Criaturas da Noite
2 Década de 70
Londres – 1971
Quase não se ouvia falar mais de vampiros, lobos ou qualquer outra criatura sobrenatural. Essa época já tinha acabado e as pessoas viviam suas vidas normalmente e mal sabiam que ali havia várias aldeias e a também a cidade de Noctis.
Paris- 15/01/1971
Aodh não aguenta mais viver naquele porão e não tinha força para sair de lá. O vampiro já não se alimenta a milênios e qualquer gota de sangue para ele era mais que ótimo. Pensava que nunca mais iria sair daquele porão nojento e com cheiro horrível, cada dia que se passava era uma esperança perdida, ele ficava mais agoniado. Ele estava deitado naquele lugar, quando ouve alguns passos que pareciam ser duas pessoas. Ele, então, levanta com dificuldade e vai se afastando do fundo de onde estava, quando se assusta com um barulho mais alto que era de alguém tentando abrir a porta. Assim que foi aberta, Aodh sentiu cheiro de sangue humano e não via a hora de atacar a pessoa que estava bem na sua frente, até que um corpo é jogado ao seu lado e ele não pensa duas vezes até se alimentar dele. Ele bebeu cada gota de sangue daquele corpo qualquer, mas ainda não satisfeito vai andando em direção ao homem que jogou o corpo e abriu aquela porta. Seu salvador se chama Peter Walsh e ele era um historiador.
—Alimentado?- perguntava Peter
—Não totalmente, mas estarei assim que me alimentar de você- Responde o vampiro ainda faminto.
—Eu te salvei, sei como sair daqui e você pode se alimentar de outras pessoas. E eu tenho uma pista da localização de um amigo seu. — Fala Peter, deixando Aodh curioso.
Enquanto eles saíam de lá, Aodh ficava olhando aquilo tudo e bem surpreso de ter parado num lugar assim e não lembrar.
—Você é corajoso vindo salvar um vampiro faminto com um só humano. Posso saber o nome do meu salvador e o seu motivo?
—Eu sou historiador e gostaria de saber de algumas coisas.
—Sabe o que eu quero saber? Quem me colocou aqui. –fala indignado e saía daquele lugar horroroso.
Quando saíram daquele buraco, Aodh ficou surpreso com tudo aquilo. Ele não tinha conhecimento sobre essas novidades. Eles entraram no carro de Peter e foram em direção a sua casa.
—Magnífico. Isso tudo é realmente magnífico. Ah, você disse que tinha informações sobre um amigo meu.
—É, mas vai ser uma troca de informações. Você me fala da guerra que aconteceu entre criaturas e caçadores e eu te falo da pista que eu tenho.
—A guerra aconteceu a muito tempo atrás e matou todas as pessoas de Noctis City. Vários caçadores foram para a cidade com um historiador chamado Charles Hoffman. Depois, uns seres estranhos sequestraram todos os Sete e eu vim parar nesse porão. Agora fala a pista ou eu te mato aqui mesmo.
—As informações estão resumidas, mas são suficientes. Bem, eu ouvi dizer que tem um porão bem assustador na Noruega e ninguém tem coragem de entrar lá. Tem uma lenda que diz que lá habita uma criatura muito perigosa, e que era um tipo de Espectro. Vou te deixar no aeroporto e você vai pegar um avião para lá.
Aodh ficou feliz de ouvir aquilo e percebeu logo que a criatura que estava na tal Noruega era Genevieve, mas ficou confuso ao ouvir aquela palavra "avião", logo perguntando:
— O que é um avion?- Essa pergunta de Aodh levantou risos de Peter, que logo respondeu: — Avião é um transporte bem rápido que vai te levar para Noruega.
Depois de uma aula sobre as novas "tecnologias" no caminho para o aeroporto, Peter para numa lojinha de roupas e escolhe uma para Aodh. Ele escolheu uma roupa bem simples, calça jeans, tênis e uma blusa vermelha.
—Bem, é aqui que eu te deixo. Boa sorte. — dizia Peter
Aodh entrava no avião, já sabendo totalmente como agir no "novo mundo". Ele senta do lado de uma menina, fica olhando para ele e então dá uma piscada, sorrindo sem perder o jeito.
Foi uma longa viagem até o país, mas ele estava animado para reencontrar Gen. Saiu do aeroporto e seguiu as instruções de Peter, indo até um lugar bem abandonado. Era quase impossível entrar lá por estar quase soterrado, mas ele era forte o suficiente para tirar as pedras de lá, logo entrando no que parecia uma caverna. Quanto mais ele andava por lá, mais pensava ter sido enganado, até achar uma porta grande de ferro e ouvir uma respiração que vinha lá de dentro. Bateu na porta e esperou uma resposta. – Vai me tirar daqui ou vamos ficar conversando por batidas na porta? – Falava Genevieve enquanto Aodh ria feliz em ouvir a voz da garota. A porta estava difícil de abrir, mas ele estava bem mais forte por ter se alimentado da menina do avião, e então a porta se abriu. Ele caminhou até a menina que estava deitada no chão, deu sua mão e a levantou. – Saudades?- brincava
—Eu poderia até falar que não, mas você vai me tirar daqui, então....- falava sorrindo e o abraçava. – Como me achou? Você sabe onde estão os outros?
—Não. Um historiador maluco me tirou de um porão e disse ter pista sobre algum amigo meu. Mas nós iremos acha-los. — falava Aodh.
Gen sabia que as coisas teriam mudado já que estava ali por muito tempo, então não se surpreendeu muito ao sair daquele porão. Eles saíram dali e foram passeando pela cidade até conseguiram abrigo. Foi difícil achar um lugar, mas um vampiro que vivia por ali os reconheceu e ofereceu casa, comida e ajuda pra achar os outros, esse vampiro se chamava Josh. Um ser transformado era totalmente fiel ao seu criador, por isso era muito difícil traição entre seres da mesma espécie, mas isso não quer dizer que nunca acontecia. Depois de terem descansado e se alimentado bem, foram atrás de outros historiadores para saber se tinham alguma informação e infelizmente, ninguém daquela área tinha. Eles dois pegaram um carro emprestado de um cara que, bem, não vai se importar nada. – Você sabe como essa coisa anda?- perguntava Gen
— Ah, é só colocar a chave aqui, colocar o pé aqui e.. — o carro nesse momento acelerava demais até que ele apertou o freio rapidamente. — Acho melhor a gente ir andando, por que pelo menos sabemos usar nossas pernas- Brincava a menina.
Aodh não a escutou e tentou novamente e depois de muito tempo tentando, ele conseguiu entender um pouco de direção. Mesmo assim, ele saiu dirigindo que nem louco pela cidade, o que assustou os morados de lá e a própria Gen. Foram de cidade em cidade procurando pistas e também alguns outros seres sobrenaturais refugiados ou novos transformados. Depois de um passeio bem longo pela Noruega e ruas redondezas, Aodh e Gen voltaram para onde estavam abrigados junto com duas criaturas, um bruxo e um anjo diretamente transformado de Oliver. O bruxo era Jason Carter e era muito poderoso, sendo usado para descobrir os locais dos outros porões. Ele pegou um mapa, Gen pegou uma faca e deu um corte na sua mão, apertando e deixando o sangue cair no mapa. Como eles eram ligados, quando o sangue caiu no mapa, se dividiu em sete, e o bruxo fez com que cada uma das gotas fosse direcionada para a localização real deles. Dois estavam na Noruega, um na Alemanha, um no Canadá, um em Londres, um na Nova Zelândia e o último estava na Rússia. Eles então foram para cada um desses lugares salvar seus amigos.
Rússia – 28/01/1971
Gen foi até lá, lembrando toda a localização do mapa até que chegou num cemitério em Moscou, por ser um espectro, ela sempre adorou cemitérios. Entrando lá, olhou tudo ao redor para ver se achava alguma coisa estranha, mas não achou. Havia uma estranha estátua no meio do cemitério, então ela caminhou até lá e a arrastou um pouco, e não tinha nada. Ficou horas ali parada até que foi até uma casinha que parecia estar abandonada por lá, onde entrou. Não parecia ter nada de estranho nessa cabana, tirando que tinha uns caixões e uma estante velha cheia de livros. Abriu todos os quatro caixões, começando pelo da ponta e quando chegou no último, dentro do caixão tinha umas correntes, o que estanhou. Arrastou esse caixão para o lado, era bem pesado, mas ela conseguiu, e acabou achando o que parecia uma passagem no chão. Quando o caixão saiu de cima daquele pedaço do chão, Gen sentiu uma sensação muito forte, como se estivesse bem perto de alguém, então percebeu que ali era o lugar certo. Desceu pela passagem por umas escadas que tinham ali, — Meu Deus, é muita escada para uma pessoa só — e continuou a descer até que as escadas acabaram, então começou andar por um corredor. Os porões onde cada um estava, eram em países diferentes, mas tinham a mesma estrutura, a mesma porta, as mesmas escadas. Ela andou, andou, andou e achou uma porta extremamente grande e de ferro, idêntica a porta do local onde estava. Chutou a porta até abrir e encontrou um caixão que parecia estar enfeitiçado lá em cima de uma mesa, rodeado por cadeados.
—Estou tendo muito trabalho para tirar você daqui, espero que valha apena seja lá quem você for. — Fala olhando para o caixão.
Não conseguia tirar a corrente, então foi empurrando o caixão até cair no chão, onde elas soltam e Mikhail sai de lá.
—Sabe, você era mais gentil antes. — falava brincando com ela, dando um sorriso e saindo do caixão.
—É, mas passei muito tempo sem falar com ninguém, aí tive que descontar em você- sorria e o ajudava a levantar e então, saíram de lá.
Alemanha- 29/01/1971
Enquanto Gen tirava Mikhail de lá, Aodh chegava a Berlim. O mapa disse que havia um Primeiro numa igreja de Berlim, então pra lá ele foi.
—Quem será que eu vou tirar daqui?- Falava sozinho enquanto entrava na igreja e ia observando tudo nela. Rodou quase a igreja toda, entrava em todas as portas que via, até que uma parecia estar trancada, mas força não era problema para ele. Aodh abriu a tal porta, desceu por aquele grande número de escadas, seguiu o corredor, fez o mesmo caminho para salvar Gen e lá achou a porta de ferro. Fez bastante força para abrir, essa estava mais fechada que o normal, mas ele conseguiu. Havia um caixão acorrentado, igual o de Mikhail. Ele então tirou as correntes, abriu o caixão e lá viu Oliver.
— Descansando, irmão?- falava Aodh sorrindo e o tirando daquele caixão.
—Onde estamos? – Perguntava Oliver, confuso.
—A pergunta seria quando e não onde. – responde e logo completa. — 1971 Alemanha.
Cada um dos outros foi salvo pelos três sobrenaturais que Aodh e Gen encontraram na Noruega. O bruxo encontrou Valentin que estava na floresta, o anjo encontrou Aaron que estava aquário municipal e o vampiro encontrou Tyler numa casa perto de uma praia.
O plano era ir para Londres quando todos fossem resgatados, então depois de explicar tudo que estava acontecendo, todos os dez foram pra lá, mais precisamente em Noctis City. Aodh e Oliver chegaram primeiro e ficaram esperando o restante na famosa cabana da floresta. Logo depois foi chegando Tyler com o bruxo, Aaron e o anjo, Valentin e o Bruxo e por último, Gen e Mikhail. Depois que todos chegaram as três criaturas foram embora e só ficaram na cabana os Sete.
—Como da primeira vez- Dizia Gen
—Pode não parecer, mas eu senti saudades desse lugar- Falava Oliver.
—Nossa gente, o Oliver sente saudades- brincava Mikhail.
—Lar doce lar- falava Tyler bem feliz por estar ali.
—Todos nós sentimos, já que estávamos trancados em porões horríveis e sujos. — dizia Aaron sempre com seu tom de arrogância na voz.
Valentin sorria com a conversa deles e logo falava animado por estar de volta. – Pois é, estamos de volta.
Depois do papo na cabana, todos saíram e foram para o centro da cidade. Sabiam que tudo tinha mudado e que ninguém os reconheceria, mas estavam prontos para voltar a comandar tudo aquilo.
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