Cristais de Sangue
8 Lágrima
Notas iniciais
Cristais de Sangue
Capítulo 8: Lágrima
POV. Linor:
–Vamos entra? –perguntei revezando pela terceira vez o peso em meu corpo para outra perna.
Havíamos acabado de chegar ao ginásio, às portas duplas de metal estavam fechadas e Otávio tinha dificuldade em se decidir.
–Nós não sabemos o que eles vão joga na gente quando entrarmos. –ele argumentou. Seus cabelos estavam caindo sob os olhos, ele mordia o lábio inferior com tanta força que eu fiquei impressionada de ainda não terem sangrado e os braços estavam cruzados sobre o peito como barras de ferro.
–Mas eu sei o que eu vou jogar neles quando entrar. –caminhei até a porta, mas Otávio agarrou meu braço antes que eu si quer a encostasse.
–Aaaaai! –reclamei, ele não afrouxou o aperto em vez disso me mostrou a língua.
Duas silhuetas ganharam formas no fim do corredor se aproximando a passos mecânicos, por um momento eu deduzi ser Jack e Mari, mas ao passarem por frente a umas das janelas de vidro eu estremeci. Eram Filhos de Van reuses com armas medievais e casacos azul-marinho de liquidação.
–Já se decidiu? –perguntei.
–Engraçada. –ele me acusou. –De contempto omnium signa nihil ingreditur, et folia. – as palavras eram com um iceberg pra mim. Eu nunca gostei do frio, depois de descobri que eu era uma ave mitológica que pegava fogo então...
A sensação era familiar, toda vez que Otávio fazia um feitiço eu sentia a mesma coisa, e como sempre seus feitiços nunca eram coisa boa.
Os Filhos de Van reuse estavam se aproximando cada vez mais, meu corpo tremia louco pra entrar em combustão, Otávio não me soltava e continuava repetindo as mesmas palavras.
–O que quer que você esteja fazendo, espero que dê um jeito neles!- gritei, mas ele não deu nenhum sinal de ter escutado.
–Sua mão deixou o meu braço e ele arfou caindo para traz com uma flecha enterrada na barriga.
–Essa é sua deixa. –ele falou gemendo de dor, me afastei dele permitindo que as chamas me consumissem, e fazendo o mesmo com os dois a minha frente, diferente de mim, eles começaram a gritar a correr de um lado para o outro, feito galinhas decapitadas. Não representavam mais perigo.
Otávio estava de lado no chão, segurando inutilmente a flecha como se ela fosse sair correndo.
–Você esta horrível. –falei sessando meu fogo, e sendo atingida por uma onda glacial de frio. Afastei as mãos dele da flecha.
–O que você esta fazendo? –ele perguntou, até agora mantendo as mãos onde eu as havia deixado.
–Eu vou tirar a flecha. –informei, se eu provocasse uma hemorragia não era como se ele fosse morrer, bruxos como Otávio eram difíceis de matar.
–O curso de primeiros socorros ensina a tirar flechas? –ele perguntou tapando os olhos com o antebraço.
–Eu nunca fui ao curso de primeiros socorros e eu duvido que eles ensinem isso, eu vi isso em Xena: A princesa guerreira. –falei com a mão encima de pena azul amarrada no cabo.
–O quê? –ele olhou pra mim, com os olhos arregalados.
Empurrei o cabo até que a ponta de metal surgisse em suas costas, ele falava coisas feias enquanto isso, mas não me dispus a respondê-las, quebrei a ponta e puxei o que sobrou da flecha.
Uma lagrima escapou do meu olho sendo absorvida pela ferida.
–Você jogou ácido?! –ele travou a mandíbula batendo o chão de linóleo.
–Foi uma lágrima. –respondi, jogando pra longe o pedaço de madeira ensanguentada.
–Chorando? Você? –ele não sabia se ria ou se também chorava.
–Foi sem querer além do mais... –apertei o local onde algum segundo atrás estava encharcado do sangue. –Ela te curou. –constatei.
Ele se sentou alisando a barriga.
–Você sabia que podia fazer isso? –ele perguntou se pondo de pé.
–Eu posso curar pessoa e não pessoas! – ignorei a mão estendida dele e pulei rodopiando sendo o centro de arcos de fogo.
–Isso responde minha pergunta- ele revirou os olhos –Você ao menos leu aquele grimório que eu te emprestei? –a cara dele não era das melhores.
–Claro! –lancei meu melhor olhar indignado e ele. –Até a parte em que eu explodiam em chamas e renascia das cinzas. –sorri.
–O.K – ele balançou a cabeça –Nós vamos entra, que toca fogo neles? –Otávio apontou para as portas duplas.
–Você. –respondi. –Se eu pega fogo de novo vou ficar nua. –apontei para minhas calças chamuscadas e a parte do meu antebraço no casaco que não exista mais. Ele gargalhou.
Empurrei-o para o lado e puxei as maçanetas de ferro, saindo da frente antes que as portas se abrissem. Otávio marchou pra dentro enquanto eu me esgueirava atrás de uma das portas.
Os Filhos de Van reuse espalhados pelo ginásio, começaram a correr e grita quando viraram tochas humanas o que já era esperado, é assim que qualquer pessoa reagiria se tocasse fogo nela. Façam o teste. “BRINCADEIRINHA”. Alguns deles começaram a desistir se jogando no chão com olhares vagos, já outros custavam a encarar o destino.
Jayles estava sentada em uma das cadeiras das salas de aula, com uma fronha negra cobrindo sua cabeça, e completamente imóvel.
–Jayles! –Marina estava atrás de mim fitando a amiga sem interesse algum em permanecer escondida. Jack estava parado a poucos centímetros dela com o rosto inexpressivo.
POV. Marina:
O corpo dela estava esparramado na cadeira, o único sinal de vida era o som da respiração e o movimento das costelas sob os pulmões. Eu corri até ela empurrando e desviando de alguns corpos em chamas.
Arranquei a fronha da sua cabeça e quebrei as algemas, Otávio a pegou no colo, mesmo eu tendo forças para fazer o mesmo. Sorri em agradecimento.
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–Aqui. –Jack estendeu a chave do se carro pra mim.
Nós estávamos a alguns metros da escola. Otávio e Linor tinham voltado para limpar a bagunça e procurar por outros Filhos de Van reuse. Jayles estava sentada no meio-fio, a contra gosto, com o queixo apoiado sobre a mão. Foi difícil mantê-la quieta, mas eu consegui depois de prometer explicar tudo.
Peguei as chaves de Jack.
Jack pegou o meu pulso agora sem o moletom e me puxou contra a seu corpo, a proximidade fez meus ossos gelarem.
–Não vou deixar que ninguém atrapalhe dessa vez. –ele roçou o polegar nos meus lábios e colocou uma mecha solta do meu cabelo atrás da minha orelha. O ar frio a nossa volta havia sido dizimado pelo calor provocado pela proximidade dos nossos corpos, eu pensei em Jayles sentada ali perto, mas foi só um lampejo, meus olhos estavam presos nos dele e isso era o suficiente pra mandar raciocínio logico para o espaço.
Joguei meus braços envolta do seu pescoço e ele fechou as mão em minha cintura. Mordi seu lábio inferior antes de selalos com os meus, sua língua pediu passagem explorando minha boca enquanto a minha fazia o mesmo, se ficar perto dele me fazia senti que ia explodir beija-lo me era muito mais destrutivo, enrosquei meus dedos em seu cabelo aproveitando o máximo antes de desliza minhas mãos em se tórax e me impulsionar para trás. Ele soltou um suspiro de desgosto.
–Eu tenho que ir. – sussurrei, se não fosse por Jayles eu podia ficar ali a noite toda, sentindo a respiração dele contra o meu rosto, receber ondas de eletricidade pelo meu corpo a cada toque e o beijando.
–Eu sei. – a voz dele era rouca, agora. –Eu também tenho. -pressionei meus lábios nos dele mais uma vez antes de me afasta.
Jayles estava encostada no carro encaracolando uma mecha de cabelo. Destravei o carro para que ela pudesse entrar.
–Nós vamos conversar sobre o que aconteceu lá fora? –ela perguntou quando entrei no carro, sorrindo de forma sínica para mim. Era incrível que ela se encontrasse nesse estado depois do que tinha acabado de passar.
–Você não faz ideia sobre o que eu quero conversar. –dei partida no carro e dirigi em direção a minha casa, eu podia controlar melhor um ataque histérico lá, quando lhe dissesse o que eu sou.
Continua...
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