Cross Destination
3 Capítulo Três
Notas iniciais

**Oliver**
Estava naquele corredor a meia hora. Deus! Não sabia o que faria quando eu a encontrasse. O que eu falaria? Pensar que ela me escondeu duas crianças por seis anos, meus filhos, me deixava irritado, irado. Mas ao mesmo tempo, eu penso no que ela passou nesses anos. O que eu fiz? Eu tinha me culpado por muito tempo, pelo que eu fiz, depois passei a culpa-la, mas agora... Agora eu não sei quem culpar. Não, eu sabia, sim. Era minha própria mãe a culpada. Baguncei meus cabelos e saí daquele corredor, voltei para a sala de espera, onde estava Tommy.
Não entrou ainda? — Arqueou as sobrancelhas. Sim, eu estava sendo um covarde, mas não era qualquer pessoa que eu encontraria depois de seis anos... Era minha ex-noiva. A mulher por quem eu ainda sou completamente apaixonado.
Não sei o que fazer.
Não seja covarde, Oliver! — Praticamente rosnou. Eu sabia que estava sendo um covarde, mas ouvir isso do meu amigo, me deixou mal. Era humilhante. — Você tem a chance de falar com ela. Se explicar. — Ele está certo. — E por favor, não discutem. Não é a hora... Ela não está 100% ainda. — Suspirei.
Você está certo. — Olhei para o corredor do quarto dela. Eu tinha conseguido uma segunda chance, não posso desperdiça-la. Eu a veria depois de tanto tempo. Gostaria de saber o quanto ela mudou. Saber como ela estava, se estava tão linda quanto era antes.
Vou te esperar aqui. — Assenti enquanto dava passos em direção ao quarto dela. Felicity Meghan Smoak. — Boa sorte, Ollie.
**--** **--**
Parei em frente a porta. Suspirei criando coragem para colocar a mão na maçaneta. A voz infantil que ouvi me fez parar antes mesmo de abrir a porta. Eu só podia imaginar que era meu filho. Como seria me encontrar com ele? Como seria me encontrar com Felicity? Será que ele e a irmã sabiam de mim?
Mas e se ele nos encontrar? — Ele estava com medo. Mas de quem? Meu corpo estremeceu, mas não foi de medo, foi de raiva. — Ele vai levar você...? — Ele não terminou a frase, foi interrompido pela mãe. Ouvir a voz dela depois de tanto tempo, me fez estremecer, de um jeito bom dessa vez. Logo percebi que estavam se despedindo, então saí do corredor e me escondi. A primeira pessoa que vejo, é Sarah, logo atrás dela, meu filho. Ele pegou em sua mão e juntos começaram a caminhar. Tommy estava certo, ele era a minha cara. Isso me fez pensar na minha filha... Ainda era tão estranho falar "filhos"..., mas era bom. Criei coragem, saí de onde estava e abri a porta. Eu a vi, olhos arregalados, com certeza não esperava me ver. Ligado ao corpo dela tinha um soro. Subi meus olhos novamente para seu rosto e dessa vez prestei bastante atenção. Ela estava diferente. Cabelos mais longos, abaixo da cintura, antes eram um pouco abaixo dos ombros. E o mais impressionante, ela não estava com os cabelos negros, estava loira. Completamente loira. Está ainda mais linda. Meus pensamentos foram dispersados ao ouvir sua voz.
Oliver. — Ela estava muito surpresa ao me ver. Bom, não era a única.
Felicity. — Vi ela estremecer, quase dei um sorriso ao saber que eu ainda causava nela o mesmo que ela causava em mim.
Quem te contou...?
Tommy. — Ela assentiu, abaixando o olhar. — Mudou seus cabelos...
É. — Disse tocando-os. — Mas você não veio até aqui para saber dos meus cabelos. — O tom de sua voz não saiu grosseira.
Os gêmeos... — Felicity fechou os olhos e mordeu os lábios. Ela os mordia quando estava querendo alguma coisa ou, como estava agora, nervosa. — Eles são meus...? — Ela me interrompeu.
O que você acha? — Rosnou. — Quem você pensa que eu sou?
Desculpa. Não foi isso que eu quis dizer. — Fiz a pergunta errada. Suspirei. Eu não podia deixa-la irritada. — Por que você me escondeu isso?
Eu não sabia. — Arqueei as sobrancelhas. — Descobri algumas semanas depois que estava em Las Vegas. — Então era onde ela estava, com a mãe. — Se eu soubesse antes, teria contado a você...
Por que não me ligou? Não deu um jeito de me avisar? — Esperei e ela não me respondeu. — Eu tinha o direito... — Me interrompeu.
Você tinha o direito. Mas não finja que não sabia. — Arqueei as sobrancelhas.
O que? Felicity... — Ela me interrompeu novamente.
Você está se fazendo de sonso. Não coloque a culpa em mim.
Eu nunca soube de nada. Do que está falando? — Ela está mesmo me acusando de saber sobre os gêmeos?
Estou falando da carta. Eu te mandei uma droga de carta, esperei pela resposta que nunca veio. Eu estava com medo... E você... — Dessa vez eu quem a interrompeu.
Eu nunca soube de nada! — Exclamei. — Que raios de carta é essa? Não me chegou carta alguma.
Você está me dizendo que... — Se interrompeu olhando nos meus olhos, talvez tentando ver se eu dizia a verdade. — Você não recebeu minha carta?
Nunca soube de carta alguma.
Mas eu a mandei. E me disseram que ela foi entregue...
Não para mim. — Ela respirava ofegante, tinha que fazê-la se acalmar, não queria que ela passasse mal. — Eu nunca soube dessa carta. Você poderia ter me avisado de outro jeito...
Eu pensei que a carta tinha sido entregue. Foi o que me disseram!
Deveria ter tido certeza. — Retruquei. — Eu perdi seis anos da vida dos meus filhos.
E de quem é a culpa? — Praticamente rosnou.
Se você tivesse ficado e ouvido minha explicação...
Você teria ficado se estivesse no meu lugar? — Tommy tinha me feito a mesma pergunta á algumas horas atrás. — Oliver, eu amava você... — Sua voz saiu estremecida. — E você... — Se interrompeu propositalmente. Me senti mal por ter feito o que fiz, novamente. Ela ainda estava magoada.
Eu não me casei com Laurel.
Eu sei. — Suspirou. — Sarah contou. Como você acha que eu me sinto por não ter ficado e ouvido você? Mas estava magoada demais...
Eu entendo isso. Mas não entendo por que você aceitou um cheque de 200.000 da minha mãe.
Como soube? — Perguntou surpresa.
Sou o CEO da empresa, agora. — Não precisei dizer mais nada, ela havia entendido.
Então você sabe que eu nunca descontei ele. — Agora quem estava surpreso era eu. — Você não sabia? Procura mais um pouco que você vai descobrir que eu "nunca" descontei aquela porcaria. Eu não me sujaria por dinheiro.
Falando em sujar... — Sussurrei alguns minutos depois. — Quem é o desgraçado que coloca tanto medo no meu filho?
Nosso filho. — Corrigiu. — E isso não é da sua conta.
Passou a ser quando percebi o quando ele estava temeroso. — Ela desviou o olhar. — Me diga, Felicity...
Você não quer saber. — A vi tremer e eu não gostei. — Ele não é alguém que você deva se meter. — Vi em seus olhos, tristeza, medo, agonia... Não gostei do que de saber que ela estava aterrorizada. O que ele havia feito a ela? E o mais importante, quem era "ele"? Ouvimos a porta ser aberta e quando olho, vejo Sarah.
Oh. — Ficou nos olhando por alguns segundos. — Eu... Me desculpem...
Tudo bem, Sarah. — Felicity se pronunciou. — Oliver já estava indo. — A olhei.
Estava?
Não quero falar sobre nada mais agora. — Ela estava fugindo, era isso mesmo? Novamente? Antes que eu pudesse retrucar, Sarah se pronunciou.
Ollie. — Me chamou e eu a olhei. — Por favor... — Fiquei alguns segundos observando minha ex-noiva.
Tudo bem. Sarah vai me avisar quando estiver melhor... E então conversamos. — Ela não assentiu, mas não me importei. Saí do quarto já ligando para alguém que poderia me ajudar. Um amigo. Não, era mais que isso. Éramos como irmãos. Ele atendeu no primeiro toque. — Preciso de você.
Onde?
Meu apartamento em meia hora. — Desligamos e fui me encontrar com Tommy. O desgraçado que colocou os olhos na minha "família" ia pagar. Ele vai se arrepender de ter se aproximado deles.
**Oliver**
**--** **--**
Vocês conversaram? — Felicity assentiu. — E o que resolveram?
Não resolvemos. Ele está magoado por ter escondido os filhos dele.
Pode culpa-lo? Lis, você deveria... — A amiga a interrompeu.
Eu não escondi. — Sussurrou.
O que? — Perguntou surpresa.
Eu mandei uma carta, Sah.
Uma carta? — Ela assentiu. — Mas ele não recebeu carta alguma, então...
Na hora eu pensei que ele estivesse mentindo... — Sarah a interrompeu.
Ele nunca faria isso.
E então, eu vi em seus olhos. Ele nunca soube da minha carta... — Ela fechou as mãos em punhos, irritada. — Alguém a recebeu. Tenho certeza, porque eu perguntei alguns dias depois para um amigo e ele me deu a certeza de que uma pessoa a recebeu. — Olhou para a amiga. — E se não foi Oliver...
Moira. — Sarah rosnou, compreendendo onde a amiga queria chegar.
Sim. Só pode ter sido ela.
Você tem que contar para o Oliver. — Felicity só pensava em como odiava a mãe do homem que amava. — Ele têm que saber.
Eu não tenho provas. Não posso dizer a ele que foi a Moira, eu não quero que ele odeie ainda mais a mãe por isso.
Lis, ele têm o direito de saber. — Repetiu.
Eu só vou contar quando eu tiver provas de que foi ela. — A outra suspirou. — Por favor, me ajuda, então? Me ajuda a encontrar uma prova.
Tudo bem — Pegou em sua mão. — Eu disse que podia contar comigo... E eu não estava falando da boca pra fora. — Felicity a agradeceu. — Sobre o que mais vocês conversaram?
Ele também me disse que não se casou. — Se lembrou da irmã de Sarah. — Por falar em casar... Por que Laurel não veio me ver ainda?
Ela está com medo... De não ser bem-vinda. — A loira sorriu.
Eu nunca tive raiva dela. Mágoa e decepção, sim. Mas raiva? — Balançou a cabeça negativamente. — Eu gostaria de vê-la... De conhecer seu filho...
Lyon. — Sarah sorriu. — Sou completamente apaixonada naquele garoto. Vou dizer para ela vir. — Felicity assentiu.
Sarah. — Ela a olhou. — Oliver vai querer saber de tudo... O que eu faço? — Pergunta temerosa.
Lis, eu não sei o que te aconteceu. E pelo modo que você fica quando perguntamos sobre esse assunto... Não deve ser fácil e eu não quero te pressionar. Quando estiver preparada para me contar... Estarei aqui. — Ela assentiu. — Mas vou te dar um conselho: Você está com problemas, problemas esses que você, sozinha, não pode resolver. Mas o Oliver pode. Ele pode te ajudar, Lis.
Eu não sei... — Ela temia colocá-lo em perigo também.
Pense nos gêmeos quando for decidir. — Sarah mais uma vez pegou em uma das suas mãos. — Tenho certeza que seja de quem estiver se escondendo... Oliver pode protegê-los. Você não sabe o que ele fez nesses seis anos que esteve longe de você.
O que? — Pergunta curiosa.
Ele entrou em um programa de seguranças especiais. — A loira arqueou as sobrancelhas. — Fez mais para irritar Moira Queen. Mas acabou gostando.
No mesmo que você?
Sim. — Sorriu. — A mulher quase ficou louca. — Felicity sorriu. — E isso o divertia... Se ele estava infeliz, que sua mãe também estivesse. Era assim que ele pensava. — Felicity abaixou a cabeça. — Ele sentiu muito a sua falta. Ele culpava a mãe mais que a ele ou a você. — Felicity mordeu o lábio, nervosa. — Ele é muito bom no que faz. — Voltou ao assunto. — Assim como eu... Até melhor, se quer saber.
Obrigada pelo conselho, Sarah. — A olhou sorrindo. — Você é minha melhor amiga, sabe disso, né?
Eu digo o mesmo. — Sorriu de volta. A porta foi aberta.
Com licença. — A doutora entrou no quarto. — Vim dar uma olhada em você.
Estou bem, Caitlin.
Mesmo assim. Você chegou aqui muito mal. Poderia ter morrido. — Ela estremeceu. — Quero que fique bem.
Obrigada.
Espero te dar alta logo. — Sorriu. — Sei que quer isso. Amanhã permitirei que seus filhos a visite.
Sério? — Não pôde ficar muito tempo com o filho. Primeiro, porque a doutora não tinha lhe dado permissão e segundo, porque não queria preocupa-lo.
Mas não muito tempo.
Eu não me importo com o tempo. Preciso vê-los. Estou com saudades.
Laurel e Tommy cuidam deles muito bem. — Sarah se pronunciou.
E eu agradecerei á eles depois. Não sei o que faria sem vocês...
Já disse... Somos amigas, sempre que precisar de nós, estaremos aqui.
Bom, eu volto depois para te ver.
Caitlin? — Ela olhou sua paciente. — Será que posso comer alguma coisa que não seja água com sal? — As duas mulheres riram.
Você está bem, então sim. Eu deixo que coma o que quiser..., mas não coma nada muito gorduroso, não ainda.
Obrigada. Salvou meu dia. — Elas riram novamente, dessa vez, Felicity acompanhou ambas.
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**Oliver**
E aí. — Me cumprimentou assim que abri a porta. — Faz um tempo que não nos falamos.
Foi mal. Tenho estado... Ocupado. — Deixei que ele entrasse e fomos para a sala. — Sente-se. — Ele o fez assim que me sentei.
Então, disse que precisava de um favor...
Sim. Preciso que faça uma pesquisa para mim.
Sobre? — Oliver encostou o corpo no estofado do sofá.
Felicity Meghan Smoak. — O homem arqueou as sobrancelhas.
Já ouvi falar nesse nome antes... — Baguncei meu cabelo. — Sua ex-namorada?
Noiva. Ela voltou para Star. — Ele me olhou confuso e e depois de suspirar, comecei a contar toda história para ele.
Você quer que eu descubra o que ela tem feito nesses seis anos? — Perguntou depois que terminei de contar.
E quero que descubra também quem é o filho da puta que anda aterrorizando a ela e aos meus filhos.
Até agora, essa foi a parte mais surpreendente. — Arqueei as sobrancelhas. — Cara, você é pai. De gêmeos.
Eu estou mais assustado do que surpreso.
Normal. — Claro. Acontece todos os dias. Ainda fico imaginando, ela estava tão magoada a ponto de me esconder meus filhos de mim? — Eu sei o que está pensando... E vou te dar um conselho. — O olhei. — Não a pressione demais. Conversem como duas pessoas civilizadas.
Eu sei. Quase fiz merda hoje mais cedo. — Bufei. Aquele não era modo de pedir para que ela me contasse o que estava acontecendo. — Quando você pode me dar o que preciso?
Não acho que vá demorar. Quantas mulheres com o nome Felicity Smoak existem? — Que mora em Las Vegas, provavelmente só ela.
Não muitas, com certeza.
Me dê dois dias. Não acho que demore mais que isso... — Assenti.
Obrigado, Diggle.
Sempre que precisar. Somos amigos, Oliver.
**Oliver**
**--**
**Felicity**
Felicity. — Olhei para a porta. — Posso entrar?
Claro. — Sorri. Laurel entrou no quarto e ficou em pé ao lado da cama. — Você está bem?
Estou. E você?
Estou bem também. Caitlin está cuidando muito bem de mim. — Laurel sorriu.
É. Ela é ótima. Ela cuidou de mim, quando estava grávida de Lyon. E está cuidando agora. — Alisou a barriga saliente.
Sério? — Ela assentiu.
Ela é a melhor e eu não queria ninguém mais que ela. Ela é a pediatra do meu filho. — Eu arqueei as sobrancelhas.
Pediatra? Por que ela está cuidando de mim?
Bom, Eu e Sarah achamos que ela cuidaria melhor do seu caso. Ela não cuida apenas de crianças..., mas de adultos também. — Sorriu. — Ela que verificou como estavam os gêmeos. — Se sentou na poltrona do lado da minha cama.
Fico mais aliviada de saber que ambos estão bem. — Sorri. — Eu queria ver você... Por causa de tudo o que houve... — Ela assentiu.
Eu... Eu queria ter vindo antes, mas... Não sabia se me receberia.
Eu nunca tive raiva de você, Laurel. Fiquei muito magoada, decepcionada... — Suspirei. — Fiquei com raiva do Oliver, por muito tempo... — Pensar nele me deixava confusa. Ele não era o culpado de nada, nem Laurel.
Nós íamos contar todo o plano naquele mesmo dia... — Se aproximou um pouco mais, se sentando na poltrona. — Desculpa.
Não precisa se desculpar. Você não teve culpa...
Nem Oliver. Moira estava nos pressionando... Nos chantageando. E ele nunca quis te magoar. — Eu assenti.
Eu me sinto mal por ter ido embora. — Sussurrei. — Eu o culpei por anos, pensando o pior dele... De você... E no final...
Lis. — A olhei quando ouvi meu apelido sair da boca dela. — Eu sempre te compreendi. Eu nunca juguei você por ter fugido.
E eu fico feliz por isso. Mas eu me sinto culpada por ter feito isso... Oliver me culpa por isso também.
Ele está magoado. Mas ele sabe que você teve suas razões. — Sorriu. — Ele te ama. — Me senti bem em ouvir isso, mas ao mesmo tempo... Senti medo. Medo de que esse amor que ainda sentíamos um pelo outro não fosse forte o suficiente para voltarmos. — Não se sinta culpada. A única culpada é Moira Queen. — Assenti novamente. — Sarah me contou sobre a carta.
Eu sabia que ela faria isso. — Por isso não pedi para que ela não contasse á ninguém, porque eu sabia que a única pessoa que ela abriria a boca para falar sobre aquilo... Era para a irmã.
E eu estou do seu lado. É melhor não contar nada ao Oliver até termos provas de que aquela mulher está com a carta.
Ela deve ter queimado. — Bufei. — Por que ela ficaria com uma coisa que poderia prejudica-la? Ela nunca gostou de mim. Sempre foi contra o relacionamento do filho dela comigo.
Você pode estar certa. Mas vamos torcer para que esteja errada... — É. Eu preciso que ela não tenha queimado a carta. — Eu também queria te perguntar uma coisa. — Assenti esperando ela continuar. — O que houve para que as crianças tivessem tanto medo de ficar sozinhos? — Estremeci.
Eu... — Engoli em seco. — Eu sei que estão todos querendo saber sobre isso..., mas eu ainda não estou pronta. — Laurel assentiu. — E não é por não confiar em vocês..., mas pelo fato de que me lembrar de tudo... Ainda me machuca.
Eu entendo. Não se preocupe, eu não vou pressiona-la. Só fiquei preocupada.
Eu sei. Fico feliz por não estar errada em vir pedir ajuda a vocês.
Não mesmo. — Sorrimos uma para a outra. — Sempre vai poder contar com todos nós. Principalmente Oliver.
Eu quero te agradecer. — Ela me olhou confusa.
Pelo que?
Por cuidar dos meus filhos. — Ela sorriu.
É um prazer.
Eu soube da sua gravidez. — Ela colocou uma das mãos na barriga de quase seis meses. — Já sabe o sexo?
Menina. — Foi minha vez de sorrir. — Tommy está encantado pela sua filha.
Ah, ela tem esse dom. — Sorri em meio a lembranças. Minhas e de Oliver. — Ela é filha dele afinal de contas.
Disse tudo. Não posso concordar menos.
Laurel. — Me sentei pegando em sua mão. — Preciso de um favor.
O que você precisar...
Você não vai gostar. — Ela arqueou as sobrancelhas preocupada. — Mas preciso que o faça. Por mim... E por meus filhos.
**Felicity**
**--**
**Oliver**
Quando você ia me contar sobre a Felicity? — Droga. Sabia que minha irmã descobriria mais cedo ou mais tarde, mas gostaria que tivesse sido mais tarde. Estou começando a me arrepender de ter dado as chaves do meu apartamento para minha irmã.
Foi mal. Estou com muitas coisas na cabeça... — Suspirei. Era melhor me sentar.
Ollie, eu soube pela Laurel. — Ela se sentou ao meu lado.
E ela te contou mais alguma coisa? — Espero que não. Me aliviei quando ela negou, afinal, eu mesmo quero contar a novidade. — Eu tenho algo para te contar.
Mais importante do que sua ex-noiva estar na cidade? — Arqueou as sobrancelhas. Era melhor eu dizer sem enrolações.
Você é tia. — Ela me olhou surpresa.
O que? — Ela gritou. — Que.merda.você.fez. — Para cada palavra, um tapa.
Você está louca? — Segurei seus braços, ela tentava se soltar. — Não engravidei ninguém. — Ela parou de se debater e eu a soltei. Voltei a suspirar. — Não agora pelo menos.
Então, o que quis dizer? — Suspirei mais uma vez, passei minhas mãos nos cabelos e a olhei.
Felicity chegou em Star com duas crianças. — Novamente a vi ficar surpresa. — Uma menina e um menino. Gêmeos.
Ela... — Se interrompeu. — Ela escondeu isso de você?
Thea. — Eu não queria que minha irmã ficasse magoada com Felicity. — Eu não sei o que houve... Não conversamos ainda. Vou falar com ela hoje. — Não iria contar para minha irmã que na primeira oportunidade que tive, nós brigamos.
Vou com você.
Não. Preciso estar com ela sozinho. — Ela tentou retrucar.
Mas... — A interrompi.
Ela está no hospital á quase cinco dias. Está bem, mas em observação. — Minha irmã se sentou ao meu lado. — Sarah me ligou dizendo que está tudo certo. Que ela aceitou conversar comigo.
E o que está esperando?
Algo importante chegar. — Foi como se a resposta tivesse chego, quando a campainha tocou. Me levantei e abri a porta. — Diggle.
Oliver. — Nos cumprimentamos e ele entrou. — Estou com o que me pediu.
Ótimo. Vou vê-la hoje. — Thea se aproximou. — Thea, sei que gostaria de saber mais, mas eu tenho algo importante agora.
Está pedindo para eu ir embora? — O olhou incrédula.
Por favor. Nos falamos depois.
Tudo bem. — Bufou. Olhou para Diggle. — Você vai colocar juízo na cabeça dele? — Meu amigo riu.
Deixa comigo, Thea. — Bufei.
Ah. — Ela me olhou. — Não quero que ninguém saiba dos gêmeos. Ou da Felicity.
Com ninguém, você quer dizer a mamãe?
Principalmente. — Ela suspirou. — Sabe que não estamos nos entendendo. — Além do fato de ela não gostar de Felicity, mas essa parte eu guardei para mim.
Tudo bem. A vida é sua e os filhos também. — Ela estava completamente certa. — Não vou dizer a ela, mas eu quero conhecê-los.
Eu também. — Ela arqueou as sobrancelhas. — Ainda não os vi. Quero ver Felicity antes, saber o que ela disse de mim para as crianças.
Ela não prejudicaria você. — Escondi um sorriso, minha irmã sempre gostou da Felicity. — Eu nunca entendi o que houve. O porquê de ela ir embora... Você nunca me explicou isso direito, mas... Eu não acho que ela falaria mal de você para os filhos.
Eu... Não sei sobre isso.
Oliver, você não amaria alguém que faria algo assim. — Eu não pude deixar de sorrir. — Ela não é uma má pessoa.
Eu penso o mesmo. — Dig concordou com minha irmã. — O jeito que falava dela para mim... Sarah ou até mesmo Laurel e Tommy... Ela não pode ser uma mulher tão mesquinha a ponto de te magoar de volta, colocando os filhos contra você.
Se passou seis anos... — Minha irmã me interrompeu.
Ela não mudaria tanto. — Se aproximou de mim. — Você disse que vão conversar... Só quero te pedir uma coisa, Ollie: Não briguem. Tentem acertar as coisas. Por você, por ela... Pelas crianças.
Desde quando você fala como uma adulta? — Provoquei, tentando descontrair o ambiente. Mas era verdade, ela nem parecia minha irmãzinha.
Ora. — Fez um bico. — Eu sou adulta, ok?
Às vezes não parece. — Ela me deu um murro no braço e eu ri. — Mas eu prometo não brigar com ela... Novamente. — Sussurrei a última palavra.
Então, quando tudo estiver certo, você me avisa? — Assenti. — Quero vê-la.
Pode deixar, Thea. — Sorriu, me deu um beijo no rosto, se despediu do Dig e saiu do meu apartamento. — E então? — Caminhamos até a sala e nos sentamos.
Bom... Ela realmente morou em Vegas depois que foi embora de Star. Ficou até completar o oitavo mês de gestação, mas por algum motivo, ela não teve as crianças lá.
Onde? — Arqueei minhas sobrancelhas, confuso. Não entendia o porquê de ela se mudar. A mãe dela iria querer estar presente.
Rússia. — Fiquei surpreso. — Ela trabalhou como garçonete com o nome de Hayley Williams. Quando as crianças completaram um ano, alguns dias depois, ela se mudou para a Alemanha, com o nome de Hanna Street, também ficou apenas um ano lá. Trabalhou como governanta numa mansão e por algum motivo, ela se demitiu. Se mudou para Gotham com o nome de Kaity Sawyer. Ficou apenas um ano e meio lá. Ela não ficava muito tempo numa mesma cidade, pelo que percebi. — Assenti. — Trabalhou como balconista em um café. No último dia dela lá, aconteceu um acidente. — Arqueei as sobrancelhas. — O café estava todo destruído, a dona disse que tentaram assaltar o lugar.
Você não acredita nisso?
Não. Fui atrás de alguém que presenciou ou que soube de algo... Um atendente disse que naquele dia um homem entrou no café pedindo para falar com Kaity. Sua gerente disse que não tinha nenhuma mulher com aquele nome trabalhando ali. Ele insistiu e ela ameaçou chamar a polícia... E então mais tarde aconteceu aquele incidente com o café. Dizendo o garoto, a sua chefe tinha sido atacada.
Para onde Felicity foi depois?
Até alguns dias atrás ela estava em Central City com o nome de Brooke Denver. — Assenti. — O cara que está atrás dela, anunciou que dará 250.000 para quem leva-la até ele.
Filho da puta. — Rosnei.
Consegui o nome dele. — Não imaginei que Dig conseguiria o nome dele tão rápido. — Cooper Sheldon. O cara é um psicopata.
Meus filhos... — Ele me interrompeu.
Ele não quer nada com as crianças. Ele quer Felicity Smoak.
Ele que tente. — Rosnei novamente.
Tem mais uma coisa... — O olhei, ele estava tenso. Me preocupei. — Bom... Aconteceu uma coisa antes dela se mudar de Vegas. — Arqueei as sobrancelhas. — É complicado...
Diz logo, Dig. — Mandei.
A mãe dela... Donna Smoak... — Assenti, esperando ele continuar. — Ela... Foi assassinada. — Me levantei surpreso.
Como é?
Mandei um colega ir atrás de pistas em Vegas e ele voltou ontem à tarde. Me disse que o caso está com a polícia de lá, mas que eles não acham que seja realmente "assassinato".
E como seu colega chegou à essa conclusão?
Ele é bom no que faz, Oliver. Ele descobriu que os fios do freio estavam cortados, mas a polícia acha que aconteceu quando o carro capotou várias vezes. — Balancei a cabeça. — Um dos pneus estava furado. O cara fez de tudo para parecer um acidente, mas... Para quem é especialista...
Saberia dizer que tinha sido armação. — Ele assentiu. — Não acredito que Donna morreu. Ela... — Me interrompi propositalmente. Eu a conheci no meu primeiro ano de namoro com Felicity. A mulher mal saía de sua cidade, só em datas importantes, como o aniversário da filha, natal e ás vezes ano novo.
Imagino como tenha ficado a cabeça da Felicity ao descobrir que o homem que estava fazendo da vida dela em um inferno... Matou a mãe dela.
Eu quero que descubra tudo sobre esse cara. — Disse sério.
Deixa comigo. Pedi a alguns colegas para fazer uma busca sobre tudo o que esse Cooper fez e têm feito. Eles me darão um alerta assim que descobrirem algo. — Assenti. — O que vai fazer agora?
Vou falar com ela. — Dig se levantou. — Quero saber como ela o conheceu e por que ele cismou com ela.
Acho que a hora não é essa. — Arqueei as sobrancelhas. — Oliver, você não está vendo a chance que tem? Não destrua isso.
O que quer dizer?
Você tem a chance de tê-la de volta. De ter seus filhos por perto... De serem uma família. — Eu sabia que ele estava certo. Eu podia protegê-los, fazer com que ela confie em mim novamente. Não preciso saber disso agora, por mais tentador que isso seja... Prefiro ter ela por perto. E meus filhos. Eu quero ter a chance de conhecê-los.
Você está certo. Mas assim mesmo quero falar com ela. — Ele assentiu. — Preciso consertar as coisas e principalmente proteger ela e meus filhos. — E só há um jeito de fazer isso.
CONTINUE...
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