Eu estava atrás da cantina ao lado de Frank esperando pelo cliente. Eu estava nervoso. Aflito. Nunca tinha feito algo como isso antes, vender drogas para alguém. Ele me disse que no começo eu serei apenas o encarregado de distribuir a mercadoria, e hoje ele está me mostrando como se faz isso.

– O conceito de tudo é descrição. Tente agir o mais casual possível. — ele me disse momentos antes de eu partir para a ação. — Nós usamos um sinal que combinamos com o comprador momentos antes de entregarmos a mercadoria.

Ele apontou para um menino que aparentava ter 16 anos, musculoso porém de estatura baixa, vindo em nossa direção. Ele andava de modo desajeitado, como se tivesse algo em seu quadril que o incomodava.

– Este, por exemplo, é Jacob. Ele é um cliente frequente. Ele está acostumado que eu entregue as drogas pessoalmente para ele, portanto assim que chegar perto dele fale que eu te enviei. Sem enrolação. Apenas diga isso, pegue a mercadoria, receba o dinheiro, e saia. — ele resumiu.

Olhei aos arredores para ver se tinha alguém perto. Atrás da cantina era um local perfeito para esse tipo de coisa, pois não via praticamente ninguém ali. Era um corredor que não era cimentado, com uma grama alta que ia até as coxas. Com uma árvore que cobria quase tudo, era o local perfeito.

Então Frank se apressou e em um movimento rápido tirou um pacote atrás da árvore. Era uma caixa achatada de mais ou menos uns 10 centímetros de largura e 5 de altura. Ele me entregou, e eu a peguei trêmulo. Sabia que o tinha ali dentro não era nada "correto".

Jaboc estava cada vez mais perto. Ele estava com os olhos fixados em mim, olhando para o pacote que Frank tinha me entregado. Me aproximei dele ao mesmo tempo.

– Estou aqui enviado por Frank. — falei quando me aproximei o suficiente para ele ouvir meu sussuro.

Entreguei a mercadoria, ele me passou o dinheiro, e em segundos tudo estava terminado. Eu nem pude perceber que eu estava tremendo. Ambos nos afastamos rapidamente, olhando para os lados em busca de uma possível testemunha que tenha visto isso.

Frank se escondeu atrás da árvore dos fundos durante a negociação, para ver como eu me saia e não atrapalhar em nada. Um sorriso de satisfação surgiu em seu lábio ao olhar para mim com o dinheiro na mão.

– Um trabalho bem feito, posso dizer. — ele comentou quando lhe entreguei o dinheiro.

Só então eu percebi a quantia. O pacote que tinha entregado para Jaboc não era pequeno, então imaginei que não seria barato. Mas aquilo me pegou de surpresa.

Só pelo oque pude ver, tinha no mínimo 2000 reais em notas de 100 e 50. Frank estava com os olhos brilhanto enquanto contava o dinheiro, e eu pude perceber sua animação.

Após alguns minutos verificando o dinheiro, ele olhou para mim e mais uma vez deu um sorriso. Ele voltou sua atenção para a pilha de dinheiro em sua mão, desta vez separando uma quantia.

Ele me entregou 4 notas de 100 reais, e eu fiquei de boca aberta.

– Você está me dizendo que eu ganhei 400 reias por fazer isso? — indaguei. — Eu não fiz nada além de ir lá e entregar a mercadoria.

– A questão não é o esforço. E sim o risco. — ele disse ainda com a atenção voltada ao dinheiro. — Você deu sorte de não ter sido visto por ninguém. — ele acrescentou.

Uma pergunta incômoda surgiu no meu subconciente, e antes de me controlar, soltei:

– Oque acontece se alguém vir a gente fazendo isso?

Um sorriso malicioso surgiu nos lábios de Frank. Ele olhou para mim com os olhos brilhando de diversão e crueldade. Por um momento, ele pareceu hesitar em querer me contar, mas então disse:

– Essa é a parte suja do trabalho.

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Ao chegar em casa, rapidamente escondi os 400 reais embaixo do meu colchão. Minha mãe entrou no quarto segundos depois, e me olhou com uma cara desanimada. Pelos seus olhos vermelhos e inchados, ela andou chorando ultimamente.

– Filho, eu não vou fazer o tratamento. — ela disse. — Não temos dinheiro para pagar.

Aquilo me pegou de surpresa. Eu tinha que contar para ela que eu tinha arrumado um modo de pagar as despesas, se não tudo oque eu fiz hoje seria para nada. Mas eu não podia contar que eu estava vendendo drogas.

Apenas me aproximei dela e lhe dei um abraço, sem falar nada. Ela apertou seus braços em volta do meu pescoço enquanto várias lágrimas escorria livremente pelo seu rosto.

– Eu arrumei um modo de pagar as despesas, mãe. — disse, e no mesmo momento ela recuou e me olhou interessada e desconfiada.

– Como? — perguntou com cuidado. — Você sabe que não é nada barato.

– Um amigo meu tem uma loja no centro da cidade, e ela está fazendo um tremendo sucesso. Contei a ele sobre seu problema e ele me deixou ser o sócio dela. O dinheiro que ele arrecada por mês é muito grande, o suficiente para poder pagar seu tratamento. — inventei na hora.

Minha mãe pareceu não acreditar na história de começo, mas ao ver minha cara inocente e determinada, logo disse:

– Filho, não vá fazer esforço por minha conta. Eu que devia cuidar de você, e não o contrário.

Senti uma grande onda de afeto por ela nesse momento, e apertei levemente seus ombros.

– Mãe, eu já tenho 16 anos. É minha vez de retribuir e cuidar de você, assim como você fez comigo durante 16 anos. — disse. — Deixe eu fazer isso, por você. Não seja egoísta a ponto de fazer que eu veja a Senhora morrendo, sem poder fazer nada. — acrescentei. E soube que toquei bem em sua ferida.

Sem falar nada, ela apenas balançou a cabeça em concordancia, e me abraçou mais uma vez. Então, ela saiu do quarto e disse que ia preparar algo para mim comer.

Decidi aproveitar a ocasião e ligar para Frank, depois de ele ter me dado seu número de telefone.

– Me ligue sempre que precisar de um serviço. Temos viciados anciando por uma entrega a todo momento. — ele tinha me dito.

Peguei meu celular na minha mesinha ao lado da cama, e procurei na agenda seu nome. No terceiro bip ele atendeu, e já soube que era eu.

– Olá Jefferson. Tenho um trabalho para você fazer. Me encontre do lado de fora da sua casa 10 minutos depois de ter dado meia-noite. — ele disse, rápido e prático, e logo desligou.

Nem tive tempo de falar nada. Mas era assim que eu gostava.

Mas uma coisa intrigava Jefferson. Ele não tinha falado onde ele morava para Frank.