Notas iniciais
Ran: Povooo, quanto tempo. Nossa, eu tava com saudades de vocês, viu? A gente demorou porque, na verdade, o cap tá pronto a mó tempão, mas a gente não tinha percebido. Pensamos que ele ainda tava muito pequeno xD
Mel: A gente ela.. eu não sei de nada, não vi nada, não tenho nada com nada.
Ran: Nossa, ela não é um amor? Jogando toda a culpa para mim... ¬_¬
Mel: Não disse que a culpa era sua em nenhum momento... disse?
Ran: Sim, disse -_- Bem, eu gostaria de agradecer imensamente pelas pelas recomendações da Ambrose Nym e da KistuneKiki... Eu amei elas, viu? :3
Mel: Ah sim, meninas muito, muito obrigada... e vocês também têm direito a pedir ch especial.. não tem Ran?
Ran: Claro que tem! Aliás, eu to pensando em fazer o especial de vocês, logo logo. Não sei quando exatamente, mas logo vai sair xD
Mel: Pois é.. continuo não sabendo de nada...
Ran: Oh sim, o especial do Shun e do Hyoga da hinatailove vai demorar um pouquinho, porque eles ainda tão brigados... Mas que sai, sai xD
Mel: Ah, sim todos sairão um dia, afinal.
Ran: Oh, sim, antes que eu esqueça, só queria falar que existe uma ENORME diferença entre gritica construtiva e praticamente xingar a fic, viu? Não citarei nomes, mas uma vadia me deixou muito puta de uns dias para cá por causa disso, algumas pessoas sabem quem é... Mas só queria falar que O PROXIMO FDP QUE VIER XINGAR ALGUMA COISA DE ALGUMA AMIGA MINHA RECEBE MACUMBA MINHA Ò_Ó9 *jamais esquecerá aquilo e*
Mel: Err... boa leitura gente! E Ran, bebê... eu te amo, viu?
Ran: Eu também te amo... Boa leitura e até o proximo, gente! o3o

Shura estava na cozinha preparando o café da manhã. Chegara tarde na noite anterior, Saga já dormia e não quis acordar o noivo. O jantar na casa do cunhado foi ate divertido, conversaram, riram, beberam. Sorriu ao lembrar-se de ter conhecido um novo Kanon naquela noite.

Ao acordar e não achar o noivo, Saga não estranhou. Era sempre assim, Shura acordava mais cedo que si. Sorrindo, tomou seu banho, fez sua higiene matinal e desceu até a cozinha, abraçando o amado pela cintura assim que o viu.

– Bom dia.

– Bom dia, belo adormecido! – O capricorniano se virou no abraço, dando um selinho no noivo — Por que não compareceu ao jantar na casa do Kanon ontem? E por que não me avisou que não iria?

– Porque um certo alguém deixa constantemente o celular desligado, então esse certo alguém não recebeu minhas doze ligações e cinco mensagens avisando que eu não estava me sentindo bem, portanto não iria ao jantar.

Preocupado com o amado, Shura colocou a mão na testa do loiro, a fim de verificar a temperatura.

– O que estava sentindo? Já se sente bem?

– Estou bem sim... Só estava um pouco fraco já que o mesmo certo alguém que sempre deixa o celular desligado me fez ficar transando na sala dele em vez de almoçar.

– Hn... Acho que esse certo alguém esta merecendo uma punição não acha?

– Está sim... Mas esse certo alguém terá de esperar porque estou atrasado para o trabalho

– Estraga prazeres! – Sorrindo, o capricorniano termina de pôr a mesa, se sentando para tomarem o café da manhã juntos.

Saga sentou-se de frente para ele, começando a comer.

– E por que você demorou tanto para voltar para casa? Kanon não te avisou que eu não iria?

– Avisou, mas eu já estava lá e acabamos jantando nós dois.

– E como foi? — Sabia que Kanon e Shura não se davam nem um pouco bem.

– Legal — Limitou-se a dizer apenas isso, não podia contar os detalhes à Saga.

– "Legal"? E vocês não tentaram se matar nem nada assim?

– Claro que não amor, somos homens civilizados! — Na verdade sempre que se encontravam eles acabavam discutindo e sobrava para Saga acalmar os ânimos, mas dessa vez foi diferente.

–... Shura, uma vez vocês e o Kanon entraram em uma piscina de bolinhas em um aniversario de criança, que nós nem conhecíamos aliás, e começaram e jogar bolinhas um no outro.

– Águas passadas, Saga. Águas passadas... – Shura levantou-se e deu um selinho no noivo — Eu preciso ir, amor, hoje farei uma prova surpresa para as turmas do primeiro ano.

Saga riu baixinho, olhando-o.

– Você é mau...

– Mas você me ama mesmo assim que eu sei! – O capricorniano sorriu, estava feliz por não estar mais brigado com o noivo.

– Uhum, eu amo. – O geminiano se levantou também — Quer carona?

– Hoje não, tenho que ir no meu carro pois tenho compromisso depois do almoço

– Compromisso? Que compromisso?

– Tenho a ultima prova da roupa do casamento, e segundo a tradição, o noivo não pode ver a noiva com a roupa antes do casamento

– Certo — riu baixinho — Irei experimentar a roupa no meu horário de almoço.

– Então nos vemos a noite... E eu quero minha punição! – Shura sorriu e beijou o loiro, precisava ir logo ou se atrasaria e aí não poderia aplicar a prova surpresa.

– Sua punição o espera! – Saga riu divertido, pegando suas coisas e indo para o seu próprio carro. Precisava se apressar estava atrasado.

oOoOoOo

Milo se mexeu manhoso, escutando o barulho irritante do despertador. Tateou o criado mudo, socando o pobre aparelho até ele calar a boca. Desistiu e o jogou na parede.

Dando um alto bocejo, se aninhou mais a Camus, manhoso. Não queria acordar.

Camus, por sua vez, não pode deixar de sorrir. Estava acordado vendo a briga de Milo com o indefeso despertador, agora teria que comprar um novo, mas não tinha problema, Milo era tão lindo quando acordava cheio de sono que somente para ver essa cena compraria quantos despertadores fossem necessários.

– Amor, já é o quinto despertador só esse mês... — acariciou a face bronzeada carinhosamente

– Não ligo... – Milo bocejou novamente, deitando a cabeça no peito do amado — Você compra outro depois.

O ruivo acariciava as madeixas loiras, aquele ali quando estava com preguiça era pior que criança.

– Mi... Está na hora de acordarmos, hoje é o primeiro dia de psicólogo do Hyoga, você não quer acompanhá-lo? — O loirinho ainda estava suspenso na escola, e ele não iria trabalhar pela manhã. Ser dono do próprio negócio tinha suas vantagens, podia se dedicar mais a família nesse momento tão conturbado que estavam passando — Já são oito horas Milo.

– O psicólogo vai ser só às 11 horas, Camye... E eu tô com sono...

– Certo... Então dorme mais um pouco, eu vou preparar o café e quando estiver pronto eu te chamo.

Camus não precisou falar duas vezes, o escorpiano já estava abraçado ao travesseiro, de volta ao sono.

O ruivo depositou um beijo na testa de Milo e levantou-se, tomou um banho rápido e desceu para preparar o café.

Uma hora depois voltou ao quarto, já havia preparado o café da manhã, posto a mesa, lido seu jornal e dado uns telefonemas para o escritório. Milo ainda dormia na mesma posição que o deixou. Seu loiro estava tão lindo que tinha até dó de acordá-lo, mas já passavam das nove da manhã.

– Mi...

– Só mais cinco minutos, Camye... – O loiro cobriu-se até a cabeça com o cobertor, fazendo manha.

O ruivo apenas sorriu e tirou o cobertor de cima dele.

– Nada de cinco minutos, quem mandou não dormir cedo? Acorda Mi... O café esta esfriando e eu sei que você adora café quentinho.

– Eu não dormi cedo porque um certo francês ruivo não me deixou em paz a noite inteira — resmungou, se levantando e, sem abrir os olhos, rumou para o banheiro

– Não é como se você não tivesse gostado. – O ruivo respondeu enquanto começava a arrumar a cama. Tinham uma arrumadeira que ia todos os dias à casa deles, mas todos ali sempre faziam suas partes.

Milo resmungou algo baixinho e tomou um banho gelado para acordar, fez sua higiene matinal e se trocou, logo descendo para a cozinha onde o ruivo o esperava.

– Bom dia — deu um beijo em Camus, se sentando para tomar seu café — E o Hyoga, já acordou?

– Ainda não, o deixei dormir um pouco mais hoje, pra compensar por ontem. – Camus se sentia culpado por ter chegado em casa tão tarde e ter deixado o filho sozinho.

Milo sorriu. Também se sentia culpado.

– Sim, tem razão... Deixe-o dormir, ele merece. Depois o levarei até Mu e ficarei por lá um pouco, vou aproveitar para ir até a biblioteca ao lado procurar alguns livros que estou precisando.

– Merecer ele não anda merecendo muita coisa Milo, mas ontem nós erramos.

O escorpiano suspirou.

– Sim, eu sei... Eu preciso ser mais firme, mas... Eu não consigo... Eu penso no que ele passou, nos motivos pra ele ser assim e... Não consigo ficar bravo com ele...

– Algumas atitudes do Hyoga são injustificáveis Milo, como por exemplo bater em alguém, ou as ofensas conosco. — Terminou de tomar seu café — Eu entendo, e sinto muito por tudo o que ele passou. O que eu puder fazer para que ele tenha uma vida normal e feliz eu farei, inclusive ensiná-lo a respeitar as pessoas.

– Bater no Misty realmente foi injustificável... Mas eu acho que ele apenas fez com o garoto o que o pai fez com ele quando pequeno, afinal o Hyoga era apenas uma criança, e crianças idolatram os pais, e fazem o que eles fazem com elas. Se ensinar uma criança a amar um passarinho, ela irá amar pássaros. Se ensinar ela a pegar uma pedra e atirar nos pássaros, ela irá pegar uma pedra e atirar em todos os pássaros que vir. Se bater em ma criança, ela irá bater nas outras pessoas... Não estou justificando os atos dele, estou apenas falando o que o Mu falou a mim quando conversamos.

– Sei... – Camus limitou-se a responder. Concordava com tudo o que o marido dissera, mas preocupava-lhe o fato de Milo sempre arrumar uma desculpa para as atitudes de Hyoga e aceitar facilmente todos os disparates do filho.

Milo olhava para o marido, sorrindo. Sabia que ele achava que sempre arrumava uma desculpa para as atitudes do filho, mas... Bem, era a verdade. Iria parar com esse hábito. Precisava, ou iria ser muito frouxo com Hyoga, e isso não era bom.

– É melhor ir ou irá se atrasar para o trabalho, querido.

– Não trabalhar hoje pela manhã, tenho outro compromisso.

– Outro compromisso? — olhou-o curioso — Que compromisso?

– Eu... Eu vou pra academia, é isso. Acho que estou precisando malhar, você não acha? Já não sou mais tão jovem, preciso me cuidar. — o ruivo esperava que a mentira colasse.

O grego se levantou, tirando a louça suja da mesa e levando-a até a pia. Começou a lavá-la e, após muitos minutos, ainda sem olhar para Camus, indagou.

– Por que esta mentindo para mim? — Camus não sabia mentir, e isso era um fato incontestável.

O francês se levantou e foi até o marido, ficando apenas a alguns centímetros dele, dando um beijo na bochecha.

– Eu preciso ir amor, a noite conversamos. Qualquer coisa me ligue, sim?

O loiro não respondeu nada, apenas se afastou de Camus, claramente bravo pela mentira. Pois bem, se ele queria esconder coisas de si, ficaria o próximo mês sem sexo. E ai dele se tentasse reclamar.

– Mi... mon ange não fica com essa cara. — Não gostava de ver o marido chateado consigo, mas não queria conversar com ele sobre o que iria fazer, sabia que Milo jamais aprovaria.

– Vá logo para o seu compromisso. – Milo falou seco, sem olhá-lo.

O ruivo foi até ele, o abraçando por trás, colocando as mãos por dentro da camiseta dele.

– Você sabe que eu te amo, não sabe?

Milo se afastou dele, voltando a lavar a louça — Vai logo.

– Também não precisa expulsar, credo, que humor. — Pegou as chaves e a carteira, mas antes de sair foi de novo até o marido — Milo, você sabe que eu não gosto de sair de casa brigado com você, não sabe? Sempre que saímos de casa corremos riscos, pode ser que nunca mais eu volte, eu posso morrer, pode acontecer algo contigo... Enfim, como vamos ficar se algo acontecer com o outro e estivermos brigados por uma bobagem? Sentiremos remorso pela vida toda e não quero isso para nenhum de nós dois, então vem cá me dá meu beijo de despedida, vem Mi?

Depois de ouvir aquele lindo discurso, quem conseguiria ficar bravo com aquele ruivo lindo?

Sorrindo, o loiro foi até ele, dando-lhe um selinho de despedida.

– Tenha um bom dia, amor. Volte para casa bem.

Aproveitando, o ruivo o puxou para um beijo mais intenso, feliz pelo loiro não estar mais bravo consigo.

– Eu te amo, cuida bem de você pra mim, tá? E cuida do nosso filho também. — Deu mais um selinho.

– Tá. — deu outro selinho nele também, sorridente — Promete me contar para onde foi quando você voltar?

– Eu prometo, prometo tudo que você quiser. – O ruivo segurou o rosto do loiro, dando mais um beijo — é bom eu te largar antes que o Hyoga apareça e dê mais um chilique por estarmos juntinhos. Sabe Mi, eu acho que todas aquelas cenas é ciúmes de você... Viu como ele ficou irritado ontem só por que você não foi buscá-lo? Ele não se importa se eu não for, ou se eu não fizer o café dele... Mas quando é você, o pirralho vira bicho. — falava ainda abraçado ao loiro.

Milo riu baixinho, com os olhinhos brilhando. Como queria que Hyoga se importasse consigo daquele jeito...

– Quem sabe... Pode ser realmente que ele esteja com ciúmes.

– Eu tenho quase certeza, mas é bom ele ir se acostumando, por que eu não vou deixar de te agarrar sempre que eu tiver oportunidade. – Camus sorriu, apertando uma das nadegas do loiro, dando mais um selinho e se afastando.

– Seu tarado... Agora vai logo ou irá realmente se atrasar. Enquanto Hyoga não acordar irei me exercitar um pouco — Nos fundos da casa, Milo havia transformado um depósito que eles não utilizavam em uma pequena academia que usava sempre que podia.

Sorrindo, Camus sai de casa, precisava tirar a limpo umas coisas que o andavam incomodando muito ultimamente.

Assim que o viu ir embora, o escorpiano voltou para a cozinha e acabou de arrumar as coisas. Deixou o café da manhã do filho separado, a louça lavada e guardada e, assim que tudo já estava arrumado foi para sua pequena academia. Tirou a camisa para sentir-se mais a vontade, ficando apenas com o shorts e começou a levantar alguns pesos. Tão entretido que estava com seus exercícios sequer viu a hora passar.


Hyoga acordou sentindo a cabeça doer, olhou o relógio ao lado de sua cabeceira constatando que já eram dez da manha. Desde quando aqueles carrascos o deixavam dormir ate tão tarde sem importunar-lhe? Será que aqueles dois estavam se pegando de novo e o esqueceram mais uma vez? Aquilo já estava virando rotina! Por que queriam tanto um filho se não davam atenção e só se importavam um com o outro?

Foi até o banheiro e fez sua higiene matinal, vestiu calça e camiseta e desceu pra tomar café, não encontrando Milo na cozinha. Mas será possível que o loiro escandaloso saiu e o deixou sozinho em casa? Pelo menos o café da manhã estava pronto. Enquanto tomava seu café lembrou-se de Shun. Droga, como se já não bastasse dois gays em sua vida agora vinha mais um. Suspirou e perdeu o apetite.

Milo continuou fazendo os exercícios por mais alguns minutos, mas logo olhou para o relógio. Se espantou com a hora. Com um suspiro, pegou uma toalha e começou a se secar e, sem camisa como estava, saiu da academia e voltou para a casa. Iria tomar uma ducha antes de acordar Hyoga.

Assustou-se quando viu a cabeleira loira do filho da cozinha, tomando café — Já acordou?

– Não, estou dormindo ainda isso aqui é só uma projeção holográfica – O loiro mais novo estava mal humorado. Pelo menos o grego estava em casa, mas isso não anulava o fato de não tê-lo acordado.

– Bem, de qualquer forma eu ia te acordar daqui a pouco. Deixamos você dormir um pouco mais para nos redimirmos por ontem. – Milo suspirou, indo até a geladeira e pegando uma jarra com água. Pegou um copo e o encheu, tomando tudo — Iremos ao psicólogo logo. Mu está nos esperando, só tomarei uma ducha rápida e já vamos.

– Eu não vou!

– Vai sim. – O escorpiano não dá chances para resposta, deixa o copo na pia e indo para o banheiro, iria tomar um rápido banho para tirar o suor do corpo.

O aquariano bufou irritado. Só podia ser uma conspiração universal contra si, pelo amor de Zeus nunca vira ninguém tão azarado. Um pai que era um verdadeiro monstro, um pai adotivo que não se importava consigo, só se importava se o maridinho estava bem, aquela bicha... e outro que era uma bicha louca, que dizia que se importava consigo mas esquecia-se de si na primeira oportunidade de ficar a sós com o marido! Quem não enlouqueceria com tanta gente falsa e mentirosa em volta? E ainda tinha o maior de seus problemas, uma bichinha que se fazia de mulher so para lhe seduzir! Zeus... Precisava acordar daquele pesadelo.


Milo ainda sentia-se culpado por ter esquecido-se do filho. Jamais se perdoaria por isso. Iria morrer com o peso da culpa nas costas e sabia disso, só restava ao menos tentar se redimir. Depois do psicólogo iria levar Hyoga para algum lugar que ele gostasse... Um parque de diversões, talvez. Ou ir ao shopping, o deixaria escolher.

Acabou de tomar banho e rapidamente se secou e se vestiu. Precisavam ir logo ou se atrasariam.

O escorpiano desceu as escadas correndo, pegando as chaves do carro no meio do caminho

– Hyoga, vamos! — o chamou, arrumando sua camisa, já parado na porta.

Em silêncio, Hyoga foi para o carro, e em silêncio sentou-se e passou a ignorar o loiro escandaloso.

Após trancar a porta e entrar no carro, Milo começou a dirigir. Entendia o porquê de Hyoga não querer ir a um psicólogo já que, há muitos anos atrás, teve de ir a um também. Saga teve que praticamente amarrá-lo e levá-lo, porque não queria ir nem que lhe dessem ouro apenas por pisar na sala do psicólogo. Mas hoje agradece a Saga por ter feito aquilo.

– Hyoga, entenda, é para o seu próprio bem... – tentou falar com o filho. Queria ao menos que ele entendesse que não lhe queriam mal.

O mais novo não respondeu, não queria papo com Milo. Na verdade não queria conversa com ninguém, e se Milo, Camus ou até mesmo o maldito psicólogo achavam que iria de alguma forma abrir a boca durante a sessão, estavam enganados!

O grego suspirou. Se Hyoga não queria conversar, entenderia.

Fizeram o resto do trajeto em silencio. Após cerca de uma hora, chegaram ao consultório psicológico e pararam em um estacionamento na frente do prédio. Milo entrou com Hyoga e, quando este foi chamado, deixou-o entrar sozinho. Não poderia estar com ele durante as sessões. Apenas disse a ele que iria para uma biblioteca que ficava ao lado e, caso não estivesse ali quando terminasse a consulta, esperasse alguns minutos que logo chegaria.

Com um suspiro, Hyoga entrou na sala e viu uma estranha figura de cabelos lilases. Certo, quem seria o ser humano que usaria cabelos daquela cor? Um psicólogo esquisito foi o que lhe arrumaram. Ainda bem que não tinha nenhuma pretensão mesmo com aquelas sessões.

Mu estava sentado em sua mesa, fazendo algumas anotações, quando ouviu a porta se fechar. Levantou a cabeça e sorriu gentilmente para o pequeno garoto loiro que estava na sua frente. Levantou-se e foi até ele, sorrindo docemente.

– Muito prazer, me chamo Mu. Qual o seu nome? — Sabia que aquele era o Hyoga, pois agora era o horário dele, mas gostava que seus pacientes se apresentassem por si mesmos, e quando se sentissem a vontade o suficiente para isso.

– Eu vou ser bem direto, não quero estar aqui, só vim por que sou obrigado, não quero ser seu amigo, não quero conversar, Então vamos passar essa uma hora aqui e calados, você ganha seu dinheiro e eu fico livre daqueles idiotas que pensam que sabem tudo de mim. Tudo bem pra você?

Certo, aquele ia ser difícil.

– Hm... Não acho certo ganhar dinheiro de forma tão desonesta assim... Mas por que você não se senta? Irei preparar um chá para nós. Quer biscoitos ou bolo?

O loiro apenas o olhava. Zeus e ainda faltavam cinquenta e cinco minutos.

– Bem, se você não vai escolher, irei pegar os dois. – Mu sorria amigavelmente a todo o instante. Não iria forçar Hyoga a fazer o que não queria — Por favor, sente-se, voltarei logo. — entrou na pequena cozinha que havia em seu consultório, começando a fazer o chá.

E essa agora, em vez de atender-lhe de forma profissional o esquisito ia fazer chazinho... Bem, era dinheiro de Camus, o ruivo devia ter muito pra gastar com uma bobagem daquelas, sabia que psicólogos não eram nada baratos.

O ariano voltou alguns minutos depois com o chá e viu que o loiro já estava sentado. Foi até ele, sentando-se em sua frente, colocando a xícara de chá dele na mesa, junto com alguns biscoitos e um bolo.

– Coma o que quiser. — pegou o seu chá e se encostou-se à cadeira, sorrindo enquanto o olhava — Bem... Por que você esta aqui? — Não falaria o nome do garoto até ele se apresentar. Se ele não queria se apresentar, iria respeitar isso.

– Além de tudo é surdo. Não ouviu eu dizer que me obrigaram? — Droga, já estava falando mais do que o planejado.

– Essa parte eu entendi, só não entendi o porquê te obrigaram. Eles queriam que você viesse aqui por alguma razão, certo? E qual seria essa razão?

Hyoga deitou no divã e fechou os olhos, pelo menos se dormisse a hora passaria mais rápido.

Mu suspirou. Hyoga não estava colaborando, mas já esperava por isso.

– Se não quiser falar, eu entendo... Então por que não falamos de outra coisa?

O loiro abriu os olhos e encarou o outro, curioso.

– O que, por exemplo?

– Hm... Não sei. — ficou pensativo por alguns segundos- De algum filme, talvez?

O russo apenas fechou os olhos de novo, não queria falar sobre filmes.

Droga, havia perdido ele novamente!

– Talvez de videogames? Me dê alguma sugestão.

– Sugiro você ficar calado e me deixar em paz. Que tal?

– Sugestão negada. Pense em outra coisa.

– Por Deus, será que você consegue ser mais chato que o Milo?!

– O Milo é chato? Por quê?

– Não é da sua conta! — droga pra quem não ia falar nada ate que estava bem comunicativo.

– Não falaremos do Milo então... E o Camus, o que acha dele?

– Hunf, você não vai desistir, não é? Então vou satisfazer sua curiosidade um pouco. Eu me chamo Hyoga, tenho quinze anos, odeio tudo e todos que me cercam inclusive você.

– Pode me odiar, eu não ligo. Mas pode me dizer ao menos o motivo?

– Você fala demais.

– Estou apenas fazendo meu trabalho, me odeia por causa disso?

– sim.

– E por que odeia as outras pessoas?

– Eu acho que nosso tempo acabou senhor psicólogo. Até mais.

– Não, ainda não acabou. Temos vinte minutos.

Hyoga acomodou-se melhor no divã, colocou os fones de ouvido, procurou sua mpusica favorita no celular e fechou os olhos, teria vinte minutos para curtir uma boa música.

Mu suspirou e foi até ele, pegando-lhe os fones e o celular e levou-o até sua mesa, trancando-o em uma gaveta.

– Isso está confiscado até o fim da sessão.

O russo bufou irritado. Aquilo ia ser pior do que imaginava.

– O que você quer?

– Fazer o meu trabalho direito. Estou tentando ser legal, Hyoga, e você não esta colaborando.

– Certo você não tem culpa se meus pais são uns retardados que acham que preciso de psicólogo. Mas só não me force a fazer o que não quero.

O ariano voltou a se sentar.

– Hyoga, por que você não gosta dos seus pais?

– Eles não são meus pais! — agora que se dera conta que chamara Camus e Milo de pais. Será possível que aquela consulta já estava fundindo sua mente?

– Certo, reformularei minha pergunta então. Por que você não gosta dos seus responsáveis legais?

– Por que eles são uns gays miseráveis, duas bichas que ficam se pegado como cadelas no cio! Eu não os suporto!

– Se pegando? Eles já transaram na sua frente?

– Não! Claro que não! Que nojo! — fez uma careta só de imaginar aquilo.

– Então por que você diz que eles ficam se pegando como cadelas no cio?

– Por que eles ficam. Já perdi as contas das vezes que os peguei se beijando. É nojento!

– Se beijando? E eles fazem algo mais?

– O quê? você acha pouco?

– Bem... Eles são casados, não? É normal pessoas casadas se beijarem, afinal essa é uma demonstração de afeto. Nunca viu os casais na rua? Os homens sempre beijam suas amadas e vice-versa.

– Exato! Homens beijam mulheres e não outros homens!! Homens não se beijam, homens não se casam com outros homens, isso está errado!

– Por que está errado? Que coisas diferentes homens que amam outros homens, ou mulheres que amam outras mulheres, fazem de homens que amam mulheres?

– É errado! O homem foi criado pra mulher, e a mulher pro homem! É a lei da natureza! Dois homens juntos é nojento, aberração! — lembrou-se de ter beijado Shun, o beijo fora tão... Diferente de tudo que já provara... Mas aquilo era errado, era outro homem. Não podia ficar doente igual Camus e Milo

– O amor é nojento, Hyoga?

–Não há amor entre duas pessoas do esmo sexo, só safadeza, sem-vergonhice mesmo!! Gays não amam, não têm sentimentos, só pensam no prazer e não medem esforços para conseguirem o que querem!

– Mas se eles não se amam e só querem prazer, para que se casam? Não acha que é mais fácil eles ficarem sem ninguém para poder deitar com quem quiser?

– Eles só querem brincar de casinha. Papai, mamãe e filhinho! Quando eles cansarem disso vão me jogar fora, como se eu fosse lixo! — levantou e passou a andar de um lado pro outro, como um animal enjaulado.

Oras, isso era um progresso. Ele estava se abrindo, contando seus medos.

– Por que eles teriam todo o trabalho de te adotar para depois te abandonar?

– Já disse que gays não são confiáveis!

– Bem, eu concordo com você que nem todos os gays são confiáveis, existem uns ruins... Mas também não existem héteros ruins?

– Existe alguns heteros ruins e já os gays são TODOS ruins. Isso é um fato incontestável!

– Todos? – Mu arqueou uma sobrancelha. O tempo estava acabando, mas fizeram bastante progresso — E aquele homem que, a algum tempo atrás, salvou três pessoas de um incêndio? Ele era gay. E o médico que, apesar de ter tudo, largou tudo para ir ajudar as crianças famintas na África? Ele era gay. E a empresária que, apesar de não ter tempo nem para ela, gasta seus poucos minutos de descanso indo em instituições de caridade? Ela é gay. Existem gays bons, Hyoga, é só você querer vê-los. Abaixe a guarda e tente ver o quanto seus pais só querem o seu bem. — suspirou e se levantou, indo até a porta, sorrindo amigavelmente — Bem, nosso tempo acabou. Até semana que vem. Foi um prazer te conhecer, Hyoga.

– Pena que eu não posso dizer o mesmo! — Só era o que lhe faltava, o psicólogo tentando convence-o que gays eram bons! Saiu da sala indo pra o elevador. Queria sair logo dali, queria um minuto de paz, queria ficar longe de Milo, Camus, Mu, Shun, todos esses malditos não o entendiam, só o julgavam.



Continua...