Crimson Blood
1 Capítulo 1
Notas iniciais
- Lisa, me dê seu braço – ele pediu, como se fosse uma ordem. Hesitei no início, mas eu sabia, se eu continuasse assim, coisas piores iriam acontecer.
Dei meu braço. Ele passou seus dedos em minhas veias saltadas, com sangue correndo, um medo invadindo meu corpo. Minha respiração estava rápida, não havia como esconde-la. Afinal, ele já percebera o meu nervosismo e estava mais excitado ainda.
- Você ainda sente sintomas humanos – ele comentou, com um sorriso de lado – Até quando demorará para você ficar completa?
Engoli seco. Eu sabia que estava demorando para ficar completa, afinal, eu sou hibrida. Meio humana e meio vampiro tem suas consequências.
Mas Dr. Holter concluiu que eu era diferente. Raramente sinto sede por sangue, e isso aconteceu apenas duas vezes na vida. Outros híbridos já sentem sede constantemente, quase todos os dias. E mais: meu sangue não é tão negro como deveria ser.
Sangue negro... sangue proibido. Quando um individuo da sociedade vampírica se cruza com outro individuo da sociedade humana, há uma quebra de tabu. Vampiros e humanos são seres diferentes, apesar de ter aparências parecidas. Vampiros são bestas em forma humana, sentem sede por sangue humano para ter forças e sobreviver. Muitos ficam incontroláveis, e são mortos por caçadores.
Claro, se existem bestas que destroem a sociedade humana, óbvio que existem pessoas que protegem a sociedade humana, os caçadores.
Mas o sangue negro... é uma mistura de dois lados opostos da existência. O lado humano, o lado puro, com visão branca, sem nenhum mal a corrompendo. E o lado vampiro, desejando apenas o sangue, sem pensar nas consequências com seu lado obscuro.
E eu tenho esse sangue. Sangue negro correndo em minhas veias, eu tenho um lado bom e ruim.
Vim de uma mãe humana. Meu pai vampiro me criou até meus 3 anos de idade, me escondendo da sociedade, para que ninguém descubra da minha existência. Todos os suspeitos que tem o sangue negro são trazidos pra cá, no laboratório secreto da sociedade vampira, e todos são usados como cobaias. Motivo? Simples, a cura.
Dr Holter acredita que nós, que temos o sangue negro, podemos ter anticorpos capazes de ter uma cura para vampiros. Apesar de muitos contestarem, afinal, a partir do momento que o veneno corre em suas veias, literalmente, seu corpo morre. Apenas você continua a viver com o veneno sustentando seu corpo e, claro, sugando sangue.
- Isso é ruim? – perguntei para o doutor. Ele olhou pra mim, com seus cabelos grisalhos, olhos negros por trás de seu óculos sujos de poeira.
- Não, pelo contrário – ele fez algumas anotações em seu caderno – É possível que você possa ser a cura.
Um aperto em meu peito se fez. Tantos cobaias que saíram daqui incontroláveis de sede, que podiam estar cientes e saudáveis, logo eu a ser a cura?
- Não fique assustada Lisa – doutor comentou, vendo a minha expressão – Não irei te matar e tirar seu sangue agora. Primeiro, terei que realizar um estudo, e levará algum tempo.
- Vai dizer a realeza sobre mim?
Dr. Holter segurou seus pulsos forte. Ele estava de costas a mim, e pude sentir seu corpo tremer.
- Não – ele respondeu – E esse será o nosso segredo.
Respirei mais aliviada. Por mais que a realeza tenha financiado todo o laboratório e ter apoiado a essa pesquisa, Dr Holter sabia que, se contar algo sobre eu ser suspeita de ser a cura, a realeza pode ser capaz de vir e me matar. Mas claro, medo invadiu em mim. Se descobrirem...
Mas eu tinha uma grande admiração por Dr Holter. Quando me trouxeram pra cá, ainda pequena, ele me recebeu de sorriso aberto. Foi como meu segundo pai pra mim, apesar de ter alguns momentos assustadores.
- Se o senhor sabe que isso é perigoso, por que continua com a pesquisa?
Doutor estava sentado em sua cadeira, continuando a fazer anotações. Ele é um vampiro completo, com séculos de vida. Cada segundo de sua vida, foi destinada a realizar pesquisas, e assim que se transformou, começou a pesquisa atrás da cura.
- Passo – ele respondeu, ainda escrevendo suas anotações. Todas as vezes que pergunto, ele responde a mesma coisa.
- Ok ok, vou para meu quarto – desci da maca onde estava sentada – Mais alguma coisa, Doutor?
- Não, não – ele respondeu, sem desviar os olhos das suas anotações – Boa noite querida.
- Boa noite Doutor – sai de seu consultório.
Fui até direção ao meu quarto, que divido junto com a Vicky, também uma cobaia.
- Como foi? – ela perguntou, desviando a sua atenção do livro para mim.
- Normal, como sempre – respondi, sentando em minha cama. Respirei fundo, tentando acalmar meu coração.
Tantas vezes, eu desejei que eu não fosse escolhida? Ok, eu sei que é um pouco egoísta, mas mesmo assim, minha vida está em risco.
Desde sempre Doutor me considerou diferente. Mesmo que eu não seja a primeira cobaia, mas desde que me viu pela primeira vez, ele me tratou de forma diferente. Pergunto-me se tem algo relacionado com meu pai.
Meu pai. Um mistério. Mesmo que eu tenha convivido com ele por 3 anos, mas ele não revelou sua verdadeira identidade. Não sei porquê, até perguntei para Doutor, mas como sempre, ele responde “Passo”.
Muitos dizem, por eu ser um pouco pálida e cabelos castanhos de cor chocolate, que sou filha de uma família pura, Hollger. Mas essa família foi extinta por caçadores há algumas gerações atrás.
De acordo que eu ouvi, a família Hollger não era uma família de vampiros qualquer. Era umas das pioneiras e, diziam que eles tinham um segredo bem obscuro.
- Lisa – Vicky me chamou – Fará ano letivo aqui?
- Sim – respondi. Neste laboratório tão discreto, terá um colégio para “disfarçar”. Ao lado, há quartos e um prédio grande, como "colégio interno". Jovens que vem aqui para serem cobaias e ninguém desconfiaria que ali existe um laboratório. Embora que o local existe ali há anos, num bairro deserto da pequena cidade de Null, a cidade começou a ser povoada após de várias empresas internacionais se instalarem ali.
- Sim – respondi – Não há outro colégio, alias, Doutor não quer que eu vá muito longe.
- Só porque ele te trata diferente? – ela perguntou zombando – Ele realmente gosta de você.
Gostar? A palavra certa não seria: interesse?
Mesmo que Doutor tenha cuidado de mim todos esses anos, como meu segundo pai, eu ainda tenho minhas dúvidas. Doutor disse que conhecia meu pai, mas nunca responde em qual clã ele participava. Isso me faz pensar coisas tão pessimistas que cheguei ao ponto de me perguntar se ele realmente cuida de mim por algo em troca.
A cura, óbvio. Mas ele disse que não ia contar a realeza. Ele pretende ser curado primeiro?
Isso me fez revirar a cama. A Vicky continuou a tagarelar, falando que conseguiu um namorado, claro, não contando à ele que é vampira. Mas ela disse que ele é um cara fofo e blá blá. Ela sempre foi tagarela, sempre me distraía dos problemas que me perseguiam, como eu ser cura e minha dúvida eterna de quem seria meu pai, e claro, namoradeira. Ela é bonita sim, sem sombra de dúvidas, mas de alguma forma, ela consegue chamar mais a atenção dos garotos com alguns truques. Loira e olhos azuis, praticamente todos olhariam pra ela.
- Você precisa de um namorado.
- Sim – respondi.
- E porque não tem?
- Porque eu não tenho sorte.
- Porque você é exigente demais – ela respondeu por mim.
- Isso não é verdade – eu retruquei – Só não tenho sorte. Quando algum cara certo aparecer pra mim, eu vou perceber. Apenas... tenho que esperar.
Vicky parou de tagarelar e foi dormir. E fiz o mesmo.
O sono demorou para vir, mas em um momento, eu adormecí. Foi um sono pesado, sem sonhos. Quando acordei, Vicky estava me balançando. Sempre diz que eu demoro séculos para acordar, por isso me acordava balançando meus ombros.
- Droga Vicky, você já tornou-se vampira, devia pegar leve comigo sabia?
Vicky virou-se pra mim e soltou seu olhar perigoso – Você é meia-vampira. Pode muito bem suportar meus maus-tratos.
Bufei depois. Vicky sempre tenta me assustar com seus olhares, mas nunca funcionava. Eu a conheço há cinco anos, ela nunca faria algum mal a mim. Isso porque passamos por tantas coisas que... é melhor não pensar.
Vicky foi tomar banho, enquanto isso, fui colocar o uniforme. Era uma camisa branca, com gravata azul listrada com cor preta e uma saia até um pouco acima dos joelhos preta. Sim, era como se fosse um internato. É, na verdade, um internato.
Depois, arrumei meu material. Vicky terminou seu banho e se vestiu rapidamente e pude ajuda-la. Assim que terminamos, fomos até a central do internato.
Como era o primeiro dia, óbvio, vai ser o dia da “apresentação”. Eu e Vicky ficaremos juntas em 3 aulas: história geral, artes e educação física.
Vicky é a única pessoa, além do Doutor, que conversava por ali. Claro, tinha outros cobaias, mas nunca tive oportunidade de conversar com eles. Talvez, com ano letivo, eu consiga conhecer eles. Quem sabe não sou a única que não se tornou completa?
O primeiro dia de aula foi normal. Na aula de história geral, Vicky sentou atras de mim, ela apenas abaixou a cabeça e tirou soneca, enquanto eu fiz um pequeno esforço de prestar atenção na faladeira da professora Augusta.
Depois que o sinal bateu, fui na sala ao lado. Laboratório de química.
Entrei na sala e sentei na primeira cadeira que vi. A Vicky passou da sala acenando um "tchau" e disse baixinho que iríamos nos ver na aula de Artes. Respondi o aceno com sinal de "jóia".
Alguém sentou ao meu lado. O ambiente começou a quente, o sol invadiu a sala, deixando abafado. Involuntariamente, abaixei o zíper do meu moletom para retirar e com barulho do infeliz do zíper, sentí olhos da pessoa ao meu lado em mim.
Engolí seco e aos poucos, virei meu pescoço. Sou péssima em fazer novas amizades. Entre eu e Vicky aconteceu tão naturalmente e não houve nenhuma complicação. Quando vi a pessoa do meu lado, meu coração pulou do meu peito.
Era um garoto, descendência asiática, pele pálida como a minha, meus olhos puxados negros, olhando pra mim, me prendiam. Seus cabelos tingidos de loiros estavam repicados e desarrumados valorizavam seu rosto ondulado.
Quase perdi o ar. Sim, ela era bonito. Lindo.
Seus olhos focaram em mim e um momento depois, desviaram para um outro lado. Uma pontada no peito se fez, desejaria tanto que focasse em mim novamente, encarar seus olhos negros...
Balancei a cabeça. Droga, eu estava fazendo praticamente de tola encarando um garoto como se eu estivesse apaixonada. Droga Lisa, sua...
- Meu nome é Yukio — uma voz harmoniosa invadiu meu ser.
- Eu sou Lisa — arrisquei em olhar outra vez, ele estava me encarando novamente — Er, prazer em conhecer...
- O prazer é seu — ele se virou novamente — Só me apresentei porque seremos duplas de laboratório do ano letivo, mas não me entenda mal.
Ok, primeira pessoa fora a Vicky que converso no meu primeiro dia de aula está sutilmente antipática comigo.
- Claro, não vou atormentar sua vidinha — respondi bufando e virei pra frente. Sangue subiu até meu rosto de raiva e esforcei para prestar atenção para professor falando sobre os cuidados de instrumentos e blá blá. Quando a aula, finalmente, terminou, Yukio pegou sua bolsa e saiu dali, sem olhar para os lados. Peguei minha bolsa e fui para aula de cálculos.
A aula de cálculos foi apenas prestar atenção e fazer alguns exercícios. Ninguém veio conversar comigo, então apenas fiquei quieta concentrada na aula. Quando a aula terminou, hora do almoço.
Sentei com a Vicky numa mesa dos fundos do restaurante que inauguraram ali. Contei a ela sobre Yukio com rosto de mau degosto.
- A maioria das pessoas daqui são assim, Lisa — Vicky mordeu um pedaço de seu sanduiche natural — Muitos deles foram pagos pra virem pra cá, sendo abandonados por seus pais. Outros vieram de orfanatos e outros foram oferecidos a virem de graça. Não se assuste se achar muita gente metida por ai.
- Só não conformo... — bebi um gole do meu suco — Por que um cara bonito tem que ser tão metido?
- É a lei da vida, os caras mais bonitos serão os mais metidos. Aprenda a lição mocinha.
Fiz beicinho e terminei o almoço. Quando tocou o sinal, fomos à aula de Artes. Sentamos uma no lado da outra e a professora, baixinha e tinha cabelos ruivos brilhantes, entrou na sala e começou a explicação.
Depois, fui para aula de Língua Espanola, e ocorreu o mesmo como aula de cálculo. Ninguém sequer aproximou-se de mim.
Agora, só faltava uma aula para terminar. Educação Física.
Todos foram para quadra. Fui me trocar, colocar roupa adequada à aula. Depois achei a Vicky me esperando na arquibancada. O professor nos chamou e fazemos uma roda em da quadra.
- Hoje como é o primeiro dia de vocês – Professor Stuart começou – Quero ver suas habilidades. Como vocês não são humanos, quero ver suas forças sobre-humanas. Claro, não deixar ninguém matar ninguém aqui, apenas querro ver as habilidades.
Um arrepio passou em minha espinha. Ainda não me tornei uma vampira completa, ou seja, em relação à eles, sou frágil. Fora o caso que Doutor me ensinou alguns segredos de lutas marciais quando eu era menor.
Mas pude sentir conversas pararelas agudas me incomodando. Ok, o professor até era bonito, alto, moreno e bem atlético, totalmente normal garotas tagarelarem sobre ele: "oh, como ele é lindo", "será que ele tem namorada?" ou "vou começar a amar educação física por causa dele". Mas as conversas não eram essas. Meu pressentimento dizia que eles estavam falando sobre... mim.
Professor Stuart formou as duplas de combate. A Vicky foi a terceira a lutar, com uma vampira formada há três anos. Foi uma luta difícil, mas com a percepção afinada da Vicky, ela venceu.
- Lisa e Hanna!
Um arrepio se fez. Quando ouvi meu nome, minha única vontade era sumir e correr, afinal, não fazia menor ideia se tinha vantagem em ganhar a luta ou não.
Apareceu uma ruiva no meio da roda. Ela tinha um corpo esbelto, peitos e quadris equilibrados.
Eu não conseguia olhar para seus olhos. Tinha medo que seu olhar pudesse me matar de alguma forma. Afinal, eu não fazia muita questão se ela era forte o suficiente para me derrotar ou não.
Mesmo que eu aparente ser apenas uma humana, eu digo uma coisa: nunca subestime da minha agilidade.
Respirei fundo e decidir enfrenta-la. Eu não podia negar uma luta logo no primeiro dia de aula. Entrei na roda e encarei a ruiva.
- 3, 2... LUTEM! – Professor anunciou.
Num piscar de olhos, a ruiva sumiu da minha frente. Virei minha cabeça para todos os lados, tentando localizá-la. Um pressentimento passou por mim.
Desviei para direita. A ruiva quase me atacou com suas mãos nesse mesmo lado. Sim, eu tinha uma percepção forte, quase prevendo os movimentos. Doutor havia me treinado.
Virei para sua direção e a ruiva me encarou. Seus olhos vermelhos já mostravam tudo. Era uma vampira completa e... sedenta. O brilhos de seus olhos estavam sedentos. Droga, pelo fato de eu não estar completa, que eu ainda sou humana, despertava sua sede. O único jeito era derrota-la. Se ela me pegar, ela pode... não, não quero pensar nisso.
Mas eu não sou forte o bastante para derrota-la. O único jeito é pegá-la com seu ponto fraco. Todos vampiros tem o seu ponto fraco e alguns tem particulares. Avancei, com minhas mãos, tentei socar seu peito. Mas a ruiva previu o meu movimento e desviou, indo atrás de mim. Um momento depois, algo envolveu meu pulso me puxando para lado, quase deslocando meu corpo pra direita. Senti um estralo forte no meu ombro, e pude ouvir alguém gritando “LISAAAA” num canto do ginásio.
Andei um pouco e tentei mexer meu ombro. Doía um pouco e mal conseguia mexer. Por sorte, eu sentia que não foi deslocado, mas obteve muita força.
A ruiva lambeu seus lábios, seus olhos ficaram vermelhos, desejando algo. Ótimo, terei que dar um fim nessa luta antes que eu vire a sua refeição. Corri até ela, focando nela. Ela tentou desviar pra direita, mas ao mesmo tempo, peguei seu braço, pensando fazer a mesma coisa que ela fez, puxar. Mas apenas peguei seu braço com uma das minhas mãos e outra acertando em sua nuca rapidamente.
O ataque foi forte, até minha mão doeu. Mas foi o suficiente para vampira parar por um tempo, e ficar dura.
A vampira caiu no chão. Batendo em sua nuca, afetando seu sistema nervoso, ela caiu no chão, derrotada. Estranhei, pensei que a luta seria mais... longa.
Vicky correu até a mim, desesperada. Ela pegou meu ombro e tentou massageá-lo, e viu que não estava deslocado.
- VOCÊ DEVIA TER MORRIDO! — ela soltou um berro alto o suficiente pra todos se virarem a atenção a ela.
- Vicky... — coloquei a mão no rosto de vergonha — Menos...
Ela não se importou e me abraçou — Eu devia ter ido no seu lugar. Eu tentei falar com professor, mas ele nem me ouviu e...
- Eu estou bem sua dramática — abracei de volta — Agora, pode me soltar, está quase me s-s-sufocando...
Ela soltou e sorriu. Sorri de volta, ela tinha intenção de ter gritado aquele jeito. Se não fosse pelo treinamento do doutor quando era pequena, eu poderia ter virado refeição da vampira.
- Vicky... — mordi meu lábio — Eu... estou pressentimento que estão falando de mim.
- Ah — ela bufou — Eles acham que você é humana pelo cheiro apenas. E realmente, você cheira como um humano.
Rolei meus olhos. Deve ser por isso que ninguem praticamente se aproximou de mim. É tão estranho, se eu fosse humana, eles não deveriam se aproximar pra pegar uma presa?
Virei meu pescoço e vejo uma figura familiar. Ah, o lindo asiático.
E ele virou seus olhos pra mim.
Meu coração pulou novamente. Rapidamente, desviei o olhar, tentando disfarçar. Eu falei que não atormentaria a sua vida.
E outras lutas se prosseguiram. Assim que a aula chegou ao fim, eu e Vicky fomos ao vestiário e trocamos de roupa.
- Vou encontrar com Brandy hoje — Brandy, o seu novo namorado — Quer ir comigo?
- Ah não, de jeito nenhum vou segurar vela — respondi, enquanto voltávamos para o nosso quarto — Pode ir, eu ficarei no quarto e estudar.
- Desse jeito, não vai arranjar namorado nunca — Vicky zombou, rindo — Vai ficar pra titia.
- Não me importo, apenas quero que o ano letivo termine de uma vez e o doutor me libere, só isso.
- OK né — Vicky bufou — Então vou indo, mais tarde a gente se vê no quarto!
- Até — acenei um "tchau". Vicky correu até o portão de saída e saiu do colégio. Seguí o caminho até meu quarto, passando por alguns corredores, não muito longe daqui.
Estava tudo deserto. Seguí sozinha no caminho, encarando o chão. Meu ombro começou a doer. Maldita vampira, quase arrancou meu ombro fora, graças, sou meia vampira. E por pouco, não houve sangramento.
"Cof, Cof".
Alguém tossindo me assustou, fazendo eu pular pra trás. Era o Doutor, apoiado na parede, rindo logo depois.
- Isso é tão humano — ele continuou a rir — Já era pra aprender sentir presença dos outros, Lisa.
- Sinto muito — envergonhada, olhei pro chão mais uma vez — Eu ainda não sou completa, pois ainda não consigo sentir presenças.
- Calma — ele pegou um maço de cigarro — Sentir presenças, só alguns vampiros conseguem ter esse dom. Soube que derrotou uma vampira hoje. Fico contente.
- Obrigada — engolí seco — Mas pensei que ela fosse me matar.
Doutor acendeu o seu isqueiro e queimou a ponta do maço de cigarro. Sugou o papel e soltou a fumaça pelas narinas. Ele ainda vestia seu jaleco branco, calça jeans gasta e sapatos sujos de poeira. Já oferecí a ajudar a cuidar das suas roupas, contudo ele se recusou.
- Mesmo que eu tenha te treinado, você ainda é frágil. E com monte de vampiros ao redor, precisa de mais cuidado — ele sugou o maço novamente e soltou a fumaça — E com isso, para eu ficar tranquilo de sua segurança, tomei providências.
Providências? Mal tive a primeira aula e Doutor já quer contratar guarda-costas pra mim. Ah não.
- Doutor, eu... eu sei me cuidar sozinha. E tenho a Vicky comigo, qualquer coisa extrema -
- Você tem que se cuidar sozinha, sem a Vicky — ele me interrompeu — Lisa, eu realmente não queria fazer isso mas...
Um medo invadiu no meu peito. O que ele está falando?
- Lisa, vamos ter que apressar seu crescimento. Você terá que completar uma vampira completa mais cedo possível.
- O QUE? — busquei respiração, tentando pensar racionalmente — M-Mas, eu não seria a...
- Você é a cura — ele completou — E por isso que temos que te transformar. Se souberem isso, vão te matar.
- Mas a sua pesquisa...
- Isso deixe comigo — ele sugou o cigarro e jogou no chão — Antes de te transformar, pegarei algumas amostras. Mas o problema não é isso.
Engolí seco. De alguma forma, a ideia que me ver como vampira começou a me aterrorizar. Ver aquela ruiva lutando contra a mim já me assustou o suficiente. Flash-blacks começaram a me atormentar...
- Se apressarmos seu crescimento, você pode se perder racionalmente. Tudo depende do seu organismo. Se ele conseguir acompanhar, sorte sua, se não...
- Eu sairei do laboratorio feito um animal e serei caçada — murmurei baixinho.
Doutor se aproximou de mim — Eu cuidarei de você. Eu prometo.
Por um momento, senti algo adentrando no meu braço.
- Boa noite, Bela Adormecida.
Notas finais
q
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