– Bom dia, Betty! – Lauren chegou e sorriu para secretária.
– Bom dia, Lauren! – Betty devolveu o sorriso. Lauren parou ao lado da secretária.
– Betty, a que horas está marcado para Alexander Halletrinck chegar?
Betty olhou o computador.
– Às 8h30.
– Ótimo. Quando ele chegar, por favor, o leve diretamente para a sala de interrogatórios. E diga para Audrey que eu quero que ele me acompanhe. Tudo bem?
– Tudo bem. Quando ele estiver na sala eu venho te avisar. – Betty disse.
– Alguma pasta, papelada, ou qualquer coisa para resolver? – Lauren perguntou.
– Na verdade, sim. Mas como você...bom, com tudo que está acontecendo, eu passei para Kate. Agi mal? – Betty olhou para ela.
– Na verdade, não. – Lauren sorriu – Agora terei ajuda para resolver tudo. Se precisarem de mim, diga que eu estou na sala da Kate.
Lauren foi até a sala de Kate e bateu na porta. Ela ouviu a amiga dizendo para entrar.
– Soube que alguém está cheia de coisas para resolver. – Lauren sorriu.
– Imagina. – Kate riu.
– Vim aqui dar uma ajuda, Betty disse que trouxe todas as papeladas para você. Não foram ordens minhas, para deixar bem claro! – Lauren riu.
– Está tudo bem, Lauren. Você está com cabeça cheia, não custa nada. É claro que algumas coisas aqui só você pode resolver, mas o que eu puder adiantar...não há problema nenhum.
– Mas isso não quer dizer que eu não possa desempenhar meu trabalho. Vamos, me deixe ajudar. – Lauren se sentou a mesa de frente para Kate. Pegou algumas pastas que ela tinha separado e elas então começaram a trabalhar.
Uma hora depois, as duas ouviram batidas na porta.
– Lauren, Sr. Hallentrick está aqui. Ele e Audrey estão te esperando na sala de interrogatórios. – Betty apareceu.
– Ótimo. Obrigada Betty, já estou indo. – Lauren sorriu e Betty se retirou.
– Será que Alexander Halletrinck será a solução de todos nossos problemas? – Kate perguntou.
– Não posso dizer de todos, mas de uma grande maioria. – Lauren respondeu, já se levantando. – Depois de pegar o depoimento dele eu reunirei todos vocês. – Kate assentiu e Lauren se dirigiu para onde estava Alexander Halletrinck.

– Bom dia, Sr. Halletrinck. Meu nome é Lauren Backinsale, e gostaria de fazer algumas perguntas para o senhor. – Lauren se apresentou, já se sentando de frente para o mais velho.
– Bom dia, senhorita Backinsale, fique à vontade. E por favor, me chame de Alexander.
– Tudo bem. – Lauren sorriu. – Alexander, o senhor poderia nos dizer como se tornou advogado de Van Spielberg?
– Por meio de indicações. Um ex-cliente meu, me indicou para ele, logo quando todo o caso estourou.
– Sim. E pode me dizer por que largou o caso no momento em que Van mais precisava?
– Porque eu descobri que o caso de Van não tinha salvação. Van Spielberg é um criminoso de primeira.
Lauren assentiu.
– Alexander, o senhor tem algum conhecimento sobre a morte de George e Cora Backinsale, e Kevin Helsing? – Lauren perguntou. Alexander arregalou os olhos, ligando os sobrenomes.
– Tenho. – Alexander assentiu. O coração de Lauren deu um salto.
– Por favor, continue.
– Como vocês já devem saber, Van estava envolvido em uma rede de tráfico de drogas. Kevin Helsing era um usuário, e estava afogado em dívidas, justo com a turma de Van. Van estava com planos muito maiores em mente, e para isso, ele precisava de ajuda, precisava de pessoas com energia e que não tivessem nada a perder. Jovens. – Alexander respirou fundo – Isso vai soar um pouco sádico, mas, é exatamente isso que Spielberg é. Ele foi até a casa de Kevin Helsing, e disse a ele que perdoaria a dívida, se ele entregasse seu filho à gangue.
Lauren cerrou os olhos, desacreditando no que estava ouvindo.
– Eu sei, soa como ficção, mas não é. Kevin Helsing, usando da pouca decência que ainda tinha com ele, recusou. Van sabia que estava prestes a ser descoberto, e estava começando a ficar desesperado. Então, descobriu que o filho, Lucas Helsing, estava namorando uma garota. Ele chegou para o próprio Lucas, na época prestes a completar 18 anos, e disse que se ele não fosse com ele, Van mataria a garota. O menino aceitou na hora.
Lauren engoliu em seco. Sua cabeça começava a girar lentamente. Lucas se sacrificou por ela.
– Ele pediu apenas um dia para poder se despedir dela, e Van deu isso a ele. Mas logo percebeu que foi um erro, pois Lucas poderia ter contado alguma coisa à garota. Então, pegou Lucas, e para dar à garota uma “preocupação”, para que esquecesse Lucas, assassinou os pais dela.
Lauren puxou o ar, mas ele não veio.
– Van Spielberg assassinou os pais da garota apenas para que ela esquecesse Lucas? – sua voz saiu falha, espelhando o espanto que a dominava.
– Um psicopata, eu sei. – Alexander analisou a moça – Você é a garota, não é?
Lauren assentiu apenas uma vez. O ar faltava de seu peito, um nó se formava em sua garganta, sua cabeça estava prestes a explodir.
– Por favor, alguém me ajude aqui! – Alexander gritou para a porta, pois viu que Lauren estava prestes a desmoronar. Antes que ele pudesse terminar a frase, Audrey adentrou a sala e segurou o braço de Lauren.
– Vamos, Lauren. Eu posso terminar isso depois. – ele disse à mulher. Lauren se virou para encarar Audrey. Sua expressão era de choque, seu rosto estava pálido. – Vamos, Lauren. – Audrey tentou levantá-la, mas ela se recusou.
– Eu preciso terminar isso. – ela sussurrou – eu consigo. – ela se desvencilhou do braço do amigo e voltou a encarar Alexander.
– E quanto a Kevin Helsing? – ela perguntou.
– Van não poderia deixar nenhum motivo para Lucas voltar. Sabia que a menina seria criada por uma tia, eu não lembro muito bem, de New Jersey. Então não se preocupou com ela. Mas Kevin não teve a mesma sorte.
– Por que nunca entregou Van Spielberg, Alexander? – Audrey perguntou.
– Eu sabia do que Van era capaz. Se essa história vazasse, ele saberia que fui eu. E viria atrás de mim. Mas quando meu filho me procurou, e me explicou a situação, eu resolvi ajudar.

Lauren estava sentada na cadeira de sua sala, segurando um copo d’água. Bram estava ajoelhado em sua frente, segurando sua mão. Audrey e Kate estavam próximos a porta, encarando o nada.
– Esse cara é um psicopata. – Kate disse.
– E nós vamos pegá-lo. – Audrey ressaltou.
– Eu sempre achei que meus pais tivessem sido mortos por um motivo. – Lauren começou – E nunca quis ir procurar saber o porquê, nunca quis levar isso a fundo, não queria desencadear mais decepções. Mas agora, a decepção maior foi saber que não houve motivo, eles nunca fizeram nada a ninguém. Eles foram mortos por causa de outra pessoa. Eu perdi meus pais por nada.
– Lauren, — Bram olhou para ela – você conseguiu passar por tudo isso. Você superou a morte deles, você conseguiu fazer de Stephen um garoto extraordinário, você alcançou seus objetivos. Olhe para você. Olhe aonde você chegou! Não deixe que essa decepção te desestimule. Faça isso por eles, faça isso por seus pais.
Lauren olhou para ele. Kate se aproximou da amiga.
– E você sabe que você tem a nós para qualquer coisa. Nós estamos aqui por você, Lauren, por você. – Kate disse, encarando Lauren no fundo dos olhos.
– E nós não deixaremos ninguém mais te machucar. Agora é questão de honra. – Audrey falou, parando ao lado de Kate.
Lauren observou cada rosto ali presente.
– Chamem Pevensie. Eu quero um mandato em minhas mãos no máximo até amanhã. – ela decretou.