Cross Destination
4 Capítulo Quatro
Notas iniciais

**Felicity**
Eu já estou aqui á cinco dias. Me sinto bem. — Cait se aproximou.
Você teve febre essa madrugada.
Uma febrezinha de nada. — Reclamei. Ela e Sarah riram. Cait passava mais tempo comigo do que com outros pacientes. Gostava da presença dela.
Lis, quem é a médica? — Fiz um bico. — Você precisa estar 100% para poder ir para casa.
Vamos fazer assim? — Olhei para minha médica. — Se essa noite você não tiver febre, liberarei você amanhã.
Verdade? — Elas sorriram com minha animação. Eu odeio hospitais.
Prometo. — Ouvimos um bater na porta.
Pode entrar. — Sarah autorizou. Meu coração pareceu que ia sair pela boca quando o vi. Apertei minhas mãos no lençol.
Ollie. — Ele se aproximou, beijando o rosto da minha amiga.
Felicity. — Consegui respirar novamente. Eu nem tinha percebido que tinha trancado minha respiração.
Oliver. — Cumprimentei de volta.
Boa tarde. — Cait sorriu. — Sou Caitlin Snow. Médica da Felicity.
Oliver Queen. — Pegou em sua mão.
Bom, vamos deixar vocês conversarem a sós. — Eu olhei para minha amiga, apreensiva. — Vai ficar tudo bem. — Sussurrou.
Espere. — Oliver pediu, olhando para a Cait. — Ela está bem? — Ele estava preocupado. Saber disso me fazia bem.
Está sim. Ela teve uma febre essa noite, o que me preocupou um pouco, porque estava realmente alta, mas logo abaixou. — Oliver me olhou, enquanto assentia. — Se tudo der certo, amanhã mesmo ela terá alta.
Que bom. — Foi só o que ele disse. Sarah e Cait saíram do quarto, fechando a porta. Ele continuou onde estava. — Você está se sentindo bem?
Estou. — Sussurrei. — Sarah disse que você não... — Ele se aproximou da minha cama. — Não foi a casa da Laurel... — Esperava que ele entendesse.
Eu pensei em ir. Mas não sabia até onde eles sabem de mim.
Eles sabem tudo. — Vi a surpresa em seus olhos. — Sabem quem é você. — Quando Bryan tinha três anos, perguntou sobre o pai. Por que eu não tenho um pai? Eu disse que ele não sabia deles, que eu e o pai deles tinhamos nos desentendido e quando descobri sobre eles, eu já estava em Vegas, eles compreenderam e não me perguntaram nada mais. Alguns meses depois eles me perguntaram se eu tinha uma foto do "papai", fiquei surpresa, mas respondi que sim. Me senti mal naquele dia. Eu podia ter ido procurar Oliver, ter vindo para Star... Mas tinha medo do que encontraria. E naquela época eu achava que ele não se importava com os filhos, já que não respondeu á minha carta ou foi me procurar. Então, eu peguei a única foto que tinha ficado comigo. Estava eu e Oliver, lado a lado, na festa de aniversário da Thea. Ela completava 12 anos. Nosso último ano juntos.
Felicity, eu quero saber... — As lembranças ficaram para trás quando o ouvi. — Por que me negou saber deles? Me odiava tanto assim?
Não! — Exclamei. — Oliver, quando eu descobri já estava no terceito mês e eu já estava em Vegas. Fiquei pelo menos três semanas pensando se contava ou não... Não queria atrapalhar seu "casamento".
E mesmo assim, resolveu não me contar. — Ele estava magoado. Moira era um monstro. Como pode alguém ser tão, má? Ela não serve para ser mãe.
Eu te mandei uma carta. — Ele se sentou na poltrona, ao lado da minha cama. — Eu já disse que te mandei uma carta... — Ele assentiu. — Eu completava o quarto mês. — Ele arqueou as sobrancelhas, confuso. E como tinha visto antes, em seus olhos, da outra vez que ele veio me ver... Eu estava errada. Ele nunca soube da carta. — Eu falei com um amigo que trabalha no correio... Ele disse que a carta foi entregue em mãos, Oliver.
De quem? Porque não foi na minha.
Da governanta.
Rasa?
Até onde eu sei, ela é a única governanta da mansão Queen. — Ele bagunçou os cabelos com as mãos. — Imaginei que ela teria entregado a você e pensei que você estava fingindo não saber.
Felicity, eu não... — O interrompi.
Então eu vi. Seus olhos... Você nunca soube dos gêmeos.
Essa carta... — O interrompi novamente.
Não importa mais. — Ele arqueou as sobrancelhas. — Eu mandei á seis anos atrás, Oliver. Você nunca soube dela e eu não sei onde ela pode estar, então... — Eu não queria mentir á ele. Mas eu não posso dizer que eu achava que sua mãe estava por trás do sumiço da minha carta. — Vamos esquecer isso, por favor?
Você não quer que eu descubra o que houve com a carta? — Neguei.
Eu não quero mais ficar pensando nisso. Você disse que nunca soube da minha carta e eu acredito em você. — O olhei nos olhos. — Vamos esquecer isso, por favor. — Ele suspirou, sabia que ele não estava gostando. — Por favor. — Pedi novamente e ele assentiu.
Tudo bem. — Foi a minha vez de suspirar, mas aliviada.
Sarah disse que você está morando em um apartamento.
Sim. Muito bom por sinal. — Assenti. — Decidi deixar aquela casa... — Eu o olhei. Nossa casa. — No mesmo ano em que você foi embora.
A casa... — Sussurrei. Tinha muitas lembranças dela. Boas.
Eu não a vendi. — Fiquei surpresa com sua afirmação. — Você deve se lembrar da Allissa. — Claro. Ela trabalhou naquela casa por muito tempo. Mesmo eu dizendo que não precisava de uma governanta... Oliver a contratou. Eu só tinha aceitado, porque a garota precisava.
Me lembro. Ela ainda trabalha pra você? — Ele deu um meio sorriso que quase me fez perder o fôlego.
Ela ainda precisa. — Assenti. — O pai dela faleceu á dois anos. — E mais uma vez estava surpresa e triste, por ela. — A mãe dela está doente.
Eu sinto, por ela. — Me lembrei de minha mãe. — Então, ela mora na nossa... Naquela casa? — Ele assentiu.
Aconteceram muitas coisas com ela depois que você... — Se interrompeu. — Foi embora. — Molhei os lábios com a língua. — Com todos nós. — Completou.
Eu sei que não deveria ter fugido, mas... — Abaixei meu olhar.
Eu entendo. — O olhei nos olhos novamente. — Agora, eu entendo. Eu deveria ter conversado com você antes, mas eu não tive muito tempo... Ou escolha.
É. Sua mãe realmente me odeia. — Eu não queria ter tocado naquele assunto, mas eu a culpava por tudo que têm acontecido. Ela destruiu minha vida e dos meus filhos. E do Oliver. — Desculpe.
Não têm que se desculpar. Minha mãe realmente... Não é a mulher que achei que fosse. Ela me fez ver isso quando me chantageou. — Ficamos alguns minutos em silêncio. — Felicity. — Eu voltei meus olhos para ele. — Eu sinto muito pelo que houve com Donna. — Me surpreendi. Como ele sabia? — Eu soube hoje.
Ah. — Meus olhos lacrimejaram, ainda doia me lembrar dela. — Está tudo bem.
Só não entendi uma coisa... Disseram que o carro capotou. Como foi isso? — Apertei minhas mãos no lençol. — Felicity?
Foi um acidente. — Sussurrei. Ele não pareceu acreditar. Arqueeou as sobrancelhas, abaixei o olhar, pois sabia que se ele olhasse neles, descobriria a minha mentira. Mas já tinha sido tarde demais, ele já tinha olhado o sificiente, percebi isso ao voltar meu olhar para ele. Ele continuava a me fitar, sem dizer uma palavra, talvez tentando ver por que eu mentia. Ficamos em silêncio e eu agradeci por ele não tocar mais naquele assunto. Mas meu alívio se foi quando ouvi a próxima pergunta, que me fez estremecer.
Felicity, quem é Cooper Sheldon? — Dessa vez eu me assustei.
Como...? Como...?- Gaguejei, não conseguindo terminar minha pergunta.
Eu tenho minhas fontes. Então?
Pedi para você não se meter. — Ele arqueou as sobrancelhas, não gostando do que ouviu.
Você está brincando? Achou mesmo que eu não faria nada? — Engoli em seco. — Ele se meteu com as pessoas erradas.
Você não entende. — Peguei em sua mão e assim como ele, eu me surpreendi por estar fazendo isso. — Ele não é alguém que você deva enfrentar, Oliver.
Ele que não deve me enfrentar. — Senti uma aura obscura que me arrepiou. Ele estava irritado. — Ele vai se arrepender por ter se aproximado de vocês.
Você não entendeu... — Apertei minha outra mão na coberta que me cobria e abaixei meu olhar. Ele não sabia com quem estava se metendo, Cooper o machucaria também, se soubesse quem ele era. Eu já havia falado de Oliver para Cooper, quando eu achei que ele era uma boa pessoa. Eu não podia estar mais errada ao pensar assim.
Ei. — Ele pegou em meu queixo, erguendo-o, fazendo com que eu o olhasse. — Eu posso te proteger. — O olhar dele estava diferente. Continuava sério, mas não mais obscuro, estava tranbordando preocupação e cuidado.
Oliver... — Sussurrei.
Apenas confia em mim. — Mordi o lábio. — Eu sei que você ficou magoada com que eu fiz, mas eu... — O interrompi.
Eu não culpo você. Não mais... — Nossos olhos não deixaram de fitar um ao outro nem por um minuto.
Então... Confia em mim. E me deixa cuidar de você e dos nossos filhos. — Nossos rostos estavam muito próximos.
Ele virá atrás de mim... — Sussurrei temerosa.
Ele pode tentar. — Rosnou. — Ele nunca mais chegará perto de você. Eu prometo. Então me deixa fazer as coisas do meu jeito.
Oliver... — Antes que eu pudesse concordar com aquilo — e era o que eu mais queria — A porta foi aberta.
Mamãe! — Olhei para meus filhos. Os dois estavam de mãos dadas. Atrás deles tinham duas pessoas, um garotinho de cabelos castanho claro e olhos claros, verdes eu acho, um tom diferente dos meus, ele era muito parecido com Tommy. E a outra pessoa ao seu lado, era ele, o melhor amigo de Oliver, Thommas Merlyn.
Ops. — Ele disse e Oliver me soltou. — Acho que atrapalhamos alguma coisa.
Tio Ollie. — Sorri com o carinho que o menino tinha para com Oliver. Ele abraçou meu... Ex-noivo.
Ei, garoto. Você está maior ou é impressão? — Perguntou quando o menino o largou, com um sorriso no rosto. Oliver colocou uma das mãos em cima da cabeça dele. Eu percebi que o menino adorava Oliver. — Oi, Tommy.
Eaí? Nossa, não deveria ter aberto a porta. — Eu sorri não me importando muito.
Oi, Tommy. — Ele se aproximou um pouco.
Felicity. Fico feliz em ver que está melhor. — Ele e Oliver trocaram um olhar. Meus olhos foram para minha pequena que não tirava os olhos de Oliver. Meu filho tinha as sobrancelhas erguidas e eu soube que ele não estava gostando da presença de Oliver no meu quarto. Suspirei. Eu teria problemas.
Querida. — Ela me olhou e sorriu.
Mamãe. — Eu a chamei para mais perto e ela se aproximou, se sentando na cama, ao meu lado.
Bom, acho que vamos deixa-los. — Tommy se pronunciou, ele deu uma olhada para meu filho e percebeu o mesmo que eu. Ele me olhou e depois desviou o olhar para o filho. — Lyon, voltamos mais tarde.
Eles ficam?
Sim. Vamos achar a mamãe nesse hospital enorme. — Ele pegou na mão do pai e me olhou. Sabia que ele estava curioso para saber quem eu era.
Ela é a amiga da mamãe? — Sorri.
Sim. Ela é amiga de todos nós. — Explicou o olhando.
Ah, ela é bonita. — Oliver e Tommy sorriram. Ah, agora estou apaixonada por esse garoto.
Obrigada. — Ele ficou tímido derepente. — Você também é.
Obrigado. — Sussurrou tímido e grudou nas pernas do pai. Que fofo!
Bom, vamos indo. — O pegou no colo e saiu, fechando a porta.
Por que ele está aqui? — Me virei para meu filho.
Bryan! — O repreendi. Ele podia não gostar de Oliver, mas ele continua sendo seu pai. Não podia deixar que ele falasse daquele jeito.
Era para você estar com sua amiga, mamãe. — Seria mais difícil do que eu imaginava. Há mais ou menos dois anos, Bryan começou a culpar o pai por tudo que têm acontecido conosco. Isso aconteceu depois de Cooper conseguir me pegar, não por muito tempo. Graças a Deus. Ele conseguiu me encontrar depois de anos me escondendo. Bryan e Brooke tinham acabado de completar quatro anos, eu acho. Cooper se escondeu muito bem na minha casa e quando entrei no meu quarto, ele me pegou desprevinida. Eu consegui me soltar dele, mas levei um tapa na cara, foi então que Bryan entrou no quarto. Cooper me jogou na parede me segurando pelo pescoço, ele não queria me matar, ele nem apertava, mas ele queria me passar medo. Ele disse as seguintes palavras ao meu filho: "Isso não aconteceria se seu pai estivesse aqui". "Eu não poderia machucar sua mãe, se seu pai estivesse aqui para salva-la". Consegui pegar meu abajur enquanto ele olhava para o meu filho, com aquela cara de lunático e então, bati em sua cabeça com força. Meu filho estava estático. Correndo, peguei algumas coisas, peguei meus filhos e novamente, fugimos. Eu tentei fazer meu filho não culpar Oliver, mas de nada adiantava. Ele continuava sentindo aquele rancor pelo próprio pai e isso tudo era culpa de Cooper.
Lembram da foto que eu mostrei para vocês á alguns anos? — Minha filha assentiu, já meu filho, fechou as mãos em punhos. — Vocês sabem quem é ele...
É o papai. — Sorri, vi Oliver ficar surpreso, pela forma natural que Brooke falou "papai". Bryan revirou os olhos.
Isso mesmo, querida. — Oliver preferiu ficar em silêncio. Provavelmente tinha medo de dizer alguma coisa e piorar a situação.
Agente não precisa dele. — Meu peito se apertou ao ver o quanto aquela frase machucou Oliver. Eu precisava concertar isso. Metade da culpa era minha, afinal de contas. Suspirei, não seria nada fácil.
Não diga isso. — Falei séria. Eu nunca fui de brigar com meus filhos, sempre foram tão obedientes... Mas se fosse a única forma de fazer Bryan respeitar Oliver, então eu faria, sem dúvidas. — Você sabe porque ele nunca...
Por que? — Ele me interrompeu. Ele nunca fez isso. Ele não perguntava á mim e sim ao pai. Minha pequena não entendia por que o irmão estava irritado. — Se a mamãe não estava mais aqui, é porque você fez alguma coisa... — Oliver me olhou e eu balancei a cabeça, dizendo, sem deixar o som da minha voz sair, que não contei o porquê do nosso término.
Não olha pra ela. — Sua voz ficou um pouco mais alta. — Eu te fiz uma pergunta.
Bryan! — Repreendi novamente. — Você não é assim, o que está acontecendo? — Ele apertava cada vez mais as mãos. — Eu não quero que grite. Não foi isso que eu te ensinei. — Ele não me olhava, continuava a fitar Oliver que não sabia o que fazer. — Peça desculpas.
Mas... — Ele me olhou e o meu olhar sério, deixou claro que não teria um "mas". Ele teria que aprender a respeitar Oliver, querendo ou não.
Por que você está gritando? — Brooke interrompeu as desculpas do meu filho, para o meu desgosto. — É o papai.
Ele não é nosso pai. — Gritou. — Ele nunca esteve lá. Nunca! — Minha filha estremeceu, ela nunca tinha visto o irmão daquele jeito, bom nem eu.
Não grite! — O repreendi pela terceira vez em menos de meia hora. — Sua irmã não tem nada haver com sua irritação. — Passei a mão direita no meu cabelo.
Eu juro que nunca soube de vocês. — Oliver se pronunciou. Nossos filhos o olharam. — Eu nem sabia para onde sua mãe tinha ido quando ela foi embora de Star. — Não gostava de ver Oliver daquele jeito. Ele me machucou, mas não foi de propósito e agora por minha culpa... Bryan o odeia. Eu preciso dar um jeito nisso, concertar o que, por minha culpa, está acontecendo.
E por que ela foi embora?
Isso é entre eu e seu pai. — Me pronunciei. — Oliver, me deixa sozinha com ele? — Ele me olhou. — E pode levar Brooke com você, por favor? — Ele suspirou. — Você me pediu para confiar em você. Eu confio. E você?
Tudo bem. — Se levantou da poltrona. Minha pequena estendeu os braços e eu sorri, Oliver se aproximou para pega-la. Eu imaginava o que ele pensava agora, em como ela estava tão receptiva com ele, uma pessoa que ela nunca viu. Só por fotos. Bom, Brooke era encantadora. Ela nunca teve raiva do pai e mesmo depois de Bryan parar de perguntar pelo pai, Brooke continuava a fazê-lo. Ela sempre queria ouvir as histórias. Vai ser fácil com ela — Olhei para meu filho — Diferente da ferinha á minha frente.
**--** **--**
O que está acontecendo com você querido? Você não é assim. — Perguntei alguns minutos depois de Oliver e Brooke saírem do quarto.
Por que ele estava aqui?
Ele quer nos ajudar.
Não. Agente pode ligar para o tio Roy.
Ele não está disponível agora. — Ele ia reclamar, mas eu o interrompi. — Sente-se aqui. — Bati no colchão com uma das mãos e ele se aproximou, fazendo como eu pedi. — Eu sei que você está magoado, mas ele é seu pai. E ele merece seu respeito. — Ele abaixou o olhar.
Ele não esteve com agente, mamãe.
Não foi culpa dele. Eu fugi antes de poder contar... Nem eu sabia que estava esperando vocês. — Com uma de minhas mãos, peguei em seu queixo para fazê-lo me olhar. — Eu quero que você e sua irmã tenham uma vida normal. Eu quero que tenham um pai...
Eu não quero ele como pai. — Me interrompeu.
Oliver é seu pai, você querendo ou não. — O puxei para mais perto de mim. — Ele não tem culpa de nada. Eu juro que ele nunca soube de vocês. — Beijei seus cabelos. Ele se virou para me olhar.
Então, por que? Por que você foi embora?
Eu e seu pai tivemos um desentendimento... É muito complicado, mas basicamente, eu entendi tudo errado e fugi sem deixar que ele se explicasse.
Mas então, ele foi o culpado, mamãe...
Não. Ele não foi o culpado. — Repeti. — Ele nunca soube de vocês, Bry. E eu deveria ter voltado antes para falar com ele, mas fui uma covarde.
Mamãe, agente não precisa dele. Agente pode fugir de novo...
Não. — O interrompi. — Vocês terão uma vida diferente, normal. E eu quero que me escute... Isso que aconteceu hoje, não quero que se repita. Eu não te criei assim. Te ensinei a respeitar os mais velhos, respeitar sua irmã. Você gritou, não só com seu pai, como também com sua irmã.
Desculpa.
Não é pra mim que você deve desculpas. Oliver é seu pai e ele quer conhecer vocês. Quero que o respeite, mesmo que você ainda não goste dele. — Ele assentiu com a cabeça baixa. — Eu não gosto de brigar com você, querido, mas você não me deu outra escolha. Você gritou com seu pai. Ele é seu pai, Bryan. — Levantei seu queixo novamente para que me olhasse. — Ele não merece ser tratado assim por você.
E se ele nos deixar?
Isso não vai contecer.
E se aquele homem te encontrar?
Isso também não vai acontecer. — Beijei seu rosto. — Eu quero que me prometa uma coisa: Que vai ser bom para seu pai, que vai respeita-lo. Que deixará ele se aproximar. — Ele ficou em silêncio, abaixando novamente o olhar. — Meu amor, eu te amo. Só quero que você e seu pai se deem bem.
Tudo bem. — Levantou o rosto para me olhar. — Me desculpa, mamãe. — Eu o puxei para meu colo, o braçando.
Eu te amo.
Também te amo, mamãe. — Apertou os bracinhos em volta do meu corpo. Eu sorri.
Eu e seu pai ainda temos que terminar nossa conversa, você pode chama-lo para mim? — Ele fez um bico, antes de responder.
Tudo bem. — Lhe dei um beijo na bochecha.
Não esqueça das desculpas. — Avisei. Ele assentiu, me beijou, desceu da cama e saiu do quarto. Bom, pelo menos eu consegui fazê-lo se acalmar e tentar dar uma chance á Oliver. Eu confio que vai dar tudo certo.
**--** **--**
**Oliver**
Você quer alguma coisa? — Ela estava muito quieta, sentada na poltrona á minha frente. Me olhava, mas não dizia nada.
Não. — Começou a mexer na barra do vestido, alguma coisa me dizia que ela estava nervosa. Talvez com minha presença? — Por que o Bry estava gritando? Eu não entendi.
Ele estava irritado. Comigo.
Por que?
Eu não estive com sua mãe quando vocês estavam longe. — Tinha que tomar cuidado com o que digo, Tommy me disse que eles são espertos demais para a idade que tinham. E eu vi um pouco disso ao ver meu filho esbravejar á alguns minutos. Não posso culpa-lo e nem á Felicity, nenhum dos dois têm culpa.
Mas a mamãe disse que o papai não sabia. — Ela falava "papai" tão naturalmente. Eu não me cansaria de ouvir aquela palavra. — Você não sabia, né?
Não. Eu nunca soube.
A mamãe nunca disse por que. — Suspirei. Como explicar á uma criança de seis anos o porque de eu nunca estar por perto? Será que Felicity está explicando á Bryan? Suspirei novamente.
Bom... — Comecei, sem saber muito o que dizer. — Eu e sua mãe brigamos, por uma besteira... — Ela jogou a cabeça para um lado, ainda me olhando, tão fofa. — Não consegui me explicar e ela foi embora.
A culpa não foi nossa?
Não. — Me surpreendi com aquela pergunta. Não imaginei que isso passasse pela cabeça deles, provavelmente era por isso que Bryan estava tão irritado. — Vocês nunca seriam um problema para mim.
Então, vamos ficar juntos? — Eu não consegui sorrir com aquela pergunta.
Vem aqui... — Ela desceu da poltrona, se aproximando de mim e eu a peguei, sentando-a nas minhas pernas, de lado, com seus pés em cima do sofá. — Eu vou fazer de tudo para ficarmos todos juntos. Prometo. — Ela sorriu e me pegando de surpresa, me abraçou. Passei meus braços em volta do corpinho dela, correspondendo o abraço. Eu podia sentir o cheiro de flor, que vinha do cabelo dela, provavelmente cerejeira. Felicity amava aquele cheiro. Sorri. Ela era tão pequena, tão graciosa... Era filha da Felicity afinal de contas. Ela me soltou de vagar, me olhando nos olhos, logo depois.
Papai, posso pedir uma coisa?
O que você quiser. — Eu sei que seria errado eu fazer tudo que ela quisesse, mas não conseguiria dizer não. Passei seis anos longe deles, preciso compensar de algum jeito. Eu faria o que for, só para vê-los felizes.
A tia Laurel disse que agente vai ficar lá até a mamãe ficar boa. — Assenti. — Eu posso ficar com você? — E novamente ela me pega desprevinido. Eu esperava qualquer outra coisa, não um pedido desse.
Eu ia adorar, Brooke, mas eu ainda não posso. — Ela se intristeceu e eu não gostei. — Meu apartamento está uma bagunça, porque minha governanta pediu uns dias de folga. Ela volta depois de amanhã e quando tiver tudo certo, eu busco você na Laurel.
Promete? — Ela ficou mais animada e eu sorri.
Eu prometo. — Ela se remexeu no meu colo, arrumando o vestido. De repente a senti tensa. Ela apertou minha camisa e seu corpo tremeu, quando um homem se aproximou.
Boa tarde. — Ela colou seu corpo mais ao meu, com medo e eu a abracei. — Eu estou procurando uma mulher. — Não. Não poderia ser ele. — Loira, olhos verdes... — Eu não poderia fazer nada. Não com minha filha estando comigo. Trinquei os dentes.
Não vi ninguém com essa descrição.
Têm certeza? — Fingiu um sorriso. — Me disseram que ela deu entrada aqui. — Arqueei as sobrancelhas.
Você deveria perguntar isso para alguma enfermeira. — Apertei Brooke em meus braços, minha vontade era de fazê-lo perguntas, mas não poderia.
Não encontrei nenhuma e a recepcionista não pôde me dar essa informação. — É claro que não, imbecil. Isso foi uma ordem minha. Respirei fundo.
Talvez porque não seja parente próximo. — Ele fechou a expressão. Bom, eu também não estava feliz. — Sinto, mas eu não vi ninguém com essa descrição.
Tudo bem, então. Obrigado. — Ele saiu em direção a saída do hospital.
Papai... — Seus olhos lacrimejavam.
Está tudo bem. — Me levantei com ela ainda nos meus braços e peguei meu celular. — Preciso mandar uma mensagem. — A coloquei sentada no sofá e rapidamente mandei uma mensagem para Diggle. Precisava de seguranças da minha confiança para ficar aqui com Felicity. Ouvi minha filha chamar pelo irmão e olhei para trás.
A mamãe quer falar com você. — Sua voz estava mansa, mas tinha o rosto virado para o lado.
Antes preciso encontrar Tommy. — Me virei para pegar Brooke no colo, mas fui empedido quando senti uma mão segurando minha calça e olhei para baixo, vendo meu filho.
Me desculpa. — Ele não me olhava, provavelmente tinha sido um pedido da Felicity. Sorri enquanto me abaixava para ficar na sua altura.
Eu te entendo. — Dizer isso fez com que ele me olhasse. — Você tem todo o direito de ficar magoado, mas eu juro... Se eu pudesse voltar atrás, não teria deixado nada disso acontecer. — Peguei em seus braços. — Por isso, eu aceito suas desculpas. — Ele assentiu. — Vamos esquecer isso. Tenho que deixa-los com Tommy, vamos? — Me levantei, peguei Brooke no colo e caminhei até a cantina com meu filho ao meu lado. Não demorei muito á encontrar meu amigo.
Preciso de um favor. — Disse assim que me aproximei, colocando minha filha sentada na cadeira. Bryan sentou ao seu lado.
Aconteceu alguma coisa? — Se levantou e se aproximou de mim.
Preciso que fique de olho neles. Não tire os olhos deles sem por um segundo. — Sussurrei e ele ficou preocupado.
O que está acontecendo?
Eu explico depois. Pode fazer isso?
Claro. Deixa comigo. — Eu o agradeço. Me viro para avisar ás crianças, cujos são meus filhos, que sairia para conversar com a mãe deles e depois de feito, caminho para onde é seu quarto. Mesmo estando preocupado, sabia que Tommy cuidaria deles.
**--** **--**
Felicity. — Ela me olhou.
Pode entrar. — Entrei, caminhei até a poltrona e me sentei. — Não terminamos nossa conversa. — Tive que concordar. Suspirei. Eu precisava saber sobre aquele cara, principalmete depois de agora a pouco.
Eu preciso que me diga tudo o que sabe sobre esse cara. — Ela me olhou, não parecia surpresa, mas também não estava feliz pelo meu pedido.
Oliver...
Apenas faça o que estou pedindo. — Ela começou a tremer. — Eu sei que é difícil, mas preciso saber quem ele é. Como o conheceu? — Eu não contaria sobre o homem que a procurou, isso a preocuparia e isso era o que eu menos queria.
Eu estava ajudando minha mãe na cafeteria, em um dia comum, já estava chegando no quinto mês. Terminava de entregar um cappuccino quando o sino da porta tocou e eu como sempre, olhei para onde veio o barulho e então o vi, pela primeira vez. — Ela apertou uma das mãos na coberta em cima de si. — Ele fez o pedido dele comigo, perguntou se demoraria e eu disse que não. Ele começou a puxar assunto e eu gostei de falar com alguém da minha idade depois de tanto tempo. Depois desse encontro, ele passou a frequentar o café todos os dias, conversavamos muito. Ele até acompanhava eu e minha mãe até em casa, nos ajudava a fechar o café. Nos tornamos... Amigos. — Senti o deboche em sua voz, ao falar a última palavra. — Um dia ele tentou me beijar... — Arqueei minhas sobrancelhas. — E eu não deixei, disse que eu não estava procurando por romance no momento. Ele pareceu aceitar. Algumas semanas depois, ele tentou novamente e eu novamente disse que não. Ele perguntou se eu não gostava dele e eu disse que como amigo. Ele não gostou da resposta, vi seu olhar ficar... diferente, mesmo assim eu não me afastei dele. — Me olhou. — Burra não é? Um dia, no café, ele me pressionou, disse que gostava de mim e que estava tudo certo para ficarmos juntos, que seria feliz ao seu lado... Eu me irritei e disse que o melhor era ele se afastar.
Mas ele não se afastou. — Ela balançou a cabeça devagar.
Ele passou a me perseguir. Sabia onde eu morava, onde eu trabalhava... Minhas consultas no médico. Tudo. Era irritante e ao mesmo tempo, assustador. Minha mãe decidiu que nos mudariamos de casa e que passariamos a não mais frequentar o café. Uma amiga dela cuidaria do café por nós. Eu passei a ficar trancada em casa. As consultas eram em casa... Quando eu estava completando o oitavo mês, minha mãe resolveu falar com um amigo dela, sobre Cooper. Ele continuava a procurar por nós, mas não sabia onde moravamos... Era isso que achavamos. Ela disse que voltava no dia seguinte. Que eram três horas de ida e três de volta. Rápido. — Seu olhar se tornou triste. — Mas não foi rápido...
O que houve? — Perguntei quando ela ficou em silêncio por uns 5 minutos.
Ela não voltou no mesmo dia. Liguei para um... Amigo e ele disse que resolveria isso. — Que amigo? Eu quis perguntar, mas é melhor deixa-la terminar de falar. — No dia seguinte da minha ligação, ele apareceu na minha casa e me contou tudo o que houve. A policia encontrou o carro capotado á três horas de Vegas. — Lagrimas desciam pelo seu rosto, peguei em sua mão. — Ela estava morta. E eu soube que "ele" tinha matado minha mãe. Meu amigo conseguiu me tirar de Vegas, um amigo dele, onde ele trabalha, emprestou um jato para me deixar segura.
E por isso você começou a se mudar quase de ano em ano. — Ela estava surpresa com minha afirmação. — Por isso as perucas e as identidades falsas.
Como sabe disso?
Eu tive que fazer uma pesquisa, Felicity.
Pesquisa? Oliver, o que raios você foi procurar? — Ela estava irritada. Conhecia ela bem, para saber disso.
Eu queria saber o que houve com você nesses anos e eu não sabia se você me contaria. — Mesmo que ela estivesse mais relaxada, não estava menos irritada. — Eu não desconfiava de você, juro. Só queria saber das coisas.
Eu preferia que tivessse me perguntado. Eu estou contando, não?
Mas não vai me contar tudo, vai?
Oliver, você disse que não ia me pressionar.
Ok. — Suspirei, me aproximando mais um pouco dela. — Me diz o que descobriu sobre ele, nesses anos que estava fugida.
Ele é um caçador de recompensas. — Arqueei as sobrancelhas. — Ele disse para mim que era um professor. Que estava em Vegas de férias. E eu acreditei... — Ela apertou minha mão. — Nos dias que estava presa na minha própria casa, eu passei a fazer uma busca sobre e eu descobri o pior. Ele estava na cidade atrás da mulher de um homem importante. Ela tinha fugido do marido e ele contratou Cooper para caça-la. — A olhei para saber se aquilo era uma brincadeira, mas não o era. Nisso eu não poderia imaginar.
Você não está brincando.
Ele ficou possesso quando eu dei as costas para ele. Ele virou outra pessoa... Descobri, quando estava na Russia, que ele tinha matado uma amiga daquela mulher que fugia do marido. A garota tinha 20 anos. — Ela estremeceu.
Quem que lhe ajudava a fugir, Felicity?
Por que isso agora? — Eu a olhei sério. — Oliver, ele é alguém muito importante para mim, um amigo. Eu sei como isso pode soar, mas... Não posso dizer mais nada. Pelo menos não ainda.
Qual o problema? — Não estava gostando nada daquilo.
O problema é que ele trabalha para uma gente poderosa e que ele não pode ter seu nome revelado. Só isso. Por favor, acredita em mim. — Suspirei me encostando na poltrona e então assenti.
No dia em que foi encontrada por Sarah, Laurel e Tommy... Estava fugindo dele?
Do capanga dele. Estava fugindo de Central porque meu amigo me ligou dizendo que ele sabia onde eu estava. Ele me seguiu até aqui. — Estremeceu novamente. — Ele me encontrou, eu fugi e por causa disso tudo, eu quase matei á mim e aos meus filhos.
Não faça isso. — Pedi quando percebi que ela se culpava. — Você não têm culpa de ter um psicopata atrás de você, Felicity. E eu não vou deixar que ele se aproxime novamente.
Como vai fazer isso? Ele já sabe onde estou, ele pode não reconhecer nossos filhos, mas ele me reconheceria. — Arqueei as sobrancelhas.
Como não reconheceria as crianças?
A última vez que ele os viu, os gêmeos tinham quase quatro anos, então eu não acho que ele reconheceria as crianças. E também, é raro ele mesmo vir fazer o serviço, normalmente são os capangas dele, que têm uma foto minha com eles.
Isso fica ainda mais fácil. — Ela quem arqueou as sobrancelhas dessa vez. — Quero que assine um documento para mim.
Que documento? — Eu sabia que não seria fácil fazer ela aceitar, mas que se dane. Quero ela e meus filhos comigo e á salvo.
De casamento. — Ela me olhou surpresa.
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