Cross Destination
29 Capítulo Vinte e Nove
Notas iniciais

Quase três semanas havia se passado desde a viagem do casal. Felicity ainda não havia conversado com o filho. Oliver estava ocupado com a empresa, as crianças estavam tendo vários trabalhos escolares, e por isso ela tinha decidido que conversaria com o filho, quando tudo se acalmasse. Mesmo que tudo estivesse caótico, ela sabia que já deveria ter conversado com Bryan, principalmente por ele estar passando todo final de semana com o tio. Ela sabia que Oliver autorizava para não chatear o filho, e isso estava deixando-a agoniada. Finalmente, depois de todos aqueles dias caóticos, ela achou o momento certo. Aquele dia estava extremamente frio, mas isso não impediu o marido de sair. Felicity aproveitou que ele havia ido resolver algumas coisas na empresa, para enfim conversar com o filho. Brooke havia ido com o pai, e mesmo que Oliver tivesse prometido passar no parque antes de voltarem para casa, Bryan quis ficar em casa. Foi nesse momento em que Felicity viu os olhos do marido ficarem opaco, e seu humor mudar; apesar das crianças não terem percebido. E foi por ver o quanto aquilo estava afastando Oliver de Bryan que ela decidiu que daquele dia não passaria. Laurel estava certa. Já deveria ter conversado com Bryan á semanas. Deveria ter conversado mesmo com os dias caóticos, corridos. Ela viu Oliver se sentir mal quando o filho não quis sair com ele, e Felicity se sentiu pior ainda ao ver como um “prefiro ficar em casa” atingiu o marido em cheio. Ela não entendia, mas sentiu uma vontade enorme de chorar. Nem Brooke ou Bryan perceberam o desconforto do pai ou os olhos marejados da mãe. Felicity se sentou ao lado de Bryan, dizendo que precisavam conversar.
É importante, muito importante, então escuta a mamãe, okay? – Ele não estava entendendo nada, mas mesmo assim assentiu. – Eu sei que você está super animado com os passeios que têm feito com seu tio, com o fato de ele estar presente novamente na sua vida, mas..., eu quero te pedir algo. – Os olhos verdes não deixaram os do filho por nenhum momento. – Não deixe seu pai de lado, querido.
Como assim, mamãe? Não entendo porque tá me pedindo isso.
Esses momentos, essas saídas, os dias que tem passado com seu tio, deixaram seu pai... – Ela pensou um pouco, decidindo qual palavra usar. – Com ciúmes, de você.
Ciúmes de mim? – Pergunta, confuso.
O modo como conversa com seu tio, como pediu para sair, a forma como o abraça, como fica animado perto dele... Isso meio que deixa seu pai enciumado. – Bryan abaixou o olhar por um momento, antes de se voltar para a mãe. – Hoje você não quis sair com seu pai, mesmo ele dizendo que passaria no seu parque preferido.
Mas mamãe..., não foi por mal.
Eu sei, querido. – Pegou em suas mãos. – Seu pai esteve..., longe, por seis anos, e ao ver a afinidade que você e seu tio tem um com o outro..., ele sentiu ciúmes. – Bryan abaixou a cabeça. – A afinidade de vocês, seu pai sente que é diferente do que você e ele têm. Ele está sentindo que..., está o deixando de lado, por ter seu tio por perto. – Bryan olhou para a mãe com os olhos lacrimejados.
Eu amo o papai. Não quis magoar ele.
Eu sei, meu amor. E tenho certeza de que seu pai também sabe disso, mas... – Ela respirou fundo, se controlando para não chorar, enquanto observava o filho fazer o contrário. Ele não fazia um barulho se quer, mas as lágrimas desciam pelo rosto infantil. – Sabe, você não se sentiria mal, se eu e o papai déssemos mais atenção a Brooke do que á você? – Ele balança a cabeça devagar, enquanto mais lágrimas desciam. – Então, é assim que seu pai se sente, querido. Ele não queria sentir isso, ele não queria sentir ciúmes, não queria sentir inveja, não queria nada disso, mas..., foi mais forte que ele, entende? – O menino volta a assentir.
Não queria que... – Limpou a parte direita do rosto com a costa da mão direita. – O papai se sentisse assim. Eu só estava com saudades do tio Roy, mamãe.
Eu sei e entendo. É totalmente compreensivo, amor. Você não o via á quase dois anos. Tudo bem sentir saudades, tudo bem querer sair, se divertir, passar um tempo com o seu tio. Eu entendo isso, seu pai também entende. Só estou pedindo..., que não se afaste ou deixe seu pai de lado.
Eu não vou, mamãe. – Felicity limpou as lágrimas que continuavam descer. – O papai está triste comigo?
Não com você, mas com a situação, entende? – Bryan assentiu. – Eu não estou tendo essa conversa para você, para te deixar triste, amor. Só queria que você tomasse cuidado para não machucar seu pai. Sem perceber, você o está afastando, Bry. E isso deixa seu pai..., magoado, mesmo que ele não demonstre.
Não queria isso. – Ela assentiu. – Eu não fiz de propósito.
Eu sei.
A mamãe falou com o papai?
Não. Achei que deveria falar com você antes.
Então..., quando eu neguei ir com o papai hoje... – Os olhos voltaram a marejar. – O papai ficou bem triste, né? Como das outras vezes...
Ele..., ficou sim. Não vou mentir. – Ele volta a abaixar o olhar. – Você não viu, mas eu conheço seu pai á mais tempo, por isso, só eu percebi. – Ele fungou várias vezes. – Mas ele não está triste com você, amor. – Volta a repetir. – Prometo que não é com você que ele está triste. É com a situação. Ele entende que antes de vocês se encontrarem, você tinha seu tio Roy como uma forma paterna. – Bryan assentiu, fungando mais uma vez. – Ele compreende isso, mas não consegue deixar de ficar mal com isso. – Felicity puxou o filho para seu colo, quando ele não disse mais nada, e continuou a chorar, baixo. Ela não queria deixá-lo naquele estado, mas era a coisa certa a se fazer. Ela precisava ter essa conversa com ele. Beijou os cabelos claros, esperando que ele se acalmasse.
**--** **--**
Oliver continuava naquela sala de reunião, cansado, ouvindo aqueles “abutres” falando em sua cabeça. Já não aguentava mais. Sua filha estava com sua secretária, e apesar de saber que ela não daria trabalho a mulher, ele não queria ficar tanto tempo naquela sala, com sua filha sem a sua presença. Ficou quase uma hora ali, quando finalmente seu “pai” entrou para resolver a situação que ele não estava conseguindo. Normalmente ele conseguiria em alguns minutos, mas todos estavam exaltados, e ele já estava sentindo sua cabeça doer. Quando seu pai conseguiu acalmar os ânimos, Oliver se pôs a falar. Resolveu a situação sem pedir a opinião de ninguém, a não ser seu pai e saiu da sala, cansado, e louco para ir para casa. Assim que chegou a seu andar, ele viu a filha com Hanna.
Princesa, agente já está indo.
Papai. – Ela desceu da cadeira que estava sentada, e se aproximou. – Antes a gente vai tomar sorvete, né? – Ele sorriu.
Como eu prometi.
Senhor. – Ele a olhou. – Tem visita. Ela insistiu em falar com o senhor.
Ela quem, Hanna?
Eu, Oliver. – Ele olhou para sua sala e encontrou Helena Bertinelli na porta.
O que você faz aqui?
Eu vim conversar, podemos?
Sobre o que?
Não o quê, mas quem. É importante. Eu não viria se não fosse. – Ela desviou os olhos. Oliver percebeu que ela estava envergonhada pelo que houve a algumas semanas, e por isso decidiu ouvir a morena.
Brooke, fica mais um pouco com a Hanna?
Vai demorar, papai? – Oliver suspirou.
Eu não sei. – Murmura, olhando para Helena.
Eu prometo ser rápida, pequena. – Ela sorriu para a menina. Oliver estranhou ainda mais, e decidiu entrar logo na sala.
Já volto. – Ele entrou e fechou a porta, depois dever que Hanna chamava Brooke para sentar ao lado dela novamente. – Sobre quem quer conversar? – Sentou-se do outro lado da mesa.
Sobre a sua mãe. – Oliver franziu o cenho.
Como é?
Sua mãe, Oliver. – Ela se sentou na cadeira de frente para Oliver. – Olha, quando eu fui comunicada que ela estava meu apartamento, querendo falar comigo, eu estranhei. Muito.
Ela foi falar com você?
Foi. E me deixa dizer uma coisa..., ela é louca. – Oliver se surpreendeu ao ouvir a fala. – Completamente desequilibrada. Eu tomaria cuidado se fosse você e a sua mulher.
O que você quer com isso, Helena?
Estou dando um aviso. Vim aqui para dizer que aquela maluca, me chamou para me juntar a ela para afastar você e..., a sua mulher. – Ela não conseguiu dizer o nome.
Por que está me avisando? – Desconfiou.
Oliver, você acha mesmo que eu seria capaz de fazer algo assim? Para afastar vocês? Que eu seria baixa o bastante para fazer algo assim?
Helena.
Eu te beijei. – Ela o cortou. – É, eu te beijei. Mas..., o que adiantaria eu afastar vocês, se você ama aquela mulher? – Bufou. – Nem eu entendo porque estou sendo tão idiota. Mas eu estou aqui. Porque eu disse para a sua mulher naquele dia que eu não era uma vadia. E eu seria uma, se me juntasse a louca da sua mãe.
Por essa eu realmente não esperava ouviu. – Ele foi sincero. – Ouviu o plano dela pelo menos?
Não tudo. Eu fiquei tão..., surpresa, que eu a mandei ir embora da minha casa. Ela disse algo sobre “fazer a sua esposa ver uma traição”. Que ela não perdoaria algo do tipo. Não ouvi mais nada depois disso, só a mandei ir embora.
Minha mãe não desiste. Eu nem sabia que ela tinha voltado.
Ah, ela voltou. Voltou com um plano macabro de separar vocês. E digo mais..., o jeito que ela falava..., eu não duvido que ela use seus filhos também. – Oliver franziu o cenho. – Sério. Você sabe que quando nós somos treinados na agencia, nós aprendemos a conhecer o “estado” da pessoa, o seu “caráter”, mesmo quando não sabemos quem ela é. Eu vi..., o pior, enquanto ouvia sua mãe falar.
Eu também já vi. – Murmura. Respirou fundo. – Ela foi embora e não mais te procurou?
Não.
E quando foi isso?
Essa semana. Estava ocupada, por isso não vim antes. – Ele assentiu. – Você acredita em mim, certo?
Acredito. – Balançou a cabeça. – Minha mãe não vai descansar até colocar Felicity para fora da minha vida novamente. – Olhou para Helena. – Obrigado por vir me avisar.
Fiz isso..., porque é o certo. – Ela se levantou. – Agora que eu já fiz, eu vou embora. – Oliver não disse nada, apenas a deixou ir.
E o inferno começa novamente. – Ele comenta, pensando em o que Moira faria para separar ele e a esposa.
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Felicity e Bryan estavam sentados na sala de TV, com o menino ainda no colo da mãe. Ele já não mais chorava, mas continuava em silêncio, o que deixava a mãe preocupada. Apesar da TV estar ligada, e de estar passando um filme que o filho gostava muito, Felicity havia percebido que ele não prestava atenção no mesmo. Ela queria perguntar se ele estava bem, mas ela conhecia bem o filho. Ele era igual ao pai. Quando estava triste ou pensativo, não gostava de ser questionado. Bryan estava triste por ter deixado o pai triste. Não era a sua intenção. Não tinha percebido que o que estava fazendo, estava deixando seu pai triste, e mesmo que a mãe dissesse que o pai não estava triste com ele, Bryan não parava de pensar que não era verdade. Foi ele quem deixou o pai triste, como o pai não ficaria triste com ele? Mesmo que tivesse demorado um pouco, ele amava o pai. Tinha sido difícil, mas passou a confiar nele, e em nenhum momento, desde que passou a vê-lo como seu pai, ele quis magoar seu pai. Felicity olhou para o filho. Ela sabia que ele estava triste, por causa das coisas que disse. Que ele pensava na tristeza que fez o pai passar. Não era isso que ela queria. Ela só queria ajudar. Sentia seu peito apertar, e a vontade de chorar voltava com força. Eles ouviram a porta se abrir e a voz de Oliver e Brooke em seguida preencheu o ambiente. A menina ria de algo. Felicity deixou que Bryan dessesse de seu colo, quando ele fez menção de fazê-lo, e o seguiu até onde Oliver e Brooke estavam.
Por que a gente não podia trazer mais? – Eles ouviram Brooke perguntar.
Você queria sorvete por quantos meses? – A pequena gargalhou, fazendo com que Felicity, mesmo não vendo a cena, sorrisse. Oliver se virou encontrando o filho.
Bryan? – Felicity entrou no mesmo momento em que o filho abraçava o pai.
Desculpa, papai. – Pede, com a voz embargada e com o rosto enterrado em uma das pernas do pai.
Bry, tá tudo bem? – A irmã pergunta, preocupada. Oliver olha para a esposa, confuso. Ele não estava entendendo nada. Felicity, ao ver que o filho voltaria a chorar, e então para não chorar junto, ela respira fundo, se voltando para a filha.
Brooke. – A filha olha para a mãe. – Vem comigo, querida? O papai e o Bry vão conversar. – A menina olhou para o pai e o irmão por alguns minutos, e só então foi até a mãe, que pegou sua mão e a levou para o segundo andar. Oliver observou a esposa e a filha saírem, não compreendendo o que estava acontecendo. Ele olhou para o filho, e afastando-o, ele se abaixou para ficar na altura do menino.
Quer me explicar? – Ele viu os olhos do filho marejarem. – Por que pediu desculpas e por que está chorando?
Eu não gosto mais do tio Roy, que do papai. Eu gosto dos dois. – Oliver se surpreendeu e muito com o que ouviu.
Bryan...
Não quero que o papai fique triste comigo. – Diz, interrompendo o pai.
Bryan, eu não estou triste com você.
Mamãe disse que está triste porque eu deixei o papai pelo tio Roy. Mas não foi de propósito. – Balançou a cabeça devagar. Oliver sentiu seu peito apertar ao ver as lágrimas descer pelo rosto de seu filho. – Eu só estava com saudades. – Oliver suspirou. Era só uma criança. Seu filho era só uma criança, e ele era o adulto. Não deveria sentir ciúmes de algo tão banal, mas infelizmente sentiu.
Eu sei que estava. E eu também sei que não foi de propósito. Está tudo bem. – O menino balançou a cabeça.
Eu deixei o papai triste.
Bryan, eu estou bem. – O menino abaixou a cabeça. – Olha para mim. – Ele demorou um pouco, mas fez como o pai pediu. – Eu entendo que queira passar um tempo com seu tio, de verdade, eu entendo. Você não o vê a um bom tempo.
É a mesma coisa, porque o papai ficou sem eu e a Brooke por seis anos. – Oliver estava novamente surpreso. Não esperava por aquela frase. – E eu e o papai quase não sai juntos por causa da escola e do trabalho..., e agora eu tô saindo com o tio Roy todos os dias.
Está.tudo.bem. – Diz pausadamente. – Eu já disse, Bry. Você está se divertindo, não está?
Mas e você, papai? – Oliver sorriu. Ele não queria que o filho se sentisse daquela forma. Ele poderia lidar com aquilo, mas seu filho não. Ele é só uma criança, e tudo que Oliver menos queria, era deixá-lo preocupado e triste como estava agora.
Eu vou ficar bem. Você pode aproveitar as férias com seu tio, não tem problema. Não precisa me pedir desculpas. Você não tem culpa de nada, okay? – Bryan não respondeu, mas continuava a olhar nos olhos do pai. – Eu..., fiquei mal com isso sim, mas foi besteira.
Eu amo você, papai. De verdade. – Oliver não pôde deixar de sorrir.
Eu sei, não fique preocupado com isso. – Pegou em ambos os braços do filho. – Eu também amo você. Por isso, não quero que fique...
Não queria machucar você e machuquei. – Ele interrompe o pai. Oliver suspira.
Bryan, isso..., já passou. O que aconteceu, não foi de propósito, e eu não estou triste com você. Você é meu filho, e eu te amo, como poderia ficar triste com você?
Mesmo?
Mesmo. – Limpou as lágrimas do rosto do filho. – Pare de chorar. E pare de ficar pensando nisso, está bem? – Ele apenas assentiu. – Eu trouxe sorvete, você quer? – O filho balançou a cabeça para os lados, abraçando o pai em seguida. Oliver passou os braços pelo corpo pequeno, suspirando. Sabia que ele ficaria com aquilo na cabeça ainda por alguns dias. Decidido, ele se levantou com o filho no colo. – Quer assistir TV? – E novamente, com o rosto escondido na curva do pescoço do pai, sem dizer uma palavra, ele balançou a cabeça para cima e para baixo.
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Oliver só foi perceber que o filho estava dormindo, quando desviou os olhos do segundo filme que assistiam juntos. Ele tinha acabado, e por isso desviou os olhos, para perguntar se ele queria assistir outro. Como sua esposa e filha não haviam descido em nenhum momento, imaginou que estariam dormindo. Com esse tempo frio, dava vontade de ficar debaixo do edredom por horas. Devagar, Oliver se levantou, sem acordar o filho, que estava praticamente com todo o corpo em cima de si, o pegou no colo e seguiu para o segundo andar. Oliver entrou no quarto infantil, encontrando a filha dormindo debaixo do edredom de princesa, e sem fazer barulho, seguiu até a cama em formato de carro e colocou o filho nela. O cobriu com um edredom vermelho com desenhos de carro e saiu do quarto, não sem antes deixar a luz dos abajures acesas. Entrou no quarto, encontrando a esposa debaixo do edredom branco com detalhes em rosa claro. Ele sabia que ela estava acordada, pela forma que respirava. Se deitou ao lado dela, e então ela abriu os olhos, se virando para vê-lo melhor.
Está bem? – Ele respirou fundo e assentiu.
Por que falou com Bryan? – Ela sabia que ele não estava irritado, pela forma calma e serena que falava.
Porque eu precisava fazê-lo enxergar o que estava fazendo, sem perceber.
O deixou mal com tudo, Felicity. E isso era o que eu não queria.
Mas foi preciso. Oliver, você estava sofrendo com isso.
Eu sou adulto, consigo..., guardar as coisas. Superar as coisas, com mais facilidade do que uma criança. Ele tem apenas sete anos.
Adultos também sofrem, meu amor. E não é bom ficar guardando essas coisas para si mesmo. Você não falava comigo, então eu precisei fazer algo. – Ele suspirou. – Ele não queria fazer você se sentir excluído.
Eu sei disso.
E ele se sentiu mal por estar fazendo isso.
E era por isso que eu não queria que ele soubesse...
E foi por isso que eu disse para ele. – Ela o cortou. – Ele se sentiu mal, mas agora está sabendo que deve conciliar as coisas. Estar com o tio, mas ao mesmo tempo, não deixar o pai dele de lado. Foi o certo a se fazer, e Laurel concorda.
Laurel? – Ele franziu o cenho.
Ela percebeu primeiro que eu. – Oliver suspirou. – Disse que eu precisava conversar com Bryan, e depois de hoje..., eu tive mais certeza de que ela estava certa.
Talvez tenha razão, mas...
Eu sei que não queria que nosso filho se sentisse mal. Eu também não queria, mas eu precisava fazê-lo ver o que estava lhe causando. – Ele assentiu.
O fato é que Bryan e Brooke tiveram Roy como “pai” por seis anos. Eu entendo isso, mas ao mesmo tempo, às vezes...
Você se sente mal com isso.
Eu não estive com eles, Felicity. Eu não vi..., os primeiros passos, as primeiras palavras, o primeiro tombo. – Suspirou. – Eu não tive os primeiros momentos com eles, e isso meio que..., me dá inveja do Roy. Ele teve esses momentos. Ele sabe mais coisas sobre meus filhos do que eu, mesmo que eu os conheça a quase um ano.
Me desculpa. – Ele percebeu que os olhos dela lacrimejaram.
Eu não disse isso para fazer você se culpar e muito menos para você chorar, meu amor. – Passou a mão direita no rosto dela. – Só estava desabafando..., mais uma vez.
Me sinto mal por deixar que isso acontecesse. Se eu tivesse vindo para Star..., se tivesse procurado você...
Nós não vamos mais conversar sobre isso. – Balançou a cabeça devagar, enquanto continuava a acariciar o rosto da esposa. – Você não é a culpada. Só existe uma culpada nisso tudo..., Moira. Ela quem nos separou. E eu estaria na vida dos gêmeos se ela não tivesse feito isso. – Beijou sua testa. – Por falar nela... – Suspirou.
O que? Ela voltou da viagem?
Voltou. E já tramando algo contra nós.
O que foi dessa vez? – Oliver ficou em silêncio por alguns minutos. Ele não queria falar sobre Moira. Não naquele momento. Estava cansado, e ficaria pior se conversasse sobre o que descobriu mais cedo.
Conversamos sobre isso outra hora.
Mas Oliver... – Ele colocou o dedo indicador nos lábios dela.
Não quero falar sobre isso. Sabe o que eu quero? – Empurrou de leve a esposa, para deitar as costas na cama, e se colocou por cima dela, beijando o pescoço em seguida. Felicity arfou. – Tem jeito melhor de se desestressar? – Sussurra no ouvido dela, fazendo-a suspirar. Oliver subiu a mão por debaixo da camisola que ela vestia, percebendo que ela estava sem sutiã. Felicity gemeu baixo ao sentir a mão de Oliver se mover sobre seu seio.
Oliver. – Geme no ouvido dele, enquanto o sentia descer a alça da camisola, ao mesmo tempo que beijava seu pescoço, dando leves mordiscadas. Ela apertou as unhas nos ombros, por cima da camisa. Mesmo extasiada, ela começou a abrir os botões da camisa, uma por uma, sem pressa, e então o marido a jogou em algum canto do quarto, sem parar de beijar o colo exposto. Subiu os lábios lentamente até a boca dela, tomando-os de forma lenta. Felicity mordeu o lábio dele de forma provocante, e então, para a surpresa dele, ela mudou as posições, colocando-o debaixo dela. Ele não retrucou, apenas voltou a beijar os lábios, dessa vez de forma mais urgente, enquanto descia ambas as mãos até a bunda dela, apertando, o que a fez gemer. Oliver se sentou, ainda sem parar de beijá-la, juntando mais seus corpos. Gemeu quando ela remexeu em cima de seu membro, que pulsou.
Tira isso, que está começando a me irritar. – Rosnou, fazendo-a rir, antes de retirar a camisola. – Finalmente. – Ele diz antes de tomar um dos seios com a boca. Felicity gemeu um pouco mais alto dessa vez, puxando os cabelos loiros com certa força.
**--**
Felicity acordou sozinha naquele dia. Já passava das 11h da manhã, e então ela entendeu o porquê. Havia dormido muito. Se levantou, tomou um banho rápido, e escolheu algo bem leve para vestir. O tempo estava frio, mas o apartamento estava quente. Fez uma maquiagem bem simples, e saiu do banheiro, calçando a rasteirinha que estava perto da cama. Desceu as escadas, depois de perceber que os filhos estavam no quarto, jogando videogame. Felicity franziu o cenho ao ver o marido com seus seguranças, conversando. Ela estava curiosa, mas não queria interrompê-los. Viu uma nova pessoa no grupo. Ele, ela não havia conhecido. Tinha certeza. Ao redor de Oliver e Roy estava Mike, Collin, Gregory, Tyler, Andrew e o garoto novo. Ela viu o novato olhá-la, mas logo se voltar para o grupo. Ele era mais baixo que os outros, mas não menos forte. Seu marido percebeu sua presença, disse algumas palavras e caminhou até ela, com os outros seguindo-o.
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Estou perdendo alguma coisa?
Não, meu amor. Estamos conversando sobre um novo grupo que montamos para proteger seus amigos de National City. – Ela assentiu, agradecida.
Eu achei melhor tomar precauções. – Roy se pronuncia em seguida.
Eu acho que é mesmo muito bom. Fico preocupada com eles, ainda mais depois de eles virem nos visitar.
Então, irmãzinha..., esse é Renne. Ele vai cuidar da sua segurança junto de Mike e os outros. – Ela o olha.
Ele está na agencia a dois anos. Não é da minha equipe, mas se disponibilizou a ajudar.
Mas e o seu irmão, Andrew?
Ele se voluntariou para ir proteger Kara Denvers e sua família. – Felicity sorriu. – Ele vai ser o líder do grupo.
O que muito me surpreende. – Os outros olham para Tyler. – O que? Adam é o menos sério da equipe. – Diz rindo.
Talvez ele tenha aprendido a ser palhaço com você. – Felicity riu, colocando a mão na boca.
Ah, vai se ferrar, Gregory.
Vocês se esqueceram em frente a quem estamos? – Mike se pronuncia, balançando a cabeça.
Ah, eu não me importo. Tyler e Adam viviam se implicando, eu vou sentir falta disso. – Os outros sorriram.
Renne é muito bom. Pode confiar nele. – Ela viu Gregory revirar os olhos. Ele não concordava? Felicity se perguntava o porquê.
É um prazer conhecê-la.
O prazer é meu. – Olhou para Gregory. – Você ainda vai fazer parte da equipe, certo? Ou você escolheu ir para National City também?
Não. Eu iria, mas como eu não confio muito no Noah, vou ficar.
De novo com isso? – Mike suspira. – Já disse, esquece essa rixa irritante.
Ele quem provoca.
Você e Noah não se dão bem por quê? Posso saber? – Roy pergunta, intrigado.
Os dois tiveram uma..., discussão por causa de uma mulher. – Mike quem responde.
Discussão não. E não foi por causa de qualquer mulher. É a minha irmã. Minha irmãzinha de 15 anos. Aquele desgraçado acha que é quem para ficar se engraçando com ela?
Ele está o que? – Oliver, que não sabia da história, se surpreende e fica um pouco indignado com a história.
Isso mesmo que ouviu.
Ele disse que estava apenas ajudando-a. – Tyler diz.
Isso é o que ele diz. Mas eu não sou cego, e muito menos idiota. Agora eles conversam por celular. – Mike franze o cenho. Sobre aquilo ele não havia ficado sabendo.
Nossa irmã é muito nova. Estamos só protegendo ela. Isso não quer dizer, que vamos fazer algo que atrapalhe nosso trabalho.
Eu tenho uma irmã, o meu cunhado também..., e acho que ambos concordamos que isso não é nenhum pouco aceitável.
Com certeza. – Oliver cruza os braços. – Eu vou falar com Noah.
Ótimo. Aproveita e o coloca bem longe de mim, para eu não me descontrolar, e surrar ele.
É o melhor a se fazer. – Felicity diz, preocupada. Ela gostava de Gregory, e não queria que ele se prejudicasse.
Bom, já que você já conheceu o novo integrante do grupo, nós já vamos.
Eu ainda preciso buscar minha irmã na escola. Vou aproveitar que você não vai sair hoje. – Felicity assentiu.
Até mais. – Eles dizem o mesmo e saem do apartamento.
Esse Noah..., confia nele? – Roy se vira para o cunhado.
Eu não posso dizer que é o homem que mais confio na equipe. Ele foi o último a entrar na minha equipe, e isso faz pouco mais de sete meses.
Entendo. Então ele entrou na sua equipe, depois que Felicity chegou aqui?
Você está pensando no que eu acho que está pensando?
Sim. Ele entrou na época que Felicity chegou à Star City. Muito suspeito isso.
Vocês acham que ele é o traidor? – Os homens olham para ela.
Não temos certeza, mas vamos ficar de olho nesse Noah. – Oliver concorda, um olhando nos olhos do outro. Felicity estremeceu. Quando eles ficavam sérios daquele jeito, ela tinha até medo. Eles iriam aprontar, ela os conhecia o bastante para saber disso. Pelo menos eles estão se dando bem, ela pensa.
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Oliver fazia o almoço quando os filhos entraram na cozinha. Normalmente, eles ficavam assistindo TV, e por isso o pai estranhou quando os viu sentando-se a mesa. Felicity estava lavando os cabelos, então demoraria a descer. Por ter tido a reunião com a equipe da agência, ele tinha se atrasado com o almoço. Por isso, decidiu fazer algo rápido e prático: macarrão. Mas como Brooke pediu, seria o de panela de pressão. Não demoraria muito. Se virou para os filhos, se aproximando em seguida.
Vocês querem alguma coisa? – Oliver acertou em cheio, e soube disso quando viu os irmãos olhar um para o outro. – Digam.
Papai, a gente não quer ir para a aula amanhã. – O pai franziu o cenho.
Por que?
Porque não.
Porque não, não é resposta, Brooke. Eu quero saber o porquê. – Eles voltam a se olhar. – Vamos. Falem.
A professora vai fazer uma brincadeira de perguntas e respostas amanhã.
E...
Sobre a nossa vida, papai. – Brooke completa. E então Oliver compreende.
A gente não pode falar.
É perigoso. E..., é segredo. A mamãe e o papai disseram.
Eu sei. – Suspirou.
Então, a gente não quer ir amanhã.
O que mais vai ter amanhã? Vão ter algum teste? – Negaram. – Algum trabalho valendo ponto? – Negaram mais uma vez. – Então tudo bem. Vocês ficam em casa. – Eles sorriram. – Mas é só amanhã.
A gente já tá de férias. – Bryan retruca.
As aulas ainda vão por mais 15 dias.
Mas papai...
Nada “mas”, Bryan. Vocês não vão faltar. – Ele cruzou os braços. – Olha, na sua idade, eu também não gostava da escola. Eu queria fugir dela, acredite. Mas sabe de uma coisa? Se não fosse pela sua mãe, eu não teria terminado o ensino médio.
O papai não gostava de estudar?
Não, Brooke. Eu odiava. E eu só recorri a isso porque precisava de nota para continuar jogando basquete, e também... – Sorriu. – Porque eu queria ficar perto da mãe de vocês.
É chato ir para a escola todo dia. – Oliver quase riu.
Eu sei, mas é preciso. – Eles assentem. – Faltam dez dias, e depois estarão de férias. E então nós vamos todos para a casa de campo.
Vou poder andar de cavalo?
E eu também?
Com certeza. – Se virou para a panela ao ouvir o som, desligando a chama. – Podemos até fazer trilha. Lá tem uma bem legal.
Eu quero. / Eu não. – Dizem juntos.
Você fica com sua mãe e Kitty, filha.
Prefiro mesmo. – Oliver riu. – Papai, depois do almoço, quero sorvete.
Não mais que duas bolas. – Ela faz um bico. – Você quer ficar doente? – Ela nega. – Você está comendo doce demais, e isso faz mal.
Tá bom. – Murmura.
Terminei. – Eles olham para a porta do cômodo, encontrando Felicity de cabelos soltos e molhados. Ela vestia um short jeans claro e uma camiseta azul claro de alça fina que mostrava metade da barriga. – O almoço está pronto?
Terminei agora. – Beijou a bochecha dela. – Vou pegar o suco.
**--** **--**
Oliver, que história é essa de eles não irem à escola amanhã? – Ela entra no quarto que divide com o marido, encontrando-o sem camisa e com uma bermuda cinza de moletom.
Okay, está irritada?
Você não falou comigo.
Eu ia falar. – Franziu o cenho. – O que está acontecendo com você? Se irritando por causa disso?
Eu não gosto que decida as coisas sozinho. Somos casados, somos os dois pais deles...
Felicity, quer se acalmar? – Ele se aproximou. – Eu posso explicar. E eu vou.
Então por favor... – Ela cruza os braços. Oliver achou bem estranho, mas deixou aquilo quieto e se voltou para ela novamente.
Amanhã a professora fará com que eles falem sobre a vida deles. Sobre de onde vieram, porque estão em Star City..., achei melhor não os mandar amanhã. – Ela suspirou, fechando os olhos e se arrependendo de como falou com o marido. Eu ia te explicar quando eles estivessem dormindo.
Desculpa.
Olha, você está estranha. Está acontecendo alguma coisa?
Não. Eu só..., não gosto de ficar de fora das coisas. Eu exagerei. – Ela o abraçou pelos ombros. – Me desculpe. – Ele deu de ombros, beijando sua bochecha.
Eu nunca vou te deixar de fora. Prometo. – Ela assentiu. – Você tem certeza de que está bem?
Tenho. Já disse. Foi exagero meu. Bryan me contou que não iam, eu fiquei sem entender, e..., me irritei. – Oliver queria fazer mais perguntas, mas preferiu não o fazer.
Sabe o que eu acho? Eu acho que deveria sair mais. – Ela franziu o cenho. – Você fica muito tempo aqui no apartamento. Por que não chama as suas amigas para irem ao shopping? Vá fazer alguma coisa que goste.
Talvez tenha razão. – Ele beijou a bochecha da esposa lentamente. – Pode me fazer um favor?
O que?
Pode fazer brigadeiro de panela? – Ele franziu o cenho.
Felicity..., agora? –Ela assentiu. – Já são quase dez horas da noite. E você já escovou os dentes.
E daí? Por favor? Estou vontade.
Eu não me importo de fazer, mas a essa hora?
Oliver...
Não mesmo. Está tarde. – Ela fez um bico. – Você pode ficar com esse biquinho fofo por toda a noite e mesmo assim não vou fazer. – Ele se afastou se se aproximou da cama, afastando o edredom e se deitando.
Vai me deixar com vontade?
Vou. – Ela o olhou indignada. – Você pode esperar até amanhã. Quando eu for fazer o almoço, eu aproveito para fazer seu brigadeiro. – Se deitou.
Você é muito maldoso. – Murmurou, deitando-se ao lado dele.
Estou fazendo isso para seu bem. – Retruca.
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Felicity olhou para o lado, encontrando o marido dormindo tranquilamente. Suspirou alto, olhando para o teto. Estava agoniada, e ela não compreendia porquê. Mordeu o lábio, e sem fazer barulho e se mexer demais, ela se levantou, saindo do quarto. Ela não sabia fazer nada, por isso não tinha coragem de chegar perto de um fogão. Se aproximou do congelador. Ela nunca agradeceu tanto por sua filha estar viciada em sorvete. Entrou na cozinha já indo em direção à geladeira, claro que antes ela pegou uma colher. Pegou um dos potes pequenos, com o sabor de seu sorvete preferido e se sentou na bancada, abrindo a tampa, pegando uma colher cheia em seguida. Gemeu, fechando os olhos. Não era o que ela queria, mas já era alguma coisa. Na verdade, aquele sorvete de sensação estava suprindo a vontade que estava de comer brigadeiro. Ela ouviu passos, mas não se preocupou, sabia que era o marido. Oliver franziu o cenho ao encontrar a esposa em cima da bancada com um pote de sorvete em mãos. Ele estava surpreso e mais que isso, incrédulo. Ela estava acordada a três e meia da manhã, tomando sorvete. Sua esposa nunca tinha feito aquilo antes.
Não estou acreditando. – Ele diz, se aproximando. – Quando não a encontrei ao meu lado, não passou pela minha cabeça que estivesse tomando sorvete sentada aí nessa bancada.
Estava com vontade. – Diz olhá-lo.
Felicity, são quase quatro horas da manhã. – Ela não respondeu, apenas colocou outra colher com sorvete na boca. – Isso é lombriga? – Ela o olha indignada. – Você não podia esperar mais algumas horas?
Não. – Diz com a boca cheia.
Você por acaso ia morrer? – Revirou os olhos. – Me dê isso. – Tomou das mãos dela.
Oliver. – Reclamou. – Devolva.
Não. Você vai dormir. – Guardou o sorvete. – E eu também, é tudo que eu mais quero.
Então vá. – Apontou para fora do cômodo. – Mas me devolva o sorvete antes.
Está parecendo uma criança de cinco anos.
Qual o problema de eu terminar o sorvete? Vou dormir daqui a pouco.
Não. – Ele a tirou de cima da bancada. – Você vai comigo. Agora.
Por que está fazendo isso?
Porque você pirou de vez. – Ela o olhou séria. – Amor, isso não é normal. Você está sempre dizendo para os nossos filhos o quão isso é errado, e se eles verem você fazendo?
Aí é jogo sujo. – Ele quase riu. Quase.
Eu vou jogar sujo, se for para você ver que está errada.
Tudo bem. – Murmurou. – Eu vou dormir. – Ele suspirou, puxando-a para o segundo andar. – Mas eu não me esqueci do meu brigadeiro. – Como é que ela está pensando naquilo àquela hora, sendo que tomou mais da metade de um pote de sorvete?
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Felicity se lembrou da conversa que teve com o marido na noite anterior e chamou as amigas e a cunhada para darem uma volta no shopping. Thea disse que estava mesmo precisando de roupas novas. Felicity quis retrucar, mas não o fez. A garota tinha um closet gigante cheio de roupas, e ainda quer mais? Será que ela era a única que não se preocupava tanto com isso? Que não se importava de ficar com as mesmas roupas por meses? Pelo jeito sim, já que Sara, Laurel e Caitlin acompanharam Thea às compras. Ela olhava algumas coisas, mas não comprava nada. Ela não estava preocupada em estar no shopping á quase seis horas. Os filhos estavam com o pai. Oliver havia combinado de levá-los ao parque; aproveitando que o tempo estava aparecendo um solzinho, e por isso ela decidiu ficar mais um pouco com as amigas. Laurel tinha a bebê Niki com ela, assim como Caitlin carregava Connor. Os dois dormiam. Ela olhou para a barriga de Sara. Ela já estava com sete meses. Faltava pouco para que o bebê nascesse. Ela sorriu, e se aproximou mais um pouco de Sara.
Então, Sah. Você disse que foi ao médico ontem... O bebê está bem? – Sara e Caitlin se olharam.
O que? Não está? – Laurel fica preocupada, assim como Felicity.
Não. Está tudo bem, gente, ficam calmas. – Sara diz de uma vez. – Estamos bem.
Muito bem. – Cait diz com um sorriso.
Eu vou contar algo que só o meu noivo sabe. – Respirou fundo.
Diz logo. – Elas pedem juntas quando Sara demora a terminar de falar. Caitlin começa a rir.
São gêmeos. – Felicity e Laurel se olham. – Um casal.
Gêmeos. Meu Deus... – Thea diz, rindo. – Sara mãe de gêmeos. Ela vai surtar. – Caitlin riu ao ouvir a garota.
Sara. – Felicity foi a primeira a abraçá-la. Ela sorriu, correspondendo o abraço. – Estou tão feliz por você.
Eu também estou, Sah.
Eu vou ser tia de gêmeos..., de novo. – Ela completa, se lembrando dos gêmeos da amiga, enquanto abraçava a irmã.
Vai. Um deles estava atrás do outro, por isso não o vimos antes. – Elas começam a rir.
Tinha que ser seus filhos, não é? – Sara bufou. – E Ray? O que disse?
Disse que devemos cortar a língua do Tommy. – Elas voltam a rir.
É mesmo. Ele disse que seriam gêmeos. – Felicity balança a cabeça. – Tommy anda com uma língua..., como é que pode acertar tanto?
Tommy anda com uma boca santa.
Ele só não vai gostar de saber que a previsão que ele fez sobre Roy, está se concretizando. – Laurel riu ao ver a amiga olhando para Thea.
Como assim? O que eu perdi? – Caitlin pergunta, olhando de Laurel para Felicity.
Thea e Roy estão se dando..., super bem. – Sara riu.
Ah, não acredito. Seu irmão com a sua cunhada. – Riu mais ainda. – Vou jogar na cara do Tommy.
Somos só amigos.
Ah, Thea, por favor, conta outra. – Laurel diz rindo. – Nem você acredita nisso.
Ela está ficando corada. Não acredito. – Sara gargalhou e as outras a acompanhou.
Parem. Isso não é verdade. Agente se dá bem, mas...
Qual é o problema?
Não tem problema algum. – Deu de ombros. – Vamos ver no que isso vai dar. – As outras sorriram. – Eu tenho tido dedo podre com namorados.
O meu o irmão é o certo.
Eu acho super fofos juntos. – Cait diz. – E eu acho que deveria deixar as coisas fluírem.
É. Olha eu..., nunca pensei que um dia poderia me apaixonar. E agora não só estou completamente apaixonada, como vou ser mãe de gêmeos. Apesar de já ser mãe de um garotinho de sete anos.
Como andam as coisas entre vocês, por falar nisso? Ele foi ver o avô esse final de semana.
Foi. O velho quis vê-lo e ele só foi porque Ray prometeu que ele não dormiria lá.
Coitadinho. Será que esse homem não vê que está assuntando o neto?
E ele se importa? – Sara bufou. – Só sei que ele surtou quando me viu com Ray, quando fomos buscar Killian. Disse que não me aceitava na casa dele.
E o que Ray disse?
Nada. Killian fez por ele. – Elas olham para Sara, surpresas. – Disse que se ele me tratar mal, ele nunca mais vai querer ver o avô.
Amo esse garoto mais ainda agora. – Sara sorriu para a irmã.
Depois disso as coisas esquentaram, porque o velho não gostou da forma como Killian o ameaçou, e fomos embora antes que ele dissesse coisas que pudessem magoar o neto. Ray ficou bastante irritado.
Como é que não ficaria? É o filho dele.
Mas eu não quero falar sobre isso. Está tudo resolvido, o juiz não concedeu a guarda ao velho, e Killian continua sobre a nossa guarda, então..., vamos falar sobre coisas boas.
Sara, quando isso aconteceu?
O velho usou o dinheiro dele, para fazer as coisas correrem mais rápido. No domingo fomos ao fórum, e o juiz achou que Killian estaria melhor com o pai e comigo. Ele conversou com Killian, e perguntou o que ele queria. Achou melhor conceder à vontade dele. – As amigas e irmã sorriram. – Não dissemos nada porque não queríamos rebuliço, sabe. – Elas assentem.
Então vamos falar sobre..., a sua lua-de-mel. – Caitlin diz, olhando para a amiga. – Como foi? Você não disse nada. – Elas sentaram nas cadeiras, olhando para Felicity, curiosas. Elas estavam na praça de alimentação.
É mesmo. Eu sei que foi ótima.
Com certeza. Como Tommy sempre diz..., vocês são fogosos demais. – Felicity revira os olhos. – Sabia Cait, que Felicity corava sempre que falávamos sobre isso?
Sério?
Muito. Ela odiava quando Oliver a elogiava falando a palavra: gostosa. – Sara riu.
Ela odiava palavras desse tipo.
Não acredito. Felicity, quem é você de verdade? – Elas riram.
Eu nunca tinha namorado antes, Cait. E eu era recatada demais. Não estava acostumada a receber elogios, e isso passou a ficar estranho quando me tornei líder de torcida.
Você era líder de torcida? Não creio.
Laurel fez chantagem emocional. – Cait riu.
Os garotos caíram matando, Cait.
E Oliver morreu de ciúmes. Nessa época ele ainda namorava Laurel.
Mas nós estamos mudando de assunto. Como foi sua lua-de-mel?
Foi maravilhosa. Perfeita. – Elas sorriram. – Nós nos lembramos da época da escola, de quando começamos a namorar... Da minha primeira vez.
Claro. Foi na casa de campo.
Onde estavam? – As três assentiram. – Então o dia foi muito proveitoso. – Diz maliciosa, e as outras riram. – Cuidado para não ficar grávida.
É isso que nós queremos, então não tome cuidado não. – Laurel riu junto de Cait. Felicity não comentou nada. Não queria falar sobre aquilo no momento, mesmo que estivesse pensando sobre.
Estou começando a ficar com fome.
Ah, por favor, vamos em um Belly Burger? Por favor? – Elas olham para Felicity. – Eu estou sonhando com isso desde ontem á noite.
Sonhando? – Cait sussurra.
Eu também estou com vontade.
Então vamos agora, porque pode ficar muito tarde, e eu combinei de..., me encontrar com o Roy. – Felicity a olhou maliciosamente.
Ah, isso está ficando interessante. – Todas riram.
**--** **--**
Oi, amor. – Felicity ouviu o marido assim que entrou no apartamento. Ele tinha um sorriso de canto no rosto.
Oi, meu amor. Voltaram faz tempo?
Um pouquinho. Se divertir?
Muito. – Sorriu. – E vocês?
Tanto quanto, pode acreditar. Você só vai querer me matar, porque eu vesti roupa branca neles... – Felicity arregalou os olhos. – E eles chegaram com ela marrom.
Oliver.
Me desculpa. Eu..., não pensei muito. – Ela riu. – Quase tive um troço quando vi como estavam as roupas.
Tudo bem. Eu já fiz isso também.
Tommy perguntou se eu tenho retardo. – Bufou. – Como se ele fosse mais esperto que eu.
Vocês comeram?
Comemos no Belly Burguer.
Eu e as meninas passamos lá também.
E isso? – Apontou para o saco do Belly Burger.
Vamos dizer que eu trouxe para mim.
Você não comeu lá? – A seguiu até a cozinha.
Comi. Mas eu pedi por outro. – Oliver franziu o cenho. – Thea encheu meu saco um pouquinho, mas que se dane. – Colocou o sanduíche no prato, antes de se sentar de frente para ele. – Você quer?
Não, obrigado. Tem certeza de que vai conseguir comer isso sozinha? – Ela murmurou um “uhum”, já que tinha mordido um pedaço. – Agora eu sei de onde nossa filha aprendeu a ser boa de prato. – Felicity riu, e ele acabou por rir junto. Se sentou de frente para ela. – Ela comeu um combo médio hoje, e um copo de Ovomaltine de 500ml.
É minha filha. – Diz depois de mastigar.
Não posso discordar. – Diz, vendo-a tomar um gole da coca. – Eu pensei em fazer o jantar para você, mas ainda bem que eu não fiz.
Ah. Ainda tem o brigadeiro, não tem?
Tem sim. – Murmurou, já sabendo onde aquela pergunta levaria.
Pega para mim?
Agora? – Ela assentiu e ele se levantou. – Vai comer com isso? Não quer esperar um pouco? – Ela não respondeu, e ele soube o porquê quando a viu morder outro pedaço do sanduíche. Pegou a panela de dentro da geladeira e colocou ao lado da esposa, na mesa, sentando ao lado dela em seguida.
Obrigada. – Ela pegou uma colher com bastante brigadeiro e colocou na boca. Oliver fez uma careta. – Você não é muito fã de doce.
Não é só por isso. Essa meleca que está fazendo..., tá me dando ânsia. – Ela revirou os olhos.
Não estou fazendo meleca alguma. Eu não passei o brigadeiro no sanduíche.
Graças a Deus. – E ela volta a rir.
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