Cross Destination
7 Capítulo Sete
Notas iniciais
Oliver terminava de se arrumar. Ele tinha saído do hospital depois do almoço, pois queria passar um pouco mais de tempo com a noiva, que graças a Deus teve uma noite tranquila, sem pesadelos e muito menos, desgraçados tentando mata-la. Colocou uma bermuda preta com os detalhes dos bolsos em vermelho, uma camisa polo vinho com os detalhes da manga e da gola em preto. Sua porta foi aberta, suspirou.
Você continua entrando sem bater. — Reclamou.
Ah, eu sou sua irmã. — Ele a olhou enquanto colocava o relógio no pulso. — Está bonito. — Ele agradeceu. — Vai buscar os gêmeos?
Sim. E o quarto?
Eles disseram que os últimos detalhes ficam para amanhã, já que trabalharão até ás 18h hoje. — Ele assentiu, eles passariam a tarde com Felicity, mais tempo para os homens trabalharem. No dia seguinte, eles almoçariam com Felicity no hospital e isso daria tempo para que terminassem os últimos detalhes.
Tudo bem. — Pegou o celular. — Eu já vou indo, então.
Está nervoso? — Pegou a carteira e as chaves.
Um pouco. — Ela sorriu.
Não é preciso. Vai se dar bem com as crianças. — Ele esperava que sim. — E Felicity? Quando tempo mais ela fica no hospital?
Ela será liberada em três dias, por isso eu preciso do quarto pronto.
Não precisa se preocupar. Vocês terão o quarto só para vocês. — Ele rolou os olhos quando sentiu a malícia na voz dela. — Você deve estar subindo pelas paredes, né?
Thea! — Ela riu. — Você veio aqui para instruir os decoradores ou para me infernizar?
Um pouco dos dois. — Ela riu novamente. — Deixa de ser chato. Achei que com a Felicity de volta, você estaria mais alegre.
Eu estou feliz por tê-la de volta. — Sorriu.
Eu queria te perguntar uma coisa. — Mudou de assunto ao se lembrar de sua conversa com Tommy. — Sobre tudo o que houve... E nossa mãe.
Thea, agora não. — Ele caminhou para a porta.
Ollie, eu tenho o direito de saber. — Se aproximou, entrando na frente dele. Se o irmão estava fugindo, era porque tinha sido muito sério. — O que a mamãe fez de tão grave?
Eu vou te contar, mas não agora. — Ela fez um bico. — Eu preciso buscar meus filhos.
Tudo bem. — Cruzou os braços. — Mas eu não vou desistir de saber. — E ele sabia que teria que contar, ela não o deixaria em paz até que soubesse de tudo.
Cadê seu namorado, hein? — Mudou de assunto.
Trabalhando. Por que? Você já parou de implicar com ele?
Não. Só estou surpreso por você não estar grudada nele hoje. — Ela quem rolou os olhos dessa vez. Oliver não confiava naquele garoto de jeito nenhum.
Ele vem depois do trabalho.
Thea, por mais que ele seja seu namorado, não o quero perto dos gêmeos.
Por que? — Arqueou as sobrancelhas.
Sabe que não confio nele. — Ela mudou a feição, ele sabia que ela estava magoada. — Não acho que ele seja o cara certo para você.
Você nunca acha que alguém seria certo para mim, Ollie.
Eu quero te ver feliz, Thea. — Ela o olhou nos olhos. — E se o cara fosse sério e que respeitasse você...
Ele me respeita. — Ele arqueou as sobrancelhas.
Eu não acho. E eu acho que deveria acabar com isso logo. O mais rápido possível, ele não é quem você pensa que é.
E quem ele é? — Oliver se calou. — O que você fez? — Sua voz ficou um pouco mais alta. — Não acredito. Oliver, você mandou que o seguissem.
Estava cuidando de você. Estava não, eu estou. Aquele moleque não é flor que se cheire. Ele não está no trabalho, posso apostar.
Por que está me dizendo isso? — Os olhos dela lacrimejaram e ele se sentiu mal, mas tinha que aconselhar a irmã, principalmente depois do que tinha descoberto sobre o garoto.
Thea, ele está brincando com você. Está escondendo coisas. — Suspirou. — Eu não queria dizer isso agora e muito menos desse jeito. Mas você disse que o traria aqui... E eu não o quero no meu apartamento ou perto dos meus filhos.
O que você descobriu? — Oliver olhou para o relógio. — Oliver!
Eu vou dizer tudo á você. Prometo. Mas combinei de buscar os gêmeos e eu tenho certeza que Brooke está enlouquecendo a Laurel. — Se lembrou de Laurel ligar para saber que horas os buscaria, pois Brooke estava acordada desde ás 7h da manhã, pulando que nem pipoca, de tanto que estava ansiosa.
Você solta essa bomba sobre meu namorado e foge?
Eu não estou fugindo. — Se aproximou da irmã. — Amanhã, enquanto os gêmeos estiverem ocupados com Felicity, apareça no hospital e eu te conto tudo. — Ela assentiu, mesmo estando chateada. — Eu não queria te magoar, Speedy. Eu só quero protege-la. — Passou a mão direita nos cabelos dela. — Só te peço uma coisa... — Ela o olhou. — Não saia com ele hoje.
Oliver.
Não. — A interrompeu. — Apenas prometa. Eu tenho minhas razões. — Thea suspirou, passou as mãos nos cabelos, desviou os olhos por todo o cômodo e depois de alguns minutos fazendo isso, ela se voltou para o irmão.
Tudo bem. Eu prometo. — Ele assentiu. Estava aliviado. — Eu vou dizer que tenho algumas coisas para fazer para você. O que não é mentira, já que eu tenho que supervisionar o quarto dos meus sobrinhos.
Obrigado. — Beijou a testa dela. — Te vejo amanhã. — Se despediu e saiu do quarto. Ele podia ficar tranquilo, sua irmã não era de descumprir uma promessa. Saiu do apartamento, entrou no elevador já ligando para Laurel, mas ela não atendeu, então ligou para Tommy.
Ei, você já está chegando?
Estou saindo do apartamento. — Oliver ouviu Lyon chamar pelo pai. — Chego em meia hora.
Cara, você disse que estaria aqui antes das 15h. — Ele parecia desesperado.
Eu sei. É a Brooke? — Sabia que ela deveria estar ansiosa. Ontem ela não parava de falar sobre isso quando estavam juntos. Ele ficava feliz em saber que com ela não seria tão complicado.
Sim. Está muito ansiosa. — Riu. — Acordou ás 7h da manhã. Você disse que viria ás 14h e já passa das 14h30min.
Eu sei. — Passou a mão livre nos cabelos. — Diz a ela que eu me atrasei, mas que estou chegando. — Suspirou. — Eu tive uma conversa séria com nossa irmã.
Sobre o “malinha”? — Seu amigo também não gostava do cara. — E ela?
Eu não pude contar o que descobri, mas pedi para que ela não saísse com ele hoje. — Saiu do elevador e foi em direção do carro. — Ela concordou.
Melhor assim. — Bufou. — Esse cara está brincando com a irmã dos caras errados. Além de mexer com coisa errada.
Vou conversar com ela amanhã no hospital, enquanto os gêmeos se ocupam com Felicity.
Beleza. Eu vou estar lá também. — Oliver concordou. Chegou até seu carro, ligou o alarme e abriu a porta, entrando logo em seguida.
Tenho que desligar, vou começar a dirigir. — O amigo disse um "tudo bem". — Eu chego aí em instantes. — Se despediram e desligaram o celular. Oliver deu a partida no carro e logo estava fora do estacionamento, á caminho da casa dos amigos.
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E aí, Ollie? — Cumprimentou o amigo ao abrir a porta.
Eaí. — Entrou. — Os gêmeos estão prontos?
Estão. — Se dirigiram á sala. — Laurel os deixou prontos.
Ela saiu?
Ela tinha um encontro com um cliente, ia aproveitar para passar no hospital para ver a Lis.
Entendi. — Se sentaram. Oliver no sofá e Tommy na poltrona á sua frente.
Como foi ontem? As crianças pareceram ter se divertido.
Foi bom. Bryan ficou mais... — Pausou, tentando encontrar a palavra certa. — Receptivo, depois da sorveteria.
O que houve?
Tive que contar minha história com Felicity. — Seu amigo arqueou as sobrancelhas. — Não todos os detalhes, claro. — Ele assentiu. — Estou tentando conquistar a confiança dele.
Não acho que vá ser muito difícil. Ele só precisa saber que você sempre estará aqui para ele.
É. — Oliver não estava tão certo disso. Bryan era tão... "ele". Felicity estava muito certa. Eles se pareciam mais do que só na aparência. — Ele vai comigo e Brooke?
Para o seu apartamento? As coisas dele estão na mochila. — Oliver assentiu. Pensava em como dialogar com os filhos, principalmente com Bryan.
Posso ser sincero? — Tommy esperou o amigo continuar — Não sei como vai ser só nós três. Eu... — Suspirou. — Eu nunca cuidei de uma criança por tanto tempo.
Você vai se sair bem, Ollie. Deixe que eles te conheçam.
O problema não é esse. Eu não sei como me prostar diante deles.
Seja você mesmo. — Deu de ombros.
Tommy, é complicado. Para Bryan, eu o abandonei.
Você e Felicity não explicaram como tudo aconteceu?
Sem os detalhes, sim. Mas mesmo sabendo... Bryan ainda não confia em mim. Brooke é receptiva, carinhosa, me trata como... Sei lá, seu pai realmente. Ela não parece ter algum problema comigo. Mas Bryan ainda me olha... Diferente. Ele não mais me tratou friamente, mas não parece me querer por perto, entende? E o pior, eu não sei como ser... O pai deles. Agir como tal, entende?
Bryan vai mudar de opinião quando o conhecer verdadeiramente. É questão de tempo. E sobre você não saber agir como pai... Eu também não sabia, mas eu aprendi, cara.
É diferente. Você teve meses de aprendizagem. Eu já não posso ter isso. Eles já têm seis anos.
São crianças. Descubra do que gostam. Fale de coisas de que eles vão gostar... E principalmente, diga coisas sobre você. — Oliver bagunçou os cabelos. — Você não precisa ficar nervoso. Cara, você é o ídolo do meu filho. — Sorriu. — Ele te adora. E têm falado muito de você para os gêmeos.
Sério? — Sabia que Lyon o adorava, o garoto já tinha lhe dito várias vezes, mas não imaginava que o sobrinho o ajudaria com seus filhos.
Sim. Provavelmente eles já saibam mais coisas de você do que pensa. Agora é a sua vez. É a sua chance. Quando estiverem sozinhos, pergunte coisas sobre eles. — Oliver agradeceu ao amigo. Logo se lembrou de outro problema.
O quarto não está pronto.
Isso não é um problema. — Tommy deu de ombros. — Eles podem dormir com você. Eles devem ter feito isso, várias vezes com Felicity.
Não sei vai ser o mesmo comigo...
Não seja tão negativo. Brooke te adora. E Bryan só precisa de tempo para te conhecer melhor.
Eu sei.
Eu sei que Brooke vai amar dormir com você. Ela têm falado sobre isso á dois dias, o dia todo. E hoje, quando acordou, a primeira coisa que perguntou foi: Que horas o papai vem me buscar? — Oliver sorriu. — Está bem animada. Bryan nem tanto, apesar de não ter reclamado sobre isso.
Só espero não fazer algo que atrapalhe ainda mais a minha relação com Bryan.
Já disse... Seja você mesmo. — Ouviram passos na escada e não demorou muito para as três crianças aparecerem na sala. Brooke viu o pai e correu para os braços dele. Oliver a pegou, colocando sentada nas suas pernas.
Você demorou, papai. — Ela fez um bico fofo e ele se lembrou da mãe dela.
Desculpe. — Beijou sua bochecha. — Tive um problema...
Tio Ollie, você vai ficar?
Não, Lyon. Hoje não vai dar. Felicity está esperando pelos gêmeos e o horário de visitas está acabando. — Ele fez um cara de desgosto. — Mas amanhã seu pai vai passar no hospital e eu vou estar lá com os gêmeos.
Agente pode ir logo? — Oliver olhou para o filho que tinha os braços cruzados.
Você nem cumprimentou seu pai. — Tommy sabia que o garoto não gostava de ser pressionado, mas ele não podia simplesmente fingir que não viu o pai.
Oi. — Oliver percebeu que o filho não sabia como se aproximar. Bom, ele também não sabia.
Oi, Bryan. — A pequena em seu colo olhava do pai para o irmão, talvez temendo que alguma coisa acontecesse entre os dois. — Tommy, pode pegar as coisas deles para mim? — O amigo assentiu e saiu.
Vamos ver a mamãe? — Oliver desviou o olhar da pequena para o filho.
Vamos. Mas como eu me atrasei, não vamos poder ficar muito tempo com ela, okay?
Por que?
Por causa do horário de visitas. Mas vamos vê-la amanhã. — Ele assentiu.
Papai, Lyon vai ficar?
Sim. Mas amanhã vocês vão se ver. — Olhou para o garotinho.
Eles não vão dormir mais aqui, tio Ollie?
Não, Lyon. — Bryan olhou para o pai. — A mãe deles será liberada em três dias. Por isso eles ficaram comigo. — Havia falado com a médica de Felicity antes de ir para casa e ela havia lhe explicado que como sua noiva tinha tido uma parada cardíaca, estava preocupada em libera-la. Por isso queria deixa-la em observação por mais três dias. E ele sabia que Felicity ficaria mais inquieta do que já estava. Ela odiava hospitais.
A mamãe vai sair do hospital? — O interesse na conversa, antes nulo, fez com que Bryan questionasse o pai.
Sim. Ela está melhor e a médica dela disse que ela poderá ir para casa no sábado. — Explicou aos filhos. Tommy voltou com duas malas. Uma em vários tons de azul e a outra em tons de rosa e roxo. — Deixa eu pegar as malas, princesa. — A colocou no chão e se levantou. Brooke tinha um sorriso enorme no rosto e balançava a barra do vestido. Era a primeira vez que Oliver a chamava de princesa.
Que horas vocês estarão no hospital? — Oliver pegou as duas malas.
Depois do café da manhã, então provavelmente antes das 9h eu já estarei lá. — O amigo assentiu. — Vou deixa-los com Felicity e então podemos conversar com Thea.
Ótimo. Eu quero tirar aquela pedra do caminho. — Oliver concordou.
Vamos ficar sozinhos com a mamãe? — Bryan não parecia ter gostado de saber aquilo. Os pai e tio olharam para o garotinho.
Eu vou estar no hospital, Bryan. Só não no quarto, e só por alguns minutos. — O menino fez uma cara de desgosto. Os amigos se olharam.
Bryan... — Mesmo o chamando o garoto não o olhou, então ele se aproximou, se abaixando para ficar em sua altura. — Ei. Eu vou estar bem perto. — O filho o olhou. — E Sarah estará com vocês. Não têm com o que se preocupar. — Ele assentiu.
Papai, posso ir amanhã com você? — Tommy olhou para Oliver que deu de ombros.
Ele pode ficar com Felicity, os gêmeos e Sarah.
Tudo bem. — O menino ficou feliz. — Mas você vai ter que acordar mais cedo. — Ele disse um "tá".
E a tia Laurel? — Brooke se lembrou.
Ela saiu, lembra, pequena?
Mas não vamos ver ela, antes de ir? — Oliver sorriu.
Ela deve estar com sua mãe, Brooke. Provavelmente vamos vê-la quando chegarmos lá. — Ela assentiu. — Bom, é melhor irmos.
Nos vemos amanhã. — Eles bateram as mãos em um cumprimento e observaram Lyon e Bryan conversando. — Seja paciente.
Claro. Não posso culpa-lo por ainda não confiar em mim.
Ele não pareceu não confiar em você, quando você disse que os deixariam com Felicity. — Sorriu. — É um começo. — Oliver então, pensou no que o amigo disse. Ele estava certo. Tommy os acompanhou até o carro. Oliver colocou Brooke na cadeirinha enquanto o filho sentava-se na dele sem ajuda, mas o pai teve que se aproximar para colocar o cinto. Lyon balançou a mão para os gêmeos, se despedindo.
Até amanhã. Tchau, garoto. — Bagunçou os cabelos.
Tchau, tio Ollie. — Oliver deu a volta no carro, entrou e deu a partida no carro.
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Quando vou ter alta, Cait? — Felicity perguntou quando a médica apareceu no quarto para ver como ela estava. Estava agoniada, queria ser liberada logo.
Você teve uma parada cardíaca ontem, nós quase não conseguimos trazê-la de volta. — Ela engoliu em seco. — Você ficará aqui o resto da semana, vou refazer seus exames e então se tudo estiver ok, o que tenho certeza que estará, te liberarei.
Droga. Mais três dias aqui... Eu vou enlouquecer. — Cait, Sarah e Laurel riram.
Vai passar logo, Lis.
Laurel, e os gêmeos?
Tommy disse que Oliver tinha acabado de busca-los, quando eu liguei.
Estou com saudades. Nunca passei tanto tempo longe deles. — As mulheres sorriram.
Sabemos. Oliver deve estar chegando — Sarah a tranquiliza.
Fico imaginando o que devem estar aprontando... — Interrompeu, olhando para a porta. — Ele com certeza não é o Oliver. — Apontou para o homem na porta de seu quarto e todas se viraram.
Barry? — Sarah, Felicity e Laurel olharam para a médica que se aproximava do homem. — O que faz aqui?
Eu tentei te ligar. — Ela se preocupou. — Kitty está na sala de emergência. — Ela se assustou.
O que?
Calma. Ela está bem. Tentaram te bipar, mas não conseguiram.
O que houve? Por que não está com ela?
Ela estava com uma febre muito alta e me assustei um pouco, mas estão cuidando dela. Não me deixaram entrar.
Eu vou até lá. — Se virou para sua paciente e suas acompanhantes. — Eu tenho que ir, mas eu volto para te ver novamente.
Tudo bem, Cait. Pode ir. — A mulher saiu com o homem acompanhando-na.
Marido? — Sarah pergunta, curiosa.
Ela não tem aliança. — Felicity comenta.
Sim. Ele é marido dela. — Desviou os olhos da irmã para a amiga. — E ela guarda a aliança por dentro da roupa quando está de plantão.
Como sabe? — Sarah arqueou as sobrancelhas.
Ela cuidou da minha primeira gestação e está cuidando da segunda, lembra-se? E ela é pediatra do Lyon.
Ah, é verdade. Mas eu não sabia que ela era casada e muito menos que têm filhos.
Kitty tem quatro anos e meio. É filha única. Por enquanto, pelo menos.
Será que a menininha está bem? — As amigas a olham. — Fiquei preocupada.
Nós perguntamos quando ela voltar. — Felicity concordou.
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Felicity abraçava os filhos enquanto era observada pelos amigos e noivo. Ela não os via á dois dias, nunca tinha ficado tanto tempo longe dos pequenos. Eles eram tudo para ela. Ela sabia que tinha que conversar com o filho antes do noivo ir embora, mas precisava estar sozinha, ele não gostava de ser pressionado na frente de outras pessoas. Brooke contava á mãe tudo que tinha feito no dia anterior.
E a tia Laurel fez panqueca de manhã, mamãe. — A mulher sorriu. — Ficou melhor que a sua. — As amigas riram.
Você ainda é uma negação na cozinha? — Sara pergunta aos risos.
Não. Eu aprendi várias coisas... — Fiz um bico. — Mas ás vezes não dá certo.
Felicity Smoak, só você mesmo. — Sarah olhou para Oliver. — Você vai ter que cozinhar todos os dias, Ollie.
Eu já fazia isso antes. — Felicity o olhou incrédula. — E eu tenho Alissa.
Mas não é todos os dias que ela estará no apartamento salvando sua vida.
Ei. — Felicity a repreendeu. — Eu aprendi algumas coisas.
Ollie, você vai ser a cobaia, e depois nos diz se ela aprendeu alguma coisa mesmo. — Laurel se pronuncia.
Até você? — Felicity cruzou os braços. Antes que qualquer um pudesse se pronunciar, a porta se abre.
Boa tarde. — Cait cumprimenta com um sorriso. — Hoje você está com o quarto cheio, hein?
É. — Sorriu para os filhos. — Cait, queria fazer uma pergunta... — A outra assentiu. — Laurel disse que a garotinha que estava na emergência é sua filha. Ela está bem?
Ah, sim. Foi só uma febre, ela já está em casa com o pai.
Que bom. Eu fiquei preocupada.
Obrigada pela preocupação. — Se aproximou. — E você? Como está se sentindo?
Estou ótima.
Nada de tonturas ou dores? — Felicity negou. — Precisa me dizer se sentir qualquer coisa, okay?
Eu sei. Não vou omitir nada, prometo. — A médica assentiu.
Ah, eu queria mesmo mostrar uma coisa... — Estendeu a revista que estava em suas mãos, para Oliver.
O que é isso?
Bom, não sei se já viu, mas... — Oliver arqueou as sobrancelhas assim que bateu os olhos na capa.
Está brincando. — Mostrou a capa para as amigas e noiva. — Outra vez?
Isso é... — Laurel olhou para Felicity. — Não acredito. Como isso foi parar na revista?
Olha mamãe, sou eu. — Brooke diz toda animada. — O Bry, o Lyon e o papai também. — Sorriu.
É sim, querida. — Deu um sorriso fraco.
Então, realmente não tinham visto? — Oliver negou.
Como foi que eles conseguiram isso? — Laurel bufou.
Do mesmo jeito que conseguiram da primeira vez. — Bufou.
Não percebeu os jornalistas ao redor, Ollie?
Não. Eu estava ocupado com três crianças, Laurel, mas teria percebido eles á minha volta. — Bagunçou os cabelos enquanto abria na página que falavam sobre a imagem da capa.
"Novamente Oliver Queen apareceu na mídia. E dessa vez, uma novidade á mais. Oliver estava em uma sorveteria, ontem, ás 13h com três crianças. Nas fotos, mostram ele com uma garotinha em seu colo, ao seu lado um garotinho também loiro e do outro lado um menino que já conhecemos, Lyon Merlyn, filho de Tommas e Laurel Merlyn. Uma fonte muito confiável disse que ele seria "pai" dos gêmeos. Vocês não ouviram errado, nosso herdeiro Queen é pai não só de uma garotinha, mas de um menino também. A garotinha no colo dele, foi reconhecida pela nossa "fonte", é a mesma que estava no hospital dias atrás. Descobrimos também que a mãe dos gêmeos ainda se encontra no hospital, mas passa bem. Infelizmente ainda não conseguimos fotos dela. É isso mesmo que ouviram, Oliver Jonas Queen é pai de gêmeos.
Esperamos ver essas crianças na mídia logo. Não só elas, como também a mulher que deu herdeiros aos Queen."
Falam de nós. — Bryan foi o primeiro a se pronunciar depois que Oliver terminou de ler. Apesar de ter apenas seis anos, ele compreendia o que o pai lia naquela revista.
Sim, querido. — Felicity o olhou. — De você, da sua irmãzinha e do seu pai.
Por que? Eu não entendo.
Não se preocupe com isso, Bryan. — Oliver decidiu tranquiliza-lo. — Sarah, fale com os seguranças e peça para que fiquem atentos. Não quero que o mesmo se passe com Felicity. — Ela compreendeu e saiu a procura dos homens com quem trabalha. — Ficará tudo bem.
Bom, eu tenho que ir. — Laurel se pronunciou depois que a irmã saiu.
Já vai, tia Laurel? — A mulher olhou para a pequena com um sorriso.
Sim, querida. Lyon está me esperando... — Se aproximou de Felicity. — Qualquer coisa é só ligar.
Obrigada, Laurel. Por tudo. — Ela balançou a cabeça.
Foi um prazer. — Beijou o rosto de Brooke e Lyon antes de abraçar a amiga e se afastar. — Quando estiver em casa vou visita-la.
Estarei esperando. Ah, você pegou minhas coisas na Laurel?
Na verdade, eu me esqueci. Mas passo lá amanhã.
Não precisa, Ollie. Tommy vem aqui para conversar com você e Thea, certo? — O outro se perguntava como a amiga sabia daquilo. — Quando liguei para Thea, ela me disse que você precisava falar com ela. Eu imagino o que seja e sei que Tommy vai querer estar aqui também.
Imaginou certo. E sim, Tommy faz questão de estar aqui.
Então, ele trás as coisas dela quando vier. — Ele assentiu agradecendo. — Provavelmente Lyon vai vir também, mas eu não vou poder, tenho uma reunião com um cliente e é importante.
Tudo bem, Laurel. Eu entendo.
Bom, eu também já vou indo. Felicity está bem e em companhia... — Sorriu. — Venho vê-la amanhã novamente.
Obrigada, Cait. — Sarah entrou no mesmo momento em que a médica balançava a cabeça enquanto dizia que era um prazer.
Já está indo?
Sim, maninha. — A abraçou. — Nos vemos amanhã, certo?
Sim. Diggle ficará com Felicity amanhã.
Quem? — Ela arqueou as sobrancelhas.
Diggle. É um amigo. Ele vai cuida-la para que Sarah descanse um pouco em casa. Ela também tinha prometido cuidar do Lyon amanhã, para que Laurel e Tommy vão á uma festa da empresa Merlyn. — Oliver explicou.
Entendi. — Caitlin e Laurel se despedem mais uma vez e saem juntas.
Bom, já que está aqui com Felicity... Eu vou comer alguma coisa.
Não comeu?
Comi, mas não era o que eu queria. A comida do hospital é um horror. — Eles riram.
Sarah, você poderia levar Brooke com você?
Claro. — Sorriu para a pequena que fazia um monte de trancinhas no cabelo da mãe. — E Bryan? — Se aproxima da cama.
Ele vai ficar. Eu preciso conversar com ele. — O menino olha para a mãe.
Vem pequena. — A pegou no colo. — Vamos comer uma torta de chocolate. Você gosta, não é?
Gosto. — Sua voz saiu baixa, ela estava tímida. — O papai também vai?
Não querida, o papai vai ficar. — Ela fez um bico fofo. Oliver sorriu.
Ah, vamos nos divertir só nós duas. — Sarah se virou para a porta. — Só vamos comer porcarias. — A menina sorriu animada.
Sarah. — Não pôde repreendê-la, pois a amiga já tinha saído. — Vou mata-la.
Não se preocupe, ela provavelmente só disse isso para te provocar. — Oliver se sentou na poltrona. — Então, o que quer conversar?
Bryan, eu soube por Laurel que você não queria ir para o apartamento do seu pai... — Oliver olhou para o menino, ele parecia incomodado. — E é sobre isso que quero falar com você.
Felicity... — Ele não achava que seria bom pressionar o filho deles. Por mais que sim, ele estivesse sendo difícil, era compreensivo.
Não, Oliver. — O olhou. — Quero falar sobre isso. Bryan precisa entender que você é o pai dele. Ele querendo ou não.
A mamãe nem estará lá ainda. — Sussurrou.
Não. Mas eu estarei em poucos dias. — Ele não olhava nos olhos de nenhum dos pais. — Eu sei que é difícil para você. Eu compreendo isso, mas você não pode excluir seu pai de sua vida. Ele é seu pai. — Ele assentiu, mas continuava sem olha-los. — Lembra-se de quando você era menor e me perguntava por quê não tinha um pai? — Oliver desviou os olhos da noiva, para o filho. — Você tem agora, Bryan. Oliver não foi o culpado de tudo o que houve. Ele nunca soube de você e da sua irmã. Eu já expliquei isso. — Olhou para o noivo por alguns minutos, antes de voltar seu olhar para o filho. — Oliver também lhe explicou, não? — Ele assentiu. — Então, o que está acontecendo?
Eu não entendo. — Diz olhando para os pais. — Se não é culpa dele ou sua, mamãe... É de quem? Ele disse... Ele disse que foi uma pessoa que os separou, porque não os queria juntos...
Sim. Isso aconteceu.
Quem foi? — Os pais se olharam.
Isso não importa, querido. — Com uma mão, ela começou a acariciar o rosto do pequeno. — Isso já foi á tanto tempo... Sabe o que importa? — Os olhos do pequeno brilhavam, Felicity sabia que ele queria chorar. — Seu pai. Você tem um pai, Bry. — O menino passou uma das mãozinhas no nariz. — E é totalmente compreensivo que não o chame de pai, ainda, mas por favor, você precisa deixar que ele se aproxime. Que confie nele. Vocês estarão juntos nos próximos três dias. Só você, sua irmã e ele. Por que não tentam conhecer um ao outro? Ele quer saber de tudo sobre você, por que você mesmo não diz? E por que não pergunta á ele o que quer saber?
Como vou saber que ele vai dizer a verdade?
Eu não mentiria, Bryan. — Oliver resolveu responder. O garotinho o olhou. — Eu te contei minha história com Felicity quando quis saber, não contei? — Ele assentiu. — O que quizer saber, eu vou dizer. Prometo.
Vou dizer uma coisa muito importante... — Passou a outra mão pelos cabelos loiros. — Na minha infância, eu queria muito ter tido um pai, mas eu não tive um. Eu não tive a oportunidade de ter uma família grande á minha volta. Era só eu e minha mãe. E as amigas dela. — Sorriu. — Mas você... Você e sua irmã vão ter tudo o que eu não tive. Uma família enorme. — Frisou a última frase. — Tios, amigos... Um pai. Á mim. Isso é importante. O resto não importa.
E mesmo que pense que eu vou deixa-los... — Oliver se pronunciou. — Isso não vai acontecer. Eu amo sua mãe. — A olhou por alguns segundos e ela sorriu. — Muito mais do que antes. E eu quero poder ter a chance de ser seu pai. Me chame de Oliver se assim preferir, não me importo. — O garotinho foi abraçado pela mãe e ele grudou uma das mãos na roupa dela. — Se quer saber mais coisas sobre mim, ótimo. Conto o que quiser. Apenas me deixe aproximar. — Oliver colocou a mão direita, aberta, em cima da cama, para que o menino a pegasse. Bryan não desviou os olhos do pai nem por um minuto, desde que o homem começou a falar. Ele sentia que podia confiar no homem á sua frente, mas tinha medo. Mesmo que tivesse ouvido daquele "homem" que seu pai era o culpado de tudo... Ele não mais acreditava nisso. Não depois de ouvir tudo o que ouviu, então não achou que seria uma má ideia deixa-lo se aproximar.
Tudo bem. — Sussurrou enquanto estendia o braço e pegava na mão do "pai". Oliver sentiu algo novo dentro dele. Ficou feliz ao ver que o filho lhe daria uma chance. Era a primeira vez que Bryan fazia aquele contato e por alguma razão, ele sentiu-se bem. Felicity sorriu enquanto beijava os cabelos do filho.
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Oliver abriu a porta de seu apartamento e entrou com os gêmeos. Eles nunca tinham morado em um apartamento antes, estavam curiosos com o lugar.
Enquanto vocês não têm um quarto, dormirão comigo, está bem?
Com você? — Bryan o olhou.
Podemos colocar um colchão no chão, se quiserem. — Bryan deu de ombros.
Tudo bem do jeito que quiser. — Ele estava menos arredio desde a conversa de mais cedo.
Mora sozinho aqui, papai?
Sim. Mas a governanta vem fazer as refeições de segunda á sexta. — Caminhou até o sofá, deixando as malas do lado dela. — Vocês estão com fome? — Ambos assentiram e Oliver caminhou para a cozinha, os filhos seguiram-no.
Vai cozinhar? — Bryan se sentou na cadeira em frente á bancada e Oliver ajudou sua filha a fazer o mesmo.
Sim. Vou fazer um macarrão, pode ser? — Do outro lado da bancada, Oliver os olhou. — É mais rápido.
Pode. — Olhou para a irmã. — Mas não coloca queijo, tá?
Okay. Vocês querem assistir TV enquanto cozinho?
Eu quero. — Brooke diz com um sorriso. — O papai tem filmes?
Tem Netflix. — Pegou a menina no colo e a desceu da cadeira. Bryan também teve ajuda do pai para descer e seguiram para a sala. Oliver ligou a TV, colocando na Netflix. Brooke se sentou no sofá. — O que você quer assistir? Tem vários desenhos.
Frozen. — Oliver arqueou as sobrancelhas e digitou o nome do filme.
De novo? — O menino reclamou.
Eu gosto. — O irmão cruzou os braços. Oliver colocou o filme e se afastou com o controle nas mãos.
Não vai assistir? — Bryan negou.
Eu quero... — Oliver o olhou, esperando que ele terminasse a fala. — Fazer umas perguntas.
Tudo bem. Você fica comigo na cozinha, então. — O menino assentiu. — Brooke, qualquer coisa me chame, está bem? — Ela assentiu, mesmo concentrada no filme. Oliver e Bryan voltaram para a cozinha e mesmo que o menino conseguisse subir na cadeira, sozinho, Oliver o ajudou. — Okay. O que quer saber?
Você disse, que sua mãe não gostava da minha mãe... — Oliver estremeceu enquanto colocava a água para ferver. Tinha que ser sobre sua mãe? — Ela ainda não gosta dela?
Eu não sei, Bryan. — Não era bem uma verdade. — Elas não se encontraram depois da sua mãe ir embora, e eu e minha mãe não estamos muito bem.
Por que?
Porque ela é complicada. — Suspirou. — Depois que meu pai morreu, minha mãe queria que eu... Ficasse no lugar dele na empresa. Ela começou a me pressionar. — O olhou. — Você não gosta de ser pressionado, não é?
Não. É chato. — Resmungou.
É. Eu concordo. Você pegou isso de mim, com certeza. — Sorriu. — Eu fiz como minha mãe pediu, mas mesmo assim ela não estava satisfeita.
Então, ela nunca quis você e a mamãe juntos? — Oliver demorou um pouco para responder.
Acho que não. Você não tem que se preocupar com sua avó. — Ele assentiu.
Por que você e a mamãe não gostam de falar sobre ela? — Oliver que jogava o macarrão na água, voltou seus olhos, surpresos, para o filho. — Eu tenho seis anos, mas não sou burro. — Fez um bico. — A mamãe fica toda estranha e você tenta mudar de assunto.
Você tem mesmo seis anos? — O menino sorriu. Oliver ficou ainda mais surpreso, era a primeira vez que o menino sorria para ele. — Eu e minha mãe brigamos quando eu e sua mãe namorávamos e ficou pior quando ela foi embora. Por isso não gosto de falar sobre. E sua mãe... A minha não gostava dela, essa é a razão. — Explicou. Oliver esperava que o filho não pedisse os detalhes da briga que teve com sua mãe.
Entendi. — Oliver se voltou para o macarrão. — Ela sabe da mamãe? — Oliver desligou o fogo e o olhou. — Que a mamãe está aqui?
Eu realmente não sei, Bryan. — O menino arqueou as sobrancelhas, confuso. — Eu não falo com ela desde... A briga. — Ele não precisa saber de qual delas. — Então, eu não sei se ela sabe.
Então, ela não sabe de mim e da Brooke?
Bom, depois do que saiu na revista... — Suspirou. — Ela com certeza já sabe. — Ouviram a voz de Brooke cantando junto com a personagem do filme. — Sua irmã já assistiu esse filme quantas vezes? — Oliver pergunta ao ouvir ela repetir a fala da personagem.
Muitas. — Bufou. Oliver se viu ali, no mesmo momento e sorriu. — Já me cansou. — Oliver sorriu.
Eu comprei uma coisa para você. — Decidiu dizer.
Comprou? — Oliver assentiu.
Vou te mostrar depois do jantar. — Ele assentiu. — Acho que vai gostar. Não sei se você já teve um, mas... — Deu de ombros se voltando para o molho que estava quase pronto. — Você se importa de eu colocar salsa no molho? — O menino negou. Oliver picou rapidamente e jogou no molho, desligando logo depois.
A mamãe sabe o que é?
Não. Ela não sabe. — Se virou para o filho. — Eu não contei á ela sobre isso. Mas contamos quando formos vê-la amanhã. — Oliver saiu da cozinha para chamar a filha, mas antes que pudesse fazê-lo, a campainha toca.
Está esperando alguém, papai? — Brooke se vira para o pai quando o vê. Bryan se aproximou de onde o pai estava.
Não. — Arqueou as sobrancelhas, caminhando até a porta. — Deve ser a tia de vocês, Thea têm essa mania de aparecer em horários inapropriados. — Oliver abriu a porta e se surpreendeu.
Até que enfim. — A voz autoritária foi ouvida por todos. — Vim mais cedo, mas você não estava. — Bufou. — Quero saber o que raios você está fazendo, Oliver.
O que veio fazer aqui, mãe?
Eu já disse. — Entrou sem ser convidada e encontrou duas crianças loiras. — Não é possível. Você é idiota, Oliver? — Se virou para o filho.
Brooke. Bryan. Preciso que vão para a cozinha e fiquem lá. — A menina foi a primeira a fazer como o pai pediu, mas Bryan não tinha gostado da forma que a outra falava. — Por favor, filho. — Ele cruzou os braços e saiu. — Você pirou? Não pode entrar sem ser convidada e fazer essa cena na frente dos meus filhos.
Têm certeza de que são seus?
Têm alguma dúvida? — Debochou. — São meus filhos.
E quem é a mulher? Com certeza é alguma golpista. Está cheio delas por aí. — Riu debochadamente. — Uma delas, pelo menos, saiu do seu caminho.
Não se atreva. — Rosnou ao saber de quem ela falava. — Não fale dela. Não ouse dizer que ela era golpista. Você foi a culpada de ela ir embora. — Sussurrou.
Fiz isso pelo seu bem. — Olhou ao redor. — Cadê a golpista?
Ela não é golpista. E não está aqui. — Moira balançou a cabeça. — Eu peço, agora, que vá embora.
Oliver... — Ele a interrompeu.
Não quero ouvir mais nada. Minha vida não mais lhe diz respeito. — Abriu a porta, indicando que ela saísse. — E meus filhos, também não são da sua conta. Agora, vá embora. — Moira se aproximou do filho.
Não sabe o erro que está cometendo, Oliver. — Ele preferiu não respondê-la e então ela saiu.
Saco. — Fechou a porta. — Era só o que me faltava. — Sussurrou e então viu os filhos aparecerem.
Papai. — A filha estava assustada. Oliver se aproximou de ambos.
Está tudo bem. Não se preocupem, ela não vai voltar.
Era sua mãe. — Oliver assentiu, mesmo que não precisasse. — Por que ela estava irritada com você?
Besteira. — Deu de ombros. — Ela só queria chamar atenção. — Ele sabia que o filho não estava acreditando naquela história. — Vamos comer? — Pegou nas mãos dos dois e os puxou para a cozinha.
**--** **--**
Eu não tô com sono. — Oliver sorriu ao vê-la coçar os olhos.
Não? Eu acho que está. — Ela balançou a cabeça. — Querida, você está cansadinha.
Não tô não. — Oliver suspirou. Seria difícil.
Você não quer ir ver a mamãe amanhã cedo? — Teve de apelar para Felicity. A menina assentiu. — Então, nós vamos sair daqui cedo. Você não vai conseguir ficar acordada se não dormir agora.
Eu consigo. — Oliver se abaixou na altura da filha. — Não quero dormir, papai.
Por que não, princesa? — A pequena colocou uma das mãos na boca e a outra segurava a barra do vestido. — Você está com medo? — Ela balançou a cabeça para os lados, ainda olhando para o pai. — Então por que não quer ir dormir?
Não quero. Não tô com sono. — Continuou a negar. Oliver já não sabia mais o que fazer. Olhou para seu banheiro, o filho ainda não tinha saído.
Você vai ver que quando se deitar, vai dormir rapidinho. — Ela balançou a cabeça mais uma vez. — Vamos pegar uma roupa de dormir.
Não, papai. — Ela se afastou. Oliver não queria obriga-la, sabia que a menina tinha problemas para dormir e provavelmente era medo. Laurel tinha lhe dito que ela era complicada para dormir, mas não imaginava que seria tanto.
Já me vesti. — O menino saiu do banheiro do pai já pronto para dormir.
Então só falta você. — A pegou no colo. Brooke se remexeu no colo do pai, não queria dormir de jeito nenhum. — Se você me deixar te trocar, te dou um presente. — Ela parou de se remexer e o olhou curiosa. Oliver suspirou aliviado.
Presente?
Sim. — Colocou a menina sentada na cama e tirou o vestido que a garotinha usava. Como as roupas de ambos continuavam na mala, ele foi até a da filha, a abriu e encontrou um pijama logo em cima. Ele agradeceu á Laurel internamente por isso. — Levanta seus braços. — Ela o fez e Oliver vestiu a blusa de mangas do Frozen, o tempo estava um pouco frio. A ajudou a ficar em pé na cama e colocou a calça em conjunto da blusa. Oliver a deixou sentada na cama e caminhou até seu closet, voltando com um coelhinho de pelúcia.
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É meu? — Oliver sorriu e a entregou.
Sim. Todos seu. — Ela abraçou a pelúcia. — Sua mãe disse que você perdeu o que ela tinha te dado. Gostou?
Gostei, papai. Obrigada. — Ela apertava tanto a pelúcia que parecia que queria grudar junto a pele.
O seu é diferente... — Caminhou até seu closet e de lá trouxe uma caixa, colocando-a no chão. — Como prometi mostrar hoje... — O menino se aproximou.
O que é?
Abra. — Bryan estava um pouco envergonhado, mas mesmo assim, se abaixou e retirou o papel de presente com a ajuda de Brooke que tinha se aproximado para ver, curiosa. Bryan ficou surpreso. — Eu ganhei um quando tinha mais ou menos a sua idade, acho que um pouco menos.
Um videogame.
É um Xbox S. Quando voltarmos da sua mãe amanhã, eu posso conecta-lo para você jogar. — Ele assentiu. — Depois podemos comprar outros jogos, não sei... Do que gosta, então...
Tudo bem. Obrigado. — Oliver pegou a caixa e colocou no chão, perto da porta do closet. — Eu tô com sono. — Ele passou a mão direita no olho.
Então vamos dormir. — Afastou o edredom. — Deixa eu te ajudar a subir, princesa. — Colocou a pequena no meio da cama, ela continuava grudada no presente que ganhou do pai. — Quer ajuda?
Eu dô conta. — Mesmo com um pouco de dificuldade, Bryan conseguiu subir na cama. Oliver percebeu que ele gostava de ser independente. — Agente pode assistir TV, até eu dormir?
Claro. — Oliver pegou o controle em cima da mesa de cabeceira, se deitou ao lado da filha e ligou a TV. — O que quer assistir?
Não sendo Frozen... — Oliver sorriu ao ver a cara emburrada da pequena.
Vamos assistir então um desenho... "Irmão Urso", pode ser? — Olhou para os filhos que assentiram. Oliver colocou para começar e largou o controle na mesa de cabeceira. Ele sabia que ambos dormiriam antes de chegar no meio do filme, estavam cansados. Ele, provavelmente, ficaria acordado por mais um tempo, observando-os dormir. Seria a primeira vez que ficava tanto tempo com os filhos, nunca tinha colocado eles para dormir e como era a primeira vez, queria ficar o maior tempo possível, observando-os. Mesmo que estivessem dormindo. Tudo era muito novo para ele, mas ele estava gostando dessa coisa nova de ser "pai".
**--** **--**
Oliver ouviu um barulho, ele não era de acordar de madrugada, mas naquele dia estava acontecendo. Ele abriu os olhos, de vagar e olhou em volta, percebeu que Bryan não estava na cama e arqueou as sobrancelhas. Onde ele estava? Olhou para o banheiro e não parecia ter alguém lá dentro. Desviou os olhos para a pequena que dormia ao seu lado. Sorriu. Ela dormia abraçada ao coelho, tão tranquila. Se levantou, tinha que saber onde estava o filho. Caminhou para fora do quarto e o encontrou encolhido no sofá, estava acordado, percebeu assim que bateu os olhos nele.
Ei. — Se aproximou. — O que está fazendo aqui? Sozinho?
Não consigo dormir... — Não olhou para o pai.
Teve pesadelo? — Bryan apertou o travesseiro. Oliver, percebendo que ele não responderia, se sentou no sofá e voltou a se pronunciar. — Por que não me acordou? — Ele apenas balançou a cabeça. — Bryan, se você não me disser o que está acontecendo, não vou poder te ajudar. — Pela primeira vez desde que o menino percebeu o pai na sala, ele o olhou.
Tive um pesadelo. — Sussurrou. Parecendo que se falasse alto, o medo seria mais real.
Sobre o quê? — Oliver já imaginava, mas precisava que ele se abrisse. Que seu filho dissesse com todas as letras, para poder tentar tranquiliza-lo. — Me diz.
Ele pegava a mamãe. — Oliver colocou uma das mãos na cintura do filho. — E eu e Brooke ficávamos sozinhos... — Desviou o olhou.
Isso não vai acontecer. Nenhuma dessas duas coisas irão acontecer. Ele não se aproximará da sua mãe e vocês não ficarão sozinhos. — O menino voltou os olhos para o pai. — Estou cuidando disso...
Eu tenho medo. — Voltou a sussurrar.
Tudo bem. É completamente compreensivo você ter medo. — Oliver percebeu que o menino tremia, só não sabia identificar se era de medo ou de frio. — Eu prometo para você, que nada de ruim vai acontecer com nenhum de vocês. Sua mãe está muito bem protegida. — Ele assentiu. — Vamos voltar para o quarto?
Mas... — Oliver não precisava que ele continuasse, sabia que seu filho tinha medo do pesadelo voltar.
Vai ficar tudo bem. — Se levantou. — Confia em mim. — Pediu. Bryan ainda ficou alguns segundos deitado até enfim se sentar ainda tremendo. — Está com frio?
Um pouco.
Então vamos rápido para o quarto que eu vou te colocar debaixo do edredom. — Quando Oliver viu, já estava com o menino no colo. O olhou, esperando alguma reação negativa, mas o garotinho apenas colocou a cabeça no seu ombro, por isso continuou indo em direção ao quarto. Colocou o filho do outro lado da cama, cobrindo-o logo em seguida. — Está bem? — Ele assentiu. Deu a volta e se deitou no mesmo lugar de antes. Oliver pegou o controle do ar condicionado que estava em cima da mesa de cabeceira e o abaixou um pouco. Bryan se colocou de lado, ainda com medo de dormir, Oliver percebeu isso, mesmo com a filha no meio deles. Se virou, chegando um pouco mais perto da filha, colocando a mão direita sobre a cintura do filho que se surpreendeu. — Apenas feche os olhos... Logo vai estar dormindo e nem vai perceber. — Bryan apertou uma das mãos no edredom e fez como o pai disse. Oliver ficou mais alguns minutos acordado, observando o sono tranquilo do filho. E voltou a dormir sem nem mesmo perceber, pois seus olhos estavam no garotinho tão parecido com ele. Bryan não teve mais pesadelos naquela noite.
CONTINUE...
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