa merda. Pra ajudar sua irmã entrou em seu escritório.

— Olá, bonito. — ela disse sorrindo. Não estava muito cedo para ela estar acordada?

— Summer. — ele disse sem emoção.

— Conheço esse tom. Parece que você só tem esse tom ultimamente.

— Eu não dormi.

— Isso não explica seu mal humor todos os dias!

— O que foi Summer?

— Ouvi sobre o que aconteceu. – Talon bufou.

— Noticias correm rápido. — Merda! Dimi não sabia ficar quieto?

— Deve ter um jeito de concertar isso. Eu vou estar do seu lado. Te apoiando. – Ele se arrependeu de descontar seu mal humor nela. Suavizou a voz.

— Obrigado.

— É pra isso que servem os irmãos, querido. — Ela deu a volta na mesa e o beijou na bochecha. — Não se preocupe antes do tempo. Vamos falar com o papai se for preciso. — Talon quase bufou outra vez, mas conteve. Não ia falar com seu pai ele ia ter um ataque cardíaco se vampiros pudessem ter esse tipo de coisa.

— Vou sair.

— Aonde vai?

— Compras! — ela diz sorrindo.

— Leve Conor com você.

— Talon...

— Não está em discussão Summer.

— Droga!

— Tome cuidado.

— Eu sempre tomo. – ela piscou. Summer ela linda. Tinha o cabelo até a cintura. Preto que caia em ondas e olhos azuis iguais ao seu e de seu irmão. Era a irmãzinha mais nova. No entanto, tinha mais de cem anos. Era uma mulher. Só que ele nunca a veria assim. Nunca.

Suspirou e subiu as escadas. Tinha que verificar Atena. Ela não tinha feito barulho algum durante todo o dia e a noite. Estava quase preocupado. Não era normal, até para um de sua espécie dormir tanto. Deus! Se algo tivesse acontecido...Entrou sem bater. A porta estava aberta e da próxima vez alertaria ela para isso. E se não fosse ele entrando e se.... O que viu o fez rosnar.