Crimes Inocentes
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Demorei um pouco para postar, mas ando meio sem tempo.
Mas está ai.
Acordei bruscamente com água gelada sendo jogada em meu rosto. Tive apenas poucos segundos para analisar onde eu estava. Era uma sala escura, com apenas uma luz sendo mirada diretamente nos meus olhos.
Tinham duas cadeiras, uma a minha esquerda e a outra na minha direita. Duas pessoas usando máscaras avermelhadas estavam sentados nelas. Eu não pude reconhecer o rosto, mas aquilo não me importava no momento.O da direita se adiantou e cobriu minha face com um pano. Logo em seguida, consegui sentir o cheiro e o gosto de gasolina sendo derramado em mim. Tentei escapar, mas o esforço fora inútil. Estava amarrado a uma pequena cadeira de madeira por grossos laços de corda.Quando eu estava quase desistindo de lutar, eles pararam e deram alguns segundos para eu poder tossis e respirar. Tentei não encarar diretamente os meus agressores, me concentrei primeiro em saber aonde eu estava.– Porque você quer se juntar a nós? — o da esquerda perguntou com uma voz roca e grossa. — RESPONDA!Tentei falar mas não consegui. Minha voz era quase inexistente. Saiu apenas um leve gruninho rouco. – Parece que ele não quer falar, Estevan. — o da direita comentou.– Acho que judiamos demais dele, Hawk. Vamos agora aplicar os primeiros socorros. — o sarcamos na voz dele era o suficiente para perceber que eles poderiam estar planejando qualquer coisa, menos me aplicar primeiros socorros.Ambos saíram de duas cadeiras e mergulharam na escuridão ao redor da sala. Os segundos que se passaram pareciam horas, e então com um estalo ensurdecedor, a sala toda se iluminou. Meus olhos ardiam por conta da luz, e eu demorei um longo tempo para me acostumar a claridez. Só então eu vi melhor o lugar onde eu me encontrava. Era um galpão enorme, parecido com o estande de tiro que eu estava antes de desmaiar. Porém, ao invés de ter um local específico para atirar, rodeado em todos os cantos da sala tinha várias caixas empilhadas uma em cima da outra.Percebendo minha curiosidade, Estevan virou bruscamente meu rosto pegando na minha bochecha, e falou:– Eae, gostou? — ele disse sarcástico. — Vamos fazer o local ficar ainda mais divertido para você.Ele pegou uma caixinha no bolso cheia de umas pílulas azuis, e me forçou a engolir goela a baixo. Em um instante, nada aconteceu. Mas após alguns segundos, minha visão começou a embaçar e eu perdi o controle dos meus músculos corporais. Antes de apagar, consegui ouvir:– Fazia tempo que eu não me sentia tão jovem! — Hawk se espreguiçou e me deu um chute na cabeça.&&&&&&&&– Você sabia que um tiro de sniper a 2 km de distância tem a mesma potência que uma .44 magnum de perto? — a voz preenchia meu subconciente, me fazendo acordar bruscamente.Dessa vez, procurei amarras em meu corpo, mas não encontrei. Ao contrário, eu estava deitado em uma cama relativamente confortável. A voz que me acordara era uma menina com aproximadamente minha idade e longos cabelos loiros me encarando. Me esforçei para levantar, mas não consegui. Todas as juntas do meu corpo doíam. O pouco que consegui ver, dava para perceber que eu estava em um dormitório. Senti um balanço contínuo e enjoativo. – Onde eu estou? — foi a primeira coisa que me veio a mente. Minha voz estava fraca e rouca.– Está a bordo de um navio. Estamos indo para fora das fronteiras, onde é permitido armamento. — a loira disse.– Porque tudo isso? — eu comentei. — Afinal, vocês tem um estande de tiro.– Nós só podemos usar armas para portes civis lá. Aqui, iremos começar a realmente usar armas de verdade.Ela se adiantou e colocou suas duas mãos em minhas costas, me ajudando a levantar. Gemi com o esforço, e consegui sentar na cama em que estava. O dormitório não era muita coisa. Um espaço que mal cabia duas pessoas, com uma parede de um cinza com uma tonalidade forte. Apenas uma cama no canto, e uma escrivaninha do lado.Vi um copo de água gelada em cima, e só então percebi a minha sede. Me adiantei para pegar o copo, que foi um erro fatal. Minhas costelas deram um estralo e uma dor forte invadiu meu abdomen. – Calma, idiota. — a menina disse. — Deixe que eu pego pra você.Quando ela me entregou o copo, eu o bebi em questão de poucos segundos. Aquilo era dos Deuses.– A propósito, meu nome é Clara. — ela estendeu a mão em um gesto de comprimento e eu retribuí.– Jefferson.– Me diga, Jefferson, porque resolveu entrar para este mundo? — ela perguntou com um tom de dúvida na voz.– Minha principal missão é arrumar dinheiro para pagar o tratamento da minha... — então eu fui invadido por uma súbita onda de dúvida. — MÃE! Onde ela está?– Não se preocupe. Mandamos um bilhete para ela se passando por seu diretor avisando que você iria fazer um passeio escolar. Não especificamos o lugar, mas falamos que você iria demorar no mínimo uma semana para chegar.– Mas e o tratamento dela? O pagamento é semanal!
– Resolvemos isso também. Nosso chefe enviou o suficiente para pagar um mês de tratamento. Considere isso como um presente. No começo ela suspeitou, mas então dissemos que era uma quantia que você tinha enviado. – Se você já sabia que minha mãe tinha câncer, porque resolveu me perguntar? — falei.Ela pensou a questão por alguns segundos, e então disse:– Não sei. Você é bonitinho.&&&&&&&&– Posso fazer uma pergunta? — disse para Clara enquanto eu a seguia. Ela não disse nada então eu tomei isso como um sim. — Se esse treinamento é para eu aprender a usar armas, porque eu fui.. espancado?– Porque isso provavelmente irá acontecer com você um dia. E será muito pior do que você passou. Nosso trabalho é perigoso, e você tem que saber dos riscos que está tomando. E não tem melhor jeito de saber do que sentindo ele na pele.– Você passou por isso? — perguntei.Ela parou por alguns segundos e me encarou no fundo dos olhos. A sua expressão não era séria, nem divertida. Ela estava neutra.– Não é da sua conta. — disse calmamente. — Agora vamos, me siga. Está quase na hora. Andamos pelo corredor em silêncio. Os corredores tinham várias bifurcações que levavam a outros quartos, e parecia não ter fim. – Você pode me especificar que tipo de navio que é? — quebrei o silêncio após alguns minutos.– Você faz muitas perguntas. — ela disse friamente. — Estamos em um porta-aviões. Mas não usamos aviões aqui. Só raramente. – Oh. — foi tudo oque consegui dizer.Então finalmente chegamos a uma pesada porta de metal que tinha uma manivela para ser aberta. Ajudei Clara a girá-la, e quando se abriu me encontrei na borda do navio. A vista do oceano imenso que se estendia a minha frente me fez ficar enjoado. O balanço do navio ficou mais perceptível agora.– Você irá ficar enjoado no começo. — disse Clara notando minha face. — Mas logo se acostumará. Principalmente com o treinamento de hoje. Na nossa direita tinha uma escada que levava até a parte de cima do navio, onde ficava a pista. Mas não tinha nenhum avião lá, como Clara tinha dito. Ao invés disso, tinha vários alvos em diferentes direções, e um grupo de cerca de 20 homens praticando no momento.Eu não consegui perceber o barulho dos tiros antes, pois estavam todos usando armas silenciadas que o barulho estava sendo coberto pelo alto som das ondas quebrando no casco do navio.Parei alguns segundos para observar tudo. O local era imenso. Tinha no mínimo dois quilômetros de extensão, e a nossa volta não tinha nada além de oceano. Eu estava muito longe de casa.Clara pegou nos meus pulsos e me impulsionou pra frente. Ao chegar mais perto dos 20 homens que estavam praticando, pude ver que dois deles estavam me observando chegar e conversando entre si. Quando cheguei mais perto, vi que era Gerteny e Frank.Fiz uma saudação para os dois, mas ambos continuaram me fitando. Quando parei na frente deles, Gerteny se adiantou:– Espero que a primeira fase do treinamento não tenha te assusstado. É realmente vital essa parte. — ele estava mais amigável agora do que antes. — Mas não se preocupe. Agora vem a parte interessante.Ele apontou sua mão para uma caixa que estava a uns 20 metros de distãncia, recheadas de oque eu pude reconhecer coletes balísticos.– Vista-se. Agora vamos começar a segunda parte do treinamento. — ele disse.Me contendo para perguntar oque iria acontecer nessa parte, eu me dirigi até a caixa e peguei um colete que era do meu tamanho e vesti. Era uma vestimenta levemente pesada, mas não o suficiente para diminuir minha agilidade.– Venha aqui, Jefferson. — dessa vez era Frank falando quando me reaproximei deles já vestido.Ele pegou uma arma de seu bolso, e eu reconheci que era uma pistola. Ele apontou para o meio da pista e me disse:– Fique ali. Bem na minha frente.– Oque vai acontecer? — perguntei já não conseguindo me conter mais.– Você irá sentir a sensação de levar um tiro. — Clara se adiantou.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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