Notas iniciais
OLÁ!! OLHA QUEM VOLTOU!
Ninguém importante pq nunca escrevi nessa categoria antes. (alias, isso aqui ta vazio! Até escuto meu eco!)
Eu ando muito obcecada com essa série, em especial pela Kristina Tonteri-Young que é muito maravilhosa! Meu deus, que mulher linda (casa comigo, por favor)

Enfim... A música da Cindy Lauper eu usei inteira, não sei se vai acontecer com as outras ou se vou ter que separar partes (que nem um Jack Estripador de músicas), mas isso é assunto para outros momentos.

Espero que gostem!
Beijos e nos vemos lá embaixo!
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All through the night

I’ll be awake

And I’ll be with you

All through the night

Beatrice não confiava em Ava.

Bem… confiava, confiava em Ava com todo o seu coração, colocaria suas mãos na vida de Ava sem pensar duas vezes, mas naquele exato momento, sabia que ela escondia alguma coisa. Podia sentir um aperto em seu intestino e a apreensão de que algo estava por vir.

E não era a única, a Madre Superiora havia pedido diretamente que a freira mantivesse um olho nela.

Parou em frente a porta, buscando coragem para bater na madeira. Haviam passado meses morando juntas, dividindo um quarto pequeno com duas camas de solteiro, então porque hesitava tanto agora.

— Você sabe que eu não preciso de uma babá, não é? — disse a irmã guerreira, mas só havia doçura em sua voz.

Nos últimos tempos, a Ava rebelde havia dado espaço para aquela mulher doce.

Se afastou por um momento e pegou um casaco sobre a cama.

— Você sai comigo essa noite? — Havia um brilho em seus olhos, que impedia de dizer “não”, mas ela insistiu mesmo sob o olhar crítico de Beatrice. — Pelos velhos tempos?

Tinham um combate importante no dia seguinte, uma batalha que poderia definir o futuro da humanidade. Mas Ava parecia tão pequena, tão frágil e tudo que Beatrice queria era voltar para aquele bar nos Alpes, para aquela noite em que dançaram como se não fossem responsáveis por impedir o apocalipse.

— Certo! — Precisaria trocar o hábito, seria um escândalo se uma freira fosse vista bebendo e dançando em um boteco de bairro decadente, mas faria qualquer coisa pela felicidade de Ava. — Certo!

Ava segurou suas mãos e um arrepio percorreu suas costas, sacudiu seus braços e Beatrice jurou que iria desmaiar e então lhe beijou a bochecha e o coração da freira disparou.

This precious time

When time is new

All through the night

knowing that we feel the same

Without saying

O álcool queimava a sua garganta e nublou a sua visão.

Parecia uma eternidade desde a última vez que havia feito aquilo. A música alta ajudava na sensação de desnorteamento e apenas Ava lhe servia de âncora.

As duas giravam, se afastavam e então se abraçavam. Beatrice amava a forma como Ava lhe encarava ali, queria poder congelar o tempo e manter as duas para sempre naquele momento e então se aproximou.

Já não comandava o próprio corpo quando se aproximou da Irmã Guerreira, segurou seu rosto entre as mãos e colou a testa na dela.

— Eu queria que isso durasse para sempre.

Era um segredo entre elas. As outras irmãs não poderiam saber, a Madre Superiora a excomungaria se descobrisse, mas não importava. Nada jamais importaria enquanto estivesse com Ava, enquanto pudesse sentir as mãos dela escorregando pelos seus braços.

Mary ficaria tão orgulhosa dela.

E estavam tão próximas.

Tão próximas que sentia o gosto da bebida na respiração de Ava e parecia muito mais convidativo do que aquela em seu próprio copo.

Se ela ao menos pudesse diminuir aquela distância.

Podia sentir o calor dos lábios de Ava.

Se tivesse mais meio segundo…

— Vamos lá para fora?

Ava precisou se inclinar para sussurrar em seu ouvido e tudo que Beatrice podia fazer era se deixar guiar pelas mãos da mulher que mais amava no mundo.

We have no past, we won’t reach back

Keep with me forward all through the night

And once we starts the meter clicks

And goes running all through the night

O vento frio ajudou a recobrar um pouco da sobriedade. Quase se sentia pronta para uma luta quando pararam lado a lado no peitoril de uma ponte.

Ava jogou a cabeça para trás, deixando o vento soprar os seus cabelos por seus e Beatrice se sentiu completamente hipnotizada pela cena. Conhecia a Irmã Guerreira há menos de um ano e nesse tempo ela havia se tornado o centro de sua vida.

Beatrice se sentia viva e livre pela primeira vez na vida, já não se importava com o passado e nem com o futuro.

Ela merecia aquele pequeno momento de egoísmo.

E então Ava a abraçou, daquela forma que sempre fazia quando sentia seu mundo desabando. Ainda se lembrava da primeira vez em que ela havia se envolvido em seus braços e afundado o rosto em seu pescoço, a primeira vez que ela sentiu o seu corpo inteiro implorar por algo, indo contra toda a sua razão.

Beatrice afundou as mãos nos fios macios e se permitiu sentir o cheiro de seus cabelos e só depois de muitos segundos perdida naquele abraço, foi que a afastou para lhe olhar nos olhos.

— Ava, o que você está escondendo de mim? — perguntou acariciando o rosto que tanto amava. — Eu posso ajudar você. Eu sempre vou ajudar você!

Ava sorriu com tristeza, retribuindo o carinho.

— Bea, você é a pessoa mais importante da minha vida. — ela sussurrou — Eu quero que você saiba, que eu não seria nada sem você.

Beatrice sentiu o peso daquelas palavras, se acomodando em seu peito e puxando o seu coração para baixo e começou a negar com a cabeça antes mesmo de conseguir a boca para falar.

Era por isso que Ava havia lhe chamado para fugir?

— Não, Ava, não! — ela queria gritar. Tentou abraçá-la mais uma vez, mantê-la junto ao seu pescoço e ao seu corpo para sempre. Para que ela nunca corresse nenhum risco. — Vamos seguir o seu plano, vamos voltar para os Alpes, manter você escondida de Adriel. — “do mundo, manter você só para mim” — Vamos voltar para o Hans e os clientes.

Mas Ava apertou os lábios juntos e negou com a cabeça.

— Vamos! — ela segurou as duas mãos de Beatrice entre as suas — Quando tudo isso acabar, eu vou te ensinar a beber e você vai me ensinar a dançar, mas agora nós precisamos voltar para o convento. Descansar para amanhã.

Mas Beatrice já não queria voltar, não queria deixar Ava sozinha por um segundo.

All through the night

Stray cat is crying

So stray cat sings back

All through the night

They have forgotten

What by day they lack

Oh!! Under those white street lamps

There is a little chance they may see

A chance they may see

Andaram lado a lado. As mãos se roçando de vez em quando, até que por fim desistiram e seguraram as mãos.

Beatrice andou em silêncio ao lado de Ava, até que pararam em sua porta.

— Então é aqui que nos separamos.

Seu coração doía, mas pareceu se partir em um milhão de pedaços quando a Irmã Guerreira soltou a sua mão, mas não levou muito tempo para puxar a freira para perto outra vez.

— Não me deixa sozinha essa noite, por favor.

Beatrice sentiu o sangue ferver e o rosto corar, mas não podia dizer não para Ava.

[...]

And once we starts the meter clicks

And it goes running all through the night

Until it ends, there’s no end

Haviam dividido um quarto pequeno nos Alpes por meses, mas nunca haviam dividido uma cama. Nem uma de casal, quanto mais a pequena cama de solteiro no quarto da Irmã Guerreira.

Beatrice respirou tanto, tentando não enlouquecer com a proximidade, ainda mais quando Ava lhe envolveu a cintura.

Levou muito tempo para conseguir relaxar, mas com o tempo e a respiração compassada de sua companheira a embalou no melhor sono que já teve em sua vida.

Oh! The sleep in your eyes is enough

Let me be there, let me stay there a while.

Notas finais
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Chegamos ao final!!
E ai, o que acharam ?
Por favor, sejam sinceros, até se for para falar mau!
É isso galerinha!
Até a próxima!