Criminal Love
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Boa leitura! ~♥
No dia seguinte, amanheci dentro do carro. Não sei nem explicar como. Mas amanheci. Ao meu lado, Bob acordava lentamente. Olhei para o banco de trás e Melanie estava deitada, dormindo. Olhei para o céu, e o sol era de rachar. Deveria ser 10 horas da manhã, mais ou menos. Bati no ombro de Bob e disse pra ele acordar logo.
Ele se espertou e se ajeitou no banco do carona, ao lado do motorista. Ligou a rádio do carro, e resolvemos seguir viagem enquanto Melanie ainda dormia.
O plano era voltar ao Posto, mas acabei mudando de ideia no meio do caminho e fomos até o casarão. Aquele onde encontramos a boneca. Na rádio, tocava Sweet Child O’ Mine e eu me senti um verdadeiro Axl Rose com meus cabelos ao vento. O que me lembra que há um bom tempo eu não uso gel. Ou tomo um demorado banho. Não que eu esteja fedendo, também não é assim. Mas sinto falta de poder chegar em minha casa, brincar com Edgard e ir tomar um delicioso e demorado banho e depois vestir meu pijama e ir dormir. Pois a única certeza que tinha, era que outro dia nasceria e eu ainda trabalharia com o que gosto. Mesmo não tendo casos há um tempo...
O que me lembra também de ter que agradecer a Deus por este. Sinto-me tão realizado no momento. Estamos tão perto de descobrir quem é o responsável por isso, tão perto de resgatar Lily e levá-la pra casa onde receberá todos os cuidados adequados. Ela é uma menina tão boa... Lembro-me quando o Senhor White a levou pela primeira para conhecer o Posto. Ela aparentava ser bem novinha, e usava uma fita vermelha no cabelo, que continha seu nome escrito. Ela ainda a usa, eu acho. Apesar de fazer tempo desde que a vi usando.
Apesar de pouco conhecer a menina, sei que Lily tem um dom incrível. Sei pai vivia se gabando por causa disto. “Tem uma apresentação de Lily para ir, não posso faltar”, “Ela é tão maravilhosa em cima dos palcos”, “Dança como se estivesse voando”, bla bla bla... Então imagino que ela realmente saiba dançar. É uma pena que seu pai não tenha mais uma apresentação da filha para ir. Pelo menos não agora...
E a Senhora White, havia se separado de Cliff quando descobriu a traição do marido. Por isso estranhei quando ela apareceu junto com ele naquele dia, no Posto. E principalmente quando ele a chamou de “esposa”. Mas não tenho nada a ver com isso. Do mesmo jeito, deve ser difícil para uma mãe (e até mesmo um pai) ver sua filha numa situação dessas. E contando com três pessoas para salvar a vida dela.
Quando chegamos à casa, deixei Bob e Melanie no carro, peguei minha arma e um pacote de luvas que sempre deixo no carro e entrei. A vizinhança ainda não havia aparecido na rua porque ainda era muito “cedo”, mas logo, logo a rua estaria cheia e eu não poderia ficar ali por muito tempo. Até por que, desde que a equipe do Posto do Texas veio aqui, interditaram o local como cena de um crime e ninguém estava autorizado a entrar lá.
Peguei minha arma, por via das dúvidas, e a coloquei por debaixo da meia que estava usando por causa de minhas botas. Dessa vez, explorei a casa como não havia feito antes. Comecei pela sala. As paredes tinham um papel colado que era todo florido. E o chão, era de madeira. Os sofás, que ficavam perfeitamente alinhados uns com os outros, eram de uma estampa fina e cara, mas eram bem estofados e confortáveis. Procurei por algum papel, algo diferente que ajudasse a encontrar nova pista. Olhei para a estante alta e larga que ficava de frente para os sofás, e encontrei uma tevê e um telefone. Ao lado, havia pequenos espaços para colocar CDs, livros, e outros. Muito bem organizado, devo dizer. O que me leva a pensar... Quem morou aqui? Porque não é possível alguém ter cometido um crime em sua própria casa. Seria meio idiota.
Como não encontrei nada interessante na sala, passei pelo corredor e me dirigi à cozinha. Pequena, simples, porém desorganizada. Comparada com a sala, parecia que a cozinha havia sido remexida diversas vezes e nunca havia sido reorganizada. Um total caos. Pilhas de pratos em cima da pia, a porta da geladeira já estava caindo, o fogão só tinha três pés, e havia vários papéis em cima da mesa. BAM! Papéis!
Coloquei as luvas, e puxei uma cadeira. Sentei-me e analisei papel por papel. Havia cartas, promoções de revistas, contas a pagar e todas com o endereço da casa e nome do proprietário. James Hollyser. Uma nova pista, talvez. Peguei todos os papéis que estavam sob a mesa e os coloquei no bolso. Corria risco de perder as digitais, mas não tinha aonde guardar a não ser ali.
Olhei para o relógio que tinha na parede e fiquei preocupado. Já era quase meio dia e a rua logo ficaria movimentada. Subi as escadas rapidamente, e fui para o último quarto da casa, onde encontramos a boneca. Ainda me lembro quando o encontramos naquela noite. Observei o sangue seco no chão e as pegadas também. Ao lado, uma fita separando o local em questão para que não tivesse contato com nada e nem ninguém.
Parece que o local havia sido bem revistado pela equipe do Posto. Não havia nada que eu pudesse encontrar ali. Eu acho... Saí do quarto, e me deparei com uma porta. Ela estava trancada e nem com todas minhas habilidades para abrir a fechadura, ela não abriu. O que me fez pensar novamente... Porque não abriram essa porta?! Resolvi arrombá-la. Três empurrões com meu ombro foram suficientes para que a porta se abrisse. Deparei-me com uma espécie de biblioteca. Havia várias prateleiras cheias de livros, e mais papéis em cima da mesa. Dessa vez, não demorei muito. Fui direto para a mesa e bem em cima, havia um número. E embaixo estava o nome “James Hollyser”. Como se fosse uma assinatura. E ele estaria enviando o número para alguém.
Guardei o papel dentro do bolso, e quando saí do quarto, olhei para o chão. Uma coisa me chamou atenção e me surpreendi por não ter visto isso antes. A fita vermelha, escrito “Lily” com uma letra única. Estava presa à porta, quase imperceptível se não se olhasse com atenção.
Com isso, achei que não havia mais nada para descobrir no local. Havia pegado o que precisava, e saí correndo até chegar a meu carro. Melanie já havia acordado e como sempre, estava de mal humor. Perguntou por que não a acordamos e o que estávamos fazendo ali. Não respondi nenhuma pergunta, tirei as luvas de minhas mãos e as joguei pela janela enquanto ligava o carro e corria até o Posto do Texas – 079.
Quando chegamos lá, eu estava nervoso. Fui passando pela porta, por tudo e todos sem falar com ninguém olhando para um ponto fixo no fim do corredor. A sala de Carlos. Melanie e Bob corriam atrás de mim, chamando minha atenção e pedindo desculpas às pessoas que eu ia esbarrando.
Quando cheguei à porta do escritório dele, bati na porta e esperei ele responder. Não queria ser grosso, mas sei que quando estou com raiva saio de mim. Quando ele disse que eu podia entrar, ele subiu o olhar e levantou-se. Olhou para mim, com cara de dúvida e esperou eu acabar de jogar tudo o que tinha no bolso em cima da mesa.
- O que é isso? –ele perguntou assustado. Foi bem no tempo em que Melanie e Bob chegaram à sala, ofegantes.
-Isso foi o que vocês não conseguiram achar – passei a mão no rosto suado, e depois levou minha mão até a cintura. Senti Bob me dar leves tapas no ombro e Melanie me olhava assustada.
-Espera... Você foi até aquela casa, Adam? –Carlos me olhou mais sério ainda.
-Sim. – eu disse o encarando
-Você sabe que aquela é uma área interditada, ninguém podia vê-lo ali, iriam levar suspeit...
-Eu sei! Mas eu preciso resolver isso, Carlos. Eu não posso ficar sentado esperando vocês resolverem tudo por mim. – eu disse um pouco mais calmo.
-Fez bem – ele disse, sentando-se novamente em sua cadeira.
-Fiz? –passei a mão no rosto novamente e sentei-me.
-Você está certo, Adam. –ele disse pegando a fita de cabelo de Lily que estava sob a mesa. –Não poderia ter feito trabalho melhor.
Senti um alívio e ao mesmo tempo uma dúvida. Eu jurava que ele iria brigar comigo, mas ele não havia motivos reais. Eu realmente ajudei mais um pouco. Melanie e Bob observaram tudo enquanto eu explicava como achei as pistas e como encontrei o lugar. Eu nem mencionei que eles não haviam revistado o local direito por que achei que não era o momento e as coisas estão bem melhores agora.
Carlos disse que era melhor eu ligar para o número do papel, enquanto Bob pesquisaria sobre James Hollyser. Melanie e Carlos foram encontrar Charlie para que ela analisasse a fita vermelha.
Bob e eu ficamos na sala de Carlos, e peguei o telefone. Eu não sabia ao certo o que faria quando ele atendesse, se ele atendesse. Disquei o número e esperei os toques do telefone. Nada... Mas na segunda chamada, uma voz rouca atendeu ao telefone.
-Alô? –e logo ao fundo, outra voz perguntando quem era. E em seguida, o que eu temia ouvir. A voz de Lily.
Notas finais
♥ Thanks for ready this shit. ♥
Fale com o autor