Cross Destination
18 Capítulo Dezoito
Notas iniciais
Felicity esperava Oliver chegar da reunião. Seu marido tinha sido chamado na empresa á quase uma hora, e como precisavam dele, ele teve que ir. Sabia que ele não poderia ficar sem ir á empresa por toda aquela semana, mesmo que não quisesse ficar sozinha. Ela pensa nos filhos, ao se jogar no sofá. Como eles estariam? Com certeza, eles estariam brincando, se divertindo muito. Tinha falado com Sarah naquela manhã, e ela tinha dito que os professores levaram as crianças para fazer outra trilha, e mesmo preocupada, ela sorriu ao imaginar sua pequena filha e Kitty no meio de uma trilha. Elas odiavam mosquitos. Esperava que elas também se divertissem. O telefone tocou, e Felicity se levantou para atender.
Alô?
Oi, amor. — Felicity tremeu. Aquela voz, ela nunca se esqueceria daquela voz. A respiração dela se tornou ofegante. – Se lembrou de mim, não é? – Ela não conseguia responder, não conseguia nem mesmo se mexer. – Eu sei, você deve estar morrendo de saudades. Se não fosse por essas pessoas más... — Os olhos dela lacrimejaram. – Não se preocupe, querida, logo nós estaremos juntos. Eu te prometo. – Ele desligou, e só então Felicity se mexeu, correndo até a mesa de centro, pegou o celular e discou o número do marido.
Oi, meu amor. Eu ainda estou na reunião, posso te ligar de volta daqui a pouco?
Oliver... – Ele percebeu que tinha algo errado, ao ouvir a voz dela.
Felicity, aconteceu alguma coisa? – Ela se sentou, lentamente, tremendo. – Felicity... – Ele percebeu que ela chorava, e se perguntou o que tinha acontecido.
Ele me ligou. – Sussurrou, mas o marido não a ouviu.
Amor, eu estou ficando preocupado.
Ele me ligou, Oliver. Ele me ligou. – Repetiu, soluçando várias vezes.
Eu estou chegando em dez minutos. – Ele desligou o celular. Felicity abraçou as pernas, deixando todas as lágrimas caírem.
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Filho, aconteceu alguma coisa? – Walter pergunta. Quando o filho sai da sala de reunião, ele decide ir atrás, preocupado. Oliver não respondeu, pois ainda estava no celular.
Eu estou chegando em dez minutos. – Ele desliga o celular apressado. – Eu vou precisar sair.
O que aconteceu?
Felicity recebeu uma ligação. – Oliver caminhou para o elevador e Walter o seguiu.
Que ligação foi essa que o deixou assim? – Oliver se vira para o pai, antes de entrar no elevador.
Cooper. – Walter arregala os olhos. – Ligo quando eu resolver tudo.
Tome cuidado. – As portar do elevador se fecham. Oliver disca o número de Mike, mas ele não atende. Isso faz Oliver tentar conter sua raiva.
Collin, onde está Mike?
Ele está no celular com a Sarah.
Alguma coisa errada? – Se preocupou.
Não que eu saiba. – Oliver suspira e bagunça os cabelos. – Eu posso ajudar?
Sim. Eu quero que você e os outros que estão no condomínio fiquem alertas. – Saiu do elevador.
Por que? O que aconteceu?
Cooper ligou para a Felicity.
Não acredito.
Eu sim. Eu já esperava que esse desgraçado fizesse isso.
Esperava?
Ele sabe que ela está comigo. – Abriu a porta do carro e entrou. – Por isso, não tirem os olhos desse condomínio.
Não se preocupe. Estaremos alertas. – Ele suspirou. – Vou avisar aos outros.
Obrigado. – Oliver desligou e deu partida no carro, acelerando logo em seguida.
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Felicity abraçou o marido assim que ele passou pela porta. Ela tremia em seus braços. Ele podia imaginar o medo dela, ao ouvir a voz daquele homem. Passando as mãos nas costas dela de leve, ele sussurrava palavras para tranquilizá-la. Felicity apertou os braços em volta dele, enquanto chorava baixinho. As lembranças voltavam em câmera lenta, e isso a deixava mais agoniada, lhe dava ainda mais medo.
Está tudo bem agora. – Sussurrou novamente. – Foi só uma ligação, amor. – Ela não respondeu, continuava a chorar. Oliver a pegou no colo e caminhou até o sofá, sentando-se com ela no colo. Felicity escondeu o rosto na curva do pescoço dele. – Shiii... Está tudo bem. – Ela soluçou e ele apertou os braços em volta dela. Ele queria poder acalmá-la, mas sabia que seria difícil. Ela deveria estar revivendo tudo que passou nas mãos dele. Fechou uma das mãos em punho, tentando controlar sua raiva. Ele sabia que Cooper ligaria, só não contava que ele fosse ligar quando sua mulher estivesse sozinha.
Ele disse... – Ele a ouviu, depois de um tempo. – Disse que logo nos veríamos.
Ele está muito enganado. – Fez com que ela o olhasse. – Ele nunca mais vai se aproximar de você. Ele nunca mais vai tocar em você.
Eu estou com medo, Oliver.
Não precisa ter. – Ele passou o polegar no rosto dela. – Eu estou aqui. Eu vou proteger você. – Ela soluçou. – Não fique com medo, amor.
Eu tenho medo que ele faça algo com nossos filhos.
Ele não vai. Nossos filhos estão protegidos. – Ele se lembrou de Collin dizer que Sarah conversava com Mike. – Sarah está com eles, com uma equipe que ela mesma escolheu... Eles estão e continuarão bem. A salvo. – Ela assentiu. – E você também.
Ele sabe que moramos aqui.
Já era de se esperar, amor. Você agora é conhecida por todos. Você é uma Queen. Minha mulher... – Enterrou uma das mãos nos cabelos loiros, antes de roçar seu nariz no dela, três vezes. – Isso não me preocupa. Não deveria se preocupar também.
Não consigo. Ele já me levou uma vez, Oliver...
Mas não vai conseguir pela segunda. – A cortou. – Os melhores estão protegendo você.
Mesmo assim... – Oliver a viu fechar os olhos, enquanto ainda tremia. Ele queria poder tirar todo o medo que ela estava sentindo. Queria poder tirar todas as lembranças ruins, mas sabia que não tinha como. Por isso o que ele pudesse fazer, para fazê-la sorrir, ele faria. Ele ficaria ao lado dela o tempo que fosse preciso, até ela se sentir segura novamente.
Vamos deitar um pouco? – Ela mordeu o lábio, abrindo os olhos. – Você vai se sentir melhor, se dormir um pouquinho. – Ela assentiu. Oliver se levantou com ela no colo, subiu as escadas, entrou no quarto deles, e com cuidado a colocou na cama, deitada. Oliver abriu o edredom, jogando sobre a esposa, e se deitou ao lado dela, abraçando-a pela cintura. – Durma, está bem? Nada vai acontecer com você, comigo por perto. Eu prometo.
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Felicity acorda, piscando algumas vezes, tentando se lembrar do que tinha acontecido, até que de repente, ela se lembra de quando perdeu os sentidos. Ela tremeu ao imaginar que poderia ter sido pega. Ofegante, ela pedia mentalmente que estivesse errada. Olhava por todo aquele quarto, tentando descobri onde estava. A porta se abriu e ela quis chorar quando o viu.
Oi, querida. – Ela odiava aquele sorriso dele. – Seja bem-vinda á nossa nova casa.
Onde estão meus filhos? – Questionou ao se lembrar.
Eu realmente não sei. – Deu de ombros. – Mas não se preocupe, agora seremos só nós dois. Aquelas crianças, não trará infelicidade á você, nunca mais.
Quem disse que eles não me fazem feliz?
Eles são filhos daquele homem que tanto te fez chorar. – Ela balançou a cabeça. – Nós teremos nossos próprios filhos. – Ela tremeu ao pensar que ele poderia lhe tocar. – Penso em pelo menos dois.
Isso não vai acontecer.
Não se preocupe, não precisa ficar com medo. – Ele se aproximou, e o corpo de Felicity tremeu ainda mais, seus olhos lacrimejaram, e ela se segurou para não começar a chorar. – Seremos felizes. Eu e você. Mais ninguém vai te tirar de mim. – Tentou pegar na mão dela.
Não me toca. – Sua voz saiu tremida. – Você é louco. Eu não gosto de você. E eu nunca vou ser sua.
Isso é o que você diz, agora. Mas logo... – Sorriu malicioso, e Felicity temeu. – Eu enfim, terei seu corpo para mim.
Nunca.
Ah, amorzinho, você não sabe o que diz. – Aproximou os rostos. – Vou te trazer seu jantar.
Não vou comer.
Você vai sim. – Disse, sério, e saiu do quarto.
Felicity se levantou da cama, procurando alguma coisa para se proteger. Mesmo que ela procurasse, não tinha nada que fosse “letal”. Ela estava em um quarto sem janelas. Ela começou a pensar em um modo de sair dali. Ela não poderia ficar mais nenhum minuto naquele lugar. Pensava o tempo todo nos filhos. Eles estavam sozinhos, e isso a preocupava. Ela ouviu passos e correu para a cama, voltando a se sentar com a coberta cobrindo suas pernas até a cintura.
Aqui está, querida. Fiz com muito carinho. – Ouvir aquela voz lhe dava nojo. Olhou para o prato e seu estômago revirou, mas ela sabia que precisaria comer, para ter forças. – Sei que você gosta de carne ao molho madeira, e por isso mesmo eu fiz. – Engoliu em seco. – Coma. – Ordenou ao colocar o prato em frente á ela. Felicity começou a comer, e ele sorriu.
Felicity colocou o travesseiro por cima da cabeça, tentando se impedir de se lembrar daqueles momentos horrorosos que ela teve com Cooper. Olhou para o outro lado da cama, Oliver tinha recebido uma ligação de um dos agentes a pouco mais de dez minutos, e desde então, não conseguia voltar a dormir. Fechou os olhos esperando que o sono chegasse e que sonhos bons viessem a sua mente. Ela estava assustada. Não esperava que ele ligasse para ela, ainda mais pelo telefone do apartamento.
O que você quer de mim? – Ela questionou, mesmo que ela já tivesse ouvido a resposta dele. – Por que não me deixa em paz? Me deixa ir embora. Por que está fazendo isso?
Porque eu te amo. – Ela engoliu em seco. – Eu te amo. E só eu posso te dar esse amor. Porque mais ninguém te ama, como eu te amo.
Não. Isso não é amor.
É sim. Eu amo você. – Ele a beijou, mas Felicity não correspondeu. Ele não se importou, desceu os lábios para o pescoço dela. Felicity tentava se esquivar, mas ele era mais forte. Ela tentou empurrá-lo, mas foi inútil. Ele levantou a blusa que ela vestia, e Felicity se desesperou.
Cooper, pare, por favor... – Ela implora, começando a chorar.
Shiiiu, você vai gostar... – Disse descendo os beijos do pescoço para os seios, sugando-os com deleite. Mesmo sentindo ela se debater, Cooper não se importou, continuou com os beijos. Ela gemeu de dor quando ele mordeu um dos seios e apertou o outro com força. Ela chorava, baixinho. Sabia que ninguém a ajudaria. Ela começou a ofegar quando o viu descer as próprias calças. O empurrou, mas ele a empurrou de volta para a cama, e ela gritou por ajuda. – Não vai adiantar gritar, querida. Não tem ninguém. – Mordeu o pescoço com força. – Somos só nós. – E ela soluçou. Felicity sentiu asco quando aquelas mãos começaram a subir sua saia.
Por favor, não.
Você vai gostar. Vai até pedir por mais. – Ele se enterrou nela de uma só vez, a fazendo gritar de dor. Os olhos verdes ficaram marejados e formaram grossas lágrimas, que escorreram pela face avermelhada. Cooper apertou as mãos nos quadris de Felicity, de forma que a fizesse ficar parada enquanto ele a invadia sem piedade. Ele gemia de prazer, enquantoFelicity gemia de dor, gritava pedindo para parar. Ela gemeu alto quando ele começou a fazer movimentos mais bruscos.
Para. Para, Cooper. – Disse aos soluços.
Não me peça para parar agora. – Gemeu.
Eu não quero... – Ela chorou, e em seguida levou um tapa na cara.
Geme pra mim. – Ela não virou o rosto de volta. – Vamos. Se fosse o Queen você não pediria para eu parar. – Ele rosnou. – Então geme. – Fez mais investidas possessivas, fortes e bruscas. E Felicity só chorava, gritava, tentava se soltar. – Ah, como isso é bom. – Ela teve nojo. Nojo dele fazendo aquelas coisas, nojo dele gemendo seu nome, nojo das investidas dele. Quando o choro e os resmungos de Felicity começou a irritá-lo, ele tampou sua boca com uma das mãos. – Estou quase acabando, amor... Estou quase... Você não está gostando? – Beijou o pescoço dela, enquanto entrava e saia de dentro dela. Quando Cooper atingiu seu ápice e se derramou dentro dela brutalmente, ele se jogou na cama ao lado dela, respirando ofegante. Felicity, que ainda chorava, abraçou o próprio corpo, olhando para o nada, com medo de se mexer. Ficou paralisada. Ele olhou para ela, e sorriu malicioso.— Precisamos de um banho. – E ela tremeu.
Felicity acordou ofegante, sentando-se na cama, com uma das mãos no peito. Os olhos estavam lacrimejados, mas ela ficou naquela mesma posição, mesmo que soubesse que seu marido a observava. Oliver a olhou, um pouco confuso e assustado. Ele sabia que ela tinha tido um pesadelo, pela forma que ela gritava, mas não fazia ideia que tipo de pesadelo tinha sido. Ele tocou seu rosto, e enfim, conseguiu fazer com que ela o olhasse.
Calma. Respira devagar. – Ela começou a fazer como ele pediu. – Está tudo bem agora. Foi só um pesadelo. – E então as lágrimas começaram a descer.
Não foi um simples pesadelo. – Sussurrou.
Não entendi, amor.
Cooper. – E então ele entendeu. Era por isso que ela tinha acordado tão desesperada. Era por isso que ela gritava "não". Oliver engoliu em seco, imaginando o que ela tinha "sonhado".
Foi só um pesadelo.
Foi real. – Voltou a sussurrar. – Ele estava... Foi quando... Eu... – Ela não conseguia terminar uma frase. Oliver a abraçou.
Está tudo bem agora. Eu estou aqui. – Sussurrou no ouvido dela, apertando-a em seus braços. – Eu estou aqui, meu amor. – Repetiu, tentando trazer-lhe segurança. – E eu vou proteger você. – Ela estava tremendo em seus braços, e isso fazia com que seu ódio por Cooper só crescesse. Vê-la naquele estado, o lembrava de quando ela tentou contar sobre quando foi levada, e dessa vez mexeu com ele tanto quanto mexeu daquela vez.
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Você está melhor? – Sussurrou, alguns minutos depois que sentiu o corpo da esposa parar de tremer. Ela também já tinha parado de chorar, mas continuava sem falar uma palavra. Uma de suas mãos acariciava seu rosto.
Isso nunca vai acabar.
Não diz isso. – Ele apertou o braço em volta da cintura dela. – É questão de tempo para pegarmos ele.
Se isso acontecer... Mesmo assim... – Ela apoiou o queixo no peito dele. – Ele vai estar nas minhas lembranças. – Oliver balançou a cabeça, mas Felicity não o deixou dizer nada, pois o interrompeu. – Eu nunca vou me ver livre dele, de verdade.
Não fala assim, Felicity. – Ele pede com a voz rouca. Ouvir ela dizer aquilo fazia seu sangue esquentar. – Isso vai melhorar. Você só precisa de tempo.
Não acho que tempo...
Vai sim. – A cortou. – O tempo vai te ajudar a esquecer. – Ela voltou a deitar a cabeça no peito do marido. – Eu vou fazê-lo pagar por ter feito isso com você.
Não quero que você se machuque. – Ela o olhou preocupada, no momento em que ele terminou a frase.
Você não confia em mim?
Eu tenho medo por você. – Ele sorriu.
Não precisa. Eu sei me cuidar.
Promete?
Prometo. – Felicity assentiu. – Você quer falar sobre o pesadelo? – Ela negou rapidamente. Oliver suspirou, ele queria saber, estava curioso, mas nunca iria pressioná-la. – Tudo bem.
Eu não consigo falar...
Eu sei. – Ele voltou a interrompê-la. – Eu entendo. Não precisa se explicar.
Eu sei que você quer saber...
Eu quero. Mas não vou pressioná-la a me contar. Eu faço uma ideia do que houve. – A última frase saiu sombria. Felicity estremeceu. – Mas eu quero saber de uma coisa... – Ela voltou a olhá-lo. – Uma coisa que eu queria te pergunta á um tempo, mas, então você tentou me contar a história... – Ela apenas assentiu. – Em Gotham, o café onde trabalhava foi incendiado. O que aconteceu lá, realmente? – Ela abaixou o olhar, se lembrando do ocorrido. Oliver pensou que ela não falaria, por causa do tempo em que ela ficou calada, até que ela voltou a olhá-lo.
Cheguei em Gotham fugida, como você sabe. O meu amigo já tinha preparado tudo, o apartamento estava em meu nome. Kaity Sawyer. Do outro lado da rua tinha um café, e decidi que trabalharia ali. A dona me contratou mesmo não precisando de mais gente. Eu disse para ela que tinha dois filhos pequenos, que estava na cidade á pouco tempo... Ela perguntou pelo pai deles, e eu disse que nunca tinha contado sobre as crianças. Contei que a gente tinha brigado antes de descobrirmos sobre os gêmeos. – Ele assentiu. – Duas semanas depois, todos já falavam de mim, eu era nova na cidade, e era mãe solteira... Eu fiquei muito preocupada com isso, cidade pequena, o que eu queria? A senhora Soraya percebeu meu desconforto, e me perguntou qual era o problema. Eu contei que... Que estava fugindo de um homem. Ela me perguntou o que ele queria, e eu disse que ele ficou obsessivo por mim.
Você contou a verdade? – Pergunta, surpreso.
Só o resumo. Não contei que ele matou minha mãe, ou que ele me sequestrou. Fiquei com medo do que ela faria... Me impressionei quando ela disse que me ajudaria. Que ninguém faria mal á mim e aos meus filhos.
E ela cumpriu a promessa.
Antes, pouco antes de tudo acontecer, eu tive alguns problemas com uma das garçonetes do café. Ela não gostava de mim. Ela implicava comigo, tentava me incriminar por alguma coisa que acontecia no café... A senhora Soraya nunca acreditava. – Suspirou. – Pouco tempo depois eu soube que ela era neta da senhora.
A dona do café. – Não era uma pergunta.
E eu soube o porque da implicância. Eu tinha a atenção que ela não tinha. Um dia ela jogou na minha cara, que eu era estranha, e que sabia que eu estava na cidade fugida de algo... Me preocupei na mesma hora. Estava pronta para ir embora de Gotham, mas a senhora Soraya disse para eu não me preocupar, que falaria com a neta dela, que nada aconteceria comigo ou com os gêmeos. E mesmo com medo, eu fiquei... – Felicity ficou em silêncio por alguns minutos, mas Oliver não disse nada, apenas esperou. – Dois dias depois, um homem chegou ao café. Eu estava no estoque, quando ouvi ele perguntando por mim. Eu travei na hora, eu não conhecia ninguém daquela cidade. Eu atendia os clientes com descrição, mal falava com meus colegas de trabalho...
Você sabia quem tinha mandado o homem.
Na hora eu já imaginei o pior. Os gêmeos estavam dormindo no segundo andar do café, onde tinha um escritório. Eu tremia tanto que não consegui sair do lugar... Então eu ouvi a voz da senhora Soraya. Ela disse que não tinha ninguém com aquele nome, é claro que os funcionários ficaram confusos, afinal ela mentiu. Ele começou a se alterar, e ela também se alterou. Disse que se ele não saísse agora, chamaria a polícia. Ele foi embora, e mesmo assim eu continuei onde estava. Quando eu a vi entrar na sala onde eu estava... Eu comecei a chorar, e ela me abraçou, pedindo para eu ficar calma. Mas como? Tinham me encontrado. Eu disse que iria embora. Que não podia mais ficar ali. Ela tentou me convencer do contrário, mas eu não podia... Não quando meus filhos também estavam em perigo. Ela me ajudou a fazer as malas, mesmo que ainda tentasse me convencer do contrário. Eu fui embora naquela noite, horas depois do que houve no café. Me senti culpada. Eu tinha feito aquilo. Eu tinha feito ela perder todo o trabalho dela... Ela disse para eu não me preocupar, com aquilo. E então eu fui embora, não sem antes ela me dar 1500 dólares.
Ela te deu? – Se impressionou com o gesto da senhora.
Eu também fiquei surpresa, e impressionada. Eu tentei negar, disse que o dinheiro que juntei trabalhando com ela, ajudaria... Mas ela insistiu. Disse para eu aceitar pelos gêmeos. – Sorriu. – Ela se apegou a eles.
Entendo. Foi muito gentil da parte dela.
Ela foi... Uma mãe, naquele um ano e meio que fiquei lá.
Você sabe alguma coisa sobre ela?
Só o que eu sei é que ela conseguiu reerguer o café dela, mas...
Mas você ainda se culpa.
Me culpo. Apesar de saber que aquele homem não apareceu do nada em Gotham.
Como assim? – Arqueou as sobrancelhas.
Foi a neta da senhora Soraya.
Você está dizendo... – Felicity assentiu.
A senhora ficou muito envergonhada. Nós descobrimos horas antes de eu ir embora.
A culpa do café ter sido destruído foi dessa menina, não sua.
Mas eles estavam atrás de mim, Oliver.
Você quer fazer alguma coisa a respeito? – Felicity não compreendeu, e Oliver percebeu isso, olhando-a nos olhos. – Quer ajudar de alguma forma?
Está falando sério?
É claro que eu estou. Se for para você deixar de se culpar... Faço qualquer coisa.
Eu pensei em uma coisa.
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Quando seu marido perguntou para ela se “ela queria ajudar de alguma forma”, ela se lembrou da promessa que tinha feito a si mesma: Que pagaria o prejuízo. Sabia que a senhora já estava com o café de pé, mas não queria dizer, que não poderia mandar uma carta agradecendo por tudo, junto da quantia que a amiga tinha lhe dado quando fugiu. Enquanto Oliver preparava algo para comerem, já que não tinham almoçado, ela se sentou em frente á mesa do escritório do marido e começou a escrever.
“Olá, senhora Soraya, é a Kaity. Bom, esse era meu nome de fugitiva. Na verdade, meu nome é FelicityMeganSmoakQueen. Eu me casei com o pai dos meus filhos á poucos meses, e finalmente estou segura. Provavelmente a senhora já deve estar sabendo sobre isso, já que o pai dos meus filhos é Oliver Queen. Mesmo assim, eu precisava lhe mandar essa carta. Eu sei que nunca mandei notícias, e eu sinto muito por isso, mas eu só queria protegê-la. Se eles soubessem que ainda estou em contato com a senhora... Não gosto nem de pensar no que poderia acontecer.
Um amigo me avisou que a senhora reergueu seu café, e eu fico muito feliz por isso. Eu ainda me sentia muito culpada pelo que houve. Gostaria de ter podido ajudar naquela época.
Bryan e Brooke estão ótimos, estão estudando, tem amigos... Coisas que eles não tinham antes. Eles não se lembram do rosto da senhora, mas se lembram da moça boa que cuidou tão bem deles. Eu queria que a senhora soubesse que mesmo depois de tanto tempo, eu não me esqueci da senhora.O carinho, a preocupação, o cuidado e a atenção que deu á mim e á eles, eu nunca esquecerei, serei eternamente agradecida. Eu falei da senhora para meu marido, e ele ficou muito agradecido pelo que fez á mim e aos nossos filhos.
Mando essa carta, junto de 1500 dólares, agradecendo pelo empréstimo. Eu não poderia deixar de pensar que a senhora me deu esse dinheiro mesmo com o prejuízo de seu café. Por favor, aceite de volta, está bem? Eu ficaria muito feliz, e me deixaria mais tranquila. Eu agradeço, mais uma vez, por tudo que fez por mim e aos meus filhos. Espero que esteja bem.
Um Beijo.
FelicitySmoakQueen”
Felicity dobrou a carta com cuidado, e colocou dentro de um envelope lilás, junto do dinheiro, escrevendo o nome da senhora em seguida. Ela esperava receber uma resposta, mas sabia que poderia ser perigoso. Será que deveria ter pedido para ela não lhe mandar uma resposta? Ela balançou a cabeça, pensando que agora não fazia diferença, afinal, Cooper já sabia que ela estava em Starling City. Antes que se levantasse Oliver apareceu na porta.
Eu terminei de fazer o nosso lanche.
E eu terminei de escrever a carta. Preciso que dê um jeito de entregar á ela. – Ele sorriu.
Um dos agentes esteve com a senhora, ele pode entregar pessoalmente.
Você acha que seria um problema se ela me respondesse?
Não para você, mas talvez para ela... – Felicity o olhou, preocupada, e Oliver se arrependeu do que disse. – Não se preocupe, nada vai acontecer á ela.
Espero. – Oliver colocou ambas as mãos na cintura dela. – Eu não quero que mais pessoas se machuquem por minha culpa.
Para de se culpar por tudo, Felicity. – Ele praticamente implora. – Nada que Cooper faz é culpa sua. – Ela abaixou o olhar, mas ele fez ela voltar a olhá-lo, pegando em seu queixo com o dedo indicador da mãe direita. – Eu não quero ver você se machucando dessa forma. – Ela assentiu. – Não vamos mais pensar nesse cara. – Diz, antes de sorrir. – Eu tenho um presente para você.
Presente? Mas nem mesmo é o meu aniversário... Muito menos estamos em datas festivas. – Ele balançou a cabeça.
E precisa disso para eu dar um presente para a minha mulher? – Ela sorriu e negou. – Então... – Ele se afastou, se aproximando da gaveta trancada a chave, e abriu. – Eu vi, e achei que combinava com você. Era para eu entregar antes, mas como eu queria que a pedra fosse da cor dos seus olhos... – Oliver abriu a caixinha verde água.
Oliver, é linda. – Ela tocou no coração, antes de pegar a corrente, olhando-a mais de perto. – Coloca em mim? – Ele pegou a peça das mãos da esposa, e ela se virou, retirando os cabelos das costas para que o marido pudesse colocar o colar.
Pronto. – Ela se virou, depois de soltar os cabelos. – Ficou perfeito.
Eu amei. Obrigada. – Ela o beijou, colocando as mãos nos ombros do marido. – Não vou tirar nunca mais. – Ele beijou sua bochecha. – Eu te amo.
Eu também te amo. – A beijou, e ela fechou os olhos, para então corresponder. Oliver se afastou devagar.
Vamos comer?
Sim. Mas e a carta? – Ele a pegou das mãos dela, e colocou em cima da mesa.
Vou pedir para que Gregory pegue comigo mais tarde.
Ele quem foi á Gotham?
Sim. – Pegou na mão dela, saindo do escritório em seguida.
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Oliver aproveitou que Felicity concordou em sair com Laurel e Caitlin, além dos seguranças, claro, e foi para a casa de Tommy. O amigo tinha convidado ele para passar o dia lá. Ray e Barry também estariam. Ficou pensando em como o grupo estava maior desde que Felicity voltou, até mesmo Ray estava mais presente. Quando chegou, não estava em seus planos falar sobre o que houve, mas Tommy perguntou se tinha acontecido alguma coisa, quando soube que Felicity não queria sair, e acabou falando.
Ele ligou para a sua casa? – Barry foi o primeiro a se pronunciar. Em sua voz, dava para perceber o quão incrédulo estava.
Eu não fico surpreso. – Tommy diz. – Ele sabe que você e Felicity estão casados, e agora ele vai cutucar até onde não pode. Ele está te desafiando.
Eu sei. E eu aceito o desafio com muito gosto.
Eu fico impressionado com a calma que você diz isso. Tudo isso. – Todos olham para Ray. – O cara liga para a sua casa, ameaça sua mulher, e você... Não me parece nem um pouco preocupado.
Porque eu já esperava que ele ligasse. – Os outros três arqueiam as sobrancelhas. – O cara é um psicopata. Pensem, um pouco. Se ele quer a Felicity, não acham que ele iria apenas pegá-la, não é? Ele quer me mostrar que vai fazer isso bem debaixo do meu nariz.
É. Faz sentido. – Barry concordou. – Principalmente porque ele sabe quem é você. Na cabeça doente dele, você a roubou dele.
Isso mesmo.
Não sei como você ainda a deixou sair depois dele ligar ameaçando levá-la.
Ela não está sozinha. Mike, Collin, Lucca, Adam e Andrew, estão com ela. E eles são os melhores, porque eu iria me preocupar? – Eles assentiram. – Felicity teme mais pelas crianças e por mim, do que por ela mesma.
E como as crianças estão?
Sarah disse que estão bem, não se preocupem. O problema disso tudo é que agora Felicity teme colocar todos vocês em risco.
Ela não tem culpa disso. Ela não pediu para ter um desgraçado atrás dela.
Diz para ela então, Ray. Talvez assim ela pare de se preocupar e se culpar tanto.
Eu entendo porque ela se culpa, apesar de ela não ter culpa alguma. – Barry diz.
Ontem ela me contou o que aconteceu em Gotham. – Oliver diz, fazendo todos o olharem, curiosos. – Ela disse uma meia verdade a dona do café onde trabalhou, por isso o estabelecimento da mulher foi incendiado.
Meia verdade?
Ela disse que eu e ela brigamos antes de sabermos dos gêmeos. Disse que um cara estava atrás dela, que ele era obsessivo.
Obsessivo? Louco, retardado, maldito, psicopata... – Tommy enumera. – São muitos adjetivos para dar á ele.
A mulher a ajudou. Mas a neta dela a dedurou, por isso conseguiram achá-la.
Ah, tinha que ter dedo de alguém. – Tommy bufou.
Por que ela fez isso?
Ciúmes, Barry. A avó dela dava muita atenção á Felicity e aos gêmeos.
Só por isso? – Ray balança a cabeça. – A culpa da avó dela perder o café foi dela.
Mas Felicity acha que a culpa é dela.
Novidade. – Barry e Ray concordaram com Tommy. – Ela está sempre se culpando, jogando tudo que acontece nas próprias costas... Felicity tem que aprender que existe consequências para o que fazemos. Foi o que aconteceu com a neta da senhora.
Já disse que não é culpa dela, mas... – Deu de ombros. – A mulher a ajudou a fugir. Deu uma grana para a Felicity.
Mesmo com o café em chamas? – Ray ficou impressionado.
Para você ver. Ainda existem pessoas boas no mundo.
É. Isso é raridade, hoje em dia. – Tommy concordou com Barry.
Felicity escreveu uma carta, e Gregory saiu ontem a tarde para entregar pessoalmente.
Isso vai fazer bem para ela. Pelo menos com isso, ela para um pouco de se culpar.
Foi essa a minha intenção.
Ah, mudando um pouco de assunto... – Ray deu risada. – Adivinha quem vem visitar o Barry no final de semana que vem. – O amigo revirou os olhos. – A irmãzinha dele.
Ela não desencanou? Mesmo depois de levar uma bofetada? – Tommy balança a cabeça. – Essa aí, ou tem muita coragem, ou é muito burra.
Ela insiste em vir me ver. Já avisou que chega na sexta.
Isso não vai prestar.
Olha quem fala.
Cala a boca, Tommy.
Perdi alguma coisa?
Não. / Sim. – Dizem juntos.
É melhor deixar pra lá. – Barry diz ao perceber que Oliver não queria falar. – Eu queria ter algum compromisso só para não ter que vê-la.
Se não quer que ela venha, diz que não e pronto. – Tommy diz.
Eu tentei.
Você foi mole, isso sim.
Cala a boca, Ray.
Barry, ela ainda dá em cima de você? – O olhar que o amigo deu, lhe respondeu. – Então eu acho que deve se afastar. Continuar com isso, vai magoar a Caitlin e a sua irmã.
Ela não é minha irmã, gente. – Bufou. – Ela é uma amiga.
Vocês cresceram juntos. São praticamente irmãos. – Ray retrucou. – E eu concordo com o Oliver. O que você está esperando para dar um basta nisso? Do jeito que ela é louca, é capaz de armar para separar você e a Cait.
Eu não duvido nada. – Tommy concorda. – Não conheço ela, mas para alguém que beija um homem que estava pra se casar, e diz amá-lo, mesmo depois de ele estar casado... É um pulo para ela armar alguma coisa.
Infelizmente eles têm razão, Barry.
Eu acho que você deveria ter alguém com você na sua casa.
Minha filha vai estar lá.
Algum adulto. – Ray revirou os olhos, concordando com Tommy. – Tipo... Nós.
Nós? – Oliver arqueia as sobrancelhas.
Será que ela vai ser cara de pau de dar em cima de você com nós por perto? – Tommy pergunta, concordando com a ideia de Ray.
E eu vou saber?
Vocês estão se convidando? – Oliver pergunta, incrédulo.
Olha, se for para me ajudar, eu aceito. – Oliver riu. – A Cait ameaçou “acabar com a raça dela”, caso ela tente alguma coisa.
Cait, Felicity, Sarah e Laurel devem ter sido irmãs em outra vida. – Os outros riram. – Felicity já deu na cara de alguém, Oliver? Eu lembro que ela ficou fula da vida com uma garota da faculdade, mas não chegou a bater nela.
Claro que não. Eu segurei. – Revirou os olhos. – Quem apanhou foi eu, por ter segurado ela. – Eles riram novamente. – Mas ela nunca bateu em ninguém.
Ainda. – Tommy diz, fazendo Oliver o fuzilar. – A Laurel socou duas garotas da faculdade, em uma festa... Elas tentaram me beijar.
Eu lembro que ela quase arrancou os cabelos de uma delas.
Sarah a ajudou. E foi ela quem quase arrancou os cabelos da garota.
Eu me lembro de ver alguns tufos nas mãos da Laurel.
E outros mais nas mãos da minha cunhada. – Ray estava surpreso.
Isso realmente aconteceu?
Nunca viu o instinto assassino da sua noiva? – Ele riu. – Por falar em noiva, quando vão contar para o Killian sobre o noivado?
Quando ele voltar do acampamento.
Sério? – Os três perguntam juntos.
Eu e Sarah achamos que está na hora.
Ele está mais comunicativo. E eu vi um momento bem “fofo” entre ele e Sarah. – Oliver diz, com um sorriso.
É. Eles estão se dando muito bem. Ele pede ajuda para as tarefas da escola, quando eu não posso, pede para ela buscá-lo na escola, pede para levá-lo na sorveteria...
Então já passou da hora de vocês falarem com ele.
E o seu pai?
O que tem ele? – Pergunta olhando para Barry.
Ele já aceitou o fato de você estar com Sarah?
Ele não tem que aceitar nada, se ele não gostou dela o problema é dele. – Deu de ombros.
Não sabia disso. – Tommy diz.
Meu pai sempre foi complicado, e depois que ele se casou de novo... – Ray bufou. – Fica difícil ir visitá-lo.
Não se dá bem com a sua madrasta?
Não. Eu e ela nunca nos demos bem. Desde que ela entrou na família... Eu odiei quando meu pai disse que se casaria novamente. Eu esperei ter meus dezesseis anos e pedi emancipação.
Sua madrasta deve ser parente da minha mãe e não sabemos. – Ele concordou. – Mas seu pai se dava bem com a outra?
Minha ex? Não. Ele achava que ela não prestava e estava certo. – Suspirou. – Eu deixo o Killian duas vezes na semana com ele, mas...
Mas? – Tommy pede para ele continuar.
Eu ainda não perguntei, mas, eu acho que era meu pai que estava fazendo a cabeça do Killian contra a Sarah.
Por que acha isso?
Porque já faz um tempo que ele não vai para lá, e foi daí que ele parou de implicar com Sarah.
Ah, está explicado, então. – Barry diz.
Mas eu quero confirmar isso. Quando ele voltar, vou perguntar.
Por que ele não está indo para a casa do avô?
Ele viajou com a mulher insuportável dele. Só vai voltar no final do mês.
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Você está se sentindo melhor? – Laurel perguntou. Elas estavam em uma cafeteria dentro do shopping, esperando pelos pedidos.
Estou me sentindo... – Suspirou antes de voltar a falar. – Uma medrosa.
Depois de tudo que você passou, é totalmente compreensivo. – Cait diz.
Eu fico olhando a minha volta, me sentindo assustada, esperando que ele consiga o que quer.
Ele não vai conseguir te levar. E nós não vamos falar sobre isso.
Nós viemos para cá, para nos divertir. – Sorriu.
Você está curiosa para saber se é menino ou menina? – Felicity decidi mudar de assunto, afinal as amigas estavam certas.
Ou os dois?
Você também, Laurel? – Elas riram. – Não são gêmeos.
Vai que sim. – A amiga revirou os olhos.
Lis, eu estou muito ansiosa para saber o sexo, mas acho que o Barry está mais. – Respondeu á pergunta da amiga loira. – A Kitty quer uma irmãzinha para elas brincarem de boneca. – Elas riram.
E você, Lis? – Ela olhou para a amiga. – Não quer ter outro filho? – Antes que Felicity respondesse, uma garçonete chega com os pedidos. Colocou um pedaço de torta de sensação em frente á Caitlin, a de bis em frente á Laurel e a torta alemã em frente á Felicity. Cada uma beberia um capuccino. – Obrigada. – A menina sorriu e se afastou.
Não acho que seja a hora certa para isso.
Por que não?
Porque eu sou um alvo, e a criança também seria. – Elas balançam a cabeça, não concordando com o pensamento da amiga.
Você não pode pensar assim. Você tem o direito e o dever de ser feliz, e não é porque tem um lunático atrás de você, que você não possa ser mãe novamente. Tenho certeza de que você gostaria disso, não?
Oliver também. – Caitlin concordou. – Ele infelizmente não passou pela primeira experiência, mas pode ter ela agora, se você deixar.
Não é que eu não queira...
Nós entendemos sua forma de pensar, mas não concordamos. Se solte, Lis. Deixe tudo nas mãos do destino, se tiver que ser será. Mas não fique pensando que ter um filho seria um problema. Ele ou ela seria uma alegria a mais. Seria uma dádiva, um recomeço... – Felicity sorriu.
Eu sei. Mas eu temo por ele, entende? Ele ainda não existe e mesmo assim...
Não deixe que a situação pare você.
Tommy disse que do jeito que você e Oliver estão, não demora a vir outro Queen aí. – Diz rindo, fazendo Caitlin rir também. Felicity fez um bico.
Ele falou isso para mim também. E disse que parecemos coelhos. Seu marido não tem medo de morrer? – As amigas riram novamente.
Ele gosta de provocar você e Oliver.
É. Eu percebi. – Laurel e Cait riram. – Vou fazer como vocês disseram. Vou deixar acontecer, se for para ser, será. – Elas sorriram.
Mudando um pouco de assunto... Adivinhem quem vem visitar meu marido na próxima semana? – Laurel e Felicity se olham, voltam os olhos para a amiga e dão de ombros. – Não vem ninguém na mente de vocês?
Ah, não acredito. – Laurel diz, poucos minutos depois.
A irmã dele?
Isso mesmo. Ela disse que vem nos visitar. Que está com saudades da Kitty.
Vocês disseram que Kitty não gosta dela?!
E nem ela da nossa filha.
E o que ela vem fazer aqui?
Infernizar a nossa vida. – Revirou os olhos. – Ah, mas eu já avisei ao Barry. Se ela aprontar, eu juro que vou acabar com a raça dela. A bofetada que eu dei naquele dia, não vai ser nada comparado ao que farei dessa vez.
Eu queria presenciar uma cena dessa. – Felicity riu.
Laurel, você colocaria lenha na fogueira.
Vocês bem que podiam ir me salvar.
Te salvar? – Elas arqueiam as sobrancelhas.
É. Me salvar da presença insuportável daquela mulher.
Eu vou amar. – Laurel diz animada.
Quando ela vai chegar, Cait?
Na sexta que vem, infelizmente.
Então as crianças já estarão aqui. – Ela assentiu. – Você tem que se controlar, pelo menos na frente das crianças.
Eu sei. Mas não é fácil.
A Sarah vai adorar estar lá. – Laurel riu junto de Caitlin.
Essa reunião vai ser um massacre. – Felicity comenta ao ver a animação da amiga, e o sorriso da outra.
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