Crimson Day.

10 Capítulo 10.


Molly’s P.O.V.

Eu estava me sentindo meio zonza ainda, e quando acordei, podia ter jurado que havia sonhado com James e ele me dizia coisas bonitas. Depois, ele me chama de “minha pequena” e diz que ficou o tempo todo lá fora, durante a cirurgia, e teve que escolher entre eu e as crianças. E então, tia Ginny chega desesperada e eu mal havia assemelhado o fato de que não tivera apenas um bebê, mas sim dois. Nem tive tempo de me assustar com aquilo, logo os homens foram despachados e tia Ginny me entregou o menininho.

— Já pensou nos nomes? — Perguntou-me enquanto eu tirava o seio. Tentei levá-lo aos lábios do bebê, mas sem muito sucesso, tia Ginny guiou a cabecinha dele também. Ele pegou de primeira, o que me deixou com vontade de rir: era um verdadeiro Weasley. Levei os olhos à menina, que ainda dormia tranquilamente no bercinho.

— Ela se chamará Meghara. Ele é que eu não sei… — Respondi num sussurro, notando cada traço de meu filho. Eu não via seus olhos, mas sentia que se pareciam com os meus. Seus cabelos tinham a cor puxada para a de James, e suas feições me lembravam muito a ele. Já Meghara tinha os cabelos ruivos de uma Weasley. A princípio, senti o bico do meu seio doer, porque o menino puxava rápido e muitas vezes. Vez ou outra, até mordia o bico com uma força que eu julgava descomunal pra um recém-nascido. Minha expressão devia ser de dor, naquele momento. — Talvez Nathaniel, ou Hector… mais provável que seja Hector. — Comentei, e minha tia sorriu.

— São belos nomes. Posso pegá-la enquanto você amamenta ele?

— É lógico, tia! Que pergunta! — Sorri, e com Meghara nos braços dela pude ver que se parecia bastante comigo, mesmo que dormindo. Ouvi batidas na porta, e então olhei envergonhada para a porta, e vi adentrar o quarto minha avó e minha mãe. Vê-la me fez ter os olhos marejados. Minha avó juntou as mãos na lateral do rosto, maravilhada ao ver dois bebês, e minha mãe pareceu um pouco assustada. Vovó veio logo me ver e observar o jeito que Hector mamava.

— Ah, minha querida, meus parabéns! Eles são lindos… e esse garoto tem o sangue de um Weasley, hein?! — Comentou divertida, o que me animou. Em seguida minha mãe se aproximou e eu dei um leve sorriso, que para minha surpresa, ela correspondeu.

— Merlin, estou ficando velha… — Brincou ela, e eu ri brevemente.

— Até parece, mamãe.

— Molls, me desculpe por tudo isso. Você não sabe o quanto tenho brigado com seu pai, quantas vezes ponderei largar tudo pro alto e vir ficar com você… o que eu me arrependo amargamente de não ter feito. Mas eu não podia perder o nascimento dos meus netos. — Ela disse num tom mais baixo, e eu não entendi bem o por que. Assenti com a cabeça e dei-lhe um sorriso.

— Obrigada por vir, mamãe.

— Já pensou nos nomes? — Perguntou-me, e então lancei um olhar cúmplice para minha tia, confirmando com a cabeça.

— Meghara Louise e Hector Ryan.

— São lindos! — Disseram minha mãe e avó em uníssono.

— Obrigada. — Então, notei que Hector estava largando o peito. Olhei para minha avó, tia e mãe e elas sorriram, vindo até próximas da cama.

— Certo. Agora, Molls, levante-o e deixe o corpinho dele de pé, segure debaixo do bumbum e apoie sua mão nas costinhas dele e dê leves tapinhas nas costas do bebê, pra ele arrotar. Porém recomendo que use uma fralda de pano entre o neném e seu ombro, eles costumar golfar. — Instruiu minha tia, e vovó riu da expressão que eu devo ter feito junto com minha mãe.

— Não se preocupe, querida. É assim mesmo. E é bom fazê-lo todas as vezes em que mamarem, se não, as cólicas vem mais fortes. — Concluiu vovó. Mexendo nas gavetas do armário, minha mãe encontrou fraldas de pano limpas e me entregou uma, então a coloquei como haviam me instruído. Antes de colocar Hector em meu ombro, cobri novamente meu seio. Trouxe o pequeno menino para cima, como disseram, e as expressões das mais velhas mostravam-me que elas pareciam orgulhosas e satisfeitas. Com leves tapinhas nas costas de meu filho, ajudei-o a arrotar. Os sons que escapuliram da boquinha dele eram tão altos que nós quatro rimos, e com certeza pensamos no tio Ron e tio George.

Repeti todo o processo de amamentação com Meghara, a diferença é que ela demorou mais para pegar o bico. Quando ela finalmente conseguiu, apesar da dor que sentia nos seios, me senti extremamente aliviada. Ela era menor do que Hector. Quando estava fazendo-a arrotar, tocaram na porta. As outras me olharam e eu assenti, consentindo a entrada de mais alguém. Antes de a porta se abrir, minha mãe se aproximou beijando minha testa e a dos bebês, se despedindo.

— Molly, me desculpe não poder ficar mais, mas seu pai não sabe que eu vim. Vou voltar antes que ele chegue… você o conhece. — E eu assenti, meio incomodada com o fato de meu pai ainda não ter amolecido.

— Não tem problema, mãe. Obrigada por ter vindo.

— Eu amo você.

— Também te amo.

— Ginny… muito obrigada por tudo o que está fazendo por ela… sei que era minha obrigação, e…

— Relaxa, Aud. Conheço meu irmão. — Respondeu minha tia, tranquila. — Família é pra isso.

— Obrigada, de novo. Tenho que ir. Parabéns de novo, filha. — Disse ela, abrindo a porta para sair e asssim vi a imagem de Seth adentrar o quarto desesperado, e ao mesmo tempo, super feliz.

— Moll! Caramba, por que não me avisou, criatura? Ficou louca? E eu tava certo, viu? Ainda bem que de dois macacões! Céus, eles são lindos joelhinhos, Moll! — Ele disparou, me fazendo rir.

— Calma, Seth! — E lá fora, vi James não muito satisfeito. — É, você sempre está. E eles não são joelhinhos! — Comentei, rindo. Limpei a boquinha de Megg antes de deitá-la novamente em meus braços. Enquanto isso, Hector estava no colo de minha avó.

— Como posso ficar calmo? Você nem me disse que ia dar a luz aos meus afilhados! — E assim, franzi o cenho.

— Quem avisou você?

— Ahn, não sei. Quem veio com você? A pessoa não assinou.

— James.

— Wow. Bem que eu notei que foi meio seco.

— Tá, agora ele me surpreendeu. — Sussurrei surpresa, para não incomodar tia Ginny que estava um tanto entretida com meu filho.

— Ele quem te trouxe? Qual foi o milagre?

— Shhh! — E apontei com os olhos para minha tia.

— Oh. Ok. Hey, sra. Weasley! Sra. Potter! — Ele as cumprimentou, se aproximando das mais velhas.

— Oi, querido!

— Seth, meu querido! Que bom que você veio. Olha, Hector, é o seu padrinho. — Dizia vovó, e Seth pareceu maravilhado com o bebê. Enquanto isso, eu me distraí mais uma vez checando os traços de Meghara. Não notei a aproximação de minha prima, Victoire, por isso.

— Ah. Meu. Merlin! Ela é linda, a sua cara, Molls! — Ouvi sua voz e levantei os olhos, com um sorriso.

— Viiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiicky! Que bom que você veio!

— Caraca, nem eu fui recebido assim. — Intrometeu Seth, divertido, do outro lado do quarto, me fazendo rir.

— Desculpa, eu sou mais importante do que você. — Vicky deu a língua para ele, reprimindo o riso. Eles eram companheiros de casa, e mesmo que ela fosse uns anos mais velha, haviam sido amigos por um tempo. — E aí, loiro.

— Ah, coitada. Babe, ninguém é mais importante que eu.

— Eu.

— Jamais! Nem embaixo d’água.

— Ih, assim fico com ciumes, parem já! — Disse rindo, e então observei a expressão de Victoire, decifrando-a. — O quê? É verdade!

— Boba. Ai, eu posso pegá-la? — Perguntou a loira, e eu ia assentir quando Seth interviu.

— Qual é! Eu cheguei primeiro. — Disse, fazendo um bico. Então, foi minha avó quem respondeu:

— Cada um pega um. Ginny e eu vamos em casa pegar coisas pra Molls. Posso deixá-los com vocês?

— Podem ir tranquilas. Eu tomo conta deles. — Respondeu Seth, batendo continência e estendendo os braços para pegar Hector.

— Oi vó, oi tia! — Disse Vicky, desconcertada por não tê-las notado ali. — Ai Merlin, tem mais um bebê! — E eu então dei uma risada mais alta, o tom de Vicky fora cômico.

— É sim.

— Então vamos lá, de tarde voltaremos, ok, Molls? Obrigada, Seth e Vicky. Até.

— Obrigada, vovó, obrigada, tia. — Agradeci, e antes que elas fechassem a porta, vi um pensativo e cabisbaixo James seguí-las. Suspirei.

— Quais os nomes deles, Molls? — Perguntou minha prima, e eu estendi Meghara para ela, que logo a pegou com delicadeza.

— Meghara Louise e Hector Ryan.

— Own! Que lindos, prima! Caramba, tenho que dizer de novo… ela é a sua cara. De menos os olhos… não são azuis. — Comentou Vicky. Confusa, ela franziu o cenho. — Ela tem os olhos do… James. — Concluiu, me olhando com os olhos arregalados. Senti as bochechas queimarem.

— Sim, ela… tem os olhos do… pai. — Baixei os olhos e mordi o lábio inferior.

— Molly, por que não me contou antes?

— É perigoso falar disso em casa, Vicky, desculpa. Pelo amor que tenha a Merlin, prometa que não vai contar a ninguém, nem à sua sombra!

— Ele não sabe? — Perguntou.

— Acha mesmo que ele ia curtir a ideia de ser papai, loira? — Quem respondeu foi Seth, e levando os olhos a ele, vi que mesmo conversando estava encantado com Hector.

— É claro que não irei contar, se é assim! Mas céus, ainda estou chocada…

— Ele já fez estrago demais desde que Molly terminou com ele. Só eu sei o quanto. — Continuou meu amigo. Vicky suspirou, negando com a cabeça.

— Megg e Hector foram o melhor erro dele. — Comentei, sem olhá-los. Antes que alguém pudesse comentar, a medibruxa que me operou bateu na porta e pedindo licença, adentrou o quarto.

— Tudo bem com vocês?

— Tudo ótimo, doutora Tudor.

— Isso é bom, Molly. As crianças são super saudáveis, você chegou a um estágio impressionante para uma gravidez múltipla, querida. — Sem saber o que responder, apenas sorri assentindo. — Vou pedir licença a vocês dois, preciso examiná-la. Não demorará muito!

— É claro. — Disseram, deixando Meghara e Hector em seus berços de acrílico, deixando a sala.