Criminal Love
2 The Flower
Notas iniciais
Washington DC – 08:45 a.m.
Lauren Backinsale acordou com o toque estridente de seu despertador anunciando mais um dia de trabalho, o desligou e olhou a procura de Bram, mas o lugar ao seu lado estava vazio. Ele tinha passado a noite em sua casa, depois de uma comemoração particular de seus seis meses juntos. Lauren desceu as escadas de sua casa à procura dele, chamou seu nome algumas vezes e não obteve nenhuma resposta. Só foi entender o que estava acontecendo quando viu o bilhete em cima da mesa do café da manhã:
“Desculpa sair desse jeito, tive uma chamada de emergência. Deixei seu café da manhã pronto. A gente se vê no escritório.”

(Lauren Backinsale)
Lauren tomou seu café sozinha, como já era de costume. Era raro Bram passar mais que a noite em sua casa, e Stephen odiava perder seu sono matinal.
Stephen era seu irmão mais novo, sua única família. Prezava a segurança dele mais do que a de qualquer outra pessoa no mundo. Ela via que ele a tinha como um exemplo, um orgulho.
Stephen tinha 18 anos, oito anos mais novo de Lauren. Apesar de dezoito anos ser a idade da “liberdade”, ele era um jovem muito calmo, que estava focado nos estudos para o ingresso na faculdade de Biologia na Yale University, em Connecticut. Lauren não suportava a ideia de que dali a algum tempo teria que colocar seu irmãozinho num avião direto para faculdade.
Saiu de casa adiantada e chegou no escritório mais cedo. Aquele dia estava com cara de um dia tranquilo. Dentro do elevador para o terceiro andar, onde se localizava sua sala, Lauren ia pensando se Audrey ou Kate já teriam chegado.
– Bom dia Betty. – ela acenou para a secretária que prontamente se levantou recolhendo várias pastas e caminhando atrás dela em direção a sua sala.
– Bom dia Lauren, como foi o final de semana? – Betty segurava as pastas junto ao peito enquanto analisava a expressão de Lauren.
– Foi bom, obrigada. Algum problema? – Lauren apontou para as pastas.
– Nada além do normal. Só que hoje as coisas estão um pouco corridas, são muitos processos, problemas internos que só você pode resolver. – ela esticou as pastas para Lauren que as recolheu e deu uma olhada rapidamente.
– Nada que eu não possa resolver. Audrey ou Kate já chegaram? — ela perguntou enquanto abria os processos em ordem pela mesa.
– Os dois. Audrey no laboratório e Kate em sua sala. – a secretária respondeu. – Quer que eu chame algum deles?
– Não, tudo bem. Só queria saber se eles estavam por aqui, obrigada Betty.
– Disponha. – enquanto a secretária ia em direção à porta, Lauren se lembrou.
– Ah, Betty! – ela se virou – Você viu Bram por aqui hoje?
– Não, não vi. Na verdade não tive tempo de descer para o primeiro andar hoje ainda. Quer que eu vá procurá-lo?
– Não precisa, obrigada Betty, pode ir. – enquanto a secretária se retirava, Lauren voltava sua atenção para a pilha de papéis disposta em sua mesa.
Treton, New Jersey – 11 a.m
Lucas Helsing estava sentado encarando Joseph Spielberg andar de um lado para o outro na sala de sua casa.
– Se você não se acalmar a gente nunca vai chegar a lugar nenhum. – Lucas disse revirando os olhos para o amigo.
– Cala a boca, Lucas. Eu preciso pensar. – Spielberg sentia que tinha que apresentar um plano aceitável para seu pai antes que ele chegasse de viagem.
– Pensar em quê, Joseph? Está tudo certo! Seu pai volta hoje de Washington D.C pra que a gente possa começar a agir.
– Eu tenho medo de que ela nos atrapalhe, Lucas. Nosso plano está perfeito, nada pode sair errado, entendeu? – Joseph lançou um olhar sugestivo para o amigo. Lucas se levantou, ficando cara a cara com ele.
– Você está querendo dizer que eu vou dar pra trás? – ele encarava Joseph demonstrando raiva.
– Não estou querendo dizer nada, Lucas. – Joseph o empurrou – Mas todos nós sabemos do seu passado. Do seu envolvimento com ela. Você não pode deixa isso voltar.
– Isso foi há muito tempo, você sabe! Todo mundo sabe! Pra mim, ela morreu. – Lucas já explicara isso milhões de vezes para o amigo, mas ele insistia em insinuar que seu passado seria um obstáculo.
– Tomara que você se lembre disso quando tiver que vê-la morta de verdade. – Joseph se retirou da sala com o celular que vibrava em mãos, deixando Lucas encarando o pequeno vaso de rosas brancas posto em cima da mesa de centro da sala.
Washington DC – 1:00 p.m
Lauren voltava para a agência acompanhada de Audrey e Kate. Tinham andado até o pequeno restaurante situado do outro lado da rua para o horário de almoço, agora cada um voltava para seus respectivos problemas.
Audrey era seu melhor amigo desde que ela tinha entrado para o escritório do FBI, há 4 anos. A amizade se intensificou desde que ela assumira o cargo de investigadora chefe, pois eles finalmente poderiam trabalhar diretamente um com outro. Ele era 5 anos mais velho que Lauren e tomava conta dela com todo cuidado do mundo. Ele era analista e sua paixão era seu laboratório.
Já com Kate a história foi diferente. Lauren sempre se destacou em sua profissão, e nunca precisou de muitas pessoas para ajudá-la. Apenas um ano depois de Lauren ter ingressado na agência, Kate apareceu, roubando a atenção de todos. Ela foi contratada para a parte tecnológica das investigações, para entrar em computadores ou decifrar quaisquer tipos de códigos que impedissem a investigação de continuar. No começo a relação das duas foi extremamente profissional, e todos viam que nenhuma delas ficava confortável com a presença da outra. As coisas mudaram quando Lauren ficou presa durante 3 horas no elevador da agência com Kate, e as duas perceberam que tinham mais coisas em comum do que imaginavam.
Enquanto pegavam o elevador para o terceiro andar do escritório, iam conversando sobre a tranquilidade do dia, e mais um vez, Lauren perguntou por Bram. Ninguém o tinha visto o dia inteiro.
Às 17 horas, quando Lauren se preparava para ir embora, recolhendo suas coisas, ouviu duas batidas na porta.
– Entra. – ela disse, logo se deparando com a imagem de Bram na porta.
– Ocupada? – ele sorriu pra ela, apenas com a cabeça pra dentro da sala.
– Não, entra. – ela sorriu de volta.
– Tudo bem? – ele perguntou entrando e fechando a porta.
– Tudo. – só procurei por você o dia inteiro – E você?
– Tudo. Só um pouco cansado, fiquei o dia inteiro nas ruas hoje. – ele se inclinou e deixou um beijo nos lábios de Lauren – A Betty me pediu pra te entregar isso. – ele esticou o embrulho que carregava. – Ela disse que o entregador de vocês recebeu na portaria, e é pra você.
Lauren pegou o embrulho e o observou. Sem remetente. Apenas escrito do lugar de onde vinha: New Jersey.
– Não sabia que você tinha conhecidos em New Jersey. – Bram comentou. Lauren levantou os olhos para ele.
– Nem eu. – ela abriu o embrulho e tirou uma caixa de tamanho médio de lá. A embalagem era de um rosa claro, toda trabalhada a mão, com pequenas flores pintadas em diversas cores. Quando retirou a tampa, encarou o que tinha dentro dela. – Foi você, Bram? – ela sorriu com o gesto carinhoso. Mas não viu o mesmo semblante no rosto dele.
– Não Lauren, não fui eu. – Bram continuava sério. O sorriso de Lauren morreu, enquanto ela voltava a encarar a unitária rosa branca dentro da caixa.
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