Cross Destination
38 Capítulo Trinta e Oito
Notas iniciais

Felicity se senta na cama de Bryan, e beija o rosto e os cabelos do filho. Ele dormia tão tranquilo. Algo que estava difícil nos últimos cinco dias. Desde que o marido viajou, Bryan e Brooke voltaram a ter pesadelos e Felicity se culpava por isso. Ela deixou que eles passassem por todas aquelas coisas. Não ter o pai por perto, para garantir a tranquilidade e a segurança deles, estava sendo um martírio. Ela mesmo estava tendo pesadelos. Odiava isso. Odiava ter que ficar longe do marido, odiava voltar a sentir medo, odiava voltar a ter pesadelos. Ela não tinha comentado aquilo com ninguém, nem mesmo para seu irmão. Ele soube que os gêmeos estavam tendo pesadelos, e por isso dormiu duas noites ali com eles. Aquela noite ele não poderia, iria resolver um assunto importante, que ele não quis dizer, e por deixá-la no escuro que ela fica mais nervosa. Medrosa! Seu subconsciente grita. Ela tem motivos para ter medo. Sim, ela tem. Se levantou e seguiu para a cama da filha, onde fez o mesmo que fez com o filho. Passou a mão direita nos cabelos que eram tão parecidos com o do marido. Eles tinham herdado tudo do marido, até mesmo os olhos azuis. Tão lindos. Sua família era tudo para ela. Eles, os trigêmeos e Oliver.
Depois de apagar a luz do quarto e deixar apenas a do abajur acesa, ela saiu do quarto infantil, fechando a porta levemente, para não acordar nenhum dos dois. Seguiu para o próprio quarto, e então voltou a sentir falta do marido. Era horrível dormir sem ele. Horrível olhar para o quarto, e perceber que ele não estará ali para protegê-la, para beijá-la, para abraçá-la. Suspirou e seguiu para a cama, onde se deitou devagar, puxando o edredom até a cintura, e se virou de costas para a porta. Desde a viagem de Oliver, ela dormia com o travesseiro dele, para poder sentir o cheiro dele. Além de dormir com uma de suas camisas. Ela puxou a gola frontal e cheirou. Ainda tinha o cheiro dele naquela camisa, mesmo que ele não tivesse vestido ela depois de lavar. Fechou os olhos, esperando, não, implorando que não tivesse pesadelo algum.
— Sinto tanto a sua falta. – Sussurra, e então sente um braço passar por sua cintura, não tão fina mais por causa da barriga de quatro meses.
— Eu também senti a sua. – Sussurrou no ouvido dela. Felicity abriu os olhos imediatamente. – Não sabe o quanto.
— Oliver. – Ela se virou nos braços dele. Ele tinha um sorriso no rosto.
Oliver tinha passado aqueles cinco dias na Turquia. Encontro em sócios. Estava irritado por ter ficado mais do que o previsto. Não gostava de ficar longe de sua família, ainda mais agora que a esposa estava grávida. Deixá-la sozinha era um martírio para ele. Dormir sem ela ao seu lado, não poder beijá-la, ou ouvi-la desejar bom dia, boa noite, não poder sentir o toque das mãos dela em seu corpo, não era fácil para ele. Na verdade, ele desejava nunca mais ficar longe dela e dos filhos, dos seis, mas sabia que aquilo ocorreria outras vezes, infelizmente. Ele entrou em casa, e já estava tudo escuro. Passou no quarto dos gêmeos, e beijou o rosto dos dois. Também sentiu uma saudade gigante daqueles dois. De colocá-los na cama, de ouvi-los falar, de jogar videogame com eles. Ser pai não era fácil, mas ser pai e ter que viajar, era pior ainda. Saiu do quarto sem fazer som algum, fechou a porta com cuidado e seguiu para onde sua esposa estaria. Sonhava com aquele encontro toda noite. Como ela estaria, ele se perguntava. Parou no batente da porta, e a encontrou de costas para ele, deitada com o edredom até a cintura. Não via seu rosto, mas imaginava que ela estaria dormindo, já que passava da meia noite. E então ele a ouviu falar que sentia sua falta. Sorriu, e a passos rápidos, mas cuidadosos para que ela não o ouvisse, ele chegou até a cama, onde se deitou ao lado dela, e a abraçou com um dos braços. Ela se virou para ele surpresa. Era claro que ela estaria surpresa. Tinha ligado mais cedo para avisar que ficaria mais um dia.
— Meu amor, você voltou.
— Eu voltei, baby. – Beijou a bochecha da esposa. – Voltei para você... – Colocou a mão na barriga dela. – Para vocês.
— Pensei que fosse ficar mais um dia.
— Consegui resolver tudo hoje, assim que terminei, peguei meu jatinho para voltar para vocês. – Ela beijou seu rosto e o abraçou.
— Estava com tanta saudade. – Ele percebeu a voz embargada.
— Baby... – Ela estava chorando. – Ei, o que houve? – Passou a mão nos cabelos loiros.
— Foi horrível ficar sem você todos esses dias. – A ouviu soluçar.
— Meu amor, me desculpa. – A outra mão passou a acariciar as costas dela, tentando acalmá-la. – Mas eu estou aqui agora. Com você.
— Eu... – Ela se afastou. – Não gosto de ficar sem você.
— Eu também. – Limpou as lágrimas. – Eu também odeio ficar tanto tempo longe de você.
— Não, não é só isso... – Ele a olha, curioso. – Estava tendo os pesadelos de novo. – E então ele compreendeu o choro. Sua esposa estava guardando aquela agonia só para ela.
— Meu amor, por que não disse nada quando eu liguei?
— Não queria te preocupar, ou te atrapalhar.
— Primeiramente, eu sempre vou me preocupar, Felicity,e em segundo lugar, você nunca me atrapalha. Nunca. – Beijou a ponta do nariz levemente avermelhado por conta do choro.
— Os gêmeos também tiveram pesadelos. Roy dormiu aqui duas noites, mas hoje ele teve que resolver uma coisa...
— Ele sabia que eu estava voltando. – Diz com um sorriso. – Mas pedi para que ele não dissesse nada, queria fazer uma surpresa.
— Então ele mentiu quando disse...
— Sim. – Beijou os lábios vermelhos rapidamente. – Ele mentiu. E agora eu estou aqui com você. – Passou o dedo polegar no rosto dela, com delicadeza. – E você não vai mais ter pesadelos. – Ela fechou os olhos, sentindo o carinho dele. – Te amo tanto.
— Também te amo. – Diz em sussurro. Ela se arrepiou por inteira ao sentir o respirar dele em seu pescoço.
— Você está vestindo uma de minhas camisas. – Ela sentiu a mão que estava em sua barriga, acariciar suas coxas levemente.
— Eu queria sentir seu cheiro.
— E eu o seu. – Mordiscou o pescoço dela. – Ouvir seus gemidos principalmente. – Felicity arfou ao sentir um dos dedos dele em seu sexo. – Oh céus!Você está sem calcinha. – Confirma. Ela não conseguiu fazer nenhum comentário, pois o dedo dele começou a fazer movimentos circulares. – Quero ouvir seus gemidos, baby. – Ela segurava com força a camisa dele, com o rosto escondido em seu peito, sentindo agora, dois dedos brincarem lá embaixo. – Molhadinha. – Sussurra, enquanto usava a outra mão para fazê-la o olhar. – E toda minha.
— Só sua. – Ela diz antes de ter seus lábios tomados pelos dele de forma carinhosa. – Oliver. – O membro dele pulsou só de ouvir seu gemido.
— Gostosa demais. – Sussurra em seu ouvido, mordiscando o lóbulo de sua orelha. – Sabe o quanto eu desejo estar dentro de você? – Levou a mão dela até seu membro, por cima da calça. – Sente. – Ela geme em seu ouvido.
— As... crianças... – Ela geme um pouco alto e não consegue terminar a frase.
— Elas estão dormindo.
— Elas têm vindo aqui, para dormir comigo. – Oliver resmunga ao ouvir a frase completa da esposa. – Temos que ser rápidos. – Ela diz e ele a olha. Os olhos verdes estavam puro desejo. – Ah, era tudo que ele queria ouvir naquele momento. Oliver desce da cama rapidamente, tranca a porta e enquanto voltava para onde a esposa estava, ele retira as roupas que usava, cada peça. Com delicadeza, ele ajuda a esposa a tirar a camisa que ela vestia e se deita por cima.
— Vou te amar agora. – Beijou o pescoço dela e ela arfou. – Como eu sonhei todas as noites que eu estive longe.
— Oliver. – Ela geme ao sentir a glande contra seu sexo. As unhas feitas foram contra a carne das costas dele, com força, mas ele não reclamou.
— Tão apertada. – Rosna enquanto seu membro entrava dentro dela, sendo pressionado pelas paredes internas. – Tão gostosa. – Diz em gemido ao mesmo tempo em que escuta o dela, um pouco mais alto.
— Não... se contenha! – Pede quando percebe que ele não queria machucá-la.
— Não quero te machucar. – Ela levou o próprio quadril para frente e Oliver gemeu. – Felicity. – Geme, segurando um pouco forte na cintura dela.
— Eu não sou de vidro, Oliver. – Ele morde o lábio.
— Me avisa se eu te machucar. – Ela não responde, apenas busca os lábios dele com urgência enquanto ele aumentava os ritmos das estocadas. Apesar de temer machucá-la, ele não consegue suportar o desejo de estar dentro dela da mesma forma de antes. Forte e fundo. Ela gemia junto dele, abafados pelo beijo. Como eles estavam com saudades daquele contato íntimo. Pensando na melhor forma de não a machucar, ele se virou, deixando-a por cima dele, sem deixar de beijar aqueles lábios que sentiu tanta falta, deixando-a conduzir as estocadas gostosas.
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— Mamãe. – Oliver agradecia aos céus por já estarem vestidos. Assim que terminaram de se amar, Oliver ajudou a esposa a se vestir, se vestiu e destrancou a porta. E assim como a esposa disse, os filhos apareceram alguns minutos depois. Oliver se vira na cama, e mesmo estando escuro, ele pôde ver a surpresa nos olhos azuis de seus pequenos. – Papai. – Eles correm para a cama, e Oliver se senta, pouco antes de sentir os braços de ambos os filhos em volta dele. – Você voltou. – Eles diziam juntos.
— Eu voltei. – Beijou os cabelos loiros.
— Papai, não viaja tanto assim mais não. – Ela implorava com os olhos, e Oliver sentiu seu peito apertar. Felicity se sentou também, ao perceber os filhos em cima do pai.
— Oh, pequena, eu queria tanto poder prometer que não farei mais essas viagens. – Os olhinhos dela brilharam, e ele imaginou se ela choraria.
— O papai precisa, né? – Oliver olha para o filho. – Por causa da empresa.
— Sim. E só por isso eu tenho que viajar. – Passou as mãos nos cabelos de ambos. – Tentarei não viajar tanto, mas não posso prometer que não farei mais isso.
— A gente sabe, né Beev? – A menina assente.
— Estava com saudades, papai.
— Eu também estava. De todos vocês. – Olhou para a esposa por breves minutos, que lhe sorriu. – Eu soube que não estão dormindo bem. – Brooke se encolheu e Bryan desviou os olhos. – Está tudo bem sentir medo.
— Eu já disse isso para eles. — Felicity incentiva.
— Não gosto de sentir isso.
— Eu sei, mas agora eu estou aqui. – Beijou os cabelos loiros do filho, enquanto sentia a filha abraçá-lo forte. – Que tal vocês dormirem com a gente hoje?
— Mesmo? Nós quatro?
— Nós sete, né? – Os pequenos olham para a barriga da mãe. – Deitam aqui no meio. – Os dois fizeram como o pai instruiu, e então sentiram o edredom por cima deles. – Qualquer coisa é só acordar o papai. Vou estar aqui o tempo todo, cuidando do sono de vocês. – Eles assentem.
— Fechem os olhos, baby's. – Felicity pede em sussurro depois de se deitar. Oliver coloca a mão na cintura de Bryan que estava ao lado da mãe. – Eu vou cantar. – Oliver sorriu ao ouvir. Fazia tempos que ele não a ouvia cantar para os gêmeos.
Tantos dias olhando das janelas
Tantos anos presa sem saber
Tanto tempo nunca percebendo
Como tentei não ver?
Mas aqui, a luz das estrelas
Bem aqui, vejo o meu lugar
Sim, aqui consigo sentir
Estou onde devo estar
Vejo enfim a luz brilhar
Já passou o nevoeiro
Vejo enfim a luz brilhar
Para o alto me conduz
E ela pode transformar
De uma vez o mundo inteiro
Tudo é novo pois agora eu vejo
É você a luz
Tantos dias, sonhando acordado
Tantos anos, vivendo a vida em vão
Tanto tempo nunca enxergando
As coisas do jeito que são
Ela, aqui, à luz das estrelas
Com ela aqui, vejo quem eu sou
Ela que me faz sentir que eu sei pra onde vou
Vejo enfim a luz brilhar
Já passou o nevoeiro
Vejo enfim a luz brilhar
Para o alto me conduz
E ela pode transformar
De uma vez o mundo inteiro
Tudo é novo pois agora eu vejo
É você a luz
É você a luz
A música foi cantada duas vezes, e as duas crianças já dormia tranquilamente. Oliver ficou acordado por mais algumas horas, cuidando das três, não, seis pessoas mais importantes de sua vida. Ele tinha certeza de que nenhum deles teriam pesadelos naquela noite, ou nas próximas, afinal ele voltou, e ele não deixaria ninguém, nem mesmo um sonho desgraçado, atormentar seus bens mais preciosos.
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Oliver foi o primeiro a acordar. Ele tomou um banho quente, por causa do frio que fazia, voltou a cobrir os filhos e a esposa e saiu do quarto. Ele prepararia o café da manhã, e levaria na cama. Naquela noite, nenhuma das pessoas que amava teve pesadelos, e ele agradecia aos céus. Não aguentava vê-los sofrer. Os gritos de Felicity, da última vez que ela teve pesadelo, ainda rondava seus pensamentos, assim como os de seus filhos. Ele odiava saber que aquilo era parte culpa dele. Se tudo tivesse sido diferente, se Felicity não tivesse ouvido tudo que ouviu, ela estaria a salvo, não teria um louco atrás dela, e o melhor, seus filhos não teriam passado pelo mesmo inferno que sua esposa. Oliver preparou tudo que os filhos e a esposa gostavam, colocou em uma bandeja grande e levou para o quarto. Ele sorriu ao ver que Bryan atentava a irmã. O garotinho fazia cócegas no nariz da pequena, e ria quando a menina ficava irritada, mesmo que ainda não abrisse os olhos.
— Ei, pestinha. – O menino se assustou, mas essa era mesmo a intenção de seu pai.
— Papai. Que susto.
— Fale baixo, sua mãe e irmã estão dormindo! — Repreende o filho.
— Mas o papai trouxe o café, então elas vão acordar de qualquer jeito. – Oliver riu. – Peguiçosa... acorda! – Apertou o nariz da irmã que soltou um muxoxo.
— Bryan. — Oliver chama atenção do filho.
— Para. – Brooke pede, manhosa.
— O papai trouxe o café, Beev.
— Tô com sono ainda.
— Dorminhoca. – Oliver volta a rir, enquanto colocava a bandeja na mesa de cabeceira.
— Princesa, acorda. – Oliver chama, com cuidado. Felicity, ao ouvir as vozes, respira fundo, demonstrando que estava acordando.
— Mamãe. Bom dia.
— Bom dia. – Sussurra. – Vocês já estão acordados?
— A Beev não. Ela é uma preguiçosa, mãe. – Felicity abre os olhos e se senta devagar.
— Você trouxe o café. – Diz sorrindo. Oliver beija os lábios vermelhos rapidamente.
— Eu trouxe. Tem tudo que gosta.
— Então vamos comer tudo e deixar nada pra Beev. – Diz apertando o nariz da irmã novamente.
— Chato. – Cantarolou com a voz embargada pelo sono. Os pais riram. – Mamãe, eu quero dormir.
— Pequena, você pode dormir mais tarde.
— Apesar de que não é uma boa ideia. – O pai completou.
— Larga de ser manhosa, e levanta. – Puxa o braço da irmã, que se senta devagar, coçando um dos olhos. – Olha, o papai fez panqueca de chocolate.
— -Mesmo? – Ela abriu os olhos rapidamente e os outros três riram.
— Sua preferida, baby. – Beijou a bochecha da filha.
— Papai, você não vai trabalhar hoje não, né?
— Não. Essa semana ficarei em casa.
— Mas e a empresa, Oliver? – Felicity questiona preocupada.
— Não se preocupe, ela estará em boas mãos. – Felicity sorriu, compreendendo.
— Papai, a gente não vai mais viajar, né?
— É melhor esperarmos seus irmãozinhos nascerem e completaram pelo menos cinco meses, para viajarmos.
— Tudo bem. É que eu quero ver os cavalos.
— Você vai vê-los logo. Prometo.
— Sabe, estava com vontade de comer aquela batata gratinada que você faz.
— Mamãe, a gente ainda tá tomando café da manhã. – O pai riu. – A senhora já está pensando no almoço?
— Sua mãe está com desejo, Bry.
— Como daquela vez? – Pergunta, se lembrando de alguns dias antes do pai viajar.
— Sim, Beev. O que você vai querer junto disso? – Pergunta a esposa.
— Arroz, cebola caramelizada, e peixe de molho.
— Que mistura. – Felicity fez um bico. – Vou fazer um pouco de salada também.
— Eu dispenso a salada.
— De jeito nenhum. – Ele viu que a esposa iria reclamar. – Você por acaso quer que eu ligue para a Cait? Ela vai te dar aquele sermão.
— Não, muito obrigada. Eu como a salada. – Tanto o marido quanto os filhos riram.
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Felicity e Oliver jogavam “adedonha” com os filhos, sentados no tapete felpudo da sala. Já passava das três horas da tarde. Como eles queriam que os filhos esquecessem um pouco o videogame, Felicity deu a ideia do jogo, e eles estavam jogando desde depois do almoço. Uma brincadeira simples, que entretia não só as crianças, mas os adultos também. Oliver havia desligado o celular da empresa, afinal Walter estava lá, e daria conta de tudo sozinho. Ele queria aquele dia todo para sua família. Naqueles dias todos que passou fora, sentiu falta das gargalhadas, das implicâncias, das brincadeiras e provocações dos filhos. Sentiu falta da sua esposa, mais que qualquer coisa. Passar aquele tempo com eles, era a melhor parte de seu dia. Com os filhos ainda em férias, ele pegaria mais alguns dias, semanas, para ficar longe da empresa, e sair com sua família. Mesmo que viajar estivesse fora de questão, por causa da gravidez de sua esposa. A campainha tocou, e Felicity se levantou para abrir a porta.
— Meu amorzinho. – Cantarolou, pegando a afilhada no colo, abraçando-a e beijando o rostinho gordinho. – Estava com saudades demais de te apertar.
— Lis, nós também estamos aqui. – Tommy brincou enquanto Laurel ria.
— Minha afilhada em primeiro lugar. – Voltou sua atenção para a bebê. – Você está a bebê mais linda do mundo, nesse vestidinho. Coisinha fofa da dinda. – Beijou novamente as bochechas.
— Poderia apertar seus filhos? – Dessa vez, até mesmo Oliver, que estava se aproximando, riu.
— Você está bem, né? — Laurel pergunta preocupada
— Estou sim.
— Claro que ela está, amor, o Oliver está de volta. – Cumprimentou o amigo.
— Vocês estão bem?
— Estamos ótimos. Nós viemos jantar aqui.
— Tommy. – Repreendeu o marido. Felicity e Oliver riram. – Você é tão indiscreto, meu Deus.
— Ainda não se acostumou?
— Acho que nunca vou me acostumar. – Oliver fechou a porta assim que os amigos já estavam dentro do apartamento.
— E essa princesinha aqui? – Pegou a afilhada dos braços da esposa. – Você está linda demais. – Ela sorriu para o tio. – Você concorda? – Diz sorrindo. – Está a cada dia mais parecida com a sua mãe. Graças a Deus, né? – Tommy fechou a cara, e as mulheres riram.
— Você é tão engraçado, Ollie.
— Eu sei, e ela concorda. – Beijou as bochechas gordinhas.
— Espere seus filhos nascerem para vocês apertarem as bochechas deles. – Tomou a filha dos braços do amigo, na brincadeira.
— Não seja ciumento, Tommy. – Ele fuzilou a amiga. – Então, já que estão aqui, estava pensando em chamar pelos outros. Roy deve estar chegando, ele disse que viria para jantar.
— Vou ligar para o Barry.
— E eu para o Ray. – Tommy diz depois do amigo. – Se ele estiver acordado, né? Porque gêmeos não é brincadeira não. – Eles voltam a rir.
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Estavam todos na sala, conversando. Felicity tinha Connor nos braços. O garotinho de apenas seis meses, era muito esperto. E vidrado na TV. Era muito fofo. Ela falava com ele vez ou outra, chamando sua atenção para algum brinquedo ou desenho. O menino ficava quietinho no colo dela, enquanto chupava a chupeta, que parecia deliciosa, pela forma como ele chupava. Felicity tentava tirar dele algumas vezes, mas ele fazia uma força incrível para não deixar. Laurel estava com a filha nos braços, e Oliver e Ray seguravam os gêmeos; o primeiro a menina e o segundo o menino. Sara tentava descansar um pouco.
— Então, a Nikki faz seu primeiro aninho daqui três meses.
— Sim, Lis. E eu já estou pensando em uma festinha simples. Só para a família. Ela é pequenina demais, nem mesmo vai entender.
— Concordo. Fazemos uma festa maior para minha sobrinha no ano que vem.
— Ela está muito esperta, Laurel. – Thea comenta.
— Ela tem seus olhos. – Roy diz depois da namorada. – Mas também, é só, porque o resto é do seu marido.
— Para o desespero da minha afilhada. – Tommy fuzilou o amigo, que sorriu.
— Ela é linda. — Tommy defende a filha.
— Concordo, mas isso não quer dizer que ela pegou a beleza de você. – Oliver provoca e ri.
— Vocês dois são insuportáveis quando querem. – Barry diz.
— Então, e a Kara?
— Ela está ótima. Roy disse que ela já está em casa, e que está combinando de que assim que melhorar virá nos visitar. – Sorriu. – Quer nos agradecer por cuidar tão bem de Mabel.
— E Mon-el quer deixar bem claro que ninguém vai roubar a garotinha dele. – Ray bufou ao ouvir Roy.
— Mon-el está certíssimo. – As mulheres reviram os olhos.
— Meu filho tem sete anos, pelo amor de Deus.
— Diz isso para ele, não para mim. Só estou dando o recado. – As mulheres voltam a rir. – Vocês surtando por nada. – Revirou os olhos. – Elas nem pensam nisso.
— Ainda. – Tommy diz. – Elas já estão com sete. O ano está acabando e logo elas terão oito.
— Você gosta de cutucar, não é mesmo? – Barry diz, olhando para o amigo.
— Ele adora. – Ray responde pelo outro. – É o hobby dele.
— Só digo a verdade.
— Por falar em final do ano... – Oliver se pronuncia. – O Natal está aí. O que faremos?
— Bom, meu pai disponibilizou a mansão.
— Sério? Seu pai disse que podíamos ir todos para a mansão?
— Sim. Ele não tem nada contra nenhum de vocês, o único problema dele é a Moira. E ela não vai, então...
— E o Walter? – Felicity pergunta para o marido.
— Ele vai passar com Moira, mas virá nos ver no dia seguinte. – Ela assentiu.
— Bom, o que vocês decidirem, por mim tudo bem.
— Por mim também, meu pai vai passar com a naja.
— E meus pais compreendem o porquê de eu não ir à Central City.
— Então tudo certo. O Natal será feito na mansão do meu pai.
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— Olha, quando a Laurel estava grávida ela comia algumas coisas estranhas..., mas isso? Isso é pior. – Tommy comenta, fazendo uma careta enquanto observava a amiga colocar barbecue na batata gratinada, e comer junto do peixe de molho e a cebola caramelizada. – Isso deve estar um nojo.
— E eu por acaso estou obrigando você a comer?
— Não. Mas está me obrigando a ver. – Os outros riram.
— Isso porque não viram ela comer sanduíche com calda de chocolate. – Os outros fizeram uma careta, com exceção de Roy e Oliver, que estavam com a loira naquele momento.
— Eu achava que isso era frescura, até ver Laurel comer as coisas mais nojentas do mundo. – Bom, agora eu sei que minha cunhada é pior que ela. – Felicity revirou os olhos. – Só faltou você jogar calda de chocolate aí no meio também.
— Não dê ideia, Thea. – Roy fala para a namorada.
— Ela está levantando muito de madrugada ainda, Oliver? — Cait pergunta.
— Não como antes, Cait. Mas ainda levanta sim. E ainda tendo os desejos mais estranhos de madrugada.
— Como a banana com M&M, kiwi e maionese. – Roy completou.
— Eca. – Thea e Tommy dizem juntos. Ray faz uma careta.
— Eu tenho dó de você, Oliver.
— Têm tido os enjoos, Lis?
— Só na parte da manhã, Sara.
— E quando ela come essas nojeiras, ela passa mal?
— Por incrível que pareça, não. – Responde a Ray.
— Fique feliz por isso, Lis. Eu passava mal com tudo que eu comia.
— Verdade. A Cait passava mal o dia todo.
— Enjoo matinal o caramba. – Completa e os outros riram.
— Dinda, e o sorvete?
— Kitty. – Cait a repreendeu.
— Ah, Cait, não a repreenda não. Eu prometi, ora. – Sorriu para a afilhada.
— A mamãe fez o tio Roy comprar um monte ontem de manhã.
— Você está se empanturrando de doce? – Laurel se pronuncia, repreendendo a amiga.
— Eu não. Roy e Oliver ficam me controlando. – Cruzou os braços.
— A mamãe parece uma criança. – Os outros riram quando Bryan terminou de falar.
— Ela reclama muito quando não dão doce pra ela, tia Cait.
— Estão me dedurando? – Os outros riram.
— Viu o que faz nossos filhos verem?
— Eu não tenho culpa. Não me julgue. – Eles voltam a rir. – Eu tenho fome o tempo todo.
— Verdade. Eu e Roy vimos ela comer tudo o que o Oliver deixou para eles aqui em três dias.
— Era para durar pelo menos cinco dias. – Completa depois da irmã.
— Toma cuidado para não engordar.
— Tommy. – As mulheres o repreendem.
— O que? Estou falando a verdade. Eu vivia falando isso para a Laurel.
— Verdade. – Laurel murmurou pensativa.
— Eu não fui de comer tanto, não é? – Ray assentiu.
— Podemos tomar o sorvete agora? – Killian pede.
— Não acredito. – Sara diz. – Você comeu do peixe? O que foi que colocou nisso, Lis?
— Nada, não fui eu que fiz.
— Ah é, verdade. – O outros riram.
— Esse é a tilápia, Sara. É mais gostosa, e não tem espinho.
— Só assim para ele comer. – O menino fez um bico.
— Eu vou pegar o sorvete.
— E eu vou pegar a calda. – Brooke desce da cadeira e corre até a bancada, se ajoelhando em uma cadeira para pegar. Oliver ficou por perto, com medo de ela se machucar.
— Tia, você já escolheu os nomes?
— Alguns. – Respondeu para Lyon. – Ainda não sabemos os sexos, mas já temos alguns em mente.
— Você deve estar ansiosa por isso.
— Estou sim, mas Oliver está mais.
— Eu quero que venha tudo menino.
— Começou. – Roy diz. – Garoto, larga de ser irritante. – O menino riu.
— Ter uma irmãzinha é legal, eu gosto. – Lyon diz.
— É, mas você não vai querer a minha, vai? — Bryan provoca
— Bryan. – Felicity o repreende, mas ele tinha um sorriso brincalhão no rosto.
— Chato. Eu não sou fresca.
— Não fui eu que disse dessa vez. – Os pais riram.
— Gente, ele está a cada dia mais parecido com você, Ollie. – O outro revirou os olhos ao ouvir Tommy.
— A Beev não é fresca, só não gosta das mesmas coisas que a gente. – Lyon defende e Tommy cutucou o amigo, em forma de provocação.
— Olha que fofo ele defendendo sua filha.
— Cala a boca. – Os que estavam perto riram.
— A Kitty também é menina, e nem por isso é fresca que nem a Beev.
— Ah, que fofo, Barry. – Roy se pronuncia, provocando. – Eu já shippo. – Os outros, com exceção de Barry, riram.
— Eu vou shippar o meu punho na sua cara. – Eles voltam a rir.
— Vamos torcer então para que venha pelo menos um menino, Bry.
— Obrigado Killian, só você para me entender. – Os adultos sorriram. – Tudo menina vai ser problemático demais. Imagina se elas vierem todas parecidas com a minha irmã?
— Eu não vejo problema. – Barry, Roy e Ray riram ao ver a cara de Oliver.
— Viu? Ele não vê problema. – Diz cruzando os braços.
— Okay, chega de implicar com a sua irmã. – Felicity para a discussão enquanto coloca o sorvete em frente a cada uma das crianças. – Não coloquem muito M&M.
— Eu devo dizer o mesmo para você, meu amor? – Oliver provoca a esposa que o fuzila fazendo os outros riem.
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Oliver tinha percebido que o filho estava olhando-o a um tempo, mesmo que jogasse videogame. Seus amigos tinham ido embora a algumas horas. Ele tinha percebido, mesmo com os amigos por perto, e com as brincadeiras de Bryan, ele o olhava vez ou outra. Desde mais cedo, parecia que ele queria lhe falar algo, mas não falava. Felicity também havia percebido, mas preferiu questioná-lo quando estivessem sozinhos. Enquanto ela tomava um banho, Oliver observava os filhos jogarem, se divertirem, mesmo que o filho estivesse um pouco estranho. Oliver se perguntava o que ele queria lhe falar, e por que ele não falava. Algo o incomodava, ele tinha certeza disso. Felicity apareceu na sala e chamou a filha para tomar um banho, e aquele momento foi o certo para ele questionar o filho.
— Bryan. – O menino olhou para o pai. – Tem algo que queira falar? – Felicity se sentou ao lado do marido.
— Nós percebemos que você quer nos dizer algo. — Felicity diz.
— É que... – Ele se interrompe, e o casal se olha por breves minutos antes de se voltar para o filho.
— Diga, amor. — Incentiva.
— O que tem o incomodado?
— Ontem, o tio Roy levou eu e a Beev na pracinha de sempre.
— Aquela que eu levei vocês quando nos conhecemos? – Ele assentiu.
— Aquela mulher apareceu, mas o tio Roy não viu.
— Que mulher? – Franziu o cenho ao perguntar.
— Sua mãe, papai. – Ele se negava a chamar Moira de avó, e seus pais compreendiam.
— Ela estava lá? E por que não me disse ou ao seu tio?
— Ela foi embora logo... – Abaixou o olhar.
— Ela falou com você?
— O tio Roy tinha levado a Brooke para tomar água, e eu fiquei brincando com as outras crianças, quando ela se aproximou. – Felicity pegou no queixo do filho, fazendo com que ele olhasse para ela e o marido.
— O que foi que ela lhe disse? – Oliver percebeu que ele estava indeciso sobre contar.
— Bryan, você pode dizer. Não vou ficar chateado, se é isso que está pensando. Está tudo bem.
— Ela disse que logo a gente vai morar com ela. – O casal franziu o cenho. – Eu, a Beev e o você, papai.
— Como é?
— Ela disse que a mamãe deixaria a gente. Pra sempre.
— Meu amor, eu nunca...
— Eu sei que é mentira. Eu disse isso para ela, mas ela disse que eu veria que ela estava falando a verdade. – Oliver e Felicity se olharam, preocupados. – Ela é louca.
— Filho. – O repreendeu.
— Está tudo bem, Felicity. – Oliver balançou a cabeça, se levantando. – A cada dia minha mãe está se tornando pior. Agora ela está envolvendo nossos filhos.
— Ela disse que ama a gente. Mas que a mamãe que está separando o papai dela. – Felicity se levantou, e trouxe o filho para os braços dela.
— Eu nunca faria isso, querido. Nunca, amor. – Beijou os cabelos loiros iguais ao do pai, e o afastou o bastante para que o menino olhasse em seus olhos.
— Sua mãe e sua avó nunca se entenderam. E sua mãe nunca foi a culpada disso, e sim sua avó. – Ela não gostava da sua mãe. – Felicity o olhou. Não queria que ele dissesse aquilo daquela forma. – Sua avó sempre..., tentou fazer com que eu e sua mãe ficássemos afastados um do outro, Bry. Ela não achava que sua mãe me amasse de verdade.
— Oliver. – Felicity chama atenção do marido.
— Ele precisa saber, Felicity. Ela vai usar tudo contra você. – E Felicity não pôde retrucar. – Eu e sua mãe não queremos que odeie sua avó. Não mesmo. Mas também não queremos que acredite em tudo que ela diz.
— Nós te amamos, querido. Você é parte de nós, é nosso bebê. – Passou a mãos nos cabelos loiros.
— Eu sei.
— Eu sei como deve ter sido ruim ouvir tudo que ouviu, e provavelmente os pesadelos devem ter começado com isso, mas não odeie a sua avó. Ela está... doente. – Felicity balançou a cabeça, olhando para o marido.
— Mesmo depois de tudo que ela fez? — Pergunta contrariado.
— Ela continua sendo a mãe do seu papai, filho. E do jeito torto dela, ela ama seu pai.
— Não tanto quanto nós amamos você. – Beijou os cabelos loiros.
— Mas e eu, ninguém ama e nem abraça? – Felicity riu, vendo a filha caminhando até eles, com um pijama da “Gata Marie”.
— Claro que sim, minha princesinha. – Pegou a filha no colo. – Eu te amo, assim como sua mãe e seu irmão também te amam. – Beijou a bochecha da filha. Bryan pegou na mão da irmã.
— Mesmo você sendo uma fresca. – Os pais riram.
— E você um implicante. – Retrucou. – Eu te amo mesmo assim, irmãozinho.
— Eu também te amo, Beev.
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