Cronicas De Amores Imperfeitos
1 Bella I
Este diário e tudo que nele está escrito são pertinentes
apenas à Isabella Marie Swan; se você não é ela então
largue-o agora e pare de ler imediatamente.
Eu sei que nada parece mais patético do que uma adolescente escrevendo num diário bobo, mas acredite está prestes a ficar pior. Eu sei que um dia, no futuro, este diário será a prova concreta de quão estúpidos somos na adolescência. Melhor dizendo: de quanto eu sou estúpida, mas... Sinceramente? Estou ansiosa para que isso aconteça! Todo este drama e angustia adolescente estão me matando. Sinto como se tivesse num daqueles filmes blockbuster ruins.
Minha vida era até normal (e eu gosto de normal). Por exemplo: passar o fim-de-semana com os amigos na praia de La Push fazendo fogueira e vendo os meninos surfarem é normal; os dias excessivamente nublados de Forks eram normais; ir a escola, dever de casa, preocupar-se com os formulários pra faculdade, bem, tudo isso é normal. Mas sabe o que não é normal? Estar com seu namorado há 2 anos e ele nem tentar chegar à segunda base.
Talvez eu tenha subestimado a noção de “Futuro” porque só em escrever eu já me sinto envergonhada e vejo quão patético isto é. Não é como se eu fosse uma total tarada, 'tá legal!? Hormônios são normais em adolescentes, principalmente naquelas saudáveis e psiquicamente estáveis que mantém um relacionamento com um garoto incrível há um bom tempo. Infelizmente Edward, meu namorado, não concorda com essa ideia. Ele é do tipo ‘old-school’ (bem difícil de imaginar, pior ainda de se conviver).
Sabe aqueles filmes bem antigos em que o cara deixa a garota na porta de casa com só um beijo na testa? E pede permissão para o pai da moça em questão para qualquer coisa? E que eles passam à tarde de mão dadas na varanda ou vendo filmes românticos? Fofo, pelo menos nos primeiros meses; depois começou a me deixar ansiosa até que por fim eu me tornei a maníaca tarada e angustiada que está descontando suas frustrações em um diário bobo.
Esperem, não cheguei à pior parte.
Já estava ruim o bastante eu ser uma devassa em auto-ebulição, mas não contente com minha humilhação permanecer escondida dentro de mim, há alguns meses, no aniversário dele, eu o agarrei e tomei o maior toco da historia de Forks. Que tipo de garoto recusa quando a namorada tira a blusa pra ele? Edward o faz! E a vergonha, junto com um grande senso de que não era boa suficiente pra ele, me fez chorar até dormir nas semanas depois disso.
A vergonha me fez evitar ficar sozinha com ele, ainda que isso não impeça minha mente de vagar até aquele dia e rever tudo varias e varias vezes.
Eu passei meses tentando imaginar o que havia de tão repulsivo em mim para faze-lo se afastar, tentei melhorar em cada aspecto que encontrei. Eu mereço uma medalha, porque pra isso acontecer tive que me submeter ao furacão Alice de estética. O meu vestuário,o meu cabelo, as minhas unhas, a minha pele, as minhas sardas, o meu corpo, tudo (tudo mesmo!) eu tentei melhorar para ele. Quando nada disso funcionou eu voltei as táticas sutis de sedução que Rosalie me ensinava, ainda assim: NADA! Mas não bastava isso para minha vida e eu tinha que descer mais um degrau até o fundo do poço.
Aparentemente meus esforços em dar um upgrade no meu visual não funcionaram em Edward, mas outros garotos do Forks High School apreciaram as minhas mudanças (ou no caso as mudanças de Alice, já que foi tudo ideia dela). Eu percebia algumas coisas estranhas ao meu redor, alguns garotos sendo excessivamente agradáveis comigo,me ajudando, carregando meu material ou a minha bandeja na hora do almoço; cada trabalho em dupla eu parecia ter sido disputada a tapa. Era estranho, mas ótimo para o meu ego machucado. Bem... Para o meu ego? Sim! Mas terrível para a paciência cada vez mais curta de Edward.
Logo na primeira semana o barato de toda atenção passou e eu tentei refrear os garotos, mas não deu muito certo. Alguns garotos, como Mike Newton, me cantavam na cara dura.
– Mike eu não posso — eu neguei pela 10ª vez o convite dele para irmos ao cinema.
– Ah qual é Bella... É um ótimo filme e até tem umas indicações e coisas do tipo.
– O problema não é o filme Mike — eu argumentei cansada dessa discussão fechando o meu armário e caminhando até o estacionamento pondo fim àquela palhaçada. Porem Mike não se tocou que eu não queria conversa com ele e veio me seguindo.
– Qual o problema então?
– Sério que você não entendeu o problema até agora? — Inacreditável! A minha paciência estava atingindo o seu limite a medida que eu atravessava o estacionamento quase correndo a procura do meu carro.
– Ah qual é!? — ele veio acelerando o passo enquanto eu corria pro meu carro a poucos metros de nós.
– Mike — eu me virei pra ele assim que joguei o meu material na cabine da minha pick-up e respirando fundo puxando o maximo de paciencia que eu conseguisse — Não vou ao cinema com você... Pelo simples e decisivo fato de que... EU.TENHO.UM.NAMORADO! – Pontuei bem devagar pra tentar faze-lo entender, mas o desgraçado riu (melhor gargalhou) bem na minha cara.
– HAHAHAHA AAHA MEU DEUS HAHAHA ... — ele tentava falar algo mas falta de ar e as gargalhadas o impediam. Subi na minha velha Chevy, fechei a porta e fiquei encarando o moleque enquanto ele se escorava na minha janela embusca de ar. — ´Cê tá de brincadeira né!?
– Não! — Me controlei pra não bater nele. — Eu realmente não estou brincando.
– CARA MAS ELE É UM VIADINHO!
–O que?
– O seu namorado é uma BIBA!
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