Criminal Love
34 Last Chance
Lauren chegou no dia seguinte ao trabalho e foi diretamente para sua sala, passando por Betty e dando o seu sagrado “bom dia”. A secretária a seguiu até sua sala e fechou a porta atrás de si, depositando uma pilha de pastas em cima da mesa dela.
Lauren sorriu ao olhar para a pilha.
– Por que você está sorrindo? – Betty perguntou.
– Porque eu senti falta dessas pastas. Problemas normais. – ela olhou para Betty. A secretária sorriu. – Kate e Audrey já chegaram? – ela perguntou.
– Já sim. Quer que eu os chame?
– Por favor. – Lauren disse. – Se eles não tiverem ocupados é claro. Senão, tudo bem.
Betty assentiu e se retirou da sala.
Alguns minutos depois, Kate e Audrey estavam adentrando a sala de Lauren.
– Nos chamou? – Kate perguntou.
– Sim. – Lauren respondeu, mostrando as duas cadeiras em frente sua mesa.
– Aconteceu alguma coisa? – Audrey perguntou, se sentando.
– Não. Eu só queria conversar. – Lauren respondeu.
– Você parece bem melhor. – Kate comentou.
– Finalmente eu tive uma boa noite de sono. Sem problemas para resolver. – Lauren sorriu.
– Fico muito feliz, Lauren. É muito bom ver você bem assim. – Audrey disse.
– É mesmo. Mas agora...eu tenho um problema que eu preciso compartilhar. – Kate disse. Os dois olharam para ela com os cenhos franzidos.
– Anteontem, quando eu saí daqui, eu fui procurar Audrey para ver se ele queria tomar alguma coisa, e você já tinha ido embora. – Kate olhou para Lauren – Mas Audrey também já tinha ido, e eu caí na besteira da chamar Marcus.
Lauren e Audrey olharam para ela de olhos arregalados e sorrindo. Kate riu.
– Nós fomos para um barzinho que ele conhecia, e bom...nós temos mais coisas em comum do que eu imaginei. Depois nós fomos para meu apartamento, e aí... – ela levantou o olhar para os amigos. Os dois estavam boquiabertos.
– Você só pode estar brincando comigo! – Lauren exclamou, rindo.
– Marcus Hallet, quem diria! – Audrey comentou, também rindo.
– Ontem nós não tivemos muito tempo para conversar, mas hoje, quando eu cheguei, ele me falou para sairmos novamente, e que eu podia chamar vocês. Por favor, por favor! Vamos! – Kate juntou as duas mãos, implorando.
– Eu não sei...tem Stephen ainda...
– Ah, Lauren! Stephen já é um homem feito! Ele pode passar uma noite sozinho. Vamos, vai!
– É verdade, Lauren. Você precisa espairecer um pouco. – Audrey pegou a mão da amiga por cima da mesa. Ela olhou de Audrey para Kate.
– Tudo bem. Eu vou ligar para ele para avisar.
Lauren, Audrey, Kate e Marcus estavam sentados a uma mesa no canto do restaurante.
– Esse restaurante é maravilhoso, Marcus! – Lauren disse. – Não sei como eu não sabia da existência dele.
– Realmente. Eu venho sempre aqui, não me decepciono nunca. – Marcus comentou.
Depois de algum tempo de conversa, Kate se virou para Lauren.
– Lauren, e Lucas? Depois que ele saiu da headquarter, vocês conversaram novamente?
– Ele apareceu na minha casa. – Lauren disse. Todos ali arregalaram os olhos. – Ele queria se desculpar comigo. Eu não sei explicar direito o que aconteceu. Só sei que eu falei tudo o que estava engasgado. Aparentemente, ele também. – Lauren sorriu fraco.
– Essa história toda é bem pesada. – Marcus disse.
– Muito. – Lauren disse – Não consigo nem acreditar que acabou.
– E nós vencemos. – Audrey levantou uma taça de champagne – Acho que nós merecemos um brinde. – todos acompanharam Audrey e brindaram.
– A nós. – Lauren disse.
– A nós! – todos acompanharam.
Três semanas depois.
Lauren saía do pequeno restaurante que ela, Audrey, Kate e Marcus tinham ido jantar. Eles se despediram, e Lauren foi para seu carro. Estava procurando a chave em sua bolsa quando trombou com alguém.
– Me desculpe, eu... – ela parou e reconheceu a figura em sua frente. – Lucas.
– Lauren. – ele colocou as mãos nos bolsos da calça, dando um passo para trás.
– Você... – ela pigarreou, limpando a garganta – Sumiu. Você está indo embora? Talvez eu possa...te dar uma carona. – ela disse, sorrindo rapidamente de lado.
– Na verdade eu estava indo ao restaurante. – ele apontou para o restaurante que Lauren acabava se sair.
– Ah, tudo bem. Então, nós nos vemos por aí. – ela se virou para entrar no carro, mas Lucas segurou seu braço.
– Lauren...eu vim jantar no restaurante hoje, porque as coisas em meu apartamento estão todas encaixotadas. Eu estou partindo para Boston amanhã.
Lauren arregalou de leve os olhos e abriu a boca para falar...mas as palavras não vieram. Ela colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha.
– Você...está? – ela perguntou, engolindo em seco.
– Eu vou refazer minha vida por lá. Arranjar um emprego...eu não sei quando eu volto...nem se eu volto. – ele respondeu, analisando o rosto da mulher.
– Eu achei que você fosse refazer sua vida por aqui mesmo. – ela disse em um sussurro.
– Eu não sei se eu consigo. – ele desviou o olhar do dela.
– Por que? – ela perguntou em seguida, dando um passo para frente. Ele apenas a analisou. Lauren percebeu seus olhos cansados e vazios, muito diferentes dos olhos que tinham a encarado de perto um dia antes em sua casa. E então ela realizou o quão idiota tinha sido sua pergunta. Era óbvio o porquê.
– Você não quer dar uma volta comigo? – ele perguntou, surpreendendo Lauren.
– Eu... – ela olhou para seu carro, pensando em Stephen. Não havia motivos para dizer não. – Quero, quero sim. – ela assentiu, olhando de volta para Lucas.
A noite era fria, e o vento batia contra o rosto dos dois, enquanto eles caminhavam pelo jardim do National Mall.
– Eu tinha me esquecido como isso era lindo à noite. – Lucas comentou, olhando para o obelisco que ascendia no horizonte.
– Preciso confessar que eu também. – Lauren disse, olhando para o mesmo lugar que Lucas.
Eles ficaram em silêncio por alguns instantes, até que Lauren começou:
– Eu não acho que há necessidade de você ir embora para Boston. – ela soltou a frase, emendando uma palavra na outra, sem espaços. Lucas piscou, sem entender. – Quero dizer...você pode recomeçar por aqui. Eu vou.
– Lauren, você já tinha uma vida aqui. – Lucas sorriu fraco. – Você tem seu irmão, seus amigos, seu trabalho. O que eu tenho? – ele a olhou com expectativa.
– Chances. Escolhas. Você não precisa ir para Boston para ter tudo isso.
Lucas não respondeu. Não sabia o que responder.
Olhando para Lauren daquele jeito o fazia lembrar todas as promessas que foram feitas, e que se perderam no tempo. A verdade era que Lucas não a amava mais. Mas nunca, em todos esses anos, nem por um momento, a ideia de com o seria tê-la feito feliz saiu de sua mente.
Olhando para ela daquele jeito, Lucas descobriu que talvez não fosse apenas o respeito que havia permanecido. Chances. Escolhas. Possibilidades.
Vontade.
O coração de Lauren estava no tamanho de uma bola de gude. Ela passou três semanas com a mente atormentada pela visita de Lucas. Lá nos lugares mais profundos de seu coração, ela estava esperando que ele voltasse. Para explicar a ela o que era aquela confusão que ela estava sentindo. Ela não o amava mais, essa era a verdade. Mas olhando para ele aqui, em um dos lugares mais bonitos de Washington D.C, o lugar onde eles cresceram e se apaixonaram, ela viu uma possibilidade imensurável de felicidade perdida no tempo.
Planos. Promessas. Sonhos.
De repente ela se sentiu culpada. Essa vida não foi escolha dela. E também havia Bram. Ela ainda o amava, e sabia que amaria para sempre. Não que ela não se entregaria a mais ninguém. Ela sabia que quando algo como isso acontecia, o amor era eterno, mas se transformava em outro tipo de amor. Algo que ela não sabia explicar. Que talvez daqui algum tempo ela soubesse, mas ainda era tudo muito...recente. E isso é o que a fazia se sentir culpada.
Olhando para Lucas naquele momento ela percebeu que eles poderiam ter tido tudo.
Mas o destino se encarregou para que eles não tivessem nada.
Ela viu Lucas se aproximar e colocar uma mão em seu rosto, a respiração dele batendo contra seu rosto.
– Me diga. – ele sussurrou.
– O quê? – ela sussurrou de volta, sem tirar os olhos dos dele.
– O que eu tenho aqui, além de chances e escolhas. Me dê um motivo para ficar, Lauren. – ele se aproximou mais, seus narizes se tocando.
Ela colocou sua mão por cima da dela, seu olhar descendo para a boca do rapaz, tão próxima da sua...
– Eu não posso. – ela soltou em meio a uma respiração, fechando os olhos.
– Por que não? – com a outra mão, ele envolveu a cintura da mulher.
Lauren sentiu um desejo incontrolável de beijar Lucas. De se render a ele.
E se sentiu mais culpada ainda.
– Porque se eu te der um motivo para ficar, eu vou me dar um motivo para me culpar. E eu não posso mais viver pensando em como minha vida teria sido se tudo tivesse sido diferente. Eu preciso seguir em frente.
– Lauren, eu sei que eu e você somos uma bagunça, quase um desastre. Mas se você correr agora, você sempre estará correndo.
– Não sou eu quem está correndo, Lucas. – Lauren disse.
Lucas, aos poucos, foi se afastando da mulher.
– Então acho que é aqui que nós nos despedimos. – Lucas disse, com a voz cheia de pesar. – Adeus, Lauren. – e assim, ele a deixou sozinha no caminho para o National Mall.
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