Cronicas das doze essências.

2 A lua desce dos ceus para minhas mãos


A lua desce dos ceus para minhas mãos

Não sei dizer direito como me senti naquela hora. Foi como se todo meu corpo estivesse em explodindo. Chamas e raios negros correram por meus braços quando empunhei aquela espada. Ela era totalmente curvada, lembrava uma lua Minguante, com uma abertura na ponta, onde estava o cabo. Não sei se foi minha imaginação, mas lembro do dia ter escurecido, como num eclipse lunar assim que eu a tirei do pedestal.

Voltei-me para o troll, que ao me ver, largou a garota no chao. Ele urrou furiosamente e avançou em minha direção, tentando me esmagar com golpes de ambas as mãos. Eu não sabia como, mas conseguia ver claramente os golpes dele. Facilmente desviava de todos.

Desferi um corte na horizontal, na altura do peito do monstro, abri um corte ali, o fazer gritar e recuar alguns passos. Foi o suficiente para que eu saltasse na altura da cabeça do troll, e o atacasse dando um giro de 360 graus e o levando ao chão. Cai logo em seguida, tive de me apoiar na espada para ficar de pé,mas, logo vi minha visão embaçar.Tudo ficou escuro e eu apaguei.

Acordei cerca de duas horas depois. Estava deitado sobre uma cama de filhas. Meus braços estavam enfaixados por gazes umedecidas. Tentei me levantar, mas fui impedido pela flautista impulsiva de cabelos loiros.

– Não se esforce. — advertiu ela, num tom extremamente frio.

– O que aconteceu? — Perguntei tentando me levantar.

Sentei-me sobre aquela cama improvisada ainda um pouco tonto. Olhei para os lados pensando se tudo aquilo tinha sido um sonho, ou se eu tinha enlouquecido.

Ate que avistei, no chão, a espada que havia tirado do pedestal. Preta de lamina roxa. Curvada em formato de lua minguante. Agora me lembrava, de alguma forma eu havia tirado aquela coisa da pedra. Pouco mais a frente estava o corpo do troll. Tinha um ferimento enorme na cabeça e seu corpo parecia estar se degenerando.

– Melhor continuar ai deitado, seu corpo deve estar exausto depois de empunhar aquela coisa. — disse ela.

Virei-me para ela e nossos olhares se encontraram.

Ela me olhava de um jeito desconfiado, com certeza estava me analisando. Parando pra pensar, o que estava acontecendo era loucura. Eu havia retirado uma espada de uma pedra e havia matado um troll no caminho para a faculdade. A única explicação possível era que eu havia enlouquecido.

Enquanto eu tentava novamente me levantar, ouvimos uma voz que berrava em alkgum lugar da floresta.

– Yannefiiiiiir!! – dizia.

Logo em seguida, um velhinho saiu do meio dos arbustos. Ele estava suado e ofegava. Parecia que tinha acabado de correr uma maratona.

Ao nos ver, ele correu na direção da garota. E a tomou nos braços, dando um abraço tão apertado que me perguntei como não lhe quebrou as costelas.

– Yanneffir, que bem que esta bem! As sentinelas interceptaram um grupo de troll, eu estava tão preocupado.

– E-esta tudo bem, vovô, acalme-se! — disse ela

A expressão de alívio do ‘’vovô’’ transformou-se em uma expressão de surpresa quando ele viu o corpo do troll que sua neta e eu havíamos derrubado. Lentamente ele a colocou no chão e aproximou-se do corpo da criatura.

– Quem fez ... Isso? — disse voltando-se para a flautisca. Ela nao respondeu, apenas apontou para mim.

– Ferrou. — pensei

o velho parou a minha frente e me analisou dos pés a cabeça. Agora, pude vê-lo melhor. Ele usava uma camisa xadrez e uma calça com suspensórios, tinha uma longa barba que ia ate a cintura e o rosto levemente enrugado.

– Hm ... Olá meu rapaz. Você .... Você matou aquela coisa ??- falou amigavelmente. Tentei me explicar mas ele me interrompeu.

– Ah, obrigado por salvar minha neta!.

– E-ele não me salvou! — ela contestou — Eu só encontrei andando pela floresta!

– Mas, de onde você veio? Nunca o vi no distrito dos alados, também não parece ser um abisal ou alguém da tribo fera, e é muito grande para ser um anão. Hmmm, o que você eh? – O homem seguia com as perguntas ignorando totalmente o que sua neta falava.

– "O que eu sou?" — Levei a mão a nuca ao ouvir aquela pergunta.

– É. Você sabe. Sua tribo, raça, etc. Diga-me, garoto. — O velho tinha um jeito de falar muito amistoso. Sorria enquanto apoiava as duas mãos sobre uma bengala de madeira. Apenas dei um sorriso sem graça , já que não estava entendendo nada daquela conversa sobre "tribos"

– Até onde eu sei, eu sou um.... Humano. – Respondi.

Por algum motivo, aquela resposta parecia ter surpreendido os dois. Eles se entreolharam e a garota deu um passo para trás, agora me olhavam como se estivessem vendo uma assombração.

– ... um , humano ? – perguntou o velho.

– Er ... sim. – assenti. – Afinal, todos somos humanos ... não somos ?

O vovô coçou a nuca e eles voltaram a se entreolhar. Eu já estava com medo de ouvir a resposta.

– Se é mesmo humano, como chegou aqui? – perguntou a garota

– Eu já disse! – respondi – Eu estava andando na floresta, indo à cidade! Só que um nevoeiro apareceu no caminho, quando a névoa sumiu, eu estava aqui. Mas, espera um minuto, onde exatamente é “aqui” ?

– Um buraco no véu ... – indagou a flautista

– Ele pode estar falando a verdade. Temos que ver a sacerdotisa, depressa. – respondeu o avô

– Irei entrar em contato agora mesmo.

– Esperem!! – Gritei. – Será que dá pra alguém me explicar o que está havendo aqui!?

O vovô suspirou e logo se pôs ao meu lado, levando a mão esquerda ao meu ombro.

– Garoto, qual seu nome? – Perguntou o velho. Ele tinha um olhar preocupado, o que me deixou hesitante a responder.

–... é Hanzo. – disse.

– Hanzo. Bom, Hanzo, eu sou Cedric e aquela é minha neta Yannefir. E “aqui” é Yujia. Mais precisamente, os domínios do povo do céu. – Disse ele.

– Domínios de que !? – questionei.

– Povo do céu... Sabe, nos não... – Falou, hesitante.

– Nos não somos humanos... Garoto. – A flautista completou, dando ênfase no ‘’garoto’’. Ela estava de braços cruzados e me olhava por cima com uma expressão de extrema superioridade. – Nos somos o povo do céu. Governamos as nuvens de Yujia.

– Vocês não são humanos? — questionei

– Você faz muitas perguntas... – ela resmungou – Veja.

Dito aquilo, Yannefir afastou-se dando um passo para trás e fechou os olhos. Logo, duas luzes ‘’brotaram’’ de suas costas. Rapidamente tomaram forma. Eram duas asas, longas e de penas brancas. Meus olhos se arregalaram ao ver a garota voando a pelo menos um metro do chão. Tentei dizer alguma coisa, mas mal conseguia falar.

– Sempre direta, não é, Yannefir? – observou o vovô, levantando-se lentamente.

– Isso facilita as coisas. – ela respondeu, irônica

– Olhe, Hanzo, sei que está confuso. Como disse, é melhor irmos ver a sacerdotisa. Ela poderá explicar tudo a você. – a voz do vovô era pesada, quase como se ele estivesse se forçando a não me dizer nada.

Eu não sabia o que fazer, muito menos se podia confiar naqueles dois, mas, precisava saber o que estava acontecendo e que lugar era aquele. E ... no fundo, minha sede por aventuras me dizia para seguir aqueles dois.

– Certo. – Esforcei-me para parecer mais confiante do que eu estava. – E onde vamos encontrar essa tal “sacerdotisa”?

– Ela está no palácio de cristal, algumas nuvens acima. — Respondeu o vovô

– E ... como a gente vai chegar lá? – Olhei para cima, mas, daquele ângulo não conseguia ver nada além de nuvens. Nenhum sinal de palácio ou coisa parecida. – Eu não posso, sabe .... voar.

– Resolvo isso. – Ela falou no mesmo tom frio de antes. Finalmente pousou ao chão. Yannefir afastou-se alguns passos e voltou a levar a flauta a boca. Ela parecia estar tocando alguma coisa, porém, não ouvi nada. – Não deve demorar muito. – Disse ela, ao terminar.

Não demorou muito até que ouvi o som de um bater de asas. Alguma coisa estava se aproximando. Eu me perguntava que tipo de criatura deveria poderia ser. Um dragão, talvez? Ou quem sabe uma ave do tamanho de uma casa?

– Sua carona chegou. – Ela sorriu, mas foi mais um sorriso do tipo ‘’vamos ser amigos’’. Parecia mais o sorriso de um sádico psicopata pronto pra arrancar os olhos de alguém. O som das asas ficou mais alto, logo, vi ‘’alguma coisa’’ cair do céu e rolar alguns metros no chão. Pelo que vi , a ‘’minha carona’’ não era muito boa com aterrissagens. A criatura se pôs de pé, chacoalhou-se um pouco, então se aproximou de nos cambaleando. Era tão boa em andar quanto era em aterrissar. Finalmente pude ver o que era. Era uma coruja. Devia ter pelo menos um metro e era totalmente redonda, com olhos enormes, ocupavam quase metade da cabeça da ave e penas esverdeadas. ”Coo”, ela disse.

– Vamos lá, hehehe. – Yannefir rapidamente levantou vôo. Por um instante tive a impressão de vê-la olhar para trás com um sorriso no canto dos lábios. Seu avô a seguiu, ele tinha asas diferentes, eram maiores e de penas amarronzadas. Provavelmente por causa da idade.

– Vamos, Hanzo. – Disse ele.

– Espera ai! Eu não sei montar em ... corujas. – Exclamei.

A coruja pareceu ter entendido minhas palavras. Ela cutucou minha perna com o bico, e logo se virou de costas. Bem, ou ela estava dizendo ‘’suba aqui’’ ou ‘’se vira, não vou te carregar” . Resolvi arriscar. Coloquei a bainha da espada nas costas e montei a ave. Fiz o que pude pra me segurar, agarrando nas penas dela. Tinha duvidas se aquele animal realmente ia conseguir me carregar. Pra minha surpresa, ela abriu as asas e levantou vôo sem nenhuma dificuldade.Nos subimos rapidamente e logo alcançamos os outros dois. Eu sentia o vento forte jogar meus cabelos para trás. Segurei com mais força as penas da coruja, o que a fez soltar um “Crooo”.

Olhei para trás e vi a floresta onde nos estávamos ficar para trás. Pra minha surpresa, aquela não era uma floresta comum. A floresta ficava em cima de uma nuvem! Só então entendi o que Yannefir quis dizer com ‘’povo do céu’’. Olhando em volta, vi diversas outras ilhas que flutuavam em meio as nuvens. Florestas, montanhas e até lagos. Era como um arquipélago suspenso.

– E lá está. – A voz do vovô chamou minha atenção. – A cidade de Floencia.- Bem a nossa frente, havia uma ilha maior que as outras. Digo, muito maior MESMO. Era quase um continente. Pude ver varias cidades espalhada por ele. Mais adiante, vi o que deveria ser o tal ‘’palácio’’. Daquela distancia parecia ser feito de vidro ou de alguma outra pedra transparente.

– Chegamos, Garoto. Bem vindo a Floencia.- Disse Yannefir.