Cross Of Mercy

14 Ato 12 parte 2


Notas iniciais
O último capítulo desta história, após tanto suspense, finalmente tudo que aconteceu é mostrado, e, acho que o final ficou meio baka, mas, eu gostei, espero que estejam comigo em minha próxima história. o
Obrigado: CahAmzalak, Shyohako, Resgate, Hyrun_G, Muda,Nebel Geheimnis, Marshy, Belle Fleur Ble

Por acompanharem esta história até o final (se lerem este capítulo) o

Ato 12 parte 2: Quanto as luzes se acendem

Ouvi uma voz que imediatamente reconheci, principalmente quando duas luzes surgiram na platéia, duas pessoas assistindo a peça, o homem eu não havia reconhecido muito bem, ambos estavam de máscara, mas, a mulher era impossível não reconhecê-la, e parecia que, Ian havia reconhecido ambos.

- Ian, você o conhece?- Perguntei olhando para ele.

- A mulher eu sei que você conhece, não é?

- Infelizmente, mas aquele homem é...

- É provável que você tenha sacado, mas você o conhecia...- Ian dizia, parecia não querer falar.

- E o que faremos agora? – Indaguei com um pouco de medo.

- Decida você, você é mais inteligente que eu, Elina. E você conhece a mulher.

- Não conhecer minha própria mãe seria estranho, e aquele homem é realmente...ele?

-Por isto que Viridia deve estar morta... – Ian dizia com certa raiva.

- Vou nos tirar daqui, você deve estar surpreso, é a primeira vez que encontro algo de minha mãe e não choro.

- É porque ela está viva, não é? Você está feliz, mas sua raiva está te consumindo, por este motivo vou te ajudar, mesmo todo quebrado, você não vai se matar, Elina, eu...

- Ora, vamos parar com este showzinho. – Minha mãe dizia ironicamente, é claro que não havia ouvido nada que eu e Ian falamos.

Me levantei e me virei para os dois que estavam sobre as luzes sorridentes, não sabia o que tinha acontecido com Viridia e Arthur, não sabia o que estava acontecendo, não sabia porque minha mãe estava viva, não sabia de nada, somente esperava para que minha teoria estivesse certa e isto não passasse de uma ilusão.

Ian estava tendo dificuldades para se levantar, pouco a pouco ele o fazia, Hei estava escondida em um canto onde ninguém a pudesse ver, logo Ian se uniu em meu lado, encaramos os dois mascarados por certo tempo, até que ouvimos um barulho no chão, Wina havia acordado, tudo que a ouvi dizer era: “Vadia” após isto, se levantou e foi ao lado dos mascarados na platéia.

Eu tinha uma faca e um pedaço de madeira, Ian tinha uma navalha, seria difícil darmos conta daqueles três, teria que ser mais esperta que Wina, nossa vantagem é que estávamos na escuridão, mas não demorou muito tempo, as luzes se acenderam, todas, o teatro ficou completamente iluminado, nossa vantagem acabou, Wina havia acendido as luzes, mas, como...?

- Eu sei o que vocês estão pensando, como as luzes foram acesas sendo que Caius está morto na caixa de força? – Wina sorria. – Simples. Aquilo era uma caixa falsa, feita somente para estrelar nossos “amiguinhos” sendo assassinados, a verdade é que a verdadeira está naquele santuário, mais uma vez, você foi burra de não notar...

E mais um ponto para a falsa. Minha mãe se moveu e se aproximou do palco, juntamente com o homem e Wina, eles pararam na primeira fileira, sabia que queríamos ouvir a verdade.

- O que? Como? Por que? – Estava muito confusa, não consegui raciocinar direito.

- Calma, filhinha, tudo vai voltar ao normal, logo logo. Mas antes, sei que vocês querem saber o que aconteceu, então, irei contar, tin tin por tin tin. – Ela dizia enquanto retirava a máscara.

Seu rosto estava ainda mais perfeito. Seus orbes verdes agora pareciam queimar com sua fúria, seu cabelo estava mais comprido, estava mais morena, mas continuava linda.

- Ai! Você não sabe como é complicado morrer, filha. É algo muito...Chato, mas, vou começar a história daquele dia...

Estava no meu camarim, antes de sair para me encontrar com você para me desejar boa sorte,tudo estava combinado para o espetáculo, você derrubar a cruz, me matar, e tudo mais...Estava com ninguém menos do que meu amante, estávamos aos beijos.

- Tem certeza que quer isto hoje? – Perguntou ele.

- Claro, amor. – Disse rindo alto.

Sim, era um plano para me fazer sumir, eu não amava seu pai, nunca amei, filha, você eu tinha amado, mas, pelo fato de você ter o mesmo sangue daquele inútil do seu pai já era um motivo para te desprezar, mesmo te amando, então, concluí que o melhor jeito disso seria morrer.

Enquanto nos beijávamos, agarrávamos seu pai entrou no camarim com um buque de flores, viu a cena e deixou com que as flores caíssem, saiu cabisbaixo isto só me fez mais feliz ainda, uma das coisas já havia funcionado.

““ – Papai, você ta bem? – No dia em que minha mãe morreu, meu pai estava sério, sério demais.

Não parecia feliz, ainda não tínhamos tomado nossos lugares, ele ia dizer algo para minha mãe, eu fui desejá-la “boa sorte” como sempre fazia, meu pai estava sério, não entendia o porque, estava tão...Frio. Devia estar feliz pela apresentação de minha mãe, ao invés disto, estava sério, tanto que nem tive coragem de ir com ele para meu lugar, o deixei ir sozinho e fiquei com minha mãe, vendo-a se preparar para sua última peça.

Quando minha mãe morreu, meu pai ficou ainda mais sério, não chorou, e continua assim até os dias atuais raramente passa tempo comigo, raramente dá importância para mim, raramente me dá carinho e conforto, nem ao menos se lembra de meu aniversário e o aniversário de minha mãe. Como se o trabalho o afastasse das memórias dela. “ Então foi isto, este foi o motivo de meu pai não ter me olhado, este é o motivo, minha mãe...o traiu...

Depois sai e acho que você sabe o que aconteceu quando fui atuar, ou melhor, você pensa que sabe, você viu a cena toda, a cruz caindo, o que a maioria de vocês não sabiam era: A cruz não caiu em cima de mim, uma ilusão havia sido feita para que ela acertasse apenas um efeito de mim, assim não me acertando, e quando a poeira se levantou entrei debaixo dela, com auxílio novamente da ilusão para ilustrar meus machucados e minha dor foi feita pela minha ótima atuação, tudo foi apenas uma farsa.

- Você vez isto só para se livrar de mim e de meu pai? – Indaguei furiosa.

- E de todo o mundo, qual o melhor jeito de dar o fora, se não simplesmente, “morrer”?

- ...

Continuando, agora que saber por que Wina? Bom, provavelmente também deve se perguntar o porque da Hei estar aqui...Então...Explicarei. Após minha “morte” fui ao aeroporto junto a meu amante, que é claro, também “desapareceu misteriosamente” de sua família, aí fomos para Paris, onde planejamos fazer a primeira peça de Cross of Mercy, é claro que este boato correu rápido pela internet, e, para as pessoas conseguirem o roteiro era necessário enviar um e-mail, assim saberíamos onde atacar, a primeira vítima foi uma escola em Paris mesmo, os alunos estavam morrendo como o planejado, e havia uma garota, uma criança, não estava no script,mas ela estava lá, parecia que estava com seu pai em Paris, não era ninguém menos que Wina, sim, isto mesmo, foi lá que nos conhecemos, e decidimos colocar tudo isto de garotinha perdida na história.

O tempo foi passando e fomos descobrindo os dons dela, como sua criatividade e sua capacidade de fazer figurino, a peça foi se tornando cada vez mais real, e após um bom tempo na Europa fazendo estes shows voltamos para o Brasil, a não vão acreditar que o primeiro e-mail que recebemos foi de ninguém menos que...

- Viridia... – Disse mordendo meu lábio inferior.

- Exatamente...

Demorou sim, dois anos para conseguirmos fazer algo para que os brasileiros se “conectassem”, e Wina estava matriculada na mesma escola que enviou nosso “passaporte” para o sucesso aqui também. Na Europa este caso ficou conhecido como “Poder do Diabo”, lá existem muitos religiosos, então, pensaram que fossem obra do Demônio, o que não era, era simplesmente um meio de mostrar meu talento, neste tempo também aprendi ilusionismo, por este motivo foi fácil pegar e trazer vocês para cá.

“ – O que está fazendo, Wina? – Perguntei olhando o que ela fazia.

- Uma redação. – Respondia.

- Você sempre foi tão criativa e boa em fazer histórias, queria ser como você.

- Que nada, Elina. Eu tenho facilidade nisto, já você é mais esperta, sabe atuar e é ótima nos esportes, este é meu único dom. – Nós duas rimos.

- Que nada, tu é ótima atriz e canta muito bem, além de fazer ótimos desenhos,

- Me inspirei na Tomoyo da Sakura Card Captors. Quando eu era criança vivia tentando desenhar roupas e costurar, principalmente coisas como fadas.

- Oh My God, Wina. – Minha vontade era de esganá-la por aquele comentário, é, ela riu, e muito. “ Não acredito, que ela quem fez tudo isto, ela sabia que minha mãe estava viva, não acredito, não, não!

- Não está claro, sua boba? – Dizia Wina me provocando. – Sua mãe me ama mais do que ama você!

- Acha que eu me importo? Para mim, minha mãe está morta! – Gritei com Wina, surpreendi até mesmo minha mãe. – E o que aconteceu com Arthur e Viridia?

- Não é obvio? Estão mortos. – Wina dizia cruzando seus braços.

Disto eu sabia, mas queria saber como, parece que minha mãe havia notado o que eu queria saber.

- Eu sabia que Arthur era inteligente, principalmente à respeito de violência, então, fui matá-la eu mesma.

Uma coisa que você provavelmente não sabe sobre ele, é que ele fazia parte de uma gangue, e fuma maconha, sai para beber aos sábados à noite, sai para pegar prostitutas, até mesmo travecos quando está bêbado, você tem que olhar melhor com quem você se beija, aquele muleque podia ser o que fosse, mas, mesmo assim, era inteligente, tanto que, quando era para fazer algo em sua gangue, ele era o cabeça, mesmo assim não supera você e Wina, para matá-lo foi até que fácil, me passei por você.

Vesti as mesmas roupas que você usava e fiquei em um canto escuro com a cabeça baixa entre as pernas fingia estar chorando, estávamos na sala do terceiro andar na mesma que você acordou. Ainda deste modo segui o livro, alguém morrer caindo em uma longa distância, já que Ian não tinha morrido, tive que fazer isto com Arthur. Quando ele me viu chorando se aproximou parecendo preocupado:

- Elina você está bem? – Disse com cara de pobrezinho.

- Não, eu soube que você anda em gangues, e fica pegando...prostitutas...

- Não é verdade!

- É SIM! – Gritei, juro, que para alguém que não conheço imitei muito bem.

- Elina, acredite em mim, eu não faço estas coisas, eu te amo.

Dei um tapa em sua cara, ele ficou bravo e tentou me atacar dizendo coisas como”Sim, é verdade! I daí? “, “ Vou te estuprar aqui mesmo”, aí, dei uma facada na barrida dele e o empurrei com força contra a janela, ela não quebrou de primeira, mas depois que chutei sua barriga ele caiu e morreu.

- Arg... E Viridia? – Perguntei, apesar de não querer saber.

- Deixa que eu assumo, Jess. – O mascarado se aproximava. – Foi muito fácil.

Vocês duas estavam conversando, você já estava dentro da sala, então aparecei para Viridia, sem explicação sem nada, ou seja, ela ficou chocada, muito chocada, somente fiz um gesto para ela trancar a porta e foi isto que ela fez, trancou a porta, e, como pode ver, eu não desci as escadas, somente ela subiu para me abraçar enquanto soluçava, nos abraçamos. Ela apenas dizia:

- Papai...Papai

Algo bem entediante, tenho que admitir, coisa irritante, hein, então, acabei com isto de uma vez, sussurrei “Adeus” em seu ouvido e a apunhalei pelas costas com a navalha, ela morreu na hora.

- Então é assim que vai ser, vocês vão nos matar sem mais nem menos?

- É... – Minha mãe disse. – Só para esclarecer, Hei nunca teve pai, pegamos ela em um orfanato, ela estava dormindo, fiz uma ilusão para ela pensar que perdeu o pai, mas continuar dormindo, até a hora que jogássemos ela no teatro...

- Então...Meu pai não morreu? – Hei se levantava. Todos estávamos surpresos, por tudo.

- Não sei, só te roubei de lá para matá-la, crianças são tão chatas... – Ela dizia revirando os olhos.

É, seria o momento na qual iríamos morrer, então o pai de Viridia e minha mãe eram os assassinos, juntos com minha suposta melhor amiga? Hum...Por incrível que pareça, me pareceu mais normal na hora, foi como um sonho maluco que você não vê a hora de acordar, mas, aquilo era real, não importa o quanto quisesse negar, agora, meu objetivo era sair viva junto com Ian e Hei.

Havia tido uma idéia, cochichei no ouvido de Hei e de Ian, iríamos”lutar”, Ian andou um pouco para trás e Hei um pouco para frente, meu plano era idiota, mas, talvez por tão idiota que fosse poderia dar certo, talvez. Era complexo, nada estava a nosso favor, Hei era a mais fraca, Ian estava quebrado literalmente e eu...Bem, não poderia dizer que estava emocionalmente abalada, não, não me abalei,ver minha mãe viva não foi um remédio, e sim, o pior que poderia ter acontecido, por que não fiquei triste ao vê-la viva? Ao ver que ela era a assassina? Simplesmente pelo fato de, não amar mais, de não ter tido mais família desde sua morte, e eu a agradeço, graças a ela descobri meu amor verdadeiro: Ian.

Ainda era uma menina chorona quando ele me consolava, quando ele tentava me fazer feliz, mas, pelo simples fato dele tentar, de se importar comigo, é o que trouxe o amor, bem que dizem, quando uma porta se fecha, uma janela abre, ou é ao contrário? Não sei, mas, irei lutar por mim, por ele e por Hei, conheço ela há um dia, mas ela me deu mais esperança que qualquer pessoa poderia ter me dado, foi um anjo naquela noite que foi jogado no meio desta luta sem sentido, por isto, não vamos morrer, meu plano não pode falhar...Temos que continuar lutando até nosso último suspiro, assim será comigo.

Hei ficou bem na ponta do palco, seu alvo era Wina, os três trocaram olhares, sabiam que a mais difícil seria eu, então, iriam mandar minha mãe ou o pai de Viridia atrás de mim, como Hei era fraca, Viridia conseguiria segurá-la. Foi o que pensou...

Wina correu em direção de Hei para tentar segurá-la, mas, como planejado, Hei bateu com o calcanhar na tábua de madeira, a mesma que utilizamos para ir ao santuário, quando fez isto, ela se ergueu e bateu contra o queixo da garota, deixando-a desacordada.

- Menos um — disse com um sorriso vitorioso.

Hei correu para atrás de Ian enquanto ele pegava os cacos de vidro e começava a arremessar contra o pai de Viridia, ela apenas se abaixou, enquanto Ian arremessava o vidro corri em direção à minha mãe, saltando do palco, ela recuou um pouco com um sorriso estampado em seu rosto.

- Elina! – A voz de Ian ecoava pela sala.

Assim que Ian gritou, me abaixei, uma navalha voava na direção de minha mãe, isto a deixou desprevenida.

- Jessica se abaixe! – Gritava o pai de Viridia.

E assim ela fazia, como eu havia planejado, ela se abaixava, como estava em movimento, quando abaixei virei uma cambalhota e fui para trás dela, quando se abaixou peguei seu braço e coloquei atrás de seu corpo, colocando uma faca em seu pescoço.

- Se mova e morrerá, Jessica. E você também, eu sei que você e Wina amam ela mais que tudo, portanto...Já sabem.

- Não teria coragem... – Ela implorava pela vida, mas, aproximei ainda mais a faca fazendo um fio de sangue deslizar por sua pele.

- Acha mesmo?

Ela engoliu seco, e só notou quando seu amante caiu junto a ela, também havia desmaiado, Hei havia conseguido. Havia dado a madeira que havia pego para ela, sabia que o pai de Viridia se distrairia com o incidente com minha mãe, dando tempo para Hei chegar em silêncio e lhe bater em sua nuca.

Coloquei a mão no bolso de Jessica e puxei seu celular, ela nunca andava sem um. Aproximei meus lábios de seu ouvido e sussurrei:

- Bons sonhos, mamãe...

Bati em sua nuca com a parte de trás da faca fazendo-a desmaiar em meus pés.

Meu plano havia dado certo, peguei o celular e chamei a polícia, uma das unidades chegou logo, já que estava perto, chamaram também uma ambulância que pegou Ian, ele saiu em uma maca, saímos um pouco antes dos “presos”, algo apavorou-nos. Vi minha mãe sair com uma arma apontada para sua cabeça, o mesmo para o pai de Viridia, mas, Wina...Ela não estava lá, não tinha tempo para isto, a noite já havia se prolongado demais, queria voltar para casa.

Enquanto Ian entrava na ambulância me aproximei da maca, segurei sua mão e tomei seus lábios, até mesmo Hei sorriu, todos estávamos felizes, afinal, de um modo inexplicável sobrevivemos aquela noite agonizante.

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- Vamos fazer um minuto de silêncio para os alunos que foram assassinados.

Estávamos no enterro dos nossos amigos, eu, Ian e Hei olhávamos para cada um, e pensávamos se a história poderia ter sido diferente, o clima estava pesado, e negro, fazia a água molhar nossos guarda-chuvas, o céu estava de luto.

Ao outro lado da rua, com uma saia, e uma camiseta cavada, uma garota segurando um guarda-chuva fixava seu olhar em nós, reconheci quem era, bem, tudo havia terminado para mim, então, fiz a coisa mais idiota a se fazer acenei, mesmo sabendo quem era, uma paty nunca pede seu gênio, de é claro, humilhar, e como ela foi humilhantemente derrotada por mim, o melhor a se fazer era, esfregar na cara, não que era melhor nem nada, mas, pelo simples prazer de fazer uma pessoa como aquela ser derrotada.

Ela apenas se virou e saiu andando...

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!