Criminals
1 Capítulo 1 -Liberdade
Notas iniciais
Nada percebia-se além da penumbra e da escuridão, como de costume, causando uma impressão tenebrosa do lugar, mas para Riley estar na prisão já não era tão assustador assim. Ela já havia estado lá diversas vezes. Conquistou amizades. Construiu toda uma relação.
Eram 4:45 da manhã do dia 15 de abril quando um estrondo ecoou pela cela. Grades se abriram.
*
Dois policiais óbviamente armados estavam lá observando-a. O policial da esquerda fez um gesto para que Riley deixasse sua cela. Ela caminhou lentamente até os guardas. O guarda da direita empurrou-a para fora, fazendo a jovem se chocar contra uma parede. Riley perdeu o equilíbrio, mas não caiu, embora seus longos cabelos loiros ressecados pela falta de higiene, espalhados pelo rosto impedissem parte da sua visão.
Então esse era o dia. O dia em que deixaria a prisão. Novamente.
Riley saiu da construção e sua primera vontade foi de encontrar seus pais. Comer. Se limpar. Se abrigar.
Riley caminhou até a casa dos Schmitz e bateu na porta.
–Mãe! Sou eu! Abra a porta! Eu sei que está aí!
–Riley Schmitz, vá embora. Você envergonhou a mim. Ao seu pai. A toda a nossa família. Não queremos ver seu rosto nunca mais.- Gritou sua mãe.
–Vamos mãe, abra logo.- Bufou Riley. Mas não obteve resposta.
Frustrada e ao mesmo tempo ignorando completamente a situação, sem ligar pra a vida e sem saber se valia mesmo a pena tentar a sorte, Riley foi até a antiga cafeteria onde seu namorado, Peter trabalha. Ou pelo menos trabalhava.
–Olá, seja bem-vindo! Como posso ajud... Riley? – Perguntou Peter. Ele parecia confuso, mas havia de certa forma um misto de raiva e alegria em seus olhos. Riley não respondeu. Apenas tentou desvendar o olhar enigmático do rapaz pelo qual havia se apaixonado.
–Você aqui? Que surpresa! Bom, eu achei que você não iria mais voltar.- disse Peter.
Riley percebeu que os olhos de Peter entristeceram. Pôde ver que estavam submersos em lágrimas, mas Peter foi forte o suficiente para mantê-las lá. De alguma forma ela sentiu uma estranha sensação de conforto, e embora Riley não demonstrasse, ela estava feliz.
–Precisamos conversar.-Disse Riley, mantendo uma expressõa séria.
–Certo. Eu mereço uma pausa mesmo – brincou o rapaz – Vamos sentar ali.
Riley foi até uma mesa para duas pessoas em um canto da cafeteria. Alguns segundos depois Peter lhe trouxe um chá gelado de limão. O seu favorito.
–Ok... Hum... Riley eu te liguei e tentei falar com você por três semanas, mas acabei desistindo. Onde você esteve?
–Bom, se você quer mesmo saber, eu acabei de sair da prisão. –Riley bebeu um gole do seu chá.
–Riley eu achei que você tivesse parado com esse estilo de vida. Você me prometeu que não voltaria pra lá.
–Bem, eu acho que não. Nem todos cumprem as promessas. E sou eu a culpada aqui? Você me prometeu que não ficaria com mais ninguém.
–Riley eu pensei que esse assunto estivesse encerrado.- O silêncio que parecia uma eternidade se instalou entre eles. Riley agora estava com raiva.
–Então... O que você fez desta vez? –Perguntou Peter.
–Isso não importa. O que importa agora é que... Hum... Eu não sei por quanto tempo mais eu quero isso.
–O que isso quer dizer?
–Isso. Nós. Hum... Você e eu.
–E...?
–E... é isso. Terminou. Terminamos.-Bradou Riley. Peter estava... Estranho. Ele não demonstrava nenhuma emoção. Foi a primeira vez em que Riley viu o seu olhar vazio. –Eu nem sei se posso confiar mais em você, Peter. Eu realmente não preciso de um cara que do nada me troque por garotas do ensino médio.
–Riley isso só aconteceu uma vez! Em uma festa! Eu estava bêbado! Eu não sabia o que estava acontecendo! Riley isso já é passado. Achei que nós já tinhamos falado sobre isso.
–Essa é uma das vezes falamos “não é você, sou eu”, mas foi mal, eu realmente acho que é você. –Disse Riley sarcasticamente.
–Quer saber? Na verdade eu agradeço. Porque eu não preciso disso na minha vida.-Bradou Peter ao levantar afastando-se da mesa.
Peter foi embora e voltou ao trabalho. Riley o observou durante alguns segundos e depois soltou um suspiro. Queria desesperadamente gritar e esmurrar alguma coisa. Tentou relaxar e terminoiu de beber o chá. Poucos segundos se passaram.
–Olá.-Disse uma jovem de cabelos tingidos de azul que aparentava ter idade próxima a de Riley. A jovem estava acompanhada de uma outra garota mais baixa, mas que parecia ter a mesma idade também.
–Oi –Disse Riley –Humn... Posso ajudar?
–O lugar está ocupado? –Perguntou a jovem de cabelo azul apontando para a cadeira onde Peter estava minutos atrás.
–Não mais. – Respondeu Riley.
–Ótimo. –Disse a garota sentando-se.
–E a sua amiga? – Perguntou Riley, percebendo que a garota à sua frente tinha um piercing brilhante bem pequeno no nariz.
–Ah não tem problema, eu estou bem. –Disse a garota mais baixa. Sua voz era doce, calma, mas ao mesmo tempo alegre.
–Bem... Eu sou a Riley. E vocês são...?
–Eu sou a Alex e essa é a minha namorada Amanda. –Respondeu a garota sentada em sua frente.
–É um prazer conhece-las Alex e Amanda.
–Prazer te conhecer também Riley. –Disse Amanda.
–Bem você tem cara de quem sabe festejar. Alguns amigos nossos vão dar uma festa hoje. Você quer ir com a gente? –Perguntou Alex.
–Acho que pode ser. Eu não tenho nada melhor pra fazer mesmo.
–Ótimo. Nós deveriamos ir logo.
–Ok. Vamos indo.
*
–Esse é o lugar – Disse a jovem de cabelos azuis.
–Ele... hum... Parece bem pequeno, você não acha? – Perguntou Riley.
–Você vai se surpreender com o número de pessoas que cabem aqui –Falou Amanda.
Era possível ouvir uma música abafada do lado de fora do lugar. As três garotas entraram na construção.
O lugar era claro, reluzente, apesar das luzes coloridas que cruzavam o enorme salão lotado e gente. Aquilo parecia ser uma casa, uma casa aparentemente pequena para esse tipo de festa, mas grande para uma sala.
–Eu amo essa música! Amanda vem dançar! Você também, Riley! – Disse Alex, quase gritando para poder ser ouvida em meio à música.
–Hahah! Pode ser mas vamos achar o Travis e o resto do pessoal primeiro –Falou Amanda.
–Certo. Vamos, eles estão lá atrás nos fundos. Venham -Disse Alex, rindo desapontadamente.
Riley e Amanda seguiram Alex até uma sala de estar aparentemente, onde a música já não estava tão alta. Riley viu dois garotos conversando. Um deles era mais alto que o outro. Tinha cabelos castanhos meio alaranjados. O mais baixo era loiro. Todos aparentavam ter idades semelhantes. Também havia uma garota ruiva com um suposto namorado, ele estava bem próximo a ela e era ruivo também, mas um tom mais escuro de vermelho.
–Oi garotas. Gostando da festa? –Disse o garoto mais alto dos que conversavam. Ele tinha olhos azuis lindos. –Quem é a sua amiga?
–A sua festa está muito legal Trevis. Essa á a Riley. A gente conheceu ela em uma cafeteria. -Respondeu Amanda.
–Bom, Riley, é um prazer te conhecer.- Disse o rapaz. Riley deixou escapar um risinho. –Eu deveria te apresentar aos meus amigos. Bom, esse é o meu parceiro o Louiz.-Falou o garoto.
–Prazer conhecer você, Riley –Cumprimentou Louiz.
–E aqui, nós temos os dois pombinhos, Marcus e Ritta. –Apresentou Trevis. O casal riu. –Oi Riley –Falou Ritta.
–Olá –Disse Marcus.
–É um prazer conhecer todos vocês, pessoal. –Disse Riley.
Uma outra garota chegou. Riley achou que ela era alta, mas percebeu que a garota usava sapatos com saltos enormes quando foi empurrada e caiu no chão.
–Cadê o meu ursinho de pelúcia? –Falou a garota com um tom de criancinha ao empurrar Riley. A garota falava com Trevis. –Owwn! Sentiu minha falta? Meu ursinho fofão! –Disse a jovem como se falasse com um bebê.
–Com licença. Vou ver isso lá fora. –Disse Trevis. Ele parecia irritado – Venha Teresa. –Disse o garoto afastando-se e indo para fora da casa.
–Own, Rawrr! Tigrão! – Disse a menina, seguindo-o.
Alguns segundos se passaram em silêncio a não ser pela música baixa.
–Hum... O que foi tudo isso?- Perguntou Riley.
–Digamos que essa foi a Teresa. – Respondeu Marcus.
–Eles tentaram namorar no ensino médio, só que não deu muito certo... Por razões óbvias, mas... A Teresa apenas não consegue deixá-lo. –Explicou Alex.
–Oh... eu... percebi. –Disse Riley.
–Vamos ver sobre o que eles estão falando. Nós podemos olhar pela janela –Falou Louiz.
–Eu... hum... Não acho que é uma boa idéia Louiz. –Falou Ritta.
–Gente, a Teresa é maluca! Ela é capaz de qualquer coisa. Eu não vou deixar o meu melhor amigo sozinho com ela nessa festa. De noite. Não dessa vez. Quem vem comigo? –Argumentou Louiz.
A sala caiu em um silêncio um tanto quanto irritante.
–Eu vou. –Falou Alex.
–Eu também quero ir.-Disse Riley.
–Certo. Os outros podem ficar aí se quiserem. Pra não parecer suspeito. Vamos.
Os jovens andaram passando por um monte de pessoas e seguiram por um corredor até se depararem com uma enorme janela. Enorme mesmo.
Louiz abriu a janela e as jovens puderam sentir uma brisa quente de primavera. Colocaram a cabeça para fora. Não era possível ver Teresa e Trevis, mas era possível escutá-los.
*
–Sobre o que você quer falar, ursinho?
–Você está flertrando comigo. E eu não estou flertrando de volta. Eu acho que já deu.
–O Que você está dizendo Trev? Você não acha que eu sou bonita o suficiente pra você?
–O seu exterior pode ser bonito, mas... Você não é a pessoa certa pra mim. Ok?
–Então você acha que eu sou bonita?
–Por acaso você ouviu alguma palavra do que eu acabei de falar?
–Ora, vamos Trev... –Insistiu Teresa aproximando-se do rapaz-Você sabe que me quer...
–Não, eu não quero. –Bradou Trevis afastando Teresa de si.
–Hum. Então você quer se fazer de difícil? Eu também posso jogar esse jogo. –Diz Teresa sacando uma pistola e apontando para Trevis.
–Teresa! Onde você conseguiu essa arma?!
–No seu guarda-roupas, bobinho! Então? Vai querer jogar ou não?
–Teresa, essa arma não é um brinquedo!
–Você quem diz –Falou Teresa segurando a pistola inda mais firme.
–Teresa, abaixe essa arma!
–Ok, Eu vou primeiro então. –Teresa apontou a arma para si.
–Teresa, por favor! Abaixe essa arma e nós podemos edixar tudo isso para trás.
–Blá, blá, blá, tanto faz. 1...
–Não Teresa!
–2... 3...!
–Não!
Um estronto foi ouvido após o som um tiro sendo disparado. Houve um longo silêncio.
Teresa estava morta
*
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