Cross Of Mercy
5 Ato 4
Ato 4: Novo papel
Ergui minha cabeça, a porta do palco estava fechada, não havia mais nada a se fazer, Viridia havia se levantado e estava esmurrando a porta com força, não deu para ver o rosto do assassino, ele apareceu por uma sombra, ficou pouco tempo na luz e pegou Wina, que estava perto da porta, agora, qual terá sido o destino de Wina? Não queria nem imaginar, a única coisa que fiz foi esmurrar o chão com força enquanto voltava a chorar, ela era minha melhor amiga, como poderia ter sido sequestrada, e pior, provavelmente estaria morta, quem faria algo doentio como isto? Pregar uma pessoa em uma cruz, enforcar outro...É algo normal de filmes, mas...Quando se trata da vida real, é tudo tão...Horrível. Cenas que ninguém merecia ver, acho que só isto para fazer meu coração de gelo derreter. Só isto para me fazer mais...Mole, ser mais gentil e tentar ajudar os outros, não pensar somente em mim.
Caius gritava algo pelo Walk-Talk, Viridia havia desistido de esmurrar a porta, agora estava cabisbaixa olhando fitando o nada. O choro continuava, parecia estar cada vez mais alto, iria descobrir de onde vinha, não poderia ser real. Queria me levantar, mas meu corpo não obedecia, acabei ficando ajoelhada, sem entender direito o que acontecia, só poderia ser brincadeira! Só podia ser.
O choro parou, parecia que havia mais alguém conosco, uma voz de criança veio de trás de mim, uma garota.
- Parece que “ela” também levou sua amiga. – Dizia com a cabeça baixa.
Eu nunca havia a visto, ela tinha cabelos rosa que caíam por sua face deixando-a com um olhar macabro, sua pele estava pálida, estava com mais medo do que eu. Ela tinha uma fita branca em forma de laço em sua cabeça e trajava um vestidinho preto. Aparentava não ter mais que 10 anos, e, o que ela fazia ali?
- Me chamo Hiemi, prazer. – Ela dizia sem nem um tipo de vida em sua voz.
- Me chamo Elina... O que faz aqui?
Viridia também a havia notado e se aproximou ficando a encarar a garota, ela estava com um olhar péssimo, assim como a maioria de nós.
- Bem... – Ela dizia hesitante, parando de falar.
- Algo ruim? Alguma coisa de trouxe para cá? Desembucha garota! – Viridia estava ficando louca.
- Hey! Cala a boca, não vê que ela está assustada? – Elevei minha voz com ela, ela se calou. – Então, conte-nos o que aconteceu... – Falei calmamente com uma voz suave.
- Eu estava passeando com meu papai...E comecei a ficar com sono, aí dormi, quando acordei estava aqui. Vi meu papai mor...mor... – Ela não conseguia terminar a frase e voltava a chorar.
Eu e Viridia nos entreolhamos, pobre garota, perdeu o pai e está aqui, com um bando de adolescentes que fazem parte de um “jogo”, era o último lugar onde eu queria estar. Talvez Wina tivesse tido sorte e morrido logo, ficar sendo acusados por seus amigos, dramatizados, todos ficando loucos...Tendo medo. Era algo assustador de se pensar, muitas pessoas achariam que viver seria bom, mesmo nestas circunstâncias, mas, para que viver se você pode ter certeza que poderá morrer? Sim, isto sim é algo de assustar, morrer torturado como Tânia.
Nós levamos a garota para o palco, Viridia ficou sentada ao seu lado fazendo carícias na garota para tentar fazê-la parar de chorar. Apanhei o Walk-Talk, tinha de contar a Caius e aos outros o que havia acontecido.
- Gente... – Minha voz saiu fraca.
- Finalmente, Elina! – Caius falava.
- Elina! – Ian também se animava.
- E os outros? – Perguntei.
- Provavelmente procurando algo... – Ian começava, estava com uma voz de tédio, tédio nessas circunstâncias?
- Estou preso. A Sala não abre, pelo menos não por dentro, mas acho que o assassino tem alguma chave mestra... – Caius parecia afobado.
-Você pode nos ver, mas nós não podemos vê-lo...Assim como o assassino. – Ian provocava.
-Ahahaha! Eu vi o que você e Victor estavam fazendo. Na biblioteca há vários dados, mas, por que iriam pensar que seus amigos são os assassinos?
- O que há na biblioteca, afinal?
- Nada demais, Elina... – Ian falava, iria prosseguir, mas, Caius o cortava.
- Não, somente pistas que fizeram você e Victor se livrassem de qualquer coisa que pudesse os incriminar.
- Acha mesmo que era isto que estávamos fazendo?
- Tenho certeza! Vocês deixaram o vídeo ligado, não se lembram? Você e Victor estão fazendo isto, tanto que, na hora que Wina foi atacada vocês não estavam na biblioteca.
- WINA FOI O QUE?! – Victor gritava no Walk-talk, os dois estavam juntos, assim como eu e Viridia.
- Isto mesmo, ela foi atacada...E, gente. Venham para cá, avisem os outros...Achamos algo. – Os dois concordaram e rapidamente disseram que estavam vindo. Caius permaneceria conosco pelo Walk-Talk.
Pouco tempo depois todos estavam sentados em roda, falando sobre o que encontraram, torcia para que encontrassem algo para nos tirar desta.
- Como pode ver, eu e Elina achamos a garota. – Viridia disse com sarcasmo.
- Eu e Victor achamos um livro teatral de “Cross of Mercy”, há desenhos, pensamos que pudesse nos ajudar em algo, mas...Somente nos fez ter certeza de que estaríamos mortos. – Ian dizia sério.
- No banheiro não tinha nada, não passei muito tempo lá. – Lary assentia.
Mas, se ele não ficou no banheiro por muito tempo, onde ele foi depois, e, quem teria mais força que Lary para arrastar alguém com tanta facilidade? Todos pareciam suspeitos, e, pela cara de Viridia, ela pensava o mesmo.
- Tinha comida e facas na cozinha. A única coisa era...As comidas não eram comidas comuns. Quero dizer, eram comidas caras, não seria qualquer um capaz de comprar elas. – Arthur me olhava de relance, agora até eu era suspeita, droga!
- Achei a fantasia do assassino. – Todos voltavam sua atenção para Simon. – Estava naquela sala, era de arrepiar, tudo que tinha era fantasias e coisas para maquiagem e outras coisas.
Todos eram suspeitos. Caius poderia ter saído facilmente do quarto e estar fingindo estar trancado, agora, ele manipulava cada movimento nosso; Simon estava junto ao lugar das fantasias, simples dele se vestir e matar...Wina; Lary ficou no banheiro pouco tempo, onde ele estava quando saiu? Ian e Victor estão escondendo algo, mas, Caius pode estar nos manipulando para ficarmos uns contra os outros. Agora não temos nada a se fazer...
- Agora, pelo lado bom, temos Walk-Talks e câmeras espalhadas por todo lugar, é só Caius nos avisar quando o assassino estiver por perto. Vocês instalaram as câmeras nos corredores, certo?
- Sim. – Todos diziam.
- Bem... – Lary não havia dito “sim” com os outros, já era de se esperar. – Eu acabei colocando a câmera no banheiro.
- NÃO ACREDITO, MOLEQUE, LARGA DE SER BURRO! – Victor com certeza demonstrava seu medo agora.
- Desculpa, Ok. Eu pensei que fosse para olhar as salas...
A garotinha começava a me cutucar, me virei para ela tentando sorrir, ela estava com uma cara constrangida, já até sabia o que ela iria pedir.
- Eu e Viridia mudaremos a câmera. – Disse enquanto me levantava.
- Nós o que?
- Hei quer ir no banheiro. – Abreviei o nome dela, era mais fácil.
- Ótimo. – Viridia se colocava de pé, e é claro, sendo sarcástica.
Apanhamos uma lanterna e um Walk-Talk e fomos, o banheiro ficava no segundo andar, subir aquelas escadarias era de arrepiar, mesmo com as luzes acesas. Por que levamos a lanterna? Caso Caius fosse o assassino seria fácil para ele apagar as luzes e nos dar um fim. “ Suba as escadas primeira porta à direita” foi o que Lary havia dito. Realmente, por sorte estava certo.
Entramos no banheiro, era assustador, o espelho estava um pouco quebrado, havia vestígios de pichações nas portas, era um lugar tão bonito antigamente, agora...É um cenário para um filme de terror, literalmente.Hei correi de imediato para a primeira cabine e fechou a porta, Viridia foi em direção a câmera para apanhá-la e a retirou do lugar, eu me olhava no espelho, meus olhos estavam vermelhos, assim como meu nariz, havia chorado muito aquela noite, não sei o que deu em mim, mas, não conseguia ver algo tão violento.
- Hey! Eu vou colocar isto lá fora, cuide da garota. – Viridia apontava para a porta, somente assenti com a cabeça.
Ouvi um barulho de descarga, será que Hei teria terminado? Não iria verificar, mas, o que realmente foi de assustar foi: O som não vinha da cabine em que Hei se encontrava, e sim da última cabine. Abri a porta e vi, era algo impossível de se acreditar, a água do vaso sanitário deveria girar para o lado direito, mas, girava para o lado esquerdo, o pior era, era fisicamente impossível que algo daquela maneira acontecesse, pelo menos no local no qual nos encontramos. Mas, não era só isto, havia um caderno preto atrás do vaso sanitário.
Abaixei a tampa do vaso e coloquei o livro em meu colo e abri em sua primeira página. Que susto! Hei havia terminado, agora saía do Box.
- Eli?
- To aqui, Hei. Logo eu saio. – Fingi estar fazendo alguma necessidade.
- Sim, a Viridia, onde ela ta?
- Ta instalando a câmera, logo ela volta.
Voltei minha atenção para o livro, parecia um caderno de pintura, em sua primeira página, um boneco palito na forca, com certeza foi feito por uma criança, mesmo sendo desenhos macabros, era legal de se ver. Não sou sádica, mas gosto do trabalho infantil. Abri em sua segunda página, outro homem palito, mas, desta vez estava pregado em uma cruz. Quando fui para o terceiro desenho que me toquei, no terceiro desenho havia uma pessoa com uma faca puxando a outra pelo cabelo, cortando o boneco palito.
Isto quer dizer que...Não é ordem em que os atores morrem, e sim o modo que eles morrerão é que fará a peça, ou seja, na próxima página teria a morte da quarta pessoa, e assim por diante, se conseguíssemos ao menos mudar o roteiro quem sabe alguém poça sobreviver? As coisas ficavam cada vez mais complicadas.
Respirei fundo e virei à página, gritei alto! Não pelo desenho, mas porque as luzes se apagaram no momento no qual esta fora virada, aquilo fora de assustar. Apanhei a lanterna, ignorando as batidas de Hei e Viridia, acendi a luz. Fiquei chocada, agora não tinha como ter esperanças, somente uma pessoa poderia morrer daquela maneira...
Agradeço pelos reviews, isto me inspira a continuar a escrever esta história. Por isto, revisem, e eu escrevo. Agradeço a todos os meus leitores, que, porém tem nomes complicados, é difícil de guardas, mas, adradeço a todos. :D
Fale com o autor