Criativo
1 Único.
Notas iniciais
Segurou a caneta com firmeza e posicionou o pedaço de papel de forma que o enxergasse bem. Não tinha muito ideia por onde começar, então, meio que, quando percebeu o que fazia, estava a desenhar aleatoriedades no que seria a carta que poderia mudar sua vida até ali. Propôs-se a deixar em algum lugar onde o amigo pudesse encontrar, preferencialmente quando estivesse bem longe para não precisar ver as reações dele.
Eram desenhos desajeitados, sem muito esforço, e que provavelmente deixariam o outro irritado. Deveria ser um pouco mais criativo, imaginava. Fez um bola de papel com o que tinha e jogou na cesta de lixo mais próxima.
Fez um avião de papel, e ele ainda não tinha saído da simplicidade. Tentou, portanto, os origamis, sem êxito, uma vez que ele não era nem um pouco coordenado para aquele tipo de atividade. Dirigiu-se a cozinha, pois quem sabe ele tivesse uma milagrosa ideia naquele pequeno espaço de tempo em que deixava o quarto fechado. Seu gatinho, cheio de energia pelas sonecas que tinha feito pela manhã e tarde, acabou por lhe arranhar as pernas, e ele se xingou por estar vestindo shorts naquele momento.
— Ei, Cristiano. — Paulo lhe cumprimentou com um sorriso mínimo, acenando para então beber mais café que tinha na xícara.
— Oi… Não acha que já bebeu demais disso aí, não? Quer dizer, você quem tem que cuidar da sua saúde, não eu.
— Que bom que sabe, e o que te fez vir todo esse caminho? — Paulo disse com ironia.
— Para ver sua cara é que não foi. — Cristiano passou direto por Paulo, que estava sentado, para pegar uma panela para esquentar água. — Acho que eu vou fazer um pouco para mim, porque não deve ter nada a essa altura.
— Acertou. — Paulo disse, mantendo o sorriso — Eu sempre achei que você tinha mais cara de adivinho que de caixa de supermercado.
— Obrigado, eu acho… Vai voltar tarde amanhã?
— Não, por quê? — Paulo voltou a colocar a xícara sobre a mesa, agora vazia.
— Leva a chave com você, então. Eu tenho uns assuntos para resolver.
— Assuntos? — Paulo arqueou a sobrancelha.
Provavelmente queria uma melhor explanação, contudo, Cristiano não estava com muita paciência. Ele ainda tinha que resolver aquele problema de criatividade.
— Se você quisesse se confessar para alguém de forma criativa, o que faria? Alguma coisa te vem a cabeça?
— Bem… não sei, você podia hackear a conta do fac*book dessa pessoa e escrever a sua declaração no status dela.
— Alguma sugestão que não seja tão assustadora assim, por favor.
— Bem… — Paulo fez uma careta de como estivesse indo as profundezas de seu ser para procurar uma resposta, cruzando os braços no processo, entretanto, acabou por mostrar uma expressão de quem perdia uma partida de jogo — Precisa mesmo ser tão extraordinário? por quê não diz logo na cara?
Foi a vez de Cristiano cruzar os braços e pensar consigo. Realmente, o que importava mais é que os dois ficariam juntos, caso houvesse uma resposta positiva. De nada adiantaria fazer algo extravagante se o outro não lhe correspondesse, só que Cristiano ainda era um romântico, dessa forma, acabou por dizer:
— Não vai adiantar se não for diferente! Só espere um pouco aí, Paulo! Meu amor está sendo posto a prova!
— Peraí… quê? — Paulo disse, sem esperar por essa.
— Oops. — Cristiano acabou por dizer, terminando por se declarar da forma mais clichê possível.
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