Cross Of Mercy
10 Ato 9
Notas iniciais
Ato 9 : Tentativas VS Desistência
Senti sua respiração quente batendo contra minha nuca, não conseguia me mover, estava paralisada, tudo que sentia era o medo, a adrenalina, meu coração bater mais rápido a cada passo que a pessoa dava, pensei em pular, mas, não era uma boa ideia, fiquei parada, até ouvir sua voz.
- Como ele está? – Imediatamente a reconheci
Demorei um tempo para recuperar a maldita consciência, ela tinha me assustado, Viridia. Pelo jeito ela veio rápido, junto a ela estava Hei, olhei para Ian, ele parecia mais calmo também, eu conseguia ver que ele tentava se levantar para tentar alguma ação impossível para me salvar. Respirei fundo e me virei para a garota de cabeça vermelha.
- Está bem, felizmente...A próxima página do diário não diz muita coisa, só tem um tipo de capa de uma música. Estava escrito: No Doubt – Don’t Speak, mas, riscaram o “No” e colocaram “In”, In Doubt, Don’t speak. – Disse séria cruzando meus braços.
- Na dúvida, não fale...Conheço esta banda, foi uma das bandas que inspiraram a Gwen Stefani... – Viridia disse mordendo o dedão, estava nervosa.
- Eu gosto da Gwen. – Hei dizia com uma cara abestalhada e fofa, me fazendo sorrir pela primeira vez aquela noite.
- Então, como está o Ian? – Ouvi a voz de Lary, junto a ele estava Arthur, ambos estavam na porta da sala.
- Está bem, temos que chegar até lá... – Disse tentando pensar em algo.
- Elina! – Viridia dizia apontando o indicador para cima, como se tivesse tido uma ideia. – A sala, vamos nos arrastar por aquele túnel, do mesmo modo como viemos para dentro do teatro, eu você e Hei vamos, os garotos observam Ian para nos apressar caso o assassino se aproxime.
Fiquei surpresa com o que Viridia havia se lembrado, acho que por tudo que aconteceu eu havia esquecido, agora tínhamos como salvar Ian, teríamos que correr, novamente.
- Túnel? – Lary perguntava confuso.
- Sim, foi como saímos do teatro e nos livramos dos cach... – Agora havia me tocado. Os cachorros sumiram.
Onde eles estavam, será que estavam em algum lugar do teatro, ou será que haviam sumido? Como? Seriam ilusões? Viridia. Agora considerava o fato dela ser suspeita, ótimo, será que estava andando com uma ilusão o tempo todo enquanto a verdadeira atacava a todos? Ou será que esta noite está sendo apenas uma ilusão?Não pode ser... Viridia seria mesmo tão baixa a ponto de fazer isto comigo? Eu sei que era uma pessoa horrível, mais eu mudei, agora precisava de respostas, andava com a navalha em mão, talvez precisasse...
Não iria fazer como fiz com Simon, e se estivesse errada? Não gostaria de ter mais uma morte injusta, conversaria com ela como uma pessoa mais séria e sem perder o controle.
- Vamos, Viridia. – Disse começando a andar para a porta.
- Hey, vamos ficar sozinhos de novo? – Lary praticamente gritava.
- Acha justo deixarmos Ian lá, deixá-lo para morrer, é isto que você quer? – Disse friamente, pareceu entender o recado quando se aproximou da janela e ficou a observar tudo.
- Boa sorte, Elina. – Arthur dizia quando passava por ele, simplesmente assenti com a cabeça e comecei a andar sendo seguida por Viridia e Hei.
A coisa que mais me incomodava naquele lugar, é que eu me lembrava de muitas coisas com minha mãe que pensei ter esquecido, lembro quando ela fez sua festa de aniversário neste local, bem, foi uma festa surpresa...
Estava chovendo naquele dia não era um bom dia para uma festa, mas, o mais divertido é que meu pai me ajudou a organizar esta festa para minha mãe, vários dos seus amigos que faziam peças com ela estavam lá, além dos figurinistas, diretores, roteiristas, e várias outras figuras que trabalham em uma peça. Havia uma faixa enorme escrito: “ Feliz aniversário, Jessica! “.
Quando ela chegou, acendemos as luzes e ela ficou espantada com todos dizendo como em um coral:
- Surpresa! Feliz aniversário, Jessica!
Queria ser a primeira a abraçar minha mãe, então, tratei de correr em sua direção e pular em seu colo, tirei uma caixinha e a entreguei, tinha a forma de um DVD. Ao seu lado, uma rosa branca que eu havia comprado para ela.
- Parabéns, mamãe! – Disse sorrindo.
Foi um dos melhores momentos que tive com minha mãe, parei de andar, Viridia falava algumas coisas , estava apegada demais em minhas lembranças para ouvi-la, estávamos na sala dos figurinos. Aquelas memórias doíam tanto...
Todos estávamos em um lugar no teatro sentados, eu estava ao lado de minha mãe encostando minha cabeça em seu ombro, meu pai de seu outro lado, segurando sua mão, estávamos sorrindo. Uma tela branca produzia um teatro que havíamos feito, fizemos um teatro sobre a vida, a vida de uma estrela, a vida de minha mãe. No final, todos aplaudimos, minha mãe estava chorando, parecia muito feliz ao ver que tantas pessoas se importavam com ela. Ela se levantou e foi até o palco fazer um discurso. Não podia simplesmente ignorar as pessoas gritando: “ Discurso! Discurso!... “
- Primeiramente quero agradecer a todos por acreditarem em mim – Disse secando as lágrimas. – Bem, realmente, quero dizer que vocês são as melhores pessoas que poderia ter em minha vida... Vou provar a todos e acima de tudo, a mim mesma que sou capaz de fazer tudo que foi mostrado neste vídeo, vocês verão, eu conseguirei. A respeito da rosa...Rosas brancas são raras nesta época do ano, e principalmente nesta localidade, acho que nunca vi uma tão bonita – Disse encantada para a rosa. -, não acho que sou uma boa pessoa para ter este amuleto comigo, vocês verão, não serei eu que serei uma em um milhão, e sim minha filha, Elina.
Aquilo foi algo que ficou em minha memória, algo que jamais esqueci, minha mãe me elogiando de tal forma, foi à melhor sensação que senti em minha vida. Voltei a andar e recuperei a consciência de meus atos, desci as escadas e voltei para a sala iluminada por velas, o rosto de Simon estava riscado.
- Elina... – Viridia dizia de modo tímido.
- Me diga que não é você por trás disto. – Disse cabisbaixa.
- O que? – Pareceu confusa.
- Não é você que está nos manipulando com ilusões, não é?
- É claro que não? Até que ponto acha que minhas ilusões podem ir?! – Ela gritava, perdendo o controle.
- Até o ponto que você comece a virar um psicopata. Você que escolheu este tema.
- Sim, achei interessante, pensei que fosse apenas uma lenda urbana...E outra, me induziram a escolhê-lo, eu recebi um e-mail enquanto procurava alguma peça interessante: Cross of Mercy, para aqueles que gostam de desafios e somente para pessoas que saibam atuar. Vençam este desafio e terá sua vida. Quem me mandou estava no anonimato.
- Viridia, eu sei que todos suspeitaram de você, mas, eu tenho meus motivos...
- Lembra do corte? – Disse mudando de assunto.
- Corte? - Não lembrava.
- No meu braço, quando comecei a sangrar... – Ah sim, agora me lembrava.
- Viridia...O que é isto no seu braço? – Apontei para um líquido vermelho que escorria, só o notei pelo fato da lanterna ter caído e estar apontada para ela. - É...é sangue! – Ela exclamava.
- Lembro, o que tem a ver?
- Descobri o que aconteceu...Vou lhe contar.
- Enquanto corria por várias roupas senti algo me incomodar, pensei que tivesse sido como se tivesse esbarrado em um cabide ou alguma peça de roupa, um zíper, sei lá, isto me fez diminuir um pouco a velocidade, depois você sabe, atingimos o manequim. Meu braço estava sangrando, aí comecei a pensar. E eu descobri. O assassino, estava lá, ele devia ter acabado de matar Victor quando descia, ele nos ouviu subir e se escondeu entre as roupas, é claro que havia tirado sua fantasia, se não teria sido cheque-mate, quando tirou deixou no manequim, ia descer, mas, estávamos subindo, o que o fez se esconder. Ele estava com a faca que havia assassinado Victor, e, assim que corri ele tentou não me atingir se afastando mas, não deu muito certo e fez um pequeno corte, mínimo, o sangue que escorreu, a maior parte era do sangue de Victor, eu só notei agora pelo simples fato da fantasia que havíamos derrubado ter sumido, notei isto enquanto você pensava, também havia marca de sangue em algumas roupas por qual passei, o que prova ainda mais minha história. – Dizia séria.
Entrei devagar na sala pensando no que Viridia havia me contado, ela permanecia com os braços cruzados fora desta, Hei estava dentro da sala também.
- Realmente, Viridia, você me deixou sem palavras, você esta sendo uma ótima pessoa para me manter na linha, tenho que lhe agradecer, do mesmo modo que fez comigo mais cedo. Se estivéssemos na escola não seriamos amigas nunca pela divisão de “tribos”, vejo o terrível erro que cometi.
- Relaxa, Elina.
- Vamos logo, temos que salvar Ian. – Disse me virando.
- Calma, ainda não te contei tudo. – Dizia séria.
- O que? – Me virei rapidamente.
- Eu descobri a identidade do verdadeiro assassino, é muito inteligente, mas, eu sou uma ótima observadora, a melhor coisa a se fazer é observar esta sala, você verá sua face...
A porta se fechou em um estrondo, Viridia estava para fora, tentei abrir a porta, não tive sucesso, não ouvi um “piu” do outrolado, não entendia. Se Viridia estivesse mesmo correndo perigo ela teria gritado, ou pelo menos gritado o nome do assassino, mas, nada. Somente o som do silêncio. Agora consegui ver através daquele diário: In doubt, don’t speak. Viridia o subestimou, ele conseguiu deduzir que ela descobriria e o silenciou, mas, não se sabe, ela poderia estar atuando, afinal, é isto que fazemos. Atuamos.
Ouvi o som das escadas, não estavam descendo, pelo contrário, estavam subindo, Seria Viridia a assassina? Acho que ainda há muita coisa por trás disto tudo.
- Elina. Não desista. Seus amigos não gostariam, vai, salve o menino. – Hei dizia erguendo os braços. Não desistiria.
Comecei a me lembrar de meus amigos, se é que poderiam ser chamados assim, só fiquei com eles em uma noite, a noite final na vida da maioria, não sei o que estava perdendo em não ser amiga deles.
- Elina, acorde. Você me manda passar daqui e fica dormindo, garota besta. – Ian dizia com raiva.
- Calma, Ian. Elina é preguiçosa, mas ela é uma boa pessoa. – Wina disse sorrindo.
- Do que está falando, menina? Tu só entrou no colégio ano passado e acha que conhece ela bem? Eu estudo com esta peste desde a sexta série, mas resolvi repetir este ano.
- Que coisa mais fofa. – Disse arremessando uma almofada na face de Ian enquanto me levantava da cama.
- Osh. Menina idiota!
- Garoto besta!
- Crianças fúteis. – Wina acabava com o clima, isto fazia com que eu e Ian caíssemos na gargalhada. – Que foi? Que que eu disse? – Dizia com cara de choro.
- Nada, Wina, nada. – Dizíamos juntos.
- Vão entrar para o teatro este ano? – Wina dizia sorridente.
- Sim. – Dizíamos juntos novamente – Por que, você vai? – Aquilo estava me irritando.
- Sim.
- AAAAAAAAH! – Gritamos e nos abraçamos enquanto saltamos, Ian ficou com cara de nojo com nossa reação.
- Ta bem garotas, não vão começar a tirar as roupas.
Sim, Ian foi com duas marcas de mãos em sua face para a escola, uma feita por Wina e outra orgulhosamente feita por ninguém menos que eu.
Eu perdi Wina porque fui fraca, chorei, não tive reação, não vou perder Ian, não outro dos meus mais preciosos amigos, comecei a me arrastar pelo túnel, sendo seguida por Hei, tinha que salvar Ian, era a pessoa mais importante para mim no momento, não poderia deixá-lo terminar como Wina, ou Caius, ou até mesmo Tânia, se acontecesse nunca me perdoaria, agora tinha quase certeza que Viridia era a assassina, se acreditaram mesmo no que falei anteriormente para ela, sinto muito, mas, meu objetivo era parecer verdadeira, mas, tive de atuar, sabia que o que ela dizia tinha nexo, nexo demais para alguém que não era o assassino, agora, isto não importava, tudo que se passava por minha cabeça era: Tenho de salvar Ian.
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Novamente quero agradecer pelos Reviews, são muito importantes para mim. :D
Espero que gostem deste capítulo, enfim, teve muitos flashbacks, revelações, pistas, etc...Façam suas apostas na identidade do assassino, a história está chegando em seu desfecho. \\o
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