Crimson Day.
13 Capítulo 13.
September, 9th.
Molly’s P.O.V.
Merlin! Minhas tias me diziam e eu duvidava, mas agora sou a prova viva de que mães não dormem. Fico com pesar quando penso nos meus tios, que trabalham cedo e as crianças choram muito a noite. Já até disse pra tia Ginny, mas ela e tio Harry estão tranquilos em relação a isto. Há dois dias estamos em casa… Meghara e Hector já parecem ter crescido um tanto, se quer saber. Seth ainda não pôde me visitar aqui, o pai dele continua doente, coitado… mas a Vicky vem durante o dia me dar um bom auxílio. Sabe da nova? James tá apaixonado pelas crianças. Como meus tios trabalham o dia todo no Ministério, só nós dois ficamos em casa. Não chegamos a falar sobre o assunto que começamos no hospital, é como se não existisse embora eu saiba que ele também está pensando sobre isso. Para a minha sorte, ele não notou que Hector se parece com ele. Se notou, não me disse. James passa a tarde toda com a gente, no meu quarto. Aproveita ao máximo os momentos em que os olhinhos dos bebês se abrem, fala com eles… e por mais idiota que seja da minha parte, eu não consigo parar de idealizá-lo nesses momentos como o verdadeiro pai de Megg e Hector.
— Molls? — A batida na porta me tirou dos meus pensamentos, que insistiam em me atormentar mesmo enquanto eu estava amamentando. Senti a bochecha corar quando o mandei entrar, mas estava me acostumando… eu não podia me dar ao luxo de simplesmente ter vergonha de alimentar meus filhos na frente dos outros, principalmente na frente do pai deles, ainda que ele não soubesse disso. — Ih, desculpa, eu não sabia.
— Relaxa. Eu vou fazer isso com uma certa frequência agora. — Respondi, e a tensão pareceu se dissolver um pouco. Hector é quem estava me sugando, enquanto Meghara dormia entre uns travesseiros que eu armei em volta dela na minha cama. James se aproximou dela e se assentou bem próximo da bebê, acariciando o rosto dela.
— Cara, nunca vou me cansar de dizer o quanto ela é linda, Molls. — Disse o garoto, e eu sorri de lado, baixando os olhos para meu pequeno Weasley.
— Obrigada. — Respondi, mas ele não pareceu prestar muita atenção.
— Molls, olha, olha! Ela tá acordando. Vem ver!
— Não posso agora, Jay. — respondi reprimindo uma risada, seu tom fora parecido com o de uma criança que acaba de ganhar sua primeira vassoura.
— Nhá, os olhos dela não são azuis. — Constatou James, pela milionésima vez. — Hey, pequena! Olha só o tio James. — E continuei a observá-los. Acho que James já se acostumou com a presença deles, mesmo com os choros e tudo o mais. Noite passada ele até veio no meu quarto perguntar se eu precisava de algo! Algo está muito estranho nisso. Como já dizia a minha avó… quando a esmola é muita, o santo desconfia. — Eu posso pegá-la? — Levei os olhos até meu primo e sorri, assentindo.
— Só toma cuidado, faz do jeito que sua mãe…
— Eu sei, né, Molls. Relaxa. — E meio desajeitado, ele conseguiu pegá-la de maneira adequada: sem deixar suas perninhas ou cabeça dependuradas. Ele estava mesmo pegando o jeito.
Megg estava bem quietinha nos braços de James, e por um instante pensei se ela saberia que era seu pai. Logo me repreendi, é claro, ele nem havia sido presente na gravidez e eu nunca havia falado perto deles. Será que eles reconhecem mesmo a minha voz e a do Seth, que foram mais presentes? Hector, por outro lado, estava largando o peito e por isso aproveitei um segundo de distração de James para cobrir meu seio e levantar meu menino até meu ombro. A fralda de pano já ficava ali o dia todo, já que cada hora era um que queria mamar. Não que isso fosse ruim… mas seria estranhamente complicado ter que amamentar os dois juntos todas as vezes, como aconteceu no hospital uma vez. De repente, em meio aos meus tapinhas, Hec arrotou tão alto que James começou a rir.
— Cara, esse é um Weasley. — E juntei-me a ele nas risadas, porque realmente… E com aquilo, mais batidas ecoaram na porta, que estava aberta: a pessoa só queria notificar que estava ali, porque estávamos entretidos demais para notar a presença demais alguém. E a imagem que vi foi a de minha prima, Victoire, que tinha uma expressão confusa no rosto. Dei-lhe um sorriso e gesticulei para que entrasse.
— Vem cá, Vic.
Era impressão minha ou Victoire estava reprimindo uma risada? Difícil de dizer, mas ela entrou e veio em minha direção, cumprimentando James no caminho.
— Olá, James! — Disse sorrindo e em seguida brincou com Megg que ainda estava no colo do pai. — Hey, princesa! O tio James tá cuidando direitinho de você, meu anjo? — E mais próxima dos três, pude ver minha filha dar seu primeiro sorriso enquanto ouvia Victoire. James e a loira me olharam com os olhos arregalados e um sorriso enorme, mas eu também tinha tal formato nos lábios. — Ai, Merlin! Ela sorriu, sorriu pra mim. Molls, o primeiro sorriso dela foi pra mim.
— Merlin, minha bebê sorriu! — Exclamei, orgulhosa. Então semicerrei os olhos com uma pontada de ciumes, dando-lhe a língua. — Bobona. — disse feito uma criança, mas ver Victoire naquela situação foi no mínimo agradável. Ela estava tão feliz, tão emocionada! Acho que mais até do que eu. A visão dela tão alegre me fez sorrir. — Sim, ela sorriu pra ti! — Acabei concordando depois da visão que tive.
— Qual é, ela sorriu foi pro titio, que é lindo demais! — Contestou James, nos fazendo rir.
— Desculpa, Potter, mas ela estava em seus braços esse tempo todo e só sorriu quando eu cheguei. — Victoire fez uma careta feia para ele, me fazendo gargalhar dos dois. — Como é mesmo aquela palavra trouxa pra esse tipo de situação?... RECALQUE! Isso, a palavra é recalque.
— Larga disso, veela. — Respondeu James, pelo apelido que ele e nossos primos chamavam a ela e Dominique quando estavam afim de irritá-las.
— Relaxem, vocês dois! Ela sorriu, fim, e sorrirá mais infinitas vezes na vida. — Intervim, afinal eles eram dois turrões e não parariam por ali nem mesmo com minha repreensão.
— Mas Molls…
— Sem mas, James Sirius. — Respondi, e então caí na gargalhada junto a ambos. Eu havia falado igual à vovó.
— Tudo bem, vovó! — Comentou Vicky, e eu revirei os olhos.
— Nem foi tão igual assim, tá bom?
— Claro que foi, não é a toa que você tem o nome dela.
E daquela forma, entre risadas e ironias, continuamos nossa tarde. Não poderia ser melhor, para mim. Pelo menos não nas atuais circunstâncias.
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