Cross Destination
6 Capítulo Seis
Notas iniciais

Eles estavam entrando na sorveteria. Brooke de mãos dadas com o pai, enquanto que os garotos iam poucos passos á frente, conversando. Quando eles disseram — Brooke na verdade, os outros dois apenas concordaram — que queriam ir á sorveteria, na mesma hora, pensou naquele lugar. Ia muito ali quando menor com seus pais e Thea. Ainda mais com seu pai. Era uma lembrança boa daquela época. Se sentaram perto da janela, que estava fechada. Oliver e Brooke de frente para os garotos. Uma atendente que o conhecia se aproximou com um sorriso.
Sr. Queen. — Olhou para as crianças, conhecia apenas um deles. — Faz um tempo que não aparece aqui.
Eu não tenho tido muito tempo, Amber.
Entendo. Lyon. — Sorriu para o garoto. — Tudo bem? — Ele assentiu, devolvendo o sorriso. — Essas crianças são novas, nunca os vi por aqui.
Eles chegaram á poucos dias. — Ela assentiu ainda com um sorriso no rosto, intercalando o olhar nos gêmeos e em Oliver. Ela percebeu a semelhança. — Seus nomes são Brooke e Bryan.
Eles se parecem muito com o Senhor. — Brooke sorriu e Bryan apenas olhou para o pai, esperando ele dizer algo.
Sim. — Ele não precisou dizer mais nada. Já contava que a semelhança dele com a dos gêmeos traria especulações.
Já querem pedir? — Mudou de assuntou ao ver que o homem não lhe daria nenhum detalhe.
Sim. — Oliver olhou para as crianças. — Aqui vocês escolhem os sabores e ela mesma coloca. — Explicou, pegando o cardápio.
Eu quero chocolate, flocos e... — A mulher que o conhecia desde bebê, quando os pais dele iam ali, o interrompeu.
Leite ninho, certo? — Lyon assentiu. Ele sempre pedia o mesmo quando ia áquela sorveteria com os pais ou os tios. — E vocês? — Bryan deu de ombros e olhou para a irmã, que olhava o cardápio com o pai.
Vai ser chocolate, morango e laka. — Oliver respondeu pela tímida filha. Ela assentiu escrevendo em um caderninho. — Bryan?
Pode ser o mesmo da minha irmã. — Disse dando de ombros.
Não coloque nada que tenha nozes, amendoim ou castanha no dos gêmeos, por favor. — Ela assentiu. — Pode colocar cobertura? — Os filhos assentiram.
Ok. Então o último, na verdade são dois, certo? — Oliver assentiu. — E o seu é o Ovomaltine. — Afirmou.
Médio, hoje. — Ela assentiu e saiu. Ele olhou para as crianças, não sabia como começar uma conversa.
Como sabe das nossas alergias? — Oliver não esperava que o filho começasse a falar.
Eu também tenho. — Ele pareceu surpreso.
Igual a mamãe?
Igual sua mãe. — Sorriu. — Felicity me preveniu antes de ir busca-los. Bom, sabendo que eu e ela temos alergias, não fiquei tão surpreso em saber que vocês também têm. — O silêncio reinou por cinco minutos, até seu sobrinho se pronunciar.
Tio Ollie, eu fui ver o vovô ontem e eu vi a sua mãe. — Mesmo sem saber, ele tocou no assunto proibido
É? — O menino assentiu.
O vovô me levou no shopping e ela estava lá. Ela me cumprimentou, mas o vovô não me deixou fazer o mesmo... — Era de se esperar, Oliver pensou. — Por que o vovô, a mamãe e o papai não gostam da sua mãe? — Ele se assustou um pouco com a pergunta, Lyon nunca tinha feito aquela pergunta antes.
Bom... — O que iria dizer? Seus filhos o olhavam. — Ela fez uma coisa... Muito ruim antes de você nascer.
Como o que? Eu ouvi o vovô dizer para o papai que ela não gostava deles e também falou o nome da mãe deles. — Oliver pensou que teria um trosso ao ouvir aquilo. Malcom deveria tomar mais cuidado com o que fala.
A mamãe? — A voz de Brooke o acordou do susto que tinha levado. Bryan arqueou as sobrancelhas.
Lyon, minha... Minha mãe não é uma pessoa fácil. — Não poderia mentir, não quando Bryan o olhava tão fixamente. — Ela não gostava do seu pai ou do seu avô... E muito menos da Felicity, a mãe dos gêmeos.
Por que? — Olhou para o filho, ao ouvi-lo perguntar. — Por que ela não gostava da minha mãe?
Eu nunca entendi muito bem o porquê. — Suspirou. Como diria aos filhos que sua mãe, a avó deles, não gostava da mãe deles, pelo fato de que ela era de classe social muito baixa, para a família deles? Ridículo, era o pensamento que sempre vinha á sua cabeça quando sua mãe fazia o mesmo comentário. E sempre vinha com um revirar de olhos. Ele nunca se importou com a classe social dos outros. E Felicity não precisava de ser rica, ela era a mais inteligente da sua turma, carinhosa, o tratava como alguém normal e não como Oliver Queen, o herdeiro dos Queen. Dava aulas particulares, para ele em especial. Para ele, ela não precisava de mais nada, só continuar sendo ela mesma. — Olha, isso não importa. Seu avô não deveria ter falado isso com você por perto.
Eu só achei estranho... — Ele encolheu os ombros e Oliver percebeu que o garotinho estava envergonhado, pensando que ele tinha levado uma bronca.
Eu sei disso. — Seu sobrinho o olhou. — Eu entendo. Só... Não vamos mais falar sobre isso, ok? Moira não é um problema para nós. — Ele assentiu.
Você disse que podíamos fazer perguntas... — Oliver se surpreendeu, não esperava isso vindo do Bryan, da Brooke sim, mas dele? Não.
É claro. Estamos aqui para nos conhecermos.
Então, como você e minha mãe se conheceram? — Aquela pergunta não era um problema, por isso sorriu.
Sua mãe morou com sua avó até completar treze anos, depois ela conseguiu uma bolsa em uma escola daqui e veio para cá.
Sozinha, papai?
Não, Brooke. — Sorriu. — Uma amiga da sua avó morava aqui e se prontificou em cuidar da sua mãe. — Ela fez um "ah". — Como estávamos em férias, eu e ela fomos para o mesmo acampamento. Nos conhecemos lá e foi lá também que ela conheceu Tommy, Laurel e Sarah.
Mamãe disse que também estudaram na mesma escola.
Estudamos, sim. E ficamos amigos. — Se lembrava daquela época. Também se lembrava da primeira vez que sua mãe a viu... Percebeu o desgosto no olhar dela, diferente do seu pai, que se encantou por Felicity. — Nós éramos da mesma sala, faziamos trabalhos juntos... Ficamos muito, muito próximos.
E o seu pai?
Ele faleceu alguns meses depois que eu terminei o colegial. — Bryan, mesmo não confiando em seu pai, ainda, se sentiu mal por fazer a pergunta.
Desculpa.
Não. — Sorriu. — Tudo bem. O seu avô gostava da sua mãe. — Comentou com um sorriso no rosto.
Gostava? — O olhou novamente.
Sim. Ele ficou muito feliz na época que eu e Felicity ficamos juntos. Ele a achava muito inteligente para alguém da idade dela. Sua mãe era excepcional... — Nem sabia se as crianças sabiam o significado daquela palavra. Provavelmente, não. — Ele sempre a elogiava muito e veio dele a ideia de ela me ajudar nos estudos.
Então... Por que vocês se separam? — Brooke olhou para o irmão, ela parecia temerosa em ver a mesma cena do hospital. Sabia que era o mesmo assunto.
Bryan... — Oliver não sabia o que dizer.
A mamãe não quer nos dizer. Ela sempre diz que não é sua culpa, que ela não escutou as suas explicações. — Felicity tinha lhe pedido para não contar nada sobre sua mãe, mas como faria isso? Seu filho estava querendo saber o motivo dela ter ido embora. — Ela está te defendendo...
Ok. Tentem entender... — Falaria o mínimo possível. — Uma pessoa estava querendo me obrigar a fazer uma coisa muito ruim, que machucaria outras pessoas, sua mãe principalmente.
Que coisa ruim? — Suspirou.
Papai, eu não entendi... — Como explicar o que houve, — para duas crianças de seis anos? Três no caso, já que Lyon estava ali — sem quebrar a promessa que fez á sua noiva.
Eu vou tentar explicar de um jeito que entendam, ok? — Eles assentiram. Lyon estava bastante quieto. — Eu e Laurel, nós já namoramos... Sua mãe te contou, certo, Lyon? — Ele assentiu.
Quando você e a mamãe eram menores.
Não tão menores, mas sim. Foi antes de eu namorar a mãe de vocês... Minha mãe gostava desse namoro, mas nós dois percebemos que não ia dar certo. Ela estava apaixonada pelo pai do Lyon e eu estava começando a gostar da mãe de vocês. Na época que sua mãe foi embora, nós estávamos juntos á mais de três anos... Uma pessoa queria me obrigar a terminar tudo com Felicity, para que eu ficasse com Laurel, mas nós dois negamos. Mas ela não desistiu, continuava a insistir e então começou a nos chantagear. Sua mãe já estava com você dentro da barriga dela, Lyon.
E nós também, né papai? — Oliver sorriu para a filha.
Sim. Mas nem eu e nem sua mãe sabíamos. Eu e Laurel decidimos enganar aquela pessoa, fingindo aceitar os termos dela e sua mãe ouviu. — Olhou nos olhos do filho, ele tinha que ver que estava falando a verdade. — Ela não esperou eu me explicar... Eu só soube que ela tinha ouvido, porque Tommy a viu no corredor... Eu fui atrás dela, mas as coisas dela já tinham sumido da casa. — A atendente apareceu, interrompendo qualquer uma das crianças á falar alguma coisa.
Desculpa a demora, está muito cheio hoje, mesmo com esse frio. — Disse colocando cada copinho com sorvete na frente dos seus respectivos donos.
Está tudo bem. — Ela deixou a água ali também e saiu. Ele pensou que a conversa tinha acabado, quando viu Brooke começar a tomar seu sorvete e Lyon segui-la, mas Bryan continuava a olha-lo.
E ela foi embora e você não procurou por ela? — Oliver o olhou.
Eu procurei. Bryan, a sua avó, mãe da sua mãe, me disse que ela não estava com ela. Eu liguei... Tentei me explicar... Mas não consegui.
Então a mamãe escondeu agente de você?
Não. Ela tentou me contar, me mandou uma carta... Mas não chegou aqui. — Ele ainda não estava convencido daquilo. Estava decidido á perguntar para Rasa sobre aquela carta.
Então você não teve culpa? E nem a mamãe?
Não. Nenhum de nós temos culpa. — Ele apertou as mãos em punhos.
Então por que aquele homem... — Sussurrou, mas Oliver pôde ouvir.
Eu sei que você me culpa por algum motivo, mas eu não poderia fazer nada por vocês, sendo que eu não sabia que vocês existiam. Bryan, se eu soubesse... Se eu imaginasse que vocês existiam e que estavam passando... — Se interrompeu. — Eu teria protegido vocês.
Ele disse que era sua culpa. — Lyon arqueou as sobrancelhas, confuso.
Ele, quem? — Oliver olhou para o afilhado.
Ninguém importante. — O menino voltou a tomar o sorvete, mas com os olhos no amigo, que não tinha tocado no dele. — Ele queria isso. Ele queria magoar vocês de alguma forma. Ele queria que sua mãe... Perdesse as esperanças. — Sua voz estava mais baixa, mas Bryan o ouvia. — Ele não vai mais se aproximar da sua mãe, mas você precisa confiar em mim. — O menino olhou para o sorvete que derretia aos poucos. — Você pode me odiar... Mas no que isso vai adiantar?
Eu... Eu te culpava, porque ele disse que você era culpado. Porque ele quase levou minha mãe e você não estava lá.
Eu queria poder estar, para que vocês não precisassem passar pelo que passaram. — Ele assentiu. — Mas isso é passado, Bryan. E eu não posso muda-lo.
Eu sei. Mas eu me lembro daquele dia todos os dias. Eu tenho pesadelos com aqueles dias. — Oliver não esperava ouvir o filho dizer com todas as palavras que sentia medo, que tinha pesadelos.
Qualquer pessoa na sua situação teria pesadelos, Bryan. — O menino o olhou nos olhos. — Isso não é uma vergonha. Você não precisa mais se preocupar.
Como não? Ele ainda está por aí...
Ele está. Mas eu não vou deixar que nada aconteça a ela, isso é uma promessa.
Você pode cumpri-la?
Posso. — Afirmou com seriedade. — Agora tome seu sorvete, está bem? Está derretendo. Não precisamos mais falar sobre isso. — Ele assentiu e pegou na colherzinha, seu sorvete estava com todos os sabores misturados e quase em estado liquído, assim como o do seu pai.
**--** **--**
Felicity dormia enquanto Tommy mexia no celular. Por causa dos remédios, ela têm ficado muito cansada. Tommy que estava sentado na poltrona do lado da cama, ouviu alguém bater na porta e entrou de pois de ser autorizado. Sorriu ao ver a irmã.
Tommy. — O olhou, surpresa.
Oi, Thea. — Percebendo que o irmão sussurrou, olhou para a cunhada que dormia tranquilamente.
Pensei que Sarah quem estaria com ela. — Se aproximou, beijando o rosto do irmão.
Ela está resolvendo algumas coisas, por isso estou aqui. — Ela arqueou as sobrancelhas. — Oliver não queria deixa-la sozinha.
Ele continua super protetor. — Tommy sabia que sua irmã não estava a par da situação de Felicity, por isso apenas sorriu. — Eles estão bem? Ele não me contou nada. — Fez um bico enquanto se sentava no sofá que estava atrás da poltrona, perto de uma janela grande. Tommy se levantou e caminhou para onde sua irmã estava.
Eles estão bem. — Se sentou. — Pelo que eu sei, eles resolveram o relacionamento deles. — Ela sorriu, desviando o olhar para a cunhada.
Eu fico feliz por eles. Sempre gostei da Felicity. Oliver mudou no momento em que a viu. — Se encostou no encosto do sofá. — Já era de se esperar que eles se resolvessem. Eu só não entendi uma coisa... — Olhou para o irmão. — Como ela veio parar aqui?
Ela sofreu um acidente de carro. — Esperava que a irmã não fizesse mais perguntas sobre aquilo. Suspirou aliviado, ao perceber que Felicity acordava. Thea se aproximou dela.
Oi, Felicity. — A loira piscou algumas vezes para poder enxergar melhor. — Você se lembra de mim?
Thea? — Se sentou, surpresa por ver a irmã do seu noivo. A última vez que a viu, ela tinha 13 anos. — Nossa... Você... — A garota de quase 19 anos sorriu. — Como você cresceu.
Eu já tenho quase dezenove. Você mudou tanto... Quando Laurel me contou que você pintou seus cabelos, não acreditei.
Não têm mais como chama-la de Srta. Dark, Thea. — Ambas riram e ele caminhou até elas.
Eu achei bem legal.
Obrigada.
Eu conheci os gêmeos. — Se sentou na poltrona. — Estou completamente apaixonada por eles. — Felicity sorriu. — Bryan é muito parecido com o Ollie.
Eu não posso discordar. Ele é mais parecido com o Ollie do que imaginam.
Ah, eu sei disso. Presenciei isso ontem.
O que ele fez? — Se preocupou.
Nada demais. Ele queria vir ver você e não gostou nada quando eu disse que você não podia receber visitas. — Felicity balançou a cabeça. — Ele não deu trabalho, não se preocupe. Hoje foi um pouco mais difícil e quando Laurel explicou que Oliver iria busca-lo e á Brooke para darem uma volta... Se não fosse Brooke a mudar a opinião dele, não sei se ele iria.
Eles estão com o Ollie?
Sim. Eu achei que seria uma boa ideia Bryan conhecer melhor o pai e vice e versa. — A menor assentiu.
Oliver disse que Bryan o culpa.
Isso... — Não sabia o que dizer á cunhada. Olhou para Tommy e soube que ela não sabia de nada. — Oliver não esteve por perto, eu já expliquei o porquê, mas ele acha que estou defendendo o Oliver.
Thea, não vamos falar sobre isso. — Tommy resolveu intervir. — Oliver e Felicity vão conseguir reverter a situação. — Piscou um olhou para a amiga que o olhou agradecida.
Tudo bem. Então, me conta como estão as coias entre você e meu irmão. — Pediu animada.
Estamos bem. — Thea revirou os olhos. — Estamos... Tentando "continuar" de onde não deveria ter parado.
Eu fico tão feliz. O Ollie ficou tão estranho quando você foi embora. Ele parecia estar se distanciando das pessoas.
Eu não soube disso. — Seu coração doeu ao ouvir aquilo.
Ele ficou muito mal quando você foi embora. — A loira abaixou o olhar. — Mas agora está tudo bem. — Sorriu. — Você voltou, vocês conversaram... Estão juntos...
Não fique pensando no passado, Lis. Pense apenas no presente.
Eu sei que está certo, mas... — Ela se culpava Se tivesse ficado e ouvido a explicação dele... Talvez não estivesse nessa situação. Seus filhos teriam sido criados com ele e Oliver. Eles teriam uma vida normal.
Você não é a culpada. — Thea arqueou as sobrancelhas, confusa. — Eu mesmo fiquei muito irritado quando soube de tudo, queria que eles tivessem me contado antes de fazerem tudo sozinhos. Mas isso é passado. O que importa agora, é que você e Oliver terão a chance de ter o que vocês sempre sonharam um para o outro.
Eu até hoje não entendi essa história. — Ambos a olharam. — Por que você foi embora? O que aconteceu para você e Oliver brigarem? E o que Laurel e Oliver fizeram de tão errado?
Thea, acho que você deveria conversar com o Ollie. Não me acho no direito de contar isso para você. — Felicity concordava com o amigo. Não tinha certeza se o noivo iria querer que a irmã soubesse o que a mãe deles fez.
Por que?
Thea — Ela olhou para o irmão.
É tão sério assim? — Eles não responderam. — Tudo bem. Vou falar com o Ollie.
É o melhor. — Ela assentiu. — Fico pensando como o Ollie deve estar lidando com nossos filhos. — Disse mudando de assunto. Estava preocupada de como o filho possa se comportar. Havia pedido para que respeitasse o pai, mas... Sabia o quão "Oliver" Bryan poderia ser.
Eles devem estar bem. — E Felicity pedia para que Tommy estivesse certo.
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Oliver tinha escolhido o próximo lugar. Também fazia parte das várias lembranças com seu pai.
Olha que lindo, Bry. — A garotinha estava encantada com o bosque. As flores era o que mais chama sua atenção. — Posso ir, papai? — Perguntou, apontando para as flores.
Claro. Só fique onde eu possa vê-la. — Oliver percebeu que o filho olhava para os lados. — Você não precisa se preocupar. — Se aproximou, abaixando-se para ficar na sua altura. — Não vai acontecer nada.
Tio Ollie, eu vou no lago. — O tio assentiu. — Você não vem, Bryan?
Agora não. — O pequeno Merlyn assentiu e caminhou para onde disse que iria.
Tome cuidado. — Avisou. Lyon gritou um "tá". — Você não precisa ficar tão desconfiado. — O menino continuou calado. Depois da sorveteria, ele não falou mais nenhuma palavra. Oliver não sabia como se aproximar, falar com Bryan, era como pisar em ovos. Era bastante complicado. Apesar de tudo que conversaram, o menino ainda estava bastante desconfiado. Ele continuava a observar o lugar onde estavam. — Bryan? — Ele o olhou, finalmente. — Você pode se divertir. Esse lugar é lindo, deveria se soltar por aí. — Ele era uma criança, mas parecia ser muito mais velho. Com certeza por causa de tudo o que passou com a irmã e a mãe. Oliver sentiu ainda mais ódio daquele homem. Ele faria qualquer coisa para fazer Bryan agir como uma criança normal.
É perigoso. — Oliver suspirou.
Não é. Não mais. — O menino olhou para o chão. — Eu estou aqui. Estou de olho... Apenas confie em mim. — Olhou para a filha que tocava e cheirava as flores, outra hora corria entre elas. — Vocês não precisam se esconder, não mais. Vocês têm que agir como crianças... — O menino voltou seu olhar para o pai, mas ele continuava a observar sua irmã. Ele estava calmo, Bryan pensou. — Deveria ir brincar com sua irmã e Lyon.
Mas e se alguma coisa acontecer? — Oliver se voltou para o filho.
Eu entendo que ainda teme que algo aconteça e também entendo que ainda não confie em mim... — Bryan fechou as mãos em punhos. Estava nervoso perto do "pai". Quando menor, sempre pensava em como seria conhecer seu pai. Depois de um tempo, pensou que seu pai nunca quisera ele e sua irmã. Que aquele homem estava certo, seu pai era o culpado de tudo que aconteceu com eles, mas... Sua mãe não mentiria. Se lembrava muito bem do que ela havia dito. E do que o homem á sua frente havia lhe dito. — Eu estou prometendo... E eu posso cumprir. — Oliver quis deixar claro. — Nada vai acontecer com vocês, não comigo por perto. — O menino assentiu, alguns minutos depois. Oliver ficou aliviado por pelo menos ele assentir. Aliviado por seu filho não ter retrucado. Brooke se aproximou correndo.
Papai, eu vi um coelho. — Oliver não pôde deixar de sorrir com a animação da filha. — Ele é lindo. Todo branquinho.
Você gosta de animais, Brooke?
Gosto. — Sorriu. — Você gosta, papai?
Eu tinha um cachorro quando tinha a idade de vocês.
Tinha? Não têm mais? — O surpreendente foi que a pergunta não veio da filha e sim do filho.
Não. Ele ficou doente alguns anos depois.
Ah, que triste. — Mesmo que ela tenha feito uma cara de tristeza, seus olhos não paravam de brilhar em animação. — Bry, vamos para o lago. — Pegou na mão do irmão que olhou para o pai. Oliver ficou, mais uma vez, surpreso. Isso queria dizer que Bryan estava deixando ele se aproximar, certo? Era um começo.
Vai lá. Eu vou ficar olhando vocês daquele banco de madeira. — Ele assentiu enquanto deixava a irmã puxa-lo. Oliver sorriu, caminhando em direção ao banco. Estava feliz que estava tudo bem. Não teve nenhuma reclamação do filho. Ele não o retrucou nenhuma vez. Deixou que ele se aproximasse. Não era como se fosse conseguir sua confiança do dia para a noite, mas já era um começo.
**--** **--**
Quando Oliver entrou no quarto, a primeira pessoa que viu foi sua noiva dormindo, tranquilamente. Sorriu. Olhou para o sofá e viu Sarah, deitada com um livro em mãos. Revirou os olhos, com certeza ela nem estava lendo mais, do jeito que estava jogado sobre seu rosto. Se aproximou, deu um beijo na têmpora de sua noiva e caminhou até onde a amiga estava. Balançou a cabeça e quando foi pegar o livro, ela pegou em seu pulso.
Estou acordada. — Ele arqueou as sobrancelhas. — E eu sabia que era você.
E por que está com isso na cara? — Apontou para o livro.
Porque eu cochilei. — Ele riu. — Estou cansada. — Se sentou, deixando o amigo fazer o mesmo. — Você falou com o Dig? Ele tinha umas coisas para falar com você.
Não. Estava com os gêmeos e Lyon. — Sarah assentiu.
E como foi?
Foi... Melhor do que imaginei que seria. — Ela sorriu. — Bryan fez perguntas. Sobre como eu conheci sua mãe, por que nos separamos...
E o que respondeu? — Ele suspirou.
A verdade. — Ela o encarou surpresa. — Não. Eu não contei sobre minha mãe. Prometi á Felicity, afinal de contas. — Ela suspirou aliviada. — Mas eu não podia mentir, ele estava... Me olhando fixamente.
Como você fazia quando pequeno? — Oliver sorriu. — Você sempre sabia quando alguém mentia, porque você olhava nos olhos das pessoas. Fixamente.
E foi por isso que eu não pude mentir para ele. — Sarah compreendia. — Foi bom, porque o fez me deixar aproximar, entende? Não é uma confiança, mas...
É um começo. — Ele assentiu. — Vai dar tudo certo.
Só não sei se isso quer dizer que ele vá querer ir para o meu apartamento amanhã.
Felicity me contou. E eu acho que você não deve se preocupar com isso. — Sorriu. — Se ele foi hoje, porque não iria amanhã?
Porque amanhã ele dormirá comigo. — Sarah balançou a cabeça.
Não se preocupe com isso. Ele parece fazer tudo que a irmã pedi. — Oliver não pôde descordar. Ele tinha percebido isso várias vezes, hoje.
Como ela está? — Olhou para a noiva que continuava adormir, tranquila.
Ela está bem. E vai continuar assim. — Disse séria. Ela já estava sabendo de tudo. Desde o momento que Oliver contou a história á médica de Felicity. — Você não tem que se preocupar.
É impossível. Têm um maníaco atrás dela, lembra-se?
Oliver, ela está super protegida. Têm mais seguranças disfarçados nesse hospital do que médicos. — Sua voz se tornou cômica. — Ela está a salvo.
Descobriram alguma coisa sobre o tal Cooper?
Aquele cara falou tudo o que sabia. — Balançou a cabeça. — Mas ele não sabe onde esse Cooper está. Ele disse que o “cara” falava com eles através de um celular.
Celular esse que você pegou, certo? — A olhou.
Mas já está desconectado. — Oliver bufou. — Eu imaginei que estaria. Nós vamos pegar esse cara, Oliver. Questão de tempo.
Tempo. — Sussurrou. — Eu mesmo quero ter o prazer de tortura-lo. — Sarah já tinha visto seu amigo de muitas formas, mas aquele lado sombrio... Era novidade. Mas ela não podia culpa-lo.
Enquanto ela estiver sobre nossa proteção, nada acontece á ela. — Ele assentiu, ainda com a faze séria. — E sua mãe?
O que têm ela? — Voltou seus olhos para a amiga.
Já falou com ela sobre a Felicity? Ou sobre seus filhos?
Não. E nem vou. — Voltou a olhar para a noiva. — Ela vai saber... Alguma hora. — Deu de ombros. — Eu não a quero perto deles.
Ela vai ficar puta da vida, você sabe, certo?
Que se dane, Sarah. Ela é a culpada por Felicity ter me deixado. Só não a culpo completamente por eu não conhecer meus filhos... — Sarah arqueou as sobrancelhas. Felicity realmente não tinha contado a ele sobre a suspeita delas.
Bom, eu vou aproveitar que está aqui com ela e vou comer alguma coisa.
Não comeu ainda?
Eu comi umas besteiras. — Deu de ombros enquanto se levantava. Nesse momento Felicity começou a se mexer, respirou fundo e eles souberam que ela acordava. — E aí, dorminhoca?
Eu não tenho culpa. — Murmurou. Sarah riu. — Você vai sair?
Eu vou procurar alguma coisa para eu comer. — Sorriu. — Enquanto isso, eu deixo você em mãos muito melhores que as minhas. — Sua frase saiu maliciosa. Oliver revirou os olhos enquanto se levantava e então, Felicity o viu. — Juízo em crianças. — Felicity pegou um dos travesseiros — com a mão livre do soro — que estava debaixo de sua cabeça e jogou na amiga que saiu rindo.
A Sarah não muda nunca. — Oliver não pôde discordar. — Eu não tinha te visto aí. — Ele se aproximou, sentando-se na poltrona.
Eu cheguei á alguns minutos.
Como foi com os gêmeos? — Oliver pegou em sua mão.
Foi bom. Mas eu tive que contar umas coisas á eles. — Felicity arqueou as sobrancelhas e Oliver decidiu contar tudo. — Fiquei com medo de esconder alguma coisa...
Eu entendo. — O interrompeu. — Está tudo bem. Eu fiquei preocupada atoa então.
Estava preocupada?
Sim. Bryan é tão... "Oliver" á vezes. — Ele quem arqueou as sobrancelhas, mas tinha um sorriso no rosto. — Você deve ter percebido.
Sim. Eu percebi. Mas ele é tão "Felicity" também. — Ela sorriu. — Tanto ele quanto Brooke. — Suspirou. — Amanhã eu passo aqui com eles antes de irmos para o meu apartamento.
Isso está te deixando mais nervoso que hoje, certo?
Muito. Por mais que Bryan tenha deixado me aproximar... Não é como se ele confiasse em mim ou... — Passou uma das mãos nos cabelos.
Ele vai mudar. — Ela sentia seu peito apertar quando via o quanto aquilo mexia com Oliver. Ela nunca quis que os filhos tivessem raiva do pai. — Eu me sinto culpada...
Não. Você não é culpada. — Beijou seu rosto. — Ele me disse o que aquele... Cara disse á ele. Ele é o culpado. — E sua mãe. Felicity guardou aquilo para ela.
Eu vou falar com ele.
Felicity... Eu não quero obriga-lo a gostar de mim.
Ele não vai ser obrigado. Eu só quero conversar com ele. Novamente. — Revirou os olhos. — Ele é tão "você". — Oliver riu. — Ás vezes é difícil, mas ele nunca gritou como aquele dia ou... Retrucou alguém.
Não precisamos nos preocupar com isso. — Ele não queria que ela se culpasse ou se preocupasse. — Não vai ser do dia para o outro que eu terei a confiança dele. Mal nos conhecemos.
Por isso que vai ser muito bom ele ir com você para o apartamento.
Eu fiz uma... Coisa. — Ele disse mudando um pouco de assunto. — Eu comprei uma coisa para a Brooke...
O que? — Ele pegou o celular e mostrou a foto que tinha tirado antes de ir para o hospital. A primeira era uma coelhinha branca com detalhes em rosa. Com um vestidinho também rosa de bolinhas coloridas, no meio do peito tinha uma flor azul com duas folhas em cada ponta. A segunda era uma pelúcia no formato de um coelho, também branco com uma fita dourada em volta do pescoço.
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Uma? — Ironizou e logo riu. — Me diz que esse não é gigante? — Ela pergunta quando ele mostrou outra foto. Um coelho grande, branco com detalhes em rosa, tinha um laço pink no pescoço.
Sim. — Ela riu. — Eu não sabia qual comprar, então...
Então você comprou três. — Completou. — Não me importo, mas não acha demais?
Bom, você disse que ela tinha um e que só dormia com ele... — Felicity tombou a cabeça para o lado esquerdo, ainda com o sorriso no rosto. — Exagerei?
Um pouquinho. Mas ela vai gostar. — Ele se levantou para se sentar na cama, de frente para ela. — São lindos.
O quarto deles ainda não está pronto, mas eu coloquei tudo no meu quarto.
Eles não precisam...
Eu quero que tenham. — A interrompeu. — O que eles não puderam ter antes...
Tudo bem. — Ela compreende. Ela queria o mesmo para eles.
Um problema... Eu não faço a mínima ideia do que Bryan gosta.
Ele gosta de carrinhos. Adora qualquer coisa que envolva carros. — Ele sorriu.
Na idade dele eu também gostava.
É seu filho. — Ele assentiu. — Você vai ficar aqui hoje?
Eu e Sarah.
Você pode ir pra casa, Oliver. — Ele negou.
Eu quero estar aqui. — Depois do que houve com ela, a última coisa que queria era deixa-la novamente. — Eu não vou poder dormir aqui nos próximos dias, já que ficarei com nossos filhos, por isso eu vou dormir aqui hoje.
Tudo bem. — A porta se abriu.
Eu não estou atrapalhando, né? — Sarah entrou. — Bom, vocês estão vestidos, então...?
Sarah! — Os dois a repreenderam e ela riu.
Tão madura, você. — Felicity revirou os olhos.
Ah, eu sei disso. — Se sentou no sofá. — Você quer? — Felicity arqueou as sobrancelhas. — Ah, eu esqueci que não pode tomar coca-cola.
Você é tão má. — Oliver riu quando a noiva cruzou os braços e fez um bico. — Eu vou me vingar. — A outra deu de ombros.
Em alguns dias você vai poder comer algo além de sopa. — Felicity diz um baixo "com a graça de Deus", Oliver sorri ao ouvir.
Bom, eu vou dormir aqui... — Sarah se deitou depois de jogar a lata no lixo. — É confortável pra caramba.
É para ser. Com o valor eu pago desse plano. — Sarah concordou.
Não vou nem perguntar onde você vai dormir. — Novamente a malícia soou na voz de Sarah. Ambos ignoraram.
Tinha um homem conversando com Sarah mais cedo. — Sussurrou. — Ela o chamou de... — Pareceu pensar. — Dig. Deve ser apelido. Conhece?
Sim. Ele está cuidando do caso "Cooper". — Ela estremeceu.
Vocês têm que tomar cuidado, Oliver.
Você não confia mesmo em mim, hein?
Não é verdade. — A voz dela soou um pouco alta, ela olhou para a amiga que já dormia, logo voltou os olhos para o noivo. — Confio em você. Só estou preocupada.
Eu sei. — Beijou seus lábios rapidamente. — Mas não precisa. Eu vou ficar bem. E meus amigos também. — Ela assentiu.
Tome cuidado com ele, por favor? — Seus olhos lacrimejaram.
Eu prometo. — Se para que ela ficasse calma, tivesse de fazer promessas, então ele faria. — Tenho uma coisa para você. — Pegou no bolso da frente da calça, uma caixinha vermelha.
Você guardou. — Sussurrou.
É claro. — Tirou o anel da caixinha. — Enquanto os documentos não ficam prontos... — Ele pegou sua mão. — Achei que estivesse na hora disso voltar para onde não deveria ter saído.
Eu pensei que... — Olhou para o anel de noivado. — Eu nunca mais o veria.
Eu nunca consegui me livrar dele. — Sorriu. — No fundo eu tinha... Esperanças de que você voltasse para mim. — Ela sorriu. — Eu te amo.
Eu te amo. — Felicity o beijou e antes que ela se afastasse, Oliver pediu passagem com a língua que ela prontamente cedeu. Felicity parou o beijo quando sentiu o ar faltar. Ele passou uma das mãos nos cabelos dela, colocando uma parte atrás da orelha e com a outra, ele segurava a cintura fina.
Você deve dormir. — Disse minutos depois, se olhando.
Acabei de acordar. — Retrucou.
Mas está cansada que eu sei. — Ela não pode discordar. — Você pode dormir tranquila. — Ela assentiu e se mexeu, dando espaço para que ele deitasse.
Não. Eu vou ficar na poltrona. — Ela revirou os olhos.
Não seja chato. Você não vai dormir bem nessa coisa. — Bateu a mão na parte de deixou para ele. — Por favor? — Ele suspirou e se deitou. — Eu estava com saudades disso. — Deitou a cabeça no peito do noivo.
De dormir colada á mim? — Disse com um sorriso.
Também. — Ele beijou os cabelos dela. — Do seu cheiro.
E eu do seu. — Passou a mão direita nas costas dela, levemente. — Boa noite.
Boa noite, Oliver. — Oliver ficou mais uma hora acordado, observando-a dormir. Ela não teve pesadelos, como Sarah disse que ela tinha tido todos os dias anteriores. Ele ficava aliviado por perceber que ela dormia, finalmente, tranquila e mais que feliz por ela estar, novamente, em seus braços.
CONTINUE...
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