Criminal Love
9 Capítulo 9 (Capítulo "Duplo")
Notas iniciais
Beijos e boa leitura! ~♥
–É... –gaguejei um pouco – Quem está falando? –enfim perguntei.
–Primeiro –ele deu uma pequena pausa — Quem está falando? –a voz rouca insistia. Ainda podia escutar a voz de Lily no fundo. Tenho certeza de que é ela. Enquanto isso, Bob havia parado o que estava fazendo para prestar atenção em mim.
–Aqui é James. –disse sem pensar.
–Hahahaha Ora, Senhor James! Por que não falou logo?! – o homem disse entusiasmado.
–Desculpe, não estou reconhecendo sua voz. Quem é? –perguntei, rindo um pouco para disfarçar.
–Não acredito que você não está reconhecendo minha voz, James... –ele diz e logo se interrompe gritando com alguém — Mande-a calar a boca! –ele faz outra pausa e logo volta — Bom, aqui é o Mike. Big Mike! Lembrou?
–Ah, claro! Big Mike! –fingi, rindo.
–E então, chefe? Como vão as coisas? Conseguiu falar com o pai da menina?
–Ah, claro. Ele está no papo! –fiz um sinal para que Bob gravasse nossa conversa.
–Muito bem. Por quanto tempo temos que ficar com essa garota? Mal vejo a hora de executarmos aquele plano pra ficar com o dinheiro – ele ri. Dou uma risada.
–Espere mais um pouco. Só não façam nada ainda.
–Mas podemos continuar pelo menos com a tortura? Você sabe... Pra fazer ela contar logo.
–Não, esperem. Onde vocês estão?
–Naquele lugar, chefe. Você não lembra? –sua voz cai em tom de desconfiança.
–Ah, sim. Lembro. –Tive que concordar. Para não ficar muito evidente que aquela era uma conversa com um falso James, disse que teria que desligar. Ele entendeu. E antes de desligar, disse que os “outros” estavam esperando o pagamento.
Assim que desliguei o telefone, Melanie e Carlos chegaram à sala. Logo me olharam afim de que eu contasse o que havia acontecido. Contei-lhes toda a história e disse que tinha certeza de que falei com um dos seqüestradores, Big Mike. Só não sabíamos ao certo onde estavam. Carlos disse que eles poderiam rastrear o celular e descobrir o local. Nem havia pensado nisso.
Os deixei na sala, e fui em direção à cafeteria. Melanie me seguiu.
Pedi um café e sentei-me na mesa onde ela já me esperava. Ficamos um bom tempo sem falar nada, ela apenas me olhava e observava minha inquietação. Sua mão repousada em cima da mesa, quase se encostando às minhas. Sentia que ela estava me olhando e queria conversar comigo. Mexia no cabelo, arrumava sua roupa, novamente mexia as mãos. As colocando cada vez mais perto das minhas. Mas nem eu queria falar com ela. Nada pessoal, mas eu não queria falar com ninguém. Eu sentia que tinha arruinado algo. Por exemplo, quando disse que me chamava James. Tive sorte que a carapuça serviu. Pelo menos eu acho que sim. Mas se o cara sentisse desconfiança, não teria dito seu nome. Não é?
Novamente aquele sentimento de agonia e inquietação surgiu. Eu não quero sentir isso. E quando dou por mim, encontro-me com os cotovelos apoiados sob a mesa, e as mãos enterrados no cabelo. Melanie agora me olhava mais. Ela recebeu o café quando a moça chegou, e colocou sua mão direita sob meu ombro dizendo para eu tomar o café. Respirei fundo e enfim olhei para a xícara.
–Dia difícil, não é? –ela finalmente disse algo.
–Sim... –tomei um gole. Ainda sem olhar para ela.
–Você sabe que pode fazer isso. Você consegue. Não desista. –ela disse colocando sua mão em cima da minha e olhando em meus olhos. Fiquei em silêncio. Olhei para sua mão sob a minha e a olhei nos olhos. Ela continuou – Sabe, Adam... Eu tenho que dizer uma coisa. Quando começamos esse caso, achei que eu fosse resolver tudo sozinha. Que não precisaria de você. Mas eu percebi que assim como Bob, você é uma parte importante desse quebra cabeça.
Por que ela estava me dizendo aquilo?
–Você sabe que se precisar, pode contar comigo. Posso não ser um doce de pessoa todas as horas, mas isso se submete ao meu passado. Estou tentando esquecê-lo, mas quando somos magoados, é difícil esquecer facilmente uma dor. Podemos ser julgados como rancorosos, mas não é bem assim – seu olhar não estava mais fixo em mim, e nem sua mão se encontrava na minha. Ela olhava fixo para o “nada”. Senti que ela fosse chorar, mas ela simplesmente se recompôs, e voltou-se para mim novamente – Vamos? Você está se sentindo melhor?
–Estou sim, obrigado pelo apoio. –tomei o último gole da minha xícara de café e sorri. Ela retribuiu. Senti que ela queria me contar o motivo de ser tão diferente, de fumar, de ser tão explosiva... Mas sei que ela sabia que não era um bom momento.
Seguimos caminho. Fomos andando pelo corredor até chegarmos à sala de Carlos novamente, conversamos sobre o caso, e ela me disse que a análise ficava pronta em alguns minutos. Dava para perceber que ela estava animada com sua parte no caso e isso me deixava contente também. Quando chegamos à sala, fomos bombardeados de notícias. Carlos e Charlie se encontravam atrás da tela do computador, cada um ao lado de Bob, sem nem piscar.
–Encontramos Big Mike – Bob disse com um leve sorriso no rosto. Melanie e eu fomos ver o que tinha na tela do computador. De um lado, o endereço da onde foi recebido a ligação, e do outro lado da tela, uma foto de Big Mike. Ele já foi preso por seqüestro e assassinato, estava fichado na polícia, por isso encontramos facilmente a foto do canalha. Na foto, ele tem cabelo ralo da cor preta, olhos pretos e um nariz torto. Um pouco fora de forma, e usava uma corrente de ouro por cima de uma camisa listrada. É baixinho, 1,59 de altura. Fácil de encontrar, se ele não estiver em uma multidão.
Pedi para que Bob procurasse sobre James Hollyser no Google. O cara tem até uma conta na Wikipédia! Empresário, 40 anos, 1,70 de altura e casado uma vez. Sem filhos, ou parentes. Mas nada dizia que ele trabalhava com outras coisas também, como por exemplo, seqüestro de pessoas... Apenas passava uma imagem de homem galante. Com cabelos grisalhos e um sorriso bonito. Certeza que já enganou muita gente.
Ficamos analisando eles e Bob resolveu imprimir as fotos e o endereço. Uma moça negra, de óculos e cabelo preso em rabo de cavalo, adentrou a sala e disse que a análise estava pronta. Logo corremos para o laboratório e constatamos que a fita era de Lily. Mas uma pista confirmada.
Agora faltava decidir se íamos ao local onde eles estavam ou se esperávamos mais um pouco. Já estava ficando escuro lá fora e teríamos que agir com rapidez e com cautela.
Novamente, fui tomar café. Dessa vez com Carlos, Melanie, Bob e Charlie. Sentamos-nos à mesa, e pedi suas opiniões. Todos concordaram que seria interessante se fôssemos agora à noite até o local para evitar suspeitas e investigar de longe. Isso já ajudaria muito.
Enquanto espero o café, os outros continuam conversando. Porém escolho um ponto fixo e fico pensando em como aquela ligação mexeu comigo. O quando eu meio que sofri por causa de Lily. De ouvi-la reclamando de possíveis maus tratos e alguém gritando dizendo para que ela ficasse calada... De saber que estão torturando-a de vários possíveis modos, para fazer com que ela contasse logo. Contar o quê?! E qual era o plano?! Quem é essa cara? Por que está fazendo isso com ela? Espero responder a todas essas perguntas rapidamente. O tempo é curto demais para ficar tomando café e jogando conversa fora. Mas sabe lá quando terei essa oportunidade de novo?
Resolvi me juntar à conversa e só aí percebi que não tenho uma boa refeição há dias. Nem tantos assim, mas meu estômago não reclamou uma só vez, então nem percebi. Acho que ele se contentou apenas com água e café. Mas eu sei que não é só disso que ele precisa. Resolvi pedir uma pizza para comermos ali mesmo, na cafeteria do Posto.
Sei que também pizza não é a melhor opção, mas com o pouco do que ainda temos de dinheiro, foi o que consegui. O dinheiro, aquele que Cliff havia nos dado no início dessa viagem estava se esgotando e logo teríamos que pedir mais. Aí me lembrei que não dou notícias há um bom tempo também. Na verdade, nem lembro quando foi a última vez. É impressão minha ou ando com amnésia?
Depois que peço a pizza, ligo para Cliff e dou as últimas notícias. Na hora, todos ficam em silêncio. Cliff disse que depositaria mais dinheiro em minha conta e nos desejou sorte. Novamente suplicou para que eu levasse sua filha para casa.
Eu até me sinto mal quando a pizza chega. Eu aqui, sentado, comendo pizza enquanto poderia dar uma adiantada no caso. Mas como todos dizem, saco vazio não para em pé.
Ao longo de nosso luxuoso jantar, comemos, rimos e conversamos. Faz realmente bastante tempo desde que não me “divirto” assim. Nem me lembro da última vez em que saí com os poucos amigos que tenho para comer e conversar. Mas agora tenho esses aqui. Melanie, Bob, Carlos e Charlie. Parceiros de trabalho e de vida. Sei que depois desse caso, nossa amizade não acabará assim.
–Ei, Bob! Deixa um pouco pra gente! –Carlos ri e dá um leve tapa na costa de Bob que acabara de enfiar o terceiro pedaço de pizza de calabresa na boca. Ele levanta o olhar para nós com cara de culpado e todos nós caímos na risada.
Pela primeira vez, estou vendo Melanie rir de verdade. Rir com vontade, pra valer. Não posso evitar, mas ela fica mais bonita assim. Ainda estou curioso para saber os motivos que ela tem para ser como é, mas sei que quando for a hora ela me contará. E eu não quero acabar com esse momento.
Bob começa uma conversa pra lá de doida. Ele começa recitando um lindo poema:
–Ah, o amor... Dor insuportável que bate forte no peito. Quase arranca nosso coração. Ah, o amor... Sentimento bonito, sentimento feio. Nem sei bem dizer o que ele é. Só cabe ao coração responder a esta pergunta. Já tive muitos casos, muitos amores, mas nada se compara à você. Ó Rosa querida, deixa eu cheirar você.
Rimos ainda mais. Aplaudimos, só para deixar Bob orgulhoso. Ele entende tão bom nossa pequena brincadeira que se afasta da cadeira, e agradece os elogios. Ele aponta para Carlos, que recita um verso de verdade. De Carlos F. Abreu.
– “A vida tem caminhos estranhos, tortuosos, às vezes difíceis: um simples gesto involuntário pode desencadear todo um processo. Sim, existir é incompreensível e excitante. As vezes que tentei morrer foi por não poder suportar a maravilha de estar vivo e de ter escolhido ser eu mesmo e fazer aquilo que eu gosto — mesmo que muitos não compreendam ou não aceitem."
–Olha, que bonito! –disse aplaudindo.
–Então vai você agora, Adam! –ele apontou o dedo para mim.
–Não me lembro de nenhum agora... Nem sei criar.
–Ah, vamos. Você sabe sim. Faz um esforço – incentivava Charlie.
–Então tá. Aqui vai. –forço minha voz, e lembro-me do primeiro que vem à cabeça – “Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.” Clarice Lispector. –disse e então olhei para Melanie. Fui aplaudido e ganhei um sorriso dela. Estava ficando cada vez mais tarde e resolvemos que iríamos fazer outra reuniãozinha dessas em outra ocasião. Despedimos-nos deles, e então fomos até o carro. Bob puxou o papel com o endereço, e seguimos caminho.
Quando chegamos a rua, bairro sujo e escuro, estacionamos o carro a alguns metros de distância da casa e ficamos esperando algo acontecer. Não podíamos descer, seria perigoso demais. Recebemos a confirmação de que estávamos esperando pela casa certa e pessoa certa, quando vimos um baixinho abrindo a porta do Duplex. Logo depois, ele ficou parado na calçada, ainda perto da porta, como se estivesse checando o local e esperando alguém.
Resolvemos tirar umas fotos com uma máquina descartável e Bob descreveu as vestimentas de Big Mike em um papel. Em questão de três minutos, mais ou menos, um carro estacionou à frente à casa, e então Big Mike se aproximou da janela. Parece que o motorista iria descer do carro. Quando o homem desceu, senti um frio percorrer meu corpo todo.
Era James Hollyser.
Notas finais
♥ Thanks for ready this shit. ♥
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