Cross Destination

33 Capítulo Trinta e Três


Notas iniciais
Mil desculpas pela minha demora, gente. Eu não consegui postar mais cedo hoje porque estava com inspiração para escrever Kupidon, então eu tive que deixar para postar mais tarde. Quando se tem inspiração, o melhor é escrever logo para não perder ou esquecer nada. Bom, eu não vou me enrolar demais. PS: leiam as notas finais Boa Leitura

Bryan gostava de ver que o pai e o tio estavam se dando bem. Ele ainda se sentia mal por ter machucado o pai do jeito que machucou, mesmo que não tenha percebido. Por isso que ele decidiu fazer com que o pai e o tio, que ele já tinha percebido que não se davam muito bem, se vissem mais vezes, para poderem se conhecer melhor. Sua tia Thea disse que era só questão de tempo para que os dois firmassem uma amizade, e assim, ele não teria que escolher de quem gostar. Porque era esse o medo do garotinho de sete anos. Enquanto assistiam ao jogo, ele fez questão de fazer com que o pai e o tio se sentassem lado a lado. Além dos amigos e da mãe, mais ninguém tinha percebido as intenções do menino; até alguns dias atrás. Tanto Oliver quanto Roy perceberam que Bryan queria que eles se dessem bem, e por isso os dois decidiram tentar se conhecerem melhor, pelo bem do menino. Ambos amavam Bryan, e não queriam vê-lo triste, magoado, preocupado. Roy estava sabendo do que estava acontecendo. Soube pela boca de Thea. Ele entendia os sentimentos do cunhado, sentiria o mesmo se estivesse no lugar dele, e por isso que decidiu conversar com o cunhado e se acertarem. Ele via o quanto o outro amava sua irmã. E se ela o perdoou, e lhe deu outra chance, porque ficar remoendo o passado? Agora ele e o cunhado fariam de tudo para não se desentenderem, não importa o que aconteça, e seriam o pai e o tio que Bryan quer que sejam.

Depois do jogo, assim como prometido, eles passaram no Belly Burger. Essa era a melhor parte para as garotinhas, apesar de Kitty e Brooke terem se divertido no jogo. Todos eles se divertiram, em especial os adultos. As mulheres tinham ficado no apartamento de Oliver com os bebês. Eles já tinham avisado que chegariam mais tarde, porque ainda passariam na sorveteria. Brooke e Kitty não deixariam seus pais se esquecerem daquela promessa, afinal, era a melhor parte para elas, empatando com o Belly Burger. Apesar de as crianças terem ficado animadas com o fim do jogo, que quem saiu ganhando foram os Yankees, eles estavam mais em comer do que de conversar; diferente dos seus pais. Eles falavam do jogo, até o momento em que Ray é questionado sobre os gêmeos.

E então, como estão as coisas com os gêmeos?

Cansativo. — Os amigos riram. – Não reclamo deles, amo eles..., mas cara, eu não sei o que é dormir seis horas seguidas desde que nasceram.

É, eu e Tommy sabemos o que é isso.

Graças a Deus a Niki já dorme a noite toda.

Passou rápido, né? — Oliver se pronuncia. — A Nikki já tem seis meses e meio.

E o Connor três.

Você e seu pai..., conversaram? Ele foi ver os netos? — Ray deu uma risada debochada.

Para ele, os gêmeos não são seus netos.

Que horror. — Roy comenta, um pouco indgnado.

Ele é pior que a minha mãe.

Eu acho que eles empatam. Eu ouvi uma conversa entre meu pai e Lira.

Sua ex? — Barry pergunta e tem a confirmação quando o amigo assente.

Ela continua na cidade mesmo depois do que houve na audiência? — Ele suspirou.

Ela recorreu. — Os amigos o olham indignados.

Como é?

O Juiz autorizou que ela visse Killian todo final de semana. Mas não sozinha, claro.

Não acredito nisso.

A Sara ainda não sabe.

O que? Por que não, cara? — Tommy pergunta.

Ela está cansada, por causa dos gêmeos..., não quero preocupá-la.

Mas ela vai ficar sabendo de qualquer jeito.

Eu sei. Vou contar tudo hoje.

Desde quando está sabendo disso?

Não faz nem uma semana ainda. Era para ela ter esse final de semana com Killian, mas eu expliquei que já havia feito planos com meu filho, e o Juiz compreendeu.

Então..., semana que vem, eles estarão juntos.

E eu estarei por perto. — Ray diz, sério. — Não vou deixar que ela o coloque contra mim, ou que ela o assuste como da última vez.

Felicity também ficou preocupada. — Ray olhou para Oliver. — Ela viu o que a sua ex aprontou, e viu como Killian ficou assustado. Ela acha que devem ficar com os olhos bem abertos. — Ray assentiu.

E nós vamos.

Killian já sabe sobre isso?

Não, Barry. Vou falar com ele depois que falar com Sara.

Acho que é o melhor. Você e Sara devem falar com ele juntos. — Tommy diz, olhando para o garotinho que conversava com os amigos, enquanto comiam. — Fico com pena.

Você disse que ouviu uma conversa entre Lira e seu pai... – Oliver estava curioso a respeito daquele comentário.

Sim. — Suspirou. — Como suspeitamos, Oliver, meu pai a trouxe de volta para a minha vida.

Mas ele a odiava.

Pois, é, Tommy. Mas ele vai dar dinheiro para ela, para que ela separe eu e Sara.

Que maldito desgraçado. — Barry e Oliver concordavam com o amigo.

Nossa, que pai esse seu. – Roy comenta. – Impressionante como vocês tem coisas em comum. Sua mãe não presta, e o seu está no mesmo caminho.

Pois é. – Oliver e Oliver dizem juntos.

Como é que suportam isso? Eu já tinha dado meu jeito.

Eu..., sei que está certo, mas é complicado. É o meu pai, afinal de contas.

Moira já não existe para mim. — Deu de ombros. — Mandei-a ficar longe e por enquanto ela não tem feito nada.

Me pergunto por quanto tempo. – O cunhado não estava errado em pensar daquele jeito, Oliver sabia disso.

Você contou para Sara, Ray?

Sobre isso, eu contei sim. Lira não vai conseguir nada. Eu e Sara confiamos um no outro. – Os outros assentem. – O problema é envolverem o Killian nisso.

Como assim?

Você então se encontrou com aquela mulher? Ray parou no momento em que ouviu a voz da ex. Ele tinha ido até ali para conversar com o pai. Fazê-lo entender que amava Sara. Tentar fazê-lo aceitar ela. Falar sobre os bebês, que haviam nascido.

Você não disse que ela estava grávida.

Infelizmente ela está. Bufou. Mas isso não é um problema, Lira. Não para você, não é? Você sabe o que tem que fazer.

É claro que eu sei.

Eu quero aquela mulher e aqueles pestinhas fora da minha vida, e da vida do meu filho.

Se é isso que quer... Deu de ombros. Ainda tenho a sua palavra de que me dará o meu dinheiro?

Minha palavra é uma só.

Hum...

Não confia em mim, querida? Debochou ao falar “querida”

Você é um velho bastante ardiloso. Então não. Eu não confio.

Não se preocupe, eu vou te dar tudo que prometi. Cada dólar. Mas você precisa tirar Sara Lance do caminho de Ray.

Sara Lance. Esse é o nome? Já ouvi ele em algum lugar.

Ela é irmã da advogada mais renomada do país. A antiga Laurel Lance.

Claro. E qual seu problema com ela?

O mesmo que eu tinha com você. Ela não vale o prato que come. A outra não se incomodou com o que o ex-sogro disse. Ela ainda conquistou meu neto. Rosnou. E isso me irrita ainda mais.

Então você não vai gostar de saber..., que ele a chamou de mãe. O outro arregalou os olhos. Na minha frente.

Mãe? Ela não é a mãe dele.

Mas ele disse que ela é. Porque foi ela quem cuidou dele. Diz debochada. Garoto insuportável.

Não fale assim do meu neto. Lira mordeu a parte interna da bochecha, reprimindo a vontade de retrucar. Preciso ver meu neto. Preciso urgente. Ele não pode chamar..., aquela mulher... Fechou as mãos em punhos. De mãe.

Tarde demais.

Eu sei como convencer meu neto de que Sara Lance é uma maldita que apenas está atrás do dinheiro do seu pai. Já o coloquei contra ela uma vez..., e vou colocar novamente.

Vai usar o menino? – Pergunta sorrindo. – Ótimo. Vou fazer o mesmo. – Ray balançou a cabeça, decepcionado, e com vontade de tirar tudo aquilo a limpo, mas ele esperaria que Lira fosse embora. Ele se afastou quando ouviu que se despediam. Ele a viu passar, e então se aproximou da porta de madeira e a abriu.

Pensei que tinha ido... Se interrompeu ao ver o filho. Filho? Não sabia que estava aqui? Sorriu. Ray teve nojo daquele sorriso. Cadê meu neto?

Eu não deveria ficar surpreso..., eu realmente não deveria, afinal, tentou tirar Killian de mim, não é?

Do que está falando? E eu só tentei fazer isso, porque não queria que ele tivesse Sara Lance como influência.

Você não enxerga um palmo à sua frente, não é? Só se importa com o seu próprio umbigo. O outro franziu o cenho, não gostando de como o filho lhe falava. Eu..., estou decepcionado. Mas eu já deveria saber que teria dedo seu...

Não sei do que está falando.

Você. Você trouxe aquela vadia de volta para minha vida. Para a vida do Killian. Grita, não conseguindo suportar o ódio. A mulher que abandonou o próprio filho. Que não se importou com ele nem por um segundo.

Eu não sei...

Para de mentir. – O corta, gritando mais uma vez. – Eu a vi. Eu ouvi a conversa. Como é que o senhor pôde? Diz amar Killian, mas não pensou no quanto ele ficaria triste, assustado..., confuso?Ele sentiu tudo isso, e outras várias coisas ao encontrar aquela mulher na porta da escola.

Eu só quero o bem dele.

Você quer o bem próprio. E isso não vai ficar assim.

Como é? Está me ameaçando? Franziu o cenho, desgostoso.

Assim como você fez com Sara? – O outro se mostrou surpreso. – Ela me contou que foi à nossa casa, e que ofereceu dinheiro para ela sumir da minha vida e de Killian. E quando ela negou..., você disse que faria da vida dela um inferno.

Ela não merece ser uma Palmer.

Pois o problema é seu. Killian a ama. Eu a amo. E nós já marcamos a data do casamento.

Você não fez essa sandice. Rosnou.

Eu fiz sim. E você vai estar fora das nossas vidas.

O que?

Eu pedi uma ordem judicial, para que fique longe de mim, da Sara e dos meus filhos. E eles aceitaram. Logo você vai receber uma intimação.

Ray...

Eu poderia desistir disso. Eu vim aqui..., para tentar fazê-lo entender que eu amo Sara. Que eu a amo, e que se você a conhecesse melhor... Balançou a cabeça. A mamãe teria vergonha de você.

Não fale da sua mãe. Você não sabe...

Eu sei que ela não deixaria que fizesse o que fez. Depois que se casou com a naja do cabaré, você virou esse ser..., sem escrúpulos. E sabe o que vai ganhar com tudo isso, pai? Você vai ganhar o desprezo do seu neto.

Não.

Ele já tem medo de você. – O outro se mostrou novamente surpreso. – Daí para desprezo..., não falta muito. – Ele viu o pai abaixar o olhar. Ele queria muito que seu pai mudasse. Suspirou e se virou, pronto para ir para casa. – Ah..., eu vim avisar também que os gêmeos nasceram. – O pai o olhou novamente. – E se quer saber como são... – Jogou a foto que estava na mão direita, em cima da mesa. – Seus netos, apesar de dizer que não são, aí está.

Tenho medo que tentem colocar Killian contra Sara novamente. Meu pai tentou..., e conseguiu por alguns meses.

Mas Killian já não é vulnerável a esse tipo de coisa, Ray. Ele é esperto. E ele confia na Sara e em você.

Além disso, ele a chamou de mãe. — Oliver completa, depois de Barry.

Ainda estou surpreso por isso ter acontecido.

Eu também.

E ainda está acontecendo. – Sorriu. – Como Felicity nos instruiu, eu e Sara conversamos com ele, e desde então..., ele a chama de mãe.

É muito fofo.

Felicity ficou encantada. — Oliver comenta com um sorriso.

Quem diria, não é? Ele não suportava Sara..., e agora a chama de mãe. — Tommy diz, sorrindo. — Foi como Lyon disse que aconteceria. Sara conquistou os gêmeos em menos de uma semana, não seria diferente com Killian. — Os outros concordam.

Eu fico feliz por vocês. Killian não teve a chance de ter uma mãe, e agora ele tem.

Eu só queria que meu pai..., mudasse. Que ele fosse o homem que um dia eu conheci. O homem que ele era antes da minha mãe morrer.

Você jogou várias coisas na cara dele, Ray. Talvez..., apenas talvez, ele mude.

Você pode estar certo, Barry. Ele ficou surpreso quando disse que Killian tinha medo dele. Eu vi que ele ficou mal com isso.

Então, talvez ele mude sim. – Roy concorda. — Se ele ama mesmo o neto..., por que não?

Killian e Sara estão a cada dia melhor, mais próximos, e eu não quero que isso acabe por culpa do meu pai e da Lira.

Ele não sente ciúmes dos gêmeos?

Não, Tommy. Ele fica com Sara o tempo todo, ajudando-a. Nós explicamos que por serem pequenos, eles precisariam de mais atenção, mas que isso não queria dizer que não mais o amávamos, ou que o amávamos menos. Ele compreendeu.

Assim como ele compreendeu isso, Ray..., Killian também vai compreender que o avô e a mãe biológica, não são confiáveis. Ele não vai acreditar em nenhuma palavra que eles disserem.

Espero que esteja certo, Oliver. — Diz depois de um suspiro alto.

**--** **--**

Assim como os homens estavam reunidos, o mesmo acontecia com as mulheres. Elas estavam todas no apartamento de Oliver e Felicity. Enquanto eles assistiam ao jogo e conversavam, elas conversavam em volta da mesa que ficava na cozinha, comendo. Felicity tinha encomendado algumas coisas, entre elas o sorvete que ela tanto ama. Elas estavam se divertindo, até que de repente elas tocam no assunto irritante. Felicity estava curiosa para saber como estavam as coisas com a ex de Ray, e por isso perguntou á amiga. Sara não ficou irritada pela pergunta, na verdade ela queria mesmo desabafar. Ela tinha medo de que colocassem Killian contra ela novamente. Queria não sentir isso, mas era impossível. Felicity percebeu o desconforto da amiga, olhando-a nos olhos.

Ray descobriu que o pai quem a trouxe de volta à Star City.

Que maldito. — Laurel se pronuncia, indignada.

Por que isso?

Para nos separar, Cait. Ele ofereceu dinheiro para aquela mulher.

E ela veio. — Felicity deu uma risada debochada. — Mulherzinha repugnante.

Concordo. — Suspirou. — Ela recorreu, sabem?

Recorreu?

E..., ganhou?

Não, Laurel. Ray ainda não me contou tudo, ele estava preocupado, e eu exausta. Mas prometeu me contar tudo hoje. – Elas assentiram. – Eu só temo..., o que eles podem fazer para que Killian me odeie.

Ele nunca vai te odiar.

Claro que não, amiga. Ele te chama de mãe.

Eu achei tão fofo quando Felicity me contou. — Cait diz sorrindo. — Ele merece uma mãe como você.

Estamos muito bem, sabe. Ele tem ficado comigo, sendo cuidadoso não só com os gêmeos, mas comigo também.

Que fofo. — Dizem juntas.

Ele ficou com ciúmes?

Não. Mas perguntou se eu amava mais os gêmeos que ele. Eu disse que não. Eu e Ray explicamos para ele que os gêmeos precisam de mais atenção, mas que amamos ele do mesmo jeito que amamos os irmãos dele.

Ele deve ter ficado aliviado.

Ele ficou, Lis. E eu fiquei também. Não quero que ele pense que eu vou amar mais um que outro. Ele não tem meu sangue, mas já o amo como se fosse meu.

Nós sabemos. — Laurel diz sorrindo. — Nós vemos isso quando estão juntos.

Aquele dia na escola..., a forma como ele a abraçou, e disse que você era mãe dele, porque você o cuidou..., achei tão fofo.

Apesar da situação..., eu também achei. Killian está aprendendo a demonstrar carinho. Lembra-se da briga com Bryan?

E como. Meu filho chegou com escoriações, e estava irritado.

Quem iria imaginar que ficariam tão amigos?

Não é? Oliver estava falando sobre isso esses dias atrás. — Apesar da conversa, Felicity não havia parado de comer desde que as amigas chegaram. E além de Caitlin, mais ninguém havia percebido.

Eu acho fofa a forma como os dois ficaram tão amigos. — Thea se pronuncia, largando o copo de suco em cima da mesa. — Assim como Bryan é com Lyon.

Bryan e Lyon são mais que amigos, é quase como irmãos.

Mesmo? — As mães dos meninos se olharam.

Foi o que Bryan disse. – Sorriram uma para a outra. – E eu gosto.

Eu também.

É incrível como minha vida mudou desde que voltei para Star.

Foi a teia do destino. — Felicity sorriu para Sara. — Você e os gêmeos precisavam estar na vida de Oliver. Ele precisava de vocês para voltar a ser quem era.

Para voltar a ser feliz. — Laurel completa.

E eu fico feliz por termos nos conhecido. Em pensar que minha paciente viraria minha melhor amiga. – Elas riram. – Eu nunca imaginei.

Nem eu. Mas eu gostei de você desde que nos vimos pela primeira vez, e eu me apaixonei por sua filha do mesmo modo.

Ela também te amou desde que se viram pela primeira vez. E é por isso que eu não poderia ter alguém melhor para madrinha da minha filha. — Elas sorriram uma para a outra.

Será que já estão voltando? — Thea muda de assunto. Sara olha no relógio de pulso.

Sim. Devem estar na sorveteria, mas logo estão aqui.

Avisei a Oliver para trazer Belly Burger.

Senhor Jesus, cunhada. Eu comi demais, eu não quero. — Felicity deu de ombros.

Bom, já que eu não comi do bolo doce que eu tanto queria, pelo menos o Belly Burger eu posso, né Cait? – A amiga suspirou. – Por favor?

Tudo bem. Mas não faça isso sempre, pelo menos por alguns meses.

Tudo bem. Só hoje. — Diz animada e as outras riram.

Tem certeza de que consegue comer, Lis?

Com certeza.

Essa aí é boa de prato, Laurel. Você sabe disso muito bem.

Tá. Mas ela comeu o bolo doce, o bolo salgado, a panqueca doce..., e ainda vai comer o Belly Burger? Tô assustada. — Elas riram.

Eu não tomei café da manhã. — O que não era mentira. Ela não se sentiu bem de manhã e acabou não conseguindo comer nada. Ela franziu o cenho, pensando na possibilidade. Não. Não era possível aquilo estar acontecendo, ela pensa.

Lis? — As amigas chamam.

Oi? — Ela olha para cada uma delas.

Está tudo bem?

Está sim, Sah. Estava pensando. — Suspirou. — Então..., eu vou pegar sorvete, quem quer?

Eu quero. — Todas dizem juntas.

Tem Rock Road, Cookie and Cream, Sensation e Mint Chocolate.

Você sabe que meu preferido é o Rock Road, né cunhada? – Felicity riu e entregou para ela. – E você Laurel?

Mint Chocolate.

Cookie and Cream. – Felicity já se aproximava de Sara com o pote, quando ouviu a amiga. – Você e Felicity tem os mesmos gostos? De sorvete, quero dizer.

Sim. Eu amo misturar esses dois. – Caitlin responde colocando uma bola de “Sensation” e uma de “Cookie and Cream”.

Eu vou misturar os três. — Elas riram. — Eu amo misturar sorvete.

Ah, agente se lembra de que você os deixaria ficarem quase em líquido para serem misturados. – Caitlin riu junto das outras.

E eu ainda gosto. — Ela jogou calda de chocolate, morango e uva.

Nossa, agora eu estou diabética por você. — As outras riram ao ouvir Laurel.

Você ainda faz isso?

Para mim só os M&M’s tá de bom tamanho. — Tha coloca um punhado. — Eu não sabia que comprava essas coisas.

Eu compro porque eu gosto e os gêmeos também. – Colocou uma colher na boca. – Doce é uma das melhores maravilhas do mundo.

Você já está se esbaldando no doce, não é? — Todas deram um pulo da cadeira, se assustando. Os homens e as crianças riram.

Que susto.

Isso não se faz. — Estavam todas com a mão no coração.

Foi mal. — Eles se aproximam ao mesmo tempo, beijando a bochecha das mulheres. Roy se sentou entre a irmã e Thea.

Você ainda faz essa meleca? — Os outros riram.

Isso porque não viu ela misturando calda de banana junto.

Eca. – Roy faz uma careta. – Depois você diz que as crianças quem comem muito doce.

É. Se a mamãe pode, agente também pode. — O casal se olhou quando ouviu o filho.

E ele não está errado. — Felicity não respondeu.

Cadê o Belly Burger?

Você vai comer?

Claro. Eu pedi, né, Oliver.

Eu também vou.

Sara... — O marido começa a repreende-la.

A Cait me autorizou.

Só hoje. – Apontou o dedo para a amiga. Oliver entregou um saco de papel para a esposa, um para Sara e um para Laurel.

Tem certeza de que não quer, Cait?

Uhum. Estou cheia, Lis.

Thea?

Não, não. Obrigada. Você consegue comer por mim. — Caitlin não duvidava daquilo.

Então..., como foi o jogo? — Caitlin pergunta, querendo mudar de assunto.

Foi ótimo. Vocês deveriam ter ido.

Quem sabe em uma próxima?

Ou nunca. — Eles riram ao ouvir Laurel.

Ah, deixem de ser bobas. Devíamos ir sim. — Sara diz. — Eu gosto.

O que muito me impressiona.

Por que?

É a primeira mulher que eu conheço que gosta de jogo.

A Cait também gosta. — Barry diz.

Tentei fazer minha irmã gostar..., ela ficou me perguntando o jogo inteiro, me atrapalhando a assistir. — Os outros riram, mas Felicity continuou comendo.

Eu tenho um truque.

Me ensina, pelo amor de Deus. — Eles voltam a rir.

Ela dorme se fazer cafuné.

Ah. — Roy olhou para a minha irmã. — Por que eu não pensei nisso?

Não precisa nem fazer por muito tempo, alguns segundos já bastam. — Os amigos voltam a rir. — Por isso eu não me importo em estar com ela quando estou assistindo qualquer tipo de jogo.

Boa, cunhado. — Bryan sorriu ao ver o pai e o tio se dando bem. — Vou levar essa para a vida. — Eles voltam a rir. Felicity os olham.

Por que eu acho que estão falando de mim?

Você não ouviu? — Ray ficou surpreso.

Eu não.

Ela está concentrada na comida.

Eu também fico assim, às vezes. — Caitlin admiti.

Principalmente quando estava com desejos de gravidez. — Felicity se assusta com o que ouve. Era sinais. Vários sinais e ela não estava vendo. Ninguém estava vendo. Olhou para Caitlin, que não tirava os olhos dela. Ela estava desconfiada também. Oh, Deus, Felicity pensou. Balançou a cabeça.

Querem sorvete?

Não. Nós tomamos na sorveteria.

Eu coloquei um monte de guloseima. — Kitty diz, enquanto comia M&M.

Ah, eu imagino, meu amor. — Felicity olhou para Brooke, que pegava M&M. — Querida, não acha que já comeu muito doce?

Olha quem fala. — Ela olha para o marido, quando o ouve sussurrar.

Ah, mamãe.

Eu acho que sua mãe está certa. Chega, né? — Ela cruzou os braços.

Amanhã você come mais depois do almoço.

Kitty, você também, querida. — Cait a puxou para seu colo, e afastou o saco de chocolate.

E os gêmeos? — Sara olhou para Killian.

Dormindo, querido, junto de Niki e Connor.

Posso ir lá?

Claro. — Diz sorrindo.

Nós também vamos. – Lyon diz ao mesmo tempo em que Kitty descia do colo da mãe.

Não os acordem, por favor.

Tá bom. — Dizem todos juntos, e correm para o segundo andar.

Se Deus quiser, eles só vão acordar daqui duas horas. – Sara se pronuncia.

Amém. — Ray concorda e os outros começam a rir.

**--** **--**

Oliver e Felicity estavam deitados um do lado do outro. Ele estava percebendo a inquietação da esposa, e mesmo que quisesse perguntar o que estava acontecendo, ele esperaria que ela lhe contasse. Sabia que ela não conseguiria guardar o que pensava por muito tempo. A conhecia o bastante para saber disso. Felicity tentava a todo custo não pensar naquela suspeita. Ela não poderia estar. Era impossível que algo acontecesse tão rápido. Não. Isso era nervoso por causa de Moira. Tinha que ser. Suspirou. Então de repente ela se lembrou dos amigos de National City. Lembrou da conversa que teve com Kara mais cedo.

Oliver? — Ele a olhou, mesmo que não conseguisse ver totalmente seu rosto.

Hum?

Falei com Kara hoje.

É? E como estão todos?

Mais ou menos.

Mais ou menos? — Ele arqueou as sobrancelhas e Felicity apoiou o queixo no peito do marido para olhá-lo melhor.

A Kara descobriu que tem cistos no ovário, e eles passaram também para o fígado e para o rim.

O que? Isso é sério Felicity.

Sim. Ela ligou para avisar que vai fazer uma operação de risco.

Imagino o desespero do marido dela.

Ele está muito preocupado..., mas tem um problema a mais.

Qual? — Felicity se sentou e Oliver fez o mesmo, encostando as costas na cabeceira.

Mabel está assustada. Ela não quer ficar com a tia dela, insiste em ficar com os pais. Mon-el está com medo de que deixá-la por perto naquele momento não seja uma boa ideia.

Claro, ela é só uma criança.

Por isso eles perguntaram se não podemos ficar com ela até que Kara volte para casa.

Claro. É claro, Felicity.

Eu queria falar com você antes.

Eu não me importo. Mas eles não se preocupam com a nossa situação?

Não. Eles disseram que confiam em nós. — Oliver assentiu.

Então peçam que mandem a menina.

Pensei em pedir ao Roy para buscá-la.

Faça isso. Na verdade, é mais seguro que deixá-la vir sozinha.

Então eu vou falar com ele amanhã mesmo.

Quando ela vai fazer a cirurgia.

Os médicos estão tentando descobrir por onde começar, já que alastrou, né... — Oliver percebeu a preocupação da esposa. Colocou uma das mãos no rosto dela.

Ela vai ficar bem.

E se não? — Os olhos de lacrimejaram. — E se algo der errado?

Nada vai dar errado, meu amor. Vai dar tudo certo. Ela vai se sair bem durante e depois da cirurgia. — Ela assente. — Vem aqui. — Ele a puxa para seus braços, e a abraça. — Kara ficará bem. — Sussurra em seu ouvido.

**--**

Fazia quase uma semana que a pequena Danvers estava sendo cuidada pelos Queens. Apesar da menina sempre perguntar pelos pais, e sentir muitas saudades, ela estava menos assustada. Com certeza deveria ter visto tia, avó e pai em desespero, e por isso Felicity acreditava que essa era a razão da menina ter ficado tão desesperada. Com medo da mãe morrer. Tinha sido uma ótima ideia mantê-la longe de tudo. Kara tinha feito a primeira operação, e por enquanto estava tudo bem. Mon-el tinha ligado e explicado a operação seria arriscada, e que por isso os médicos decidiram não arriscar o corpo dela, mantendo-a aberta por tantas horas. Ela teria mais três cirurgias pela frente. Felicity orava todos os dias para que tudo desse certo. As crianças brincavam no jardim da casa de Ray. Felicity tinha contado tudo o que estava acontecendo com Kara, e todos estavam torcendo para que a loira melhorasse logo.

Felicity. — Ela olhou para a amiga loira.

Sim?

Kara vai fazer outra cirurgia hoje?

Vai sim. Às 15h. — Suspirou. — Mon-el disse que os médicos estão confiantes. Ela não teve nenhuma reação alérgica, e não teve ataques cardíacos, então...

Graças a Deus. — Thea diz.

Eu fico imaginando o desespero dele. Eu ficaria louco se estivesse na situação dele.

Não só você, Barry. Todos nós aqui. — Tommy corrige. — Como é que isso aconteceu?

Ela estava sentindo algumas dores fortes. Foi ao médico, e ele disse que ela estava perfeitamente bem.

Ela estava sentindo dores, fortes, e o retardado diz que ela está perfeitamente bem? — Caitlin ficava revoltada com esse tipo de médicos. — Ele pediu exames?

De sangue.

Nenhum ultrassom? — Felicity negou. — Incompetente.

Ela voltou para casa, mas continuou com as dores. Mon-el decidiu levá-la ao outro médico e esse mandou ela fazer uma bateria de exames.

Ainda existe médicos que preste. — Laurel comenta. Estava tão revoltada quanto Cait.

Ele descobriu tudo isso.

Poderia ter sido evitado, se o incompetente tivesse pedido todos os exames quando ela foi até ele. Que ódio que eu tenho gente assim.

Fica calma, Cait. Não pode se estressar.

Você está certo. — Respirou fundo. — Mas é que...

Nós entendemos, Cait. — Ray diz. — Esse médico foi um irresponsável.

Felicity disse que Mon-el vai processá-lo.

Faz bem. — Sara diz. — Faz muito bem. Por culpa daquele imbecil, a mulher dele está em risco.

Eu ainda me pergunto se o mundo está acabando. Onde a gente não tenha um ser desgraçado, destruindo vida alheia.

Concordo. — Oliver diz olhando para o cunhado.

E vocês dois, hein? — Thea e Roy que estavam lado a lado, olham para Sara. — Quando é que vão assumir?

Assumir? — Roy franziu o cenho.

Não ouça ela. — Thea revirou os olhos.

Não, agora que minha cunhada perguntou eu quero saber. — Barry e Ray riram. — Quais são as suas intenções com a minha irmãzinha, hein?

Como é?

Aff, ninguém merece. Tommy, cala a boca.

Não. Não calo não. Sou seu irmão mais velho.

Tanto faz. — Ele a fuzilou. — Você não é meu pai.

Okay. Os deixem em paz.

Oliver? Está mesmo dizendo isso?

Eu não vou me meter nisso por duas razões: Primeira, ele é irmão da minha mulher. — Os outros, com exceção de Tommy, riram. — E segundo, a decisão de namorar ou não é dela. Nunca me meti nisso. Só quando eu achei que o cara não prestava.

E estava certo. — Murmurou. — Ah, se arrependimento matasse.

O que importa é que o maldito está atrás das grades, graças ao Malcom, e você está bem. — Laurel diz sorrindo.

Mas eu também queria saber como é que está isso aí.

Você continua curiosa, não é? – Roy revirou os olhos para a irmã. – Estamos nos conhecendo. Satisfeitos?

Sim, eles estão. Próximo assunto. — As mulheres riram.

Tá. — Tommy bufou. — Não vou mais tocar nesse assunto. Mas tem algo que eu estou curioso... — Olhou para a porta do jardim. As crianças ainda brincavam. — E a sua ex? O que deu depois de tudo aquilo que contou?

Bom... — Suspirou. — Ela anda me infernizando.

Mas acreditem ou não, o pai do Ray veio ver os gêmeos.

Sério? — Sara assente.

Ele ainda não gosta de mim, mas não me tratou mal, ou nada do tipo.

Eu acho..., que depois que você disse que Killian poderia odiá-lo, ele ficou com medo. Ele realmente ama o menino. – Roy concordou com Barry.

Eu também acho que foi essa a razão de ele mudar de ideia.

Quem me dera se Moira tivesse esse mesmo pensamento.

Infelizmente, ela continua o mesmo demônio de antes. — Laurel diz, e ninguém pôde contradizer.

Vocês conversaram, Ray? — Tommy perguntou, e o amigo assentiu.

O que ele disse? — Caitlin e Felicity perguntam juntas, e sorriram ao perceber isso.

Ele disse que está arrependido. Conversamos e eu disse que para ele voltar a minha vida e de Killian ele teria que mudar. Teria que tratar Sara bem.

E o que ele disse?

Disse que vai tentar. Disse que não quer que Killian o odeie. Ele percebeu o quanto o neto estava arredio com ele, e com medo, assim que chegou aqui em casa.

Ele não saiu de perto de mim. – Sara completou.

Eu não sei, mas acho que ele estava sendo verdadeiro.

Tomara.

E sobre Lira?

Ele disse que agora não poderia fazer mais nada. A mulher não vai desistir de ter Killian de volta.

O que?

Meu pai conversou com ela, ofereceu o dinheiro para ela ir embora, e ela não quis ir.

Você viu isso acontecer? — Oliver pergunta, desconfiado.

Com meus próprios olhos. – Os amigos assentiram. — Ontem mesmo.

A vadia vai continuar aqui te infernizando? — As mulheres estavam indignadas.

Ela quer a guarda do Killian.

Para quê?

Killian é o herdeiro da empresa Palmer. Meu pai colocou tudo no nome dele, então quem tem a guarda dele...

Tem o direito sobre a grana. — Ray assentiu.

É muito interesseira.

Eles tiveram o primeiro encontro anteontem.

E como foi?

Nada bem. — Sara quem responde.

Então? Do que você gosta? – Lira pergunta para o filho, que estava sentado no primeiro degrau da escada, com um falso sorriso no rosto. Ray tinha certeza de que era falso. Ela estava fazendo tudo aquilo por dinheiro, ele se lembra a si mesmo.

Não importa. – A mulher arqueou as sobrancelhas, por causa da resposta malcriada.

Eu sei que adora a sorveria aqui do bairro. – Ela insiste e Ray revira os olhos, sem que o filho percebesse. – Que tal irmos até lá?

Não quero. – Ela não olhava para a mulher, e sim para o joguinho de celular.

Então..., Belly Burger? Você gosta de sanduíche, certo?

Não. – Era mentira. Ela sabia disso, pois o avô do menino tinha lhe contado várias coisas sobre o neto.

Eu sei que é mentira.

Como? – Ele a olha pela primeira vez.

Ela soube pelo seu avô, Killian. – Ray responde quando a ex fica sem palavras. – Ele a trouxe de volta.

Por que? – O menino não compreende. – Por que ele faria isso? Ele disse que não gostava dessa mulher.

Mãe. Eu sou a sua mãe.

Não é não. Minha mãe está lá em cima, com meus irmãozinhos. – Ela trincou os dentes. – Você não vai me tirar dos meus pais.

Ela não vai fazer isso. Ela não pode fazer isso, filho, eu te expliquei. – O tranquilizou mais uma vez.

Eu quero te conhecer melhor. Sabe, eu soube pelo seu avô que você tem gostos parecidos com os meus. – Se sentou ao lado de Killian enquanto dizia. Ray deu uma risada debochada. – O que? – O olhou irritada.

Gostos parecidos? Killian não tem nada de você, graças a Deus.

Senhor Palmer, por favor, vamos manter a paz diante do menino. – A assistente social se pronuncia.

Desculpe.

Seu sorvete preferido é Rock Road, certo?

Não. Meu sorvete preferido é igual ao da minha mãe. Cookie and Cream. – Desviou os olhos novamente para o joguinho.

Killian, escolha um lugar está bem, filho? – Ele olhou para o pai.

Eu não quero ir, papai. Eu quero ficar com meus irmãos..., e com a mamãe.

Eu sei. Eu sei disso, mas... – Suspirou. – É uma ordem do Juiz, Killian. – O menino bufou.

Sorveteria. – A mulher sorriu. – Mas não a que agente vai sempre, papai.

Por que? – Lira pergunta.

Porque eu não quero ir naquele lugar com você. – Ray percebeu o ódio da ex. Ela não tinha gostado de como Killian havia lhe respondido.

Eu quero conhecer sua sorveteria preferida, filho. – Diz falsamente. – Com você ao meu lado. Eu, você e seu pai. Como uma família.

Você não faz parte da minha família. – O menino responde, antes que Ray o fizesse. – Eu sei que você quer separar meus pais. Quer me tirar deles...

Querido, eu sou sua mãe, tenho o direito...

Você me abandonou. – A cortou. – Me abandonou por dinheiro. E agora voltou por dinheiro também. – Ray estava surpreso. Ele não contado sobre aquilo para o filho. – Eu sei disso. Eu ouvi meus pais conversarem sobre isso. – A assistente social olhou para Lira e Ray.

Pois eles mentiram. Eu não estou atrás do dinheiro...

Não minta para ele. – Ray a corta. – Eu ouvi você conversando com meu pai. – Bufou. – Killian ouviu eu e Sara conversando; eu não sabia disso, deixo claro. – Olhou para a assistente social.

Eu ouvi escondido.

Amor...

Não me chama assim. Só meus pais e meus tios podem me chamar assim.

Eles não te amam como eu te amo, Killian. – Tentou abraçá-lo, mas ele se afastou.

Eles me amam muito mais. Eles não me abandonaram. A minha mãe esteve comigo nos momentos em que mais precisei.

Meu filho, você nasceu de dentro de mim. Mas te separaram de mim muito cedo.

Ninguém a separou dele. – Ray volta a cortá-la. – Diga a verdade pelo menos uma vez na sua vida, Lira. Você o abandonou.

Isso foi o que você enfiou na cabeça dele. Mas não é verdade, querido. Não é. – Ray revirou os olhos. Killian balançou a cabeça, não acreditando nas palavras dela. – Eu mereço ter a chance de ser a sua mãe de verdade. Te conhecer melhor. E eu sei..., que logo a lei vai reconhecer o que é ser justo, Killian. Eu sou a sua mãe.

Eu não quero saber de você. – Grita. Todos ficam impressionados, até mesmo assustados. – Você quer me tirar da minha mãe. Eu já disse isso várias vezes, mas agora que eu estou sendo forçado a te ver... – A olhou nos olhos. – Eu repito: Nunca. – Volta a gritar. – Ouviu bem? Nunca..., eu vou te chamar de mãe. – Todos a volta do menino não conseguiram dizer uma palavra. Ele correu para o segundo andar, e Ray sabia, ele tinha ido para os braços de sua noiva. Da mulher que o filho escolheu como mãe.

Uau. Ele disse tudo isso? — Ray ouviu um dos amigos se pronunciar.

Cada palavra, Oliver.

Fiquei fã do seu filho. — Roy diz. — Tá certo em dizer tudo isso. Deveria ter dito mais, bem que ela merece ouvir.

Não posso concordar mais. — Sara diz. — O fato é que ele não queria sair, não queria ir com aquela mulher.

Sara o convenceu. Não foi fácil, mas convenceu.

Essa mulher não vê que está deixando Killian transtornado?

Thea, ela não se importa. Ela só se importa com ela mesma.

Eu teria dado na cara dela. — Felicity diz.

Era o que eu queria fazer, mas Ray me impediu. – Tommy, Oliver, Barry e Roy riram.

Você é bem esquentadinha, né?

Muito, Roy, muito.

Olha quem fala. A suja falando da mal lavada. – Todos riram. – Você também é esquentada, Laurel. Assim como a Cait.

Verdade. — Caitlin socou o braço do marido e ele riu. — Só confirmei.

Então eu entendo porque vocês todas se dão tão bem com a minha irmã.

Como é? — A irmã arqueou uma das sobrancelhas.

É a verdade. — Deu de ombros.

Depois do encontro, vocês se viram novamente? — Caitlin pergunta.

Não. Ela só pode vir aqui em casa no final de semana.

Entendo.

Fico pensando como fica a cabeça do seu filho com isso tudo.

Eu..., realmente queria que não fosse dessa forma, Felicity.

Ela não vai conseguir nada com isso.

Seu pai não pode dizer ao Juiz toda a verdade? Do porquê de ela estar aqui?

Pode, mas não agora. Ele precisa de provas do que disse.

E? Ele vai conseguir?

Espero que sim. — Diz depois de um suspiro.

Vai dar tudo certo. – Felicity diz. – O importante é que seu filho não confia na mulher, e nem vai confiar. E ela não vai conseguir tirar Killian de você.

Que os anjos te ouçam.

**--** **--**

A família Queen não demoraram muito na casa dos amigos, mesmo que eles tivessem convidado todos para jantar. Sara precisava descansar, e Ray também, por isso ficaram até o lanche da tarde e se despediram. Assim que chegou em casa, Mabel conversou com o pai, que a deixou mais aliviada, dizendo que a mãe estava bem e que dormia tranquila. Felicity se sentiu melhor, sabendo disso também. Depois do jantar, Felicity foi tomar seu banho, enquanto Oliver colocava um filme para as crianças, já que estavam sem sono; Felicity acreditava que isso não duraria muito tempo, por terem brincado o dia e a tarde toda. Saiu do banho, vestiu uma camisola azul clara de seda, e nos cabelos, uma toalha roxa, que logo foi tirada e colocada na bancada do banheiro. Descalça, ela caminhou para fora do quarto, estava faminta, mesmo que tivesse jantado á quase 40 minutos atrás. Encontrou um pedaço de torta de frango, assim que abriu o congelador. O tirou e depois de colocar em um tabuleiro, o colocou no micro-ondas. Ele não tinha visto o marido ao passar pela sala. Pegou um garfo e depois de retirar a torta completamente quente do micro-ondas e colocar em um prato, ela caminhou até a sala, sentou-se no sofá, e esfriando a comida, ela começou a comer. Oliver não acreditou que a esposa estava comendo novamente, sendo que havia comido uma pratada de macarrão á alguns minutos. Ele parou um pouco longe, para observá-la. Ela mordia cada pedaço com vontade, e isso fez com que o marido risse baixo. Balançando a cabeça, e vendo ela deixar o prato na mesa de centro, ele se aproximou da esposa. Percebeu então que a TV estava ligada. Mas estava tão baixo que ele não ouvia quase nada.

Ei, Baby. — Se sentou e beijou sua têmpora. — Que filme é esse?

Hummm..., não me lembro. — Ele riu.

Você está aqui á muito tempo?

Acho que 15 minutos. Eu acho. — Franziu o cenho. — As crianças dormiram?

Quando saí do quarto ainda assistiam ao filme. Eu fiquei um pouco com eles. — Foi o que ela imaginou, e por isso ela assentiu. — Você estava comendo? — Perguntou mesmo que já soubesse.

Sim. Estava faminta.

Mesmo depois da quantidade de macarrão que comeu?

E daí? – Deu de ombros, e ele riu, puxando-a para seu colo.

Você anda com uma fome assustadora. — Felicity não queria falar sobre aquilo.

No momento..., estou sentindo uma fome diferente. — Sussurra provocantemente. Oliver trincou os dentes ao sentir o traseiro da esposa rebolar sobre si, mesmo que lento.

Não provoca, Felicity. — A advertiu, mas ela riu, travessa.

Eu aprendi com você. – Ela volta a rir, ao ver a feição do marido. – Você sabe que é verdade.

Nossos filhos estão acordados ainda.

Não por muito tempo, acredite. — Mordeu o lóbulo de sua orelha de forma provocante.

Vamos para o nosso quarto. — Ele a carregou para o segundo andar, entrou no quarto deles, e com apenas uma mão, ele trancou a porta. — Ainda está com fome? — Ela gemeu.

Muita. — Ele sorriu e a jogou na cama. Ela riu e se arrumou melhor, enquanto observava o marido retirar a própria bermuda e a boxer. Felicity o olhou de cima a baixo, mordendo o lábio. Oliver se colocou em cima da cama, e se aproximou do corpo da esposa, passando ambas as mãos pelas coxas, subindo-as lentamente junto da saia da camisola. Felicity se arrepiou por inteira. Ele ouviu a respiração dela se tornar irregular.

Me diz o que quer. — Ele mordiscou o seio dela por cima da camisola e a ouviu arfar. — Vai ter que me dizer.

Você é maldoso. — Ele riu, sem deixar de brincar com seus dedos no corpo dela.

Oh, você está sem calcinha. — Ele gemeu só de perceber esse fato com os dedos. Ela gemeu ao sentir dois dedos dele tocar seu sexo.

Oliver. — Geme um pouco alto demais quando sete um dos dedos adentrar entre suas paredes internas.

Isso, amor. — Ele mordeu e chupou o pescoço exposto, subindo com uma única mão, a peça de roupa que ela usava. — Geme para mim. — Foi a vez de ele gemer quando ela levou o quadril em direção ao seu membro.

Eu quero você. — Ela sussurra, tentando controlar a respiração.

Eu também quero você. — Ele ouve uma reclamação quando ele retira seus dedos. — Sente isso? — Ela geme alto ao sentir o membro dele passar em seu sexo de forma provocante. Oliver morde o lábio quando consegue finalmente retirar a única peça de roupa que a esposa vestia. — Tão gostosa. — Rosna, sentindo as paredes internas dela espremerem seu membro. O gemido de Felicity e o seu próprio foram abafados pelo beijo inesperado vindo da parte de sua parte, de forma urgente e selvagem. Felicity correspondeu do mesmo modo enquanto abraçava as pernas na cintura do marido, fazendo com que as estocadas fossem mais fundas. Mesmo sentindo a falta do ar, eles não deixaram a boca um do outro.

Eu te amo. — Ela diz em meio ao beijo. Ele morde seu lábio inferior de forma provocante.

Eu te amo mais. — Diz antes de tomar os lábios dela novamente.

**--**

Caitlin era a única das amigas que percebia a fome absurda que Felicity estava. Ela até mesmo estava surpresa que as outras não estivessem falando sobre aquilo. Sua amiga não tinha parado de comer desde que saiu de casa. Elas tinham decidido passar o dia no shopping. As crianças estavam, pela primeira vez, sozinhas dentro de um cinema. Ficavam preocupadas? Claro. Mas eles já tinham sete anos, e queriam assistir um filme só eles. Enquanto esperavam o filme acabar, elas tinham comprado várias coisas, inclusive roupinhas de bebê. Felicity tinha comido um pouco de tudo, inclusive mini pastéis com milk-shake de baunilha, e mesmo assim, as amigas não haviam dito nada. Caitlin se perguntava se elas não tinham percebido o quão nojento era aquilo, ou se elas estavam fingindo não ver.

Felicity tinha percebido sua fome absurda. Á dias estava daquele jeito. Mesmo assim, ela se recusava a descobrir a verdade. Ela estava com medo. Não estava pronta para aquilo. E se acontece tudo de novo? Ela não conseguiria suportar. Olhou para o segundo sanduíche do dia, que havia comido, e mesmo assim, as amigas não disseram nada. Ela agradecia aos céus por elas não perceberem, ou fingirem perceber. Ela teria que se controlar, pelo menos perto das amigas. Mordeu o lábio, nervosa. Aquele era o último dia. Estava cansada de ficar na incerteza, por mais medo que sentisse. Ela não queria, mas precisava descobrir. Para o bem dela mesma. Suspirou e então percebeu que Caitlin a olhava. As outras tinham ido comprar alguma coisa, que ela nem mesmo tinha ouvido, e por isso esperava pelas amigas na praça de alimentação, junto de Cait. Elas não quiseram ir com as outras.

Você percebeu, certo?

O que?

Felicity, não se faça... – A amiga engoliu em seco. – Eu sei que percebeu. Você está comendo pra caramba, amiga.

Eu sei. – Abaixou o olhar.

Você sabe o que pode ser, certo?

Não. Não pode ser isso. – Olhou desesperada para a amiga, que pegou sua mão que estava em cima da mesa. – Cait, eu não vou aguentar... – Balança a cabeça. – Se for mesmo verdade... Cait, eu não vou suportar se algo acontecer com essa criança.

Calma. Fica calma. – Se levantou e se sentou ao lado da amiga. – Nós ainda não sabemos se é mesmo uma gravidez.

Mas eu estou com uma fome absurda. Tenho me levantado de madrugada para comer, tenho sentindo um sono que é muito estranho. Eu... Eu estou com medo, Cait.

Você vai ficar bem. Vamos fazer o exame. – Felicity concorda, nervosa. – Vamos descobrir se está mesmo grávida. E vamos cuidar para que tudo dê certo.

Cait... – Os olhos claros começam a lacrimejar. – Eu sei que foi uma decisão minha..., eu não me arrependo dela, mas estou com muito medo.

Eu sei que sente medo, mas se esse bebê já está aí..., ele já está ouvindo. Ele está sentindo tudo o que você está sentindo, Lis. Não faz bem para ele, você ficar assim.

Okay. Você está certa. — Respirou fundo. — Eu preciso me acalmar. O fato é que eu não achei que fosse acontecer tão rápido.

Se você estiver grávida, o que eu tenho certeza... – Sorriu. – Nós vamos cuidar para que esse bebê fique bem. Vamos cuidar para que nada aconteça com vocês. Vai dar tudo certo. Vamos pensar positivo? – Ela balança a cabeça. – Não chore, está bem? – Ela desvia os olhos por breves minutos. – As outras estão se aproximando.

Não conte. – Pede desesperada. – Por favor, não conte, Cait. Vamos deixar só entre nós.

Tudo bem. Prometo. Mas amanhã cedo te quero no meu consultório.

Combinado.

Notas finais
É isso mesmo que leram, gente. Felicity está mais que desconfiada, assim como Cait... E no próximo ela descobrirá se está "mesmo" grávida. Alguém ainda têm duvidas? Deixa quieto. Bom, como eu me expliquei em Kupidon, me explicadei aqui também. Minha sobrinha está para nascer, até segunda-feira ela já deve estar nesse mundo. Graças a Deus. E por isso eu não sei se poderei continuar atualizando toda semana. Caso eu me demorei, é por causa da minha princesinha. Estou esperando por ela á muito tempo. Meu cunhado só terá 5 dias de folga do trabalho, e eu estarei ajudando minha irmã a cuidar da minha sobrinha/afilhada. Por favor, não desistam de mim. Voltarei assim que possível. Talvez eu ainda poste semana que vem. Vamos ver o que vai dar. PS: Postarei a prévia no Zap Kissus