Criaturas da Noite
18 A batalha final
Hoje todos acordaram com a vontade de treinar. Estava claro que ninguém sabia de fato quando a guerra ia começar, então queriam estar preparados para esse início.
O tempo estava ensolarado e frio, e isso desfavoreceu muito Aodh com seus vampiros. Ele conversou com Taylor sobre a possibilidade de alguns feitiços para que os vampiros não se enfraqueçam com o clima, pelo menos por um tempo, mas não era de conhecimento do bruxo.
— E se a gente mudasse o tempo? – perguntava Amy, a caçadora que também era bruxa. Essa pergunta poderia ter gerado muitos risos no local, mas foi uma ótima ideia. Segundo Taylor, se juntasse alguns fortes espectros com fortes bruxos, eles conseguiriam mudar o tempo, mas isso requer muita energia.
—Se gastarmos tanta energia assim, ficaríamos fracos se seriamos derrotados facilmente. Vamos atacar quando escurecer, ficaremos na vantagem. – Aconselhava Genevieve, e todos concordavam.
Eles foram novamente para as ruas, escolher e transformar pessoas. Por ordem do Conselho não puderam transformar muita gente, pois assim a cidade ficaria quase sem nenhum humano.
— E se nosso exército não fosse completamente humano? – Mikhail dava uma ideia, já fazendo Gen entender o que era pra fazer.
Na floresta, junto com os caçadores, chegavam novos membros. Dominic tinha chamado mais gente para matar os Sete, mas já que agora eram aliados, os apresentou a todos e contaram sobre os verdadeiros vilões. Esses caçadores não tinham poderes, eram humanos, mas muito fortes e com grandes experiências.
Na parte subterrânea do cemitério.
James andava de um lado a outro, sem nenhuma preocupação, achando que ninguém o venceria.
—Senhor, segundos um dos nossos, eles estão em número maior agora. – informava Zummach.
—Não se preocupe filho. Ao cair da noite todos estarão mortos. A guerra final. – respondia Lúcifer ainda no corpo de James.
Os caçadores agora eram quinze e tinham muito mais armas. Pediram ajuda a Taylor para enfeitiçá-las para que pudessem ter um poder sobre os Guardiões, então todos os bruxos ajudaram e jogaram feitiços de enfraquecimento a quem fosse atingido.
Na floresta, eles lutavam entre si, faziam alvos e corriam numa área com grande comprimento para se exercitar. Esse era o lugar oficial de treinamento, já que todos sempre treinavam lá.
Lobos começaram treinando força e velocidade, bruxos e espectros treinando feitiços e possessão e sereianos aprendendo a dominar a água. Anjos e demônios treinavam luta física, já que seus espíritos sabiam o que fazer com os poderes.
O combinado era atacar cair da noite, indo para o cemitério beirando a floresta. Anoiteceu, era a hora. Na frente iam os Sete e os caçadores, escondidos e espalhados pelo local estavam os caporegimes e os outros membros das espécies. Nervosismo, medo da morte, aflição, insegurança e angústia eram o que a maioria estava sentindo naquele momento.
Ainda no meio da floresta, deram de cara com James na frente e atrás Zummach, Crocell, Furcalor, Kammel, Laverne, Bartoryz junto com os outros Guardiões. O estranho disso todo era justo James estar na frente, como se tivesse guiando os outros, seria ele tão poderoso assim?
—Confusa, minha querida Gen? – perguntava ele de longe e seguia. – Mikhail, não nos vemos há um tempo.
—Lúcifer? – reconhecia a voz de desprezo do Guardião, arregalando os olhos e ficando surpreso pela presença do tal.
—Pensei que não fosse me reconhecer, ia ficar bem triste. Estou nesse corpo há tanto tempo que esqueço o motivo de não ser tão temido assim. – continuava rindo e encarando os Sete, um por um. Junto a ele estava um cajado muito estranho, era uma nova arma. Esse objeto tinha o poder que os Primeiros tinham inventado para descobrir quem era o traidor, e agora existia. Ele tinha nas mãos o poder de transformar um sobrenatural em humano, e ninguém sabia ao certo que funcionaria com os Sete.
Para mandar seus súditos se armarem, Lúcifer somente abriu os braços, e cada par de asas de fogo de cada Guardião surgiu. Mas o dele era um par bem diferente e bem maior. Duas lindas longas asas negras e olhos tão vermelhos quanto o sangue de suas vítimas.
O outro lado também se armava. Asas brancas, negras, garras, dentes, muitos feitiços na mente e armas amaldiçoadas dos caçadores. Todos estavam com sua força total e iriam atacar para matar, ou então morreriam.
Anjos e demônios começaram voando pelos céus, e alguns Guardiões também. Ainda no alto, antes dos oponentes conseguirem se aproximar, os anjos usaram a fotocinese, e alguns caíram no chão, os que continuaram voando, atacaram com suas espadas e o fogo surgia.
Vampiros e lobos corriam e arrancavam pescoços, arranhavam e lutavam. Peter e os caçadores não sabiam se suas armas podiam matar os seres das trevas, mas sabiam que os enfraqueceria. O plano era enfraquecer o máximo de criaturas possíveis, para que os bruxos e espectros pudessem matá-los de vez, com feitiços ou a famosa possessão.
Os sereianos aproveitaram o lago do lugar para afogar os demônios das trevas, ou atacar modelando armas como espadas ou lanças.
A batalha nem tinha começado direito e já havia mais de cinquenta pessoas mortas no total, e os Sete perceberam que estavam perdendo.
Mikhail e Gen colocaram a ideia em pratica, e invocaram espíritos de antigos espectros e demônios para lutar. Agora sim não estavam mais em desvantagem, já que os espíritos eram muito fortes e era um grande número. Tinham mais ou menos setenta que atacavam os Guardiões, conseguindo matá-los de um modo que só os espíritos espectros sabiam fazer, sugando a alma.
Kammel resolveu sair da luta com os mais fracos, e atacar Chloe. Essas duas já se conheciam de muitos anos, e a caçadora queria sua vingança. Começou com a Guardiã jogando pequenas lanças de fogo para cima de sua adversária, e logo tentando a atacar com suas asas. Chloe se protegeu criando uma barreira d’água e atacou de volta com tridentes. Depois partiram para luta física onde Kammel atingiu no mesmo lugar de onde a tinha ferido na última vez, e a caçadora recuou por sentir dor, estava sangrando. Um demônio que estava atrás dela, a segurou pelo pescoço, ajudando Kammel, que chegava bem perto e usava sua habilidade de atormentar uma pessoa com seu pior pesadelo até vir a morte por medo e Chloe aguentou até não poder mais, morrendo. Estava acontecendo com seu espírito o mesmo que aconteceu com Priya, ela estava indo para o inferno.
Nesse momento Abel se sentiu estranho, como se uma parte de sua alma tivesse saído, e quando olhou para trás, viu a caçadora no chão. Ele atacou um Guardião com sua espada abençoada e arrancou sua cabeça do corpo, para poder correr e ficar com Chloe. Genevieve viu a aflição no rosto do anjo, fechou os olhos e conseguiu controlar o espírito da menina, fazendo ir para o céu.
—Obrigado. – Falava Abel, com lágrimas caindo de seus olhos.
Os outros caçadores estavam tão ocupados, que não viram o falecimento de sua companheira. Ravenna vinha correndo em sua direção, caindo de joelho ao lado do corpo, aos prantos. Não acreditava que aquilo estava acontecendo, que tinham matado sua grande amiga e parceira.
—Vamos, acorda. Fique comigo, não vá. Precisamos de você, eu preciso de você. Por favor. – chorava ainda mais, comovendo Abel que a abraçava para consolá-la.
Com a invocação dos espíritos, o número de Guardiões diminuiu muito. Mais de sessenta criaturas que estavam lutando com os Primeiros estavam mortas, as pessoas não conseguiam mais lutar, usavam o máximo de seus poderes, davam tudo de si, tentaram não se abalar com as mortes de seus amigos, de seus irmãos, tudo isso para simplesmente continuarem vivos.
A floresta estava em chamas, árvores destruíram, lagos sem água, chão manchado de sangue, gritaria, flechas, armas e espadas perdidos e espalhados.
Lúcifer quando viu os invocados dos Sete percebeu que estava perdendo, que seus filhos estavam mortos ou quase morrendo e agora estava muito irritado, decidindo entrar na luta e destruir quem entrasse em seu caminho. Passava no meio de todos que estavam lutando, chegando até Gen e batendo nela com seu cajado. Ela tentou ir para sua forma de fantasma, mas não conseguiu e caiu no chão. Estava se sentindo estranha, algo estava errado, e ela percebeu o que era quando tentou aplicar um golpe e foi muito lento, era previsível. Não queria acreditar de jeito nenhum na possibilidade, achava que tinha outro jeito, que outra coisa tivesse ocorrido, e em meio as risadas do rei do inferno, que estendeu sua mão sobre a cabeça dela e passou trevas e escuridão pela cabeça, fazendo-a cair. Essa cena paralisou os Sete, que ficaram desacreditados com a situação.
—Genevieve – chamava Mikhail, correndo em sua direção, jogando longe o Guardião que estava lutando. Oliver voava o mais rápido possível para perto da menina, e causou fortes ventos com a força de suas asas, conseguindo afastar Lúcifer para uma distância considerável.
—Então essa é a sensação – falava ela cuspindo sangue no chão e continuando. – de morrer. Taylor tentava todos os feitiços que sabia, mas as trevas eram muito fortes. O desespero no olhar dos outros seis era o que alimentava a felicidade dos Guardiões.
Oliver se ajoelhou ao lado da ex-espectro e usou todo o poder que tinha, seus olhos e asas começaram a brilhar, reluzente, forte e com ruídos. Aaron afastava todos os que vinham tentar atacá-los e atrapalhar a tentativa se salvar Gen.
—Você não vai morrer. Não existem os Sete sem você, Gen. Não nos deixe aqui. – falava Mikhail apertando a mão dela, que ia responder, mas não conseguiu, começando a tossir, e então seus olhos fechavam e o demônio já não sentia mais o coração dela bater. Todos os espíritos invocados por ela desapareceram logo em seguida. Aodh estava esperançoso, pensando que seria mais uma brincadeira dela e que levantaria logo, caçoando deles terem acreditado na morte, mas não dessa vez.
Em meio à escuridão, uma luz. Não era uma simples luz, ou fraca, era tão forte que todos tiveram que tampar os olhos, os seres das trevas que não tamparam, morriam por tanta luz. A grande claridade que descia dos céus chegava a terra, se dividia em sete e ia para cada um dos Primeiros. Os seis ficaram paralisados por alguns segundos, levantaram e foram andando em direção a Lúcifer. Junto ao clarão vinha também uma voz que só eles ouviam que dizia “Vocês são mais poderosos ainda juntos”. Aquela luz era a força mais clara deles, mas não era nenhum poder, era esperança. Esperança de que eram tão forte que só precisavam enxergar a luz.
—Nós te ordenamos a voltar para seu lugar. Nós, as primeiras sete criaturas das sombras, ordenamos que saia desse mundo e que volte para o submundo. NÓS TE EXPULSAMOS. – gritavam os Seis juntos. O rei do inferno não aceitava ser expulso e foi correndo para atacá-los com seu cajado. Pensando que iria conseguir, por chegar tão perto, foi sugado para baixo até atravessar o solo, onde começou a gritar totalmente irritado. – Eu voltarei e vou matar todos vocês.
Os Guardiões que sobraram tentaram fugir, começando a correr rapidamente, mas os Seis os cercaram e, com o poder da raiva, extraíram suas almas e Mikhail as mandou para a jaula da tortura, onde ficariam eternamente sofrendo nas sombras. Valentin e Noah mandaram os outros lobos destruir os corpos que ficaram esquartejando-os e depois tacando fogo, e com os corpos de seus amigos, os que estavam vivos os enterraram ali mesmo, fazendo uma pequena cerimônia de homenagem.
De quinze, só havia nove caçadores vivos. Amy tentou de tudo para que Chloe conseguisse voltar em outro corpo, alegando ter um jeito, mas como seu espírito já estava em outro local, não tinha jeito. Decidiram que a levariam para sua verdadeira casa, para sua família, então Anthony a pegou, ainda chorando, e foram todos para a residência dos seis.
— Aqui estão todos os guerreiros que morreram ao lutar por uma causa maior. Não se foram por serem fracos, o que não eram, mas por enfrentarmos um grupo mais forte que nós. Precisamos sempre honrá-los por essa incrível ajuda, pois foi pela nossa união que conseguimos vencê-los. – Claire homenageava todos.
Enquanto isso, Taylor pegou o corpo de Gen e os Seis junto com Peter a levaram para a cabana de onde vieram, a colocando em cima de uma mesa central de pedras.
— O que faremos agora? — perguntava Valentin.
—Vamos vingá-la. Arrumaremos um jeito de matar Lúcifer. — respondia Mikhail.
E é aqui que essa história termina. Na verdade, não termina aqui não, ninguém sabe onde realmente termina, só eu. Você que está lendo esse livro, tenho certeza que gostaria de ser algumas dessas criaturas, ou ter esses poderes, você tem certeza mesmo que essas criaturas não existem e que seu amigo não é uma?
Quem sou eu? Eu sou a pessoa que viveu junto com os Sete, e sim eu tenho poderes reais. Meu maior poder é contar para o mundo, do início ao fim, essa incrível história das Criaturas da Noite. Fim.
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