Criminal Love
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Não me lembro da primeira coisa que fiz, só sei que nos minutos seguintes, eu não conseguia ouvir meu coração batendo, minha respiração estava acelerada e Bob e Melanie seguiram minha reação. James Hollyser estava vestindo um casaco grande e azul, uma calça marrom e sapatos pretos. Ele carregava uma pulseira grande e dourada no pulso e um sorriso radiante no rosto.
Observávamos tudo até quando o homem de casaco azul tirou o sorriso do rosto. E mais três homens saíram do carro onde ele estava. Todos usando terno e óculos, coisa de segurança mesmo. James olhou para cima, para o céu e logo depois respirou fundo. Seus seguranças se aproximaram cada vez mais e James soltou um tapa no rosto de Big Mike. Começou a gritar com ele, e os seguranças foram para cima do homem, o segurando pela camisa. Logo três homens desceram do Duplex e ficaram ao lado de Big Mike, parece que queriam acalmar as coisas. Bob tirou as fotos enquanto eu narrava o que acontecia para Melanie.
Um dos homens começou a olhar o local e percebeu nossa presença, soltando a camisa de Big Mike e apontando para o nosso carro. Demorei uns três segundos até perceber que ele estava apontando para nós e só me dei conta quando Bob gritou comigo. Liguei o carro e começamos a correr.
–Eles estão vindo atrás de nós! –Melanie gritou.
Acelerei o quanto pude, mas estávamos em um bairro familiar, era muito perigoso ir a 100 por hora numa rua como essa. Enquanto eu corria com o carro, Melanie não parava de gritar dizendo pra eu ir mais rápido e Bob tentava ligar para Charlie ou Carlos. Eu suava enquanto olhava para o retrovisor e via o homem careca quase pulando da janela com uma arma na mão apontando para mim. Bom, pelo menos parecia que era pra mim, pois toda vez que o olhava ele mirava para mim, franzia a testa e cerrava os dentes. O motorista, outro segurança, usava óculos escuros e eu não podia saber para onde ele olhava. Só sei que ele permanecia sério durante toda a “caçada”. Numa dessas olhadas ao retrovisor, nem percebi que havia uma curva logo em seguida. Quase capotei o carro, e vi Bob se contorcendo para voltar ao normal assim que a pista ficou reta novamente.
Eu não sabia para onde estava indo, só sabia que aquilo teria que acabar mais cedo ou mais tarde. Por bem ou por mal. Eu acelerava sempre que podia, mas o carro de trás parecia estar determinado a nos pegar o mais rápido possível. E quando finalmente parássemos? O que eles iriam fazer? Talvez nos matar, nos torturar, nos seqüestrar... Eu não tinha idéia.
A pista parecia não ter fim e logo nos encontramos em outro bairro. Um movimentado. Parecia Las Vegas. Cheia de festas, luzes, cassinos, torres e chafarizes jorrando água com luzes piscando atrás. Por sorte, esse seria um bom lugar para nos escondermos ou para pararmos e enfrentarmos as conseqüências.
Continuamos desviando de pessoas e carros, e tudo o que passava em nossa frente. Bob gritava me dando informações enquanto eu escutava a respiração acelerada de Melanie e um barulho de seu nariz. Ela estava chorando?
Por sorte, encontramos um beco e os despistamos. Por um momento fechei os olhos e respirei fundo. Bob havia acabado de apoiar o cotovelo na janela e descansado sua cabeça em sua mão. Quando olhei para trás, torci para que ela não estivesse chorando. Mas para minha surpresa, ela estava. Suada, assustada, e chorando. Nunca tinha visto Melanie desse jeito. Ela chorava silenciosamente, mas seus olhos estavam vermelhos e seu cabelo cobrindo parte de seu rosto.
Sugeri que saíssemos do carro para tomar um ar e descansar. O beco estava escuro e estávamos bem no meio dele. O chão era de uma pedra verde escura, sendo assim, não podíamos saber se estava suja ou não. O piso estava molhado — disso tenho certeza, porque assim que Bob se sentou, ele reclamou. Melanie ainda parecia bastante afetada com tudo isso e eu não conseguia lembrar ou saber o porquê. As pessoas passavam pela boca do beco e olhavam para o carro. Estávamos bem escondidos atrás dele. Preocupado, mandei Bob vigiar Melanie enquanto eu ia até a boca do beco para ver se os homens ainda estavam por perto.
Pude ouvir meus próprios passos, o choro baixo de Melanie e os conselhos de Bob para acalmá-la. Ele com certeza é um grande amigo. O que seria de mim sem meu gordinho?
Quando cheguei à boca do beco, as pessoas que estavam por perto, saindo de boates e cassinos me olhavam de um jeito desprezível. Eu não sabia como estava minha aparência porque fazia bastante tempo que eu não me olhava no espelho. Mas você acha mesmo que eu estava me importando com isso?
Cuidadosamente saí do beco deixando nosso carro e atrás dele Bob e Melanie. Caminhando pela calçada, percebi que eu estava no bairro mais rico do Texas. Aqui era quase uma Las Vegas, como mencionei anteriormente. As pessoas entravam e saíam de seus carros com bolsas de diamante, vestidos caros, smokings de primeira linha, e sapatos brilhando. Dentes de ouro, cabelos impecáveis, e o cheiro, melhor ainda. Deve ser por isso que estavam me olhando tanto. Eu não parecia com nenhum deles. Pelo menos não no momento. As mulheres saíam de suas limusines ou das portas de boates e cassinos e colocavam a mão na boca assim que eu passava por ali. Eu realmente não estava me importando agora.
Até que uma delas chamou o segurança da porta e apontou para mim. Sério mesmo que ela pensou que eu fosse um assaltante ou um mendigo? Só sei que nos minutos seguintes me encontrei correndo em direção ao beco novamente. Por sorte, como havia chovido por ali (porque aquilo só poderia ser água da chuva) mais cedo, ele escorregou e eu continuei minha corrida. Escondi-me atrás do carro novamente e fiz gestos com as mãos para que Bob e Melanie não dissessem nada. Com o tempo, tudo ficou mais calmo e o segurança passou direto pelo beco.
Bob perguntou o que havia acontecido e eu contei toda a situação para eles. Melanie já estava mais calma e resolveu me contar o que havia acontecido e o motivo pelo qual ela havia reagido assim.
–Vocês lembram quando eu levei um soco no rosto? Naquele dia, quando tentamos pela primeira vez pegar Lily... Bom, eu reconheci os caras. Fiquei com medo de eles me reconhecerem também. Por isso eu entrei em pânico. Por isso eu surtei.
–Tudo bem, Melanie. Agora está tudo limpo lá fora. –eu disse tentando sorrir.
–Adam, para onde vamos agora? O que vamos fazer? –Bob perguntou me olhando de relance.
–Eu gostaria de saber... –respondi francamente.
–Nós podíamos dormir em algum lugar. Já faz tempo que não vejo uma cama ou que tomo um banho. –Melanie disse tirando o cabelo da frente de seu olho.
–É uma boa ideia, mas onde encontraríamos um lugar? Tudo é muito caro aqui e Adam quase foi preso. E bom, não podemos voltar para o bairro passado porque James pode estar lá. –Bob rebateu.
–Eu só sei que se ficarmos parados aqui não vai adiantar nada. Vamos voltar para o carro e tentar pegar aquela estrada ali – Melanie apontava, já de pé, para a estrada em frente.
–Pode ser. Vamos. –respondi.
Entramos no carro e não fomos reconhecidos ou seguidos. Sorte, talvez? A estrada que pegamos nos levava para fora da cidade, um município pequeno e de nome Corly Folks*. Uma população de apenas dois mil habitantes. Estava ficando cada vez mais tarde e não estrávamos um hotel ou uma casa. Tudo pela frente era estrada e mais estrada. Bob sugeriu uma pequena distração para a nossa pequena viagem. A primeira impressão que tivemos de cada um. Bob começou:
–Quando vi Adam pela primeira vez, eu o achei um cara legal. Porém sério demais, e tinha cara de poucos amigos. Olhava-me rapidamente porque não tirava o olho do computador. Quando acabava o expediente pegava sua pequena mala de trabalho e ia embora sem ao menos se despedir. Mas eu sabia que no fundo ele só queria um caso para resolver.
–Na mosca – respondi.
–Sua vez, Melanie. –Bob disse se ajeitando no banco do carona para ficar de frente a ela.
–Bom, eu não tenho muito para falar. Só achei que ele era chato e arrogante. Mas com o tempo percebi que lá no fundo, bem no fundo mesmo ele é até legal. E claro, um ótimo detetive. Sem contar que beija muito bem.
Eu quase bati o carro quando ela disse aquilo. Arregalei os olhos em sua direção e logo depois Bob, que começou com seus gritinhos de comemoração e de surpresa. Ao mesmo tempo em que queria gritar com ela, eu queria cavar um buraco na terra e me enfiar lá dentro pra nunca mais sair. Continuei dirigindo até que Bob parou com os gritinhos e me perguntou:
–Isso é verdade, Adam? – não respondi – Adam? O que foi? O gato comeu sua língua? –ele insistiu.
–Sim, Bob. É verdade! –eu respondi com olhar fixo na estrada. Pude ouvir a risada de Melanie no banco de trás e aliviei meu rosto que não expressava nenhuma reação.
–Ora, ora... E quando é o casamento? –Bob perguntou com um sorriso no rosto.
–Cala a boca, Bob! –ela disse rindo.
–Não vai acontecer. Foi só um beijo inocente – eu disse, com medo da resposta de Melanie.
–Beijo inocente que te deixou doidinho... –ela disse.
Olhei com o canto do olho para Bob e o mesmo estava cobrindo a boca com a mão, provavelmente segurando uma risada alta e duradoura.
–Doidinho? Claro que não. Foi como qualquer outro. –respondi, sério.
–Vamos fingir que acreditamos. Não é, Bob? –ela chegava mais perto dos nossos bancos.
–Não me envolva nisso, Melanie – ele disse finalmente rindo.
–Vamos mudar de assunto. –disse.
–Ficou nervoso, Adam? –Bob provocou.
–Claro que não. – disse, ainda sério – Olhem, ali tem uma casa. Vamos pedir hospedagem.
Descemos do carro e pegamos as poucas roupas que havíamos guardado na mala do carro. Bob e Melanie foram na frente e com isso meus pensamentos tomaram conta de mim. Com o assunto sendo tocado daquela forma tão aberta com certeza eu havia ficado nervoso. Acho que qualquer um no meu lugar ficaria.
Eu ainda não consigo entender o que Melanie tem que me faz ficar desse jeito. Seu jeito misterioso, o seu lado “bipolar”, a mania incessante de fumar – mesmo que agora tenha controlado um pouco do vício... E pensar que a primeira coisa que pensei quando a vi foi que estava realmente incomodado em trabalhar com ela. Até mesmo com Bob. E lembrando-me de tudo isso agora, me vem à tona tudo o que já havia acontecido. Meus primeiros pensamentos, como eu queria não trabalhar com esses dois, como me assustei com a inteligência deles, e etc. E agora, tenho certeza de que não me arrependo de ter esses dois ao meu lado. Não só como colegas de trabalho, mas como amigos.
Quando dei por mim, eu já havia ficado tempo de mais do lado de fora. Desliguei o carro, e passei pela porta da casa, onde uma simpática senhora me recebeu com um sorriso no rosto. Havia quase esquecido que Bob e Melanie já estavam na casa há muito mais tempo que eu e com certeza já estavam no quarto.
Passei pela sala e era bem arrumada. Móveis em madeira genuína e brilhando, sofás brancos e espaçosos, uma mesa no centro e uma televisão média. Do outro lado da sala, embaixo da escada, uma mesa grande e retangular com seis cadeiras. A casa era simples, mas era carregada de vasos de vidro e porta retratos nas paredes. Havia uma divisória e do outro lado havia uma grande cozinha. Não pude ver muita coisa porque a velhinha estava quase me empurrando para subir as escadas. Assim que cheguei ao topo, encontrei um corredor pequeno, e ela me conduziu a terceira porta à direita. Agradeci a gentileza, mas ela parecia não entender o que eu estava dizendo. Acho que ela não falava minha língua. Ou era muda.
Bob e Melanie já estavam deitados quando eu entrei no quarto. Havia três camas. Graças! Dessa vez não teríamos outro par ou ímpar! Melanie apenas sorria para mim e Bob ria de tudo o que ela falava. Será que eles combinaram alguma coisa? Hum... Suspeitos. Conversamos por mais alguns minutos. Vários dilemas discutidos. Várias perguntas sem respostas... Tudo o que o futuro poderia nos responder. Resolvemos apagar as luzes dos abajures, e fomos dormir.
Debati-me durante quase toda noite e mal pude fechar os olhos direito. Depois deste caso, quase não durmo e a adrenalina não me deixa em paz. Olhei para um pequeno relógio na parede que eu não havia percebido quando cheguei ao quarto. Indicava seis horas da manhã. Já era hora de acordar mesmo. Mas quando olhei para os lados, Bob e Melanie estavam “desmaiados” de sono. Quando de repente um barulho me fez encarar a porta. Ouvi passos ficando cada vez mais altos quando se aproximavam da porta. Foi quando ela se abriu em um enorme estrondo.
–Dormiram bem?
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