– Eve! Que susto você me deu! Achei que fosse alguma coisa séria! – Lucas deixou a porta aberta dando espaço para a mulher entrar.
– Parece que eu cheguei numa boa hora... – a mulher comentou com um sorriso malicioso nos lábios, olhando Lucas de cima a baixo. Lucas ignorou.
– Ninguém avisou que você estava subindo.
– Convenhamos, Lucas, não é a primeira vez que eu apareço por aqui a essa hora da noite. – a mulher se jogou no sofá, sorrindo – O porteiro já me conhece.
Nisso que dá ficar trazendo ela pro teu apartamento, parabéns Lucas.
– Bom, fica a vontade, vou terminar meu banho e já volto. – Lucas disse se retirando.
– Não posso ir com você? – a mulher tinha uma expressão pidonha.
– Eu já volto, Eve.
Eve Jackman observava o apartamento pequeno, mas bem equipado, de Lucas. Os negócios dos Spielberg devem estar dando dinheiro, pensou ela.
Já fazia alguns anos que Eve tinha se envolvido com a gangue. Seus pais sempre foram amigos dos Spielberg, e depois que eles morreram em um tiroteio, Van a acolheu. Ela sabe que deve muita coisa a ele, por isso não liga de se envolver com coisa ilícitas por ele. Van muitas vezes já a mandou conquistar homens que podiam ser vantajosos para os negócios, e Eve sempre se entregou sem pensar duas vezes. Ela não ligava de ser vista como uma qualquer, ela sabia que estava fazendo aquilo por Van, e sabia que seria recompensada.

(Eve Jackman)

– Pronto. – Lucas a tirou se seus devaneios. Ela o observou se aproximar, sem camisa e com uma calça de moletom escura, com os cabelos molhados e bagunçados. Esse homem é um deus grego.
– Parece que já demos o primeiro passo. – ela comentou enquanto ele sentava ao seu lado.
– Sim, Van voltou hoje de Washington, acabei de chegar da casa dele. – Lucas disse.
– Daria tudo para ver a cara dela! – Eve gargalhou – Ótima ideia, aliás, Lucas. Deu pra ver que você realmente mudou. – a mulher se aproximou, acariciando o rosto de Lucas.
– Você não veio aqui pra falar das minhas ideias brilhantes, Eve. – Lucas a encarou.
– Ainda bem que você me conhece. – ela sussurrou no ouvido dele, logo depois, voando em seus lábios.

Washington D.C – 8:00 p.m
Lauren chegou em casa depois de mais um dia de trabalho, e desde o momento que recebeu a flor, não parava de pensar no que podia estar acontecendo.
Várias coisas passavam pela sua cabeça, mas havia uma possibilidade que, infelizmente, já tinha ocupado todos seus pensamentos.
Será que ele está de volta?
Não, não podia ser. Ele tinha a abandonado há dez anos, ela não sabia nem se ele estava vivo.
Levou um susto quando se deparou com Stephen sentado no sofá da sala, encarando-a.
– Stephen! – ela arquejou – O que aconteceu? – ela tentou decifrar a expressão do menino, mas não obteve resultado.
– Chegou, Lori. – ele abriu um sorriso. – Tá aqui, na minha mão. – ele levantou o papel dobrado ao meio que estava em suas mãos.
– O que é isso? – Lauren se aproximou, pegando o papel e o abrindo. Seu rosto se iluminou imediatamente. – Steph! Você conseguiu! Parabéns! – ela exclamou. O menino se levantou para que pudesse ser abraçado pela irmã. – Isso chegou hoje? – Lauren perguntou
– Sim, logo depois do meio dia. – o menino respondeu, ainda com os olhos brilhando.
– E quando você viaja? – a mulher perguntou, puxando o irmão para outro abraço.
– Daqui duas semanas. Calma, Lori, eu não vou sumir. – ele riu e observou a irmã, que estava com lágrimas nos olhos. – Não começa, Lauren.
– Não dá! Eu estou tão feliz por você, Steph! Você tem noção? Você está segurando uma carta de Yale! Sempre foi seu sonho, agora... – a mulher se interrompeu para poder observar o irmão mais novo. – Ah, Steph! – ela limpou a lágrima que escapava.
– Não começa, por favor! – o menino exclamou, segurando o rosto de Lauren com as mãos – Eu também estou muito feliz, é tudo o que eu sempre quis. Mas sem chorar, entendido? – a mulher assentiu, rindo.
– Nossos pais devem estar muito orgulhosos de você, Stephen. Você é brilhante! – ela acariciou o rosto do irmão.
– Eles devem estar orgulhosos de nós dois, Lauren. Nós somos brilhantes.

Duas semanas depois, numa sexta-feira, Lauren saía do escritório do FBI acompanhada de Audrey.
– Estou precisando de distração, Lauren! – Audrey disse a Lauren enquanto andavam até o estacionamento. – Porque não vai comigo tomar alguma coisa?
– Ah, Audrey, mil desculpas, mas hoje não vai dar.
– Me trocando por Bram mais uma vez... – o mais velho fez cara de decepção.
– Não é isso! – Lauren riu – Dessa vez é o Steph.
– Stephen? Está tudo bem com ele? – Audrey perguntou, preocupado.
– Está tudo bem, sim. Mas é hoje que eu preciso levá-lo ao aeroporta, lembra? Yale e etc...
– Ah, é verdade! Yale! – ele exclamou. – Precisa de companhia?
– Se você não se importar...
– Mas é claro que não. – Audrey sorriu.

Enquanto isso, do outro lado da rua, o homem totalmente vestido de preto observava a mulher e o amigo entrarem em seus respectivos carros. Seu chefe precisava saber disso.

Trenton, New Jersey – 6 p.m
Joseph Spielberg observava a reunião sentado ao lado de seu pai. Ele ouvia o mais velho contar aos outros o segundo passo do plano.
– As coisas começarão a ficar sérias daqui pra frente, acabou a brincadeira. É hora de agir. Mas teremos que ter muito cuidado, ela não pode desconfiar de nada, até que mandemos o recado. Eu confio na competência de vocês. – Joseph olhava cada rosto presente ali. Lucas, Eve, e os três homens fariam o segundo passo acontecer. – Vocês, — Van olhou para os homens – serão fundamentais nessa jogada. Espero que a confiança que eu deposito em vocês seja bem recompensada. Vocês tem uma chance. Não a desperdicem.
Joseph sentiu seu celular vibrar e se virou para seu pai:
– É ele. – o velho afirmou com a cabeça, e Joseph atendeu. – Sim?...E o que você conseguiu?... – um sorriso se formou nos lábios de Joseph. – Quando?...Maravilhoso, qualquer outra informação me ligue novamente. – e desligou.
– E então? – Van perguntou.
– O menino está a caminho do aeroporto. Ele vai pra Connecticut.
Connecticut? Lucas se sobressaltou. Mas já? Ele não esperava que as coisas fossem tão rápidas assim.
– O que vocês pretendem com o menino? – Lucas perguntou.
– Por enquanto, nada. – Van respondeu. – Mas não se preocupe, não iremos machucá-lo. Não por agora.
– Eu não estou preocupado, Van. Quando é que vocês vão entender que eu não me importo? – Lucas perguntou, começando a ficar nervoso. – Eu só quero saber o que vocês pretendem com o menino.
– Acalme-se, Lucas. – Van disse, sério. – Nós sabemos que você não se importa. Você já nos provou isso milhões de vezes. Eu só estava brincando. Você precisa relaxar, menino. Vejo que apenas a Eve já não é o suficiente. – Van sorriu, malicioso.
– Ah, por favor Van! – Lucas exclamou. Todos ali riram, exceto Eve.
– Tudo bem, tudo bem. Me desculpe. – Van ainda ria.- Eu entendo seu nervosismo, Lucas. Mas vai dar tudo certo.
– E quanto ao menino? – Joseph perguntou. – O que faremos com a informação?
– Bom, acho que alguém aqui presente terá que arrumar a malas. Amanhã de manhã estará voando para Connecticut. – todos, em conjunto, viraram o olhar para Eve que encarava Van, atônita.